2. Presentasjon av analyseobjektet
2.1. Presentasjon av Selvaag Bolig
2.1.1. Selvaags egenkapitalutvikling
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O que sabemos sobre jovens não torna possível falar apenas em uma juventude, no singular, mas sim em juventudes. Todavia, mesmo neste espaço plural, os jovens rurais permaneceram quase despercebidos e só recentemente começaram a ganhar destaque em dissertações e teses acadêmicas (SALES, 2013; 2006).
Entendendo a juventude como uma construção social, uma análise sobre os significados que são atribuídos a esta fase da vida pelos jovens dos assentamentos demanda um estudo específico que leve em conta o universo da vida do Assentamento. Seria então necessário um estudo aprofundado, que contemplasse diferentes aspectos, por exemplo, como o trabalho, a divisão de tarefas, o casamento, a família; além de outras fases do ciclo de vida, como a infância e a vida adulta. Esta pesquisa limita-se a analisar informações sobre alguns aspectos da vida desses jovens, apreendidas nas entrevistas e também resultantes da observação, a partir das quais se pode tecer algumas considerações sobre os jovens assentados.
Não existe uma homogeneização da juventude rural. A maioria dos estudos sobre juventude rural considera apenas os jovens que vivem no campo e são filhos de agricultores, e desconsideram outros jovens como filhos de grandes proprietários, jovens empresários rurais e jovens de comunidades tradicionais (CASTRO, 2009). Embora o termo juventude rural seja empregado como sinônimo de jovens agricultores, todas essas categorias fazem parte do universo rural. Desta forma é preciso definir quem são os jovens que estamos falando. O estudo aborda os jovens agricultores assentados como grupo específico, sem se reportar a uma categoria mais ampla da qual ele faz parte – os jovens rurais.
Primeiramente, estudar os jovens rurais implica valorizar o lugar social da juventude do campo, com suas especificidades, e tentar entender de forma mais precisa seus significados, implicações e formas como esses sujeitos relacionam-se entre si e com o contexto a qual estão inseridos.
A identificação como jovem é resultado de um processo histórico socialmente situado e, ao mesmo tempo, é construído por auto-definição. Por isso, é importante estudar como estes jovens entrevistados se auto-definem no contexto em que vivem e enquanto sujeitos sociais que estão construindo modos próprios e legítimos de agir, pensar, sentir e, particularmente para esta investigação, modos de viver em um contexto de um assentamento rural.
Os jovens pesquisados compõem um grupo coletivo que é constituído por jovens homens e mulheres, com experiências e relações familiares distintas, e opiniões e atuações
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diferentes que lhes conferem uma biografia com importante singularidade, e se trata de um grupo heterogêneo, como considerados por alguns estudiosos da juventude do meio rural.
Dos entrevistados, a maioria considera-se jovens, mas alguns acham que já saíram dessa fase e justificam com argumentos bastante distintos. Os jovens definem-se como jovens ou não baseando em atitudes relativas ao convívio social/sociabilidade como:
Eu dançava quadrilha, gostava demais, foi antes de te conhecer (*referindo-se a sua companheira), há seis anos atrás né? Há uns sete anos quando eu tinha 17 anos. Eu gostava, é tradição também, eu gostava de competir, é, dançava festival grande. Eu não dançava nessa quadrilha daqui não, dançava do outro assentamento ali, do Zé Lourenço. A daqui não dá pra mim não, como é que se diz, tô velho já (JG7).
Ou também levando em consideração a faixa etária: “Eu jovem? já tenho 32 anos” (jd4). Alguns informantes vêem como fronteiras precisas entre as fases de jovem e adulto o fato de estar em período escolar. No entanto embora se reconheça como jovem, fala como se não pertencesse a essa categoria social. Alguns informantes também relacionam serem jovens com sonhos e desejo de mudanças.
Quando eu estudava eu gostava muito de jogar bola, até hoje eu gosto de jogar bola, de brincar, de estar metida nas coisas, de dançar quadrilha, isso tudo eu gosto de tá metida nas coisas (jc3).
Aqui os jovens são bons de lutar, eles podem lutar com a gente e a gente pode lutar com eles, eles gostam de participar das coisas, tem uns que gostam, tem uns que não gostam, tem outros que não se importa, mas a maioria se importa (jc3).
Ser jovem é muita coisa, ser jovem é uma coisa que eu não consigo explicar muito, mais eu mesmo me vejo como um jovem que no futuro posso ter muitos sonhos, como eu tenho agora né (JC3).
O jovem pode transformar o meio rural depende de cada um né, se ele quiser (JG7).
Em relação a sua condição de vida como um jovem que mora com os pais e um jovem assentado com responsabilidades, os jovens afirmam que não existem muitas diferenças no cotidiano de um filho de assentado e um jovem assentado, mas sim na forma de viver a vida e na conquista da autonomia. Além disso, os jovens também relacionam a sua autonomia vinculada à maior responsabilidade:
Ser jovem em uma área rural? é complicado né, você não tem experiência de nada, aí você tem que se virar dar uns pinotes. Fazia algumas coisas, tinha de se virar e de ajudar de algum jeito. Hoje mudou muito né? Lá nós não tinha nem a casa pra morar, morava com a minha mãe, era da minha mãe, mas não é minha, outra coisa é que é minha né. Logo quando nó se ajuntemos nós tinha só duas colher, um copo, um pote, um fogão véi de duas boca, um pote quebrado, rachado, uma panela, logo quando a gente se ajuntemos, aí viemos pra cá foi que as coisas foram melhorando (JG7).
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porque eles ficam ajudando os pais deles, não tem diferença não, a diferença é que não é dele né, se ele tiver uma oportunidade vai procurar uma pra ele também (JG7).
É melhor né, agora é sim... Eu tenho tv, dvd,freezer, fogão a gás, telefone celular não tinha antes de ser assentada, fui conseguindo porque eu trabalhava, trabalhava um dia aqui outro acolá, o bolsa-família também né, ajuda...Quando eu cheguei aqui o terreno era cheio de mato igual esses aí, foi muita luta viu, aqui foi um projeto que a gente fez, ai a gente pagava as pessoas. A minha família todinha é da fortaleza, não veio nenhum não (jd4).
Família que eu não tinha e passei a ter família aos 18 anos de idade, dos 18 pros 19 né, e assim tenho uma vida melhor, antigamente como eu vivia, tá uma maravilha agora (JC3).
Sei lá, é diferente, bastante, bastante diferente porque quando eu morava com a mãe, eu não cuidava de bicho e não fazia nada, esse chiqueiro de bicho aí foi bem dizer eu sozinha que fiz com a ajuda dos meninos, eu se boto fazer as coisas sozinhas, quando ele não está aqui eu me boto a fazer as coisas sozinhas [...]Acho que é bom, porque toda coisa que tem aqui eu tô metida aqui dentro, depois de casada é a mesma coisa, não mudou nada, só mudou porque eu tive filho e pronto porque o resto não muda não [..] Pra onde eu vou eu levo (jc3).
As jovens que já são mães e os jovens que são pais na sua maioria também se incluem neste grupo, assinalando que a maternidade ou paternidade não se configura necessariamente como um marcador da fronteira entre a fase da vida de jovem para adulto. Nos depoimentos acima expostos foi possível perceber que os jovens se definem principalmente pelas atitudes e formas de pensar e não por critérios etários rígidos e definidos, e embora assumam responsabilidades como família e trabalho eles ainda se identificam como pertencentes à categoria de juventude do meio rural, evidenciando que essa definição obedece mais aos modos como esses sujeitos pensam e agem no contexto de suas realidades.
Além disso, percebe-se que quanto mais responsabilidades e independência esses jovens adquirem em suas vidas, mais eles se distanciam da definição de jovens e se aproximam da definição de sujeitos adultos. De tal forma que a definição da passagem à vida adulta está mais no campo simbólico (levando em consideração as responsabilidades assumidas como casamento, trabalho, paternidade) do que nas definições e características dos sujeitos.