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Proposals for theme session for ASC 2007

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Propus analisar os dados obtidos em campo através da proposta de Minayo (2010), especificamente no que tange a uma abordagem hermenêutico- dialética das informações. A autora conceitua a hermenêutica e a dialética, a primeira associada à compreensão e a segunda à capacidade de estranhar e criticar. A junção destes dois conceitos, e destas duas ferramentas de análise, se funde numa capacidade de compreender o texto e

13 Laboratório ligado À STDS que anuncia como sua missão Promover a inclusão de pessoas com deficiência e vulnerabilidade social no mercado de trabalho. É este setor o responsável pelas seleções para estágios na secretaria, por liberação de pesquisas em suas unidades e pela realização de oficinas em empreendedorismo e acessibilidade.

tudo o que ele diz (ou nem diz) de maneira crítica, relacionando-o não apenas com o contexto do vivido, mas com a totalidade dos fenômenos.

A autora traz uma proposta operativa (MINAYO 2010, p.350) para o método de análise hermenêutico dialético, e em primeira instância o concebe em dois níveis.

O primeiro nível se refere ao que ela chama de “campo das determinações fundamentais”, ou seja, uma ampla e necessária contextualização sócio-histórica que garanta à realidade pesquisada, uma conexão com a totalidade.

Recomenda que esta etapa aconteça ainda na fase exploratória e que ela traga ao pesquisador um conhecimento a respeito da realidade em que seu objeto se insere.

Seguindo os rumos do que foi proposto pela autora, empreendi uma busca pela contextualização da política de Acolhimento Institucional, e mesmo da política de Assistência Social (da qual ela é elemento integrante e serviço). Mapeei as instituições que lhes moldaram ao longo dos anos, bem como, a parte de leis e normativas e seus discursos;

Também trouxe um delineamento do perfil dos que eram, e dos que são, acolhidos institucionalmente, tratando sempre com foco em crianças, adolescentes e jovens; busquei mapear o fenômeno, as realidades e as redes a ele articuladas e relacionadas, compreendendo, no entanto, que, ainda a totalidade por mim encontrada, será sempre parcial. (MINAYO 2010, p.354). Os frutos destes esforços foram expostos, de maneira nem sempre linear, ao longo deste escrito.

Num segundo momento interpretativo, seguindo a proposta operacional em destaque, encontro-me com várias concepções, diretas e indiretas, explícitas e implícitas, do que é “viver em um abrigo”.

Empenho-me em encontrar os sentidos, a lógica interpretativa, o que está projetado e até escondido nos discursos e nas vivências, para chegar a um universo inteligível em torno do que seja a vida num acolhimento institucional.

Neste trabalho procurei levar em conta o jeito muito próprio que os meninos têm de se comunicar, e não me refiro apenas às gírias e outros recursos, mas também a uma cultura presente e singular no universo do sujeito “que-é-de” ou que “transita-por” um abrigo.

No dizer de Minayo (2010, p. 355), cada grupo tem sua cultura e um conjunto de significantes que lhe é próprio. De todo modo, faz ele parte de círculos maiores, onde está vinculado a significados mais abrangentes, que se relacionam e se intercomunicam. Aqui por exemplo, retomando o conceito de juventude, ilustro este movimento da seguinte maneira:

Figura 2- Círculo hermenêutico dialético de análise do "Viver em abrigo"

Fonte: produzido pela autora com base na proposta operativa de MINAYO( 2010, p. 355)

Partindo desta premissa, para título da realização de uma análise não apenas centrada no que me parece, ou que se molde tão somente em quadros comparativos, interligo as concepções das falas à totalidade dos discursos e do observado; articulo ainda ao contexto imediato que é o abrigo, local/situação em que vive o grupo pesquisado, que por sua vez também faz parte de um contexto mediato, forjado por seus determinantes histórico-sociais, e as categorias analíticas que esse contexto trouxe à tona.

Num trabalho meticuloso, vejo que da apreensão do cotidiano no abrigo e tudo o que dele faz parte, e da totalidade do material colhido, emergem por sua vez novas categorias, que me obrigam a retornar as categorias de análise com que iniciei meu trabalho. Neste movimento dialético, percebo surgirem, a confirmação de hipóteses e pensamentos iniciais, ora novas constatações, ora a necessidade de me aprofundar em novas categorias. (MINAYO 2010, p.356)

Para chegar a uma apreciação dos dados, segui as etapas do segundo nível de análise interpretativa. Fiz uma transcrição cuidadosa do que falaram os jovens durante o grupo focal e as entrevistas; também organizei o material escrito durante o grupo focal, digitalizando-o e recortando-o em trechos, que transformei em figuras que utilizo durante este

escrito a fim de ilustrar e reforçar significados; organizei os escritos que fiz durante os momentos imediatos à minha chegada do campo, verificando os mais relevantes.

Este esforço já me fez compreender que aquele material continha as respostas e as novas perguntas que eu buscava. E isso me instigou ainda mais para que, à luz das teorias estudadas, eu lesse o material por várias vezes, coletando sentidos e lógicas individuais e coletivas. (MINAYO 2010, p.357-358)

Cheguei assim ao desenvolvimento de alguns critérios de classificação que mesclaram as categorias empíricas, as categorias analíticas, e um recurso dialético. Busquei explicar o “viver em abrigo”, através do “viver o abrigo”, o abrigo em suas facetas reais e contraditórias, “o abrigo” também categoria.

Finalmente proponho uma análise final onde procuro compor e ilustrar meus achados de maneira a formar um todo coerente, fidedigno e pronto a responder meus objetivos, bem como a instigar, a mim e a outros, na construção de novas perguntas.

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