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Det ressursbaserte synet

In document Verdsettelse av Selvaag Bolig (sider 14-0)

3. Teoretisk forankring

3.1. Årsaker til konkurransekraft

3.1.2. Det ressursbaserte synet

No município de Chorozinho, em 2013 havia 28 escolas municipais, 1 escola particular e 1 escola estadual de nível médio. A escola estadual possui 1 biblioteca e 1 laboratório de Informática, enquanto que nas escolas municipais apenas 8 possui biblioteca, e somente 12 possui laboratórios de informática. O total de professores da rede escolar era de 244 professores, distribuídos em 37 docentes estaduais, 200 municipais e 7 de escola particular. Em relação ao número de alunos matriculados tem-se: 5.463 alunos, dos quais 4.441 eram estudantes das escolas municipais, 869 eram matriculados na escola estadual e 153 estudavam na escola particular (IPECE, 2014).

Todavia o Assentamento Rancho Alegre não possui em sua área nenhuma dessas escolas, de forma que o acesso à educação acontece na comunidade vizinha, denominada de Capoeiras, distante 3 km do Assentamento durante os anos iniciais de alfabetização e na cidade de Chorozinho no período do ensino médio. Embora nenhum jovem participante da pesquisa ainda esteja estudando, alguns possuem filhos em idade escolar, e sonham que um dia a comunidade tenha uma escola.

Aqui não tem escola tem um colégio ali mais fechou, mas aqui dentro não, escola e igreja tudo a gente já sonhou, já sonhava já, eu não sei dizer porque não acontece (jc3).

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como relata uma jovem entrevistada: “Aqui, ela vai pra alí, pra pitó, pra bodega que tem ali,

a pitó, aí ela pega a topic, o carro pega e vai deixar e buscar” (jjd). A existência do

transporte atende ao disposto na Lei nº 10.880, de 9 de junho de 2004, que instituiu o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) no Brasil e tem como objetivo oferecer transporte escolar aos alunos do Ensino Fundamental público residentes em áreas rurais (BRASIL, 2004c).

Os dados da Tabela 5 apresentam a escolaridade dos jovens sujeitos da pesquisa e indicam que dos 15 jovens pesquisados todos freqüentaram a escola, sendo que as mulheres passaram menos tempo na escola e apresentam o menor nível de escolaridade. Atualmente apenas uma jovem ainda estuda e está cursando o ensino médio/ técnico em agropecuária.

Tabela 5 - Escolaridade dos jovens assentados.

Escolaridade dos jovens Numero de jovens por sexo

Masculino Feminino

Ensino fundamental incompleto - 4

Ensino fundamental completo 2 1

Ensino médio incompleto 4

Ensino médio completo - 2

Ensino médio/técnico incompleto - 1

Ensino médio/técnico completo 1 Fonte: Pesquisa de campo (2014).

No que tange ao aspecto educacional, visualiza-se que a escolaridade dos entrevistados é baixa, os quais 7 destes possuem apenas o ensino fundamental (incompleto ou completo) e os 8 restantes apresentam ensino médio (completo e incompleto). Salienta-se, no entanto que existem perspectivas de maior grau de escolaridade por parte dos entrevistados.

Quando perguntado sobre os motivos de não terem concluído os estudos as respostas são variadas entre os jovens. Quanto às jovens mulheres rurais, existe a necessidade de superar problemas históricos. A desistência das mulheres relaciona-se diretamente com o fato de terem engravidado e não terem mais condições de frequentar a escola. Dados do IBGE (2000) apontam que quase dois terços das mulheres rurais engravidam entre 15 e 21 anos de idade e, quase a metade, não utiliza qualquer método contraceptivo.

Entre os homens os motivos que se destacam é que chegavam cansados do trabalho e não tinham mais disposição para ir até a escola, como podemos visualizar nos depoimentos abaixo:

Eu fiz até a 5ª série, eu morava lá em Messejana ai eu vim embora pra cá, ai eu tive um filho, aí eu não pude mais estudar, porque eu morava mais a mãe, e a mãe não ficava com ele para eu estudar, aí no momento que eu resolvi estudar que ele cresceu, eu fui lá na messejana buscar a transferência, ai lá não tinha negócio de computador pra arquivar lá os papéis, era só manual mesmo, aí butaram lá no

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quarto dos arquivos morto e os cupins comeram a minha transferência... Ai eu por desgosto não fui mais estudar mais não porque eu não tinha declaração nenhuma (jg7).

Eu estudei até a 4ª série porque eu engravidei do meu outro menino aí, né eu parei, eu tinha 17 anos (je5).

Eu estudei até a 8ª série eu parei porque engravidei do meu filho mais velho (jd4). Eu estudei o ensino médio incompleto, faltou só o 3º ano para terminar... Eu tava terminando no final do ano eu desistia... Eu estudava o ano todinho e quando era em outubro eu desistia. Chegava a safra da castanha, ora, eu ia trabalhar e chegava cansado, ai eu não ia para a escola mais não (JG7).

Podemos constatar que em relação aos desafios ao acesso e permanência escolar dos jovens assentados se relacionam com um contexto socioeconômico mais amplo referente à classe jovem trabalhadora em geral, seja do campo, do urbano, negros, índios, etc, que na maioria das vezes, são levadas por circunstâncias que antecipam as responsabilidades da vida adulta como gravidez, casamento e trabalho.

Em geral o jovem rural precisa ir às sedes dos seus municípios regularmente para estudar, alguns somente para cursar o ensino médio, e outros durante todo o seu período de escolarização. Nesses espaços urbanos os jovens terão acesso a um diferente modo de vida e relacionamento social, e conseqüentemente passarão a confrontar os valores da vida do campo com os da cidade, e despertarão o desejo de viver esse modo de vida diferente do seu (SIQUEIRA, 2004). No entanto, essa circulação entre o campo e a cidade, pode gerar nos jovens uma visão positiva quanto ao melhor modo de vida, além de uma maior visão quanto a diferentes culturas e adquirirão uma maior socialização com outros grupos.

Os jovens pesquisados realizaram seus estudos em escolas públicas localizadas em áreas urbanas, com uma educação voltada exclusivamente para o meio urbano e descontextualizada de suas realidades. Para os mesmos o acesso à educação formal não estimulou o abandono do meio rural, e embora a educação seja culturalmente considerada um dos meios para garantir “um futuro” melhor diante das dificuldades do meio rural não é o único meio, nem necessariamente torna obrigatória à saída do campo.

Eu fiz até a 5ª série, eu morava lá em Messejana ai eu vim embora pra cá (jg7). Eu estudava no chorozinho, quando eu estudava no triângulo ai eu ficava, os meninos ficavam com preconceito com a gente, porque a gente era sem terra, aí eles diziam que sem terra não tinha nada, não tinha terra, não tinha nada, a gente tava nas barracas era, eu era incomodada quando nós, os outros tinha preconceito com a gente, a gente ficava mal humorada né, porque a gente não tinha como fazer nada, a gente não tinha terra mesmo né, morava nas barracas ainda, não tinha ganhado nosso pedacinho de chão ainda. Eu graças a deus não vi até agora nenhum deles não, se eu pudesse eu passava na cara né, mas eu não posso (kkkkk) (jc3).

No depoimento da jovem JC3 pode-se perceber o preconceito sofrido por esses jovens no ambiente escolar a qual freqüentavam na cidade, por serem filhos de acampados, mas comumente conhecidos por Sem Terra. Embora a jovem relate que isso a aborrecia, mas não era um fator de desistência para os estudos, a mesma manifesta o desejo de poder mostrar para os seus antigos colegas de escola que hoje é dona de um lote de terra, e que essa conquista contribuiu significativamente para a melhoria de sua vida, revelando o orgulho de

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suas conquistas ao longo do tempo.

Em relação ao grau de escolaridade dos jovens percebeu-se ainda que a média de anos de estudo não variou em função dos jovens que sempre ficaram na comunidade e os que tiveram a experiência em atividades urbanas, os mesmos freqüentaram quase o mesmo tempo de escola. Assim, escolaridade não pode ser considerada neste caso como um fator determinante para definir quem permanece ou saí do campo.

É possível dizer, então, que educação interessa bastante, mas não preocupa muito, o que parece congruente com as respostas que avaliam positivamente a escola, no sentido de que parece um campo assegurado, pelo menos como possibilidade. Já emprego interessa e preocupa ao mesmo tempo, o que pode indicar que trabalho, mais que educação, aparece como ponto crítico para esta geração de jovens. (ABRAMO, 2008, p. 62).

Para os jovens pesquisados a educação formal influiu pouco em sua ocupação, e foram os conhecimentos tradicionais aprendidos com o pai, mãe e/ou irmão e vizinhos que deram a base para o trabalho na terra e o domínio das técnicas produtivas, além da gerência da unidade de produção. Desta forma o saber vem dos momentos partilhados e troca de experiências entre os membros da família, somados a sociabilização com os vizinhos e a comunidade, além de aprendizados em espaços e entidades formais como associações, sindicatos e agentes de extensão, e informais como grupos religiosos e artísticos.

Mesmo não tendo concluído os estudos os jovens ressaltam a importância da educação e buscam sempre que podem realizar cursos por meio de instituições locais que trabalham modelos de educação formal ou informal, e acreditam que a formação auxilia na manutenção e no aperfeiçoamento das unidades produtivas, podendo contribuir com um melhor desenvolvimento e geração de renda.

Eu nunca fiz cursos, nem participei de movimento não, só o meu marido mesmo, ele participa, quando ele tem tempo onde tem um curso ele vai, ele fez um curso já no assentamento sete de setembro (jc3).

Os cursos quando eu posso eu participo né, que teve a escola camponesa que eu participei da escola camponesa né, e do curso da ufc e só. Eu planejo fazer um curso na área técnica mais não agora, quando for mais na frente, um técnico, um curso técnico (JC3).

Os jovens pesquisados valorizam culturalmente a escola e ressalta a necessidade de aliar educação formal com o saber técnico apreendido na vida no campo e assim para eles, iniciativas como a Escola Família Agrícola Dom Fragosos são fundamentais para qualificar os jovens e gerar um campo com oportunidades, pois integram as disciplinas com o cotidiano rural. Dos jovens pesquisados apenas dois estudaram em uma escola voltada exclusivamente

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para o meio rural, a Escola Familiar Agrícola Dom Fragoso situada no município de Independência/CE.

O Gadelha ele é um exemplo, isso, até antes há um ano atrás eu me espelhava por ele né, porque ele é uma pessoa que sempre buscou o estudo pra vida dele e uma melhoria, então eu me espelho nele (JC3).

O Gadelha ele se formou agora, é daqui acolá ele troca com nós aqui, nós já tem trocado né, mas agora parei porque agora aumentou mais o movimento né, e ele tá lá no movimento dele, esses três anos parado né bem dizer, né agora que ele está continuando, mas aqui acolá eu ajudo ele, e ele ensina, ele ensina por aqui, diz tudim como é, anota o que ele diz, o que ele diz é bem vindo (JG7).

A Escola Família Agrícola tem contribuído para aumentar a escolaridade ao adotarem o regime de alternância, em que os estudantes passam duas semanas na unidade familiar e outras duas na escola. Esse modelo de alternância estimula nos jovens a articulação dos conhecimentos adquiridos na unidade de produção com aqueles ensinados na escola, de forma que os jovens ao mesmo tempo em que estudam, contribuem para a produção agrícola familiar e da comunidade a qual está inserido e recebem formação técnica útil para os que escolhem a vida rural.

Segundo Raumsol (2000, p.43): ”Não basta indicar à juventude uma meta, um objetivo pelo qual valha à pena lutar, mas, sim dar-lhes chances de participação, de trabalho, de criação”. As práticas educativas desenvolvidas na Escola Família Agrícola contribuem com a formação de um jovem autônomo, solidário e participativo. Os jovens educandos desse modelo educacional passam a ser protagonistas atuando como ator principal no processo de seu desenvolvimento e através de uma participação ativa, construtiva e solidária, se compromete com a solução dos problemas reais da comunidade.

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