3. Results and Discussion
3.5 Lake Mjøsa biota
3.5.1 Selected PBT compounds
Para responder a questão deste estudo, foi realizada uma pesquisa de campo por meio de entrevista. A opção por esse método se deu pelas suas características, como: observar, registrar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los; por tratar-se de uma conversa orientada para um objetivo definido, a fim de recolher, por meio do interrogatório do informante, dados à pesquisa. A entrevista ainda é indicada nos casos em que não houver fontes mais seguras para as informações desejadas ou até mesmo quando for necessário completar dados extraídos de outras fontes (BERVIAN, CERVO e SILVA, 2007).
A seguir será apresentado o contexto institucional no qual as entrevistas foram realizadas, bem como os sujeitos da pesquisa, o contexto da entrevista e a descrição, análise e interpretação das categorias abordadas.
4.1- Contexto institucional
O Senac SP é uma instituição educacional criada em meados dos anos 1940, com o intuito de promover a profissionalização dos empregados do comércio e serviços. Com o passar dos anos sua atuação foi aumentado e, nos dias de hoje, além dos cursos livres e técnicos profissionalizantes, há também a oferta de cursos de graduação, extensão universitária e pós-graduação, atendendo aos mais diversos públicos.
É importante destacar que, exceto a graduação, as demais modalidades de formação também são ofertadas a distância, demandando novas estratégias e possibilidades de aprendizagem.
O Núcleo de Tecnologias Aplicadas à Educação (TAE) foi criado justamente para dar conta dessas novas demandas que a educação a distância apresenta27 e também para estimular a inserção de tecnologias em sala de aula.
27
Importante destacar que a proposta educacional do Senac SP é embasada no desenvolvimento de competências profissionais que procura fortalecer a autonomia dos alunos na aprendizagem, desenvolvendo sua capacidade crítica, a criatividade e a iniciativa. Dessa maneira, além dos conteúdos e recursos educacionais desenvolvidos pelo TAE, os cursos online ainda contam com mediação docente, atividades reflexivas e interativas, entre outras estratégias que visam o
62 Para desenvolver todas as soluções e recursos multimídia é preciso haver uma equipe multidisciplinar e qualificada para atender aos diferentes saberes envolvidos nesse desenvolvimento. No Senac SP essa equipe multidisciplinar é dividida, resumidamente, da seguinte maneira:
Coordenação do núcleo
Responsável pela gestão de todas as equipes que integram o núcleo; Equipe pedagógica
Composta pela coordenação de projetos, coordenação pedagógica e designers educacionais, que são responsáveis pelo desenho e estratégia dos cursos e recursos multimídia;
Equipe de produção
Composta pela coordenação de produção, designers de interface, programadores e ilustradores, que são responsáveis pela criação multimídia de todo curso;
Equipe de tecnologia
Composta pela coordenação de tecnologia e programadores responsáveis pela manutenção e customização do ambiente virtual;
Equipe administrativa
Composta por assistentes administrativos responsáveis por todos os assuntos funcionais e administrativos do núcleo.
É nesse contexto institucional, junto à equipe pedagógica, que os sujeitos selecionados para a entrevista atuam28.
4.2- Sujeitos da pesquisa
Os sujeitos selecionados para participar da entrevista são designers educacionais que possuem experiência de um e três anos nessa função; são graduados nos cursos de Comunicação e Multimeios, Jornalismo, Pedagogia e Tecnologia e Mídias Digitais; e têm entre 22 e 30 anos de idade.
desenvolvimento das competências-alvo propostas para os cursos. Fonte: Proposta pedagógica do Senac SP. Disponível em: http://www.sp.senac.br/pdf/29550.pdf. Acesso em 12/05/2001.
28
É no mesmo contexto institucional que a pesquisadora também atua como designer educacional há três anos, desenvolvendo cursos de extensão universitária, técnicos e livres.
63 Nessa equipe são desenvolvidos cursos online com diferentes propósitos: cursos corporativos, que são customizados de acordo com as necessidades dos clientes para o treinamento de suas equipes de trabalho, podendo ter o formato auto-instrucional ou mediado por um docente; cursos livres, que introduzem conceitos profissionais básicos voltados ao público de ensino médio; cursos de extensão universitária, que aprofundam alguns conceitos profissionais ao público do ensino superior e, mais recentemente, cursos técnicos, que oferecem formação profissional ao público de ensino médio.
Nesse sentido, os designers educacionais, além de mediar os envolvidos nos projetos em que atuam, ainda são responsáveis, durante a etapa de design, por desenvolver tarefas como:
Orientar e acompanhar o desenvolvimento do material educacional pelo conteudista, para que seja didático e de acordo com a mídia na qual o curso será veiculado, nesse caso, web;
Transformar o material desenvolvido pelo conteudista em roteiro e/ou
storyboard – roteiro desenhado - para que a equipe de produção transforme-o
no material educacional multimídia que será oferecido aos alunos;
Desenhar recursos educacionais, multimídia ou não, no material educacional, de preferência com auxílio do conteudista, possibilitando aos alunos outras possibilidades de interação e compreensão com esse material;
Elaborar, preferencialmente em conjunto com o conteudista, estratégias e atividades que fomentem a recordação de informações importantes – por meio de quiz e outras estratégias de memorização; que ajudem os alunos a organizar as novas aprendizagens e estabelecer significados com os conhecimentos anteriores – por meio de mapas conceituais, resumos, agrupamento das informações; que levem os alunos a exercer a criatividade e o pensamento crítico – por meio de brainstorm, elaboração de metáforas, estudo de casos e, principalmente, que incentive à cooperação entre os alunos no ambiente virtual – por meio de fóruns, trabalhos em grupo, análise e avaliação do trabalho dos colegas etc.
Já na fase de implementação dos cursos, outras demandas são necessárias para o andamento do projeto:
64 Análise e conferência do material produzido junto à equipe de produção multimídia, a fim de corrigir eventuais problemas técnicos no material e recursos;
Montagem do ambiente virtual com todos os conteúdos, recursos e atividades desenvolvidos para o curso em sequência lógica e com as devidas instruções para execução de cada etapa por parte dos alunos.
É importante reforçar que, dependendo do contexto institucional, essas demandas podem sofrer alterações significativas, aumentando ou atenuando as responsabilidades desse profissional.
4.3- Contexto da entrevista
Para a coleta dos dados foi utilizada a estratégia de entrevista que teve o propósito de investigar quais os conhecimentos que os designers educacionais têm sobre aprendizagem para elaborar recursos educacionais multimídia em cursos
online. Para tanto, foram utilizadas doze questões norteadoras embasadas nos
aspectos biológicos e culturais da aprendizagem e as concepções da aprendizagem multimídia e da carga cognitiva já abordados nesta pesquisa.
A entrevista foi gravada individualmente, na própria instituição em que o público selecionado atua, e teve duração média de vinte minutos cada uma. O público era composto por quatro designers educacionais do Senac SP. Eles discorreram, sem maiores problemas, sobre as questões abordadas, mas em alguns momentos houve a necessidade de elaborar perguntas complementares para que fossem melhor compreendidas e respondidas dentro do foco esperado.
Os participantes, apesar de pensativos com algumas questões, estavam bem à vontade e motivados a contribuir com a pesquisa. A escolha desse público se deu pelo fato de compartilharem do mesmo contexto institucional e da mesma equipe de trabalho que a pesquisadora, com demandas e métodos de trabalho afins.
65 4.4- Descrição, análise e interpretação dos dados
Ao iniciar a entrevista, com o propósito de assegurar a privacidade dos
designers educacionais (DEs), foi solicitado que cada um escolhesse um nome pelo
qual gostaria de ser tratado e, a partir de suas escolhas, eles passaram a ser identificados como: Carol, Jean, Marília e Peres.
A descrição, análise e interpretação dos dados coletados foram separadas por categorias de acordo com o referencial teórico desta dissertação, quais sejam: concepções biológicas e culturais da aprendizagem, concepções da aprendizagem multimídia e concepções da carga cognitiva.
4.4.1- Concepções biológicas e culturais da aprendizagem
Nessa categoria a análise e interpretação dos dados coletados buscou investigar os conhecimentos dos DEs sobre os processos biológicos envolvidos na aprendizagem e quais os fatores culturais que fazem parte de suas práticas diárias de trabalho.
Ao serem questionados sobre a clareza do processo de aprendizagem do aluno, cujo objetivo era investigar seus conhecimentos acerca dos processos biológicos e culturais, os apontamentos mais recorrentes foram sobre a importância da motivação e atenção desse aluno, bem como sua pré-disposição e faixa etária, conforme relatos: ! (Marília) " #$ % & ' #$ # (Peres)
Ainda foram apontadas as particularidades com que cada aluno aprende, a importância do professor em ambientes online, a utilização de diferentes tipos de
66 recursos educacionais e a recuperação e transferência de conhecimentos já presentes na memória: ( $ ) $ (aluno) (Carol) * + ) , , (recuperar) $ ' - , $ . +. (Jean)
Esses apontamentos dão conta de alguns dos processos biológicos e culturais envolvidos na aprendizagem, pois a motivação, atenção, recuperação e transferência de conhecimentos já presentes na memória de um indivíduo são apontados por Pozo (2002) como processos externos, complementares aos processos mentais, que podem otimizar ou minimizar a aprendizagem. No entanto, o quarto processo, consciência e controle da própria aprendizagem, não foi mencionado em nenhum momento pelos participantes.
Com o propósito de investigar alguma particularidade na prática dos DEs, foi investigado quais os conhecimentos sobre aprendizagem que eles consideram indispensáveis a um designer educacional no momento de elaborar um roteiro.
As respostas foram diversificadas e apontaram à importância de saber como é que a aprendizagem vai ocorrer para o aluno, além da necessidade de se considerar e tentar aproveitar alguns pontos dos ambientes web. Além disso, o tipo de conteúdo e a noção de qual impacto o recurso poderá causar também surgiram, conforme os primeiros relatos:
(o aluno) / 0 , , , . (Marília) 1 # (DE) . $ $ #
67
$
(Carol)
A questão da experiência, seja por observação em situações anteriores, por parte do DE, ou mesmo no sentido de propor experiências diversas ao aluno também foi observada por dois participantes em seus relatos:
( , $ ( , $ $ $ (Peres) " , $ ( , ( 2 $ ( , $ % 3 , , ( , , , . , . $ " , , , . ( $ (Jean)
Com esses apontamentos é possível perceber que há ciência sobre os diversos fatores envolvidos no processo de aprendizagem, incluindo os aspectos biológicos e culturais, porém, torna-se claro que todos esses conhecimentos que esses designers educacionais consideram indispensáveis em suas práticas profissionais resultam de suas observações diárias, como: conhecer o público-alvo, o propósito, o formato, o tamanho e o tipo de conteúdo do curso. Entretanto, isso não quer dizer que eles não tenham conhecimentos de natureza teórico-científica, porém, esses aspectos não foram observados em suas respostas.
4.4.2- Concepções da aprendizagem multimídia
Nessa categoria a análise e interpretação dos dados coletados objetivou investigar quais os conhecimentos que os designers educacionais selecionados possuem sobre as concepções da aprendizagem multimídia.
Para verificar, de maneira geral, o que os participantes entendem sobre aprendizagem online, eles foram questionados sobre quais são as principais características dessa aprendizagem.
As respostas emergiram, naturalmente, para o cuidado com a elaboração do material educacional, já que essa é a principal atribuição do designer educacional no
68 contexto institucional estudado. Os apontamentos ainda sugerem que o conteúdo
online deve ser mais leve e acessível, e sintetizar o que precisa ser dito; se utilizar
de mais recursos que facilitem a aprendizagem, já que o ambiente online possui um dinamismo e uma grande variedade em seus recursos, possibilitando buscas diversas ao mesmo tempo. O tipo de conteúdo, perfil do público-alvo, formato do curso e a integração de diferentes mídias foram também considerados como características relevantes da aprendizagem online, conforme os relatos:
# ! $ 3!
# #$ # (Carol)
, , $
(Peres)
% # (Marília)
(de aprender online) ! +
! 4" 5
61 . (
(Jean)
No apontamento da Carol observa-se a importância dos fatores culturais ao dizer que depende do perfil do público-alvo. Os discursos de Peres e Jean mostram- se de acordo com as concepções da aprendizagem multimídia apresentadas por Mayer (2009), que defende a utilização de diversas mídias no conteúdo dos cursos
online, por contribuírem para uma aprendizagem mais significativa.
Ao serem questionados sobre qual o objetivo dos recursos e estratégias educacionais que elaboram, as respostas indicaram, de maneira geral, a preocupação em facilitar a aprendizagem do aluno, promovendo sua atenção e motivação. Surgiu também a preocupação com o objetivo, linguagem e público-alvo do curso no momento da criação desses recursos ou estratégias, conforme apontam os relatos: ! 7 ( + $+ 7 8 ( 0 ( $ ! # $ # $+ #$ 3 # $ +
69
$+ $+ # +
$ + # $ ( (Marília)
# ( 0
$+
, ( $ (sem se sentir obrigado
a aprender). (Peres) 3 1 $ . # ( +. (Carol) 3 $ $ ! (Jean)
A preocupação em motivar o aluno a construir sua própria aprendizagem de maneira consciente não foi observada no discurso de nenhum dos designers educacionais, o que entra em desacordo com o conceito de design de recursos multimídia, segundo o qual deve-se tentar ajudar os alunos a construírem seus próprios modelos de aprendizagem (MAYER, 2009), o que acabaria por contribuir para a consciência e controle dos processos de aprendizagem dos alunos. Segundo Pozo (2002), na medida em que há consciência do processo de aprendizagem, esta se torna mais significativa para o aluno.
Entretanto, foi observado na fala da Marília o princípio da redundância, Filatro (2008), em que caso um elemento possa ser entendido por si só, não há necessidade de se utilizar um segundo elemento, o que poupará recursos cognitivos do aluno.
Ainda complementando a questão, foram colocadas duas situações para que os DEs avaliassem se haveria alguma diferença para a aprendizagem: a) material didático apresentado somente de maneira textual, e b) material didático apresentado de maneira multimídia.
As respostas de dois participantes penderam mais para o estilo de aprendizagem do aluno como fator determinante nessas situações, mas também houve duas visões diferentes, que enfatizaram a importância entre forma e conteúdo para mostrar que ambos são indissociáveis, além do fato de se aprender a todo o momento, independentemente do meio em que a informação está disponibilizada, e
70 também a vantagem do conteúdo multimídia em relação ao textual, por trabalhar a interação e os sentidos do aluno, conforme os relatos:
" , $ ( ( . ! + $ (Peres) 9 4 ( (Carol) : . 7 # / 3 ( , 1 $+ , / (Jean) 4 $ (diferença) " , # ( # ( . $ , $ ! $ # (Marília)
De maneira geral, eles percebem que a convergência dos elementos textual, imagético e auditivo é importante para a aprendizagem, até pelo fato de cada aluno aprender de uma maneira diferente, fazendo com que essa convergência atenda um maior número de pessoas. Entretanto, não justificaram essa percepção com base nos princípios da aprendizagem multimídia e nem em outras teorias. Algumas respostas sugerem que tal conhecimento provém de experiência adquirida com a própria prática de trabalho, e outras, além de experiência, também estavam baseadas em leitura de livros e artigos que abordavam o assunto:
(eu sei) ( ,
$ $
(Peres)
: (Carol)
71 Com o propósito de verificar se há clareza sobre os princípios da aprendizagem multimídia entre os DEs, foram questionados os papéis da imagem, texto e áudio na aprendizagem, e como eles pensam que esses recursos e estratégias auxiliam no processo de aprendizagem dos alunos.
No caso das imagens, as respostas indicam que seu papel está vinculado a auxiliar o aprendizado, pois, além de chamar a atenção do aluno, elas ainda complementam o conteúdo, possibilitando uma visualização mais ampla, melhorando a fixação dos conceitos abordados, conforme os trechos selecionados:
#
( ( (Peres)
#
(Marília)
Com relação ao texto, também ficou perceptível que existe consciência sobre sua importância, pois reconheceram que cabe a ele o papel explicativo dos cursos e, por isso, precisa ser apresentado de maneira equilibrada com as imagens, o que contribui para uma compreensão mais completa do conteúdo. Além disso, estão conscientes também de que texto em excesso nos ambientes online fica cansativo e sobrecarrega o aluno, conforme os relatos:
0 ( . (Carol) + ( ( . ( + # (Peres) $ ( $ 4 ( $ ( (Marília)
Já o papel do áudio é visto como um recurso que deve ser usado sempre que possível, pois ele aproxima o aluno de alguém, como um intermediário entre ele e o curso, ou até mesmo o professor. Além disso, ele também é importante para chamar e prender a atenção do aluno, conforme é possível verificar nos relatos:
72 0 . ( ( . (Carol) ; (o áudio) ( (aluno) . . ( $ (Peres)
A convergência da imagem, texto e áudio é uma medida estratégica, pois mobiliza os sentidos, auxilia no aprofundamento de situações e possibilita uma maior compreensão do conteúdo. O relato do participante Jean resumiu claramente a importância da convergência entre esses três elementos:
.
. (
" , $ (caso desenhe um curso com apenas um dos
elementos) , ( % , $ , ( , , . $+ , ( , $ . 1 , ( , $ ( . , $
De maneira geral, as respostas apresentam alguns saberes oriundos da aprendizagem multimídia e outras teorias, como: a utilização de imagens para melhorar a fixação do conteúdo, o equilíbrio entre texto, imagem e áudio, bem como a convergência entre esses elementos.
Em complemento à questão anterior, ainda procurou-se investigar na entrevista quais os critérios que motivam os designers educacionais a utilizar uma determinada imagem, áudio, vídeo e animações no material didático. As respostas, em sua maioria, estavam sempre vinculadas, de alguma maneira, com o tipo de conteúdo trabalhado.
No caso da imagem, os critérios apontados penderam para o tipo de conteúdo em questão, no sentido de utilizá-la como reforço do texto. Critérios como coerência,
73 redundância e a cultura do público-alvo em relação à compreensão das imagens também surgiram nos relatos:
# # (Marília) $ % ( (Peres) < , + ( +. ( . (Carol) 7 (tem) / 3 . ( / % (entenderão) (Jean)
No relato de Marília e Peres, fica evidente a redundância como critério para escolha de imagens, pois elas são utilizadas para reforçar o que já está sendo informado no conteúdo. Nesse sentido, Filatro (2008) aponta que ao elaborar um recurso, não há necessidade de utilizar um segundo para repetir ou reforçar o que pode ser entendido por si só, para não haver sobrecarga cognitiva.
Na fala da Carol foi possível observar o oposto, ao dizer que vale a pena se utilizar de uma imagem, caso ela extrapole o que o texto traz. Em outras palavras, percebe-se o critério da coerência em seu relato, pois conforme a mesma autora aponta, imagens meramente decorativas ou não relevantes devem ser excluídas para não disputarem a atenção do aluno com o que realmente é importante.
Já a fala do Jean reforça a afirmação de Mayer (2009) de que o desenho do recurso carrega em si a influência de quem o concebeu, ao dizer que o critério de escolha de uma imagem passa por um filtro muito particular do DE. Logo, é possível supor também que é de grande importância atentar às características culturais do
designer educacional.
Os critérios utilizados para utilização do áudio em materiais didáticos multimídia vão desde a análise do tipo de conteúdo trabalhado até a utilização como um recurso complementar e como uma possibilidade de diversificação em relação ao texto, conforme foi relatado:
74 . $ , $ . $ (Carol) 7 # , (de associação) (Jean)
No caso do áudio também é possível perceber no relato da participante Carol sua preocupação com a coerência desse elemento com o conteúdo textual, o que diminuirá a carga cognitiva do aluno favorecendo sua atenção para outros pontos relevantes do curso (FILATRO, 2008). Já o relato do Jean acorda com as concepções da aprendizagem multimídia (MAYER, 2009), ao propor uma maneira alternativa para abordar um conteúdo mais denso, o que aliviará o canal visual ao desviar parte do material para o canal auditivo.
Os vídeos e animações também são utilizados de acordo com os conteúdos trabalhados e são percebidos como mais eficazes que o áudio e as imagens, justamente por contê-los em um único recurso, conforme apontam os relatos:
! $ . $ " , !
( $ # (o aluno extrapolar o assunto
abordado). (Marília) , +. ( # ! + $ (Peres) ! . . (Carol)
Os apontamentos supracitados acordam, de maneira geral, com a concepção da aprendizagem multimídia. Mayer (2009) diz que vídeos e animações com locução são considerados ótimos recursos, por explorarem os dois canais de processamento dos alunos - visual e auditivo - ao mesclarem em um único recurso áudio e imagens. Caso esses mesmos recursos sejam acompanhados de legendas, o canal visual do aluno será sobrecarregado por ter que dar conta do texto e imagem ao mesmo tempo.
75 Essa sobrecarga informacional também é abordada por Oliveira (2009) em seus estudos acerca da carga cognitiva. Ele diz que a concepção de recursos para a aprendizagem não deve utilizar toda a capacidade da memória de trabalho do aluno, pois isso o encoraja a envolver-se no processo cognitivo, o que é de grande relevância na construção de seus esquemas mentais, fundamental na aprendizagem.
4.4.3- Concepções da carga cognitiva
Nessa categoria a análise e interpretação dos dados coletados buscou investigar o que os designers educacionais selecionados sabem sobre as concepções da carga cognitiva, bem como o seu impacto na aprendizagem do aluno.
Com o objetivo de identificar quais os princípios para a concepção de um
design multimídia, os DEs foram questionados se estavam preocupados com a
convergência de tempo e espaço entreelementos textuais, imagéticos e sonoros na elaboração de uma estratégia ou recurso educacional.
As respostas indicaram certa unanimidade, pois todos se preocupam em equilibrar os recursos, porém, os motivos para tal são diversos e apontam para como o aluno irá interagir com o recurso, o que deve ser destacado, a ordem de leitura da tela, o tipo de conteúdo e da mídia que será utilizada para publicação do curso,