B) Mercado laboral
I. Segmentación del mercado laboral:
escolar, visando a aprendizagem dos alunos. Como já foi mencionado
anteriormente, a subjetividade e imprecisão nos anúncios das competências permitem múltiplas interpretações. Ao prescrever competência como a capacidade de resolver problemas concretos da prática docente, pode sugerir uma valorização do trabalho prático/técnico em relação a refletir ao teórico, isso, pode levar ao esvaziamento de discussões mais complexas sobre o fazer.
As sete competências propostas pelo PP do IFPA para de professores de Geografia, na verdade, são a tradução das dez competências profissionais para o ofício do professor propostas por Perrenoud (2000). Assim, o PP do IFPA para formação de professores de Geografia, concretiza sua afiliação a Perrenoud em relação a concepção de competência.
No item III do PP denominado “Perfil do Professor de Geografia” ao estabelecer o que se espera do professor de Geografia (“afinados com uma realidade dinâmica, democrática e atual, aberto ao diálogo, criativo”), conclui afirmando que o professor deve apresentar conhecimentos capazes de desenvolver e ampliar em seu aluno o domínio cognitivo, instrumental e afetivo/valorativo. Traduzindo, o cognitivo refere-se ao conceitual (aprender a saber), o instrumental refere-se ao procedimental (aprender a fazer) e o afetivo/valorativo refere-se ao atitudinal (aprender a conviver e a ser). Sendo assim, para educar por competência tornar-se necessário mobilizar atitudes, habilidades e conhecimentos ao mesmo tempo e de forma inter-relacionada (ZABALA; ARNAU, 2010).
A partir do que se propõem como perfil de professores, coincide com a definição de competência de Zabala e Arnau como capacidade ou habilidade para realizar tarefas de forma eficaz.
No item IV (Competências a serem desenvolvidas na formação comum aos professores de atuação no campo da Geografia), o documento apresenta as competências gerais e necessárias. Neste item, o PP não segue as prescrições oficiais, inclusive, propõem o desenvolvimento não só do conhecimento prático, mas conhecimentos capazes de desvelar, através do conhecimento geográfico, os processos de exclusão gerados pelo modelo capitalista. Seguem as competências gerais e necessárias propostas no PP.
1. Valorizar as atividades que promovam a autonomia intelectual em relação a informação em todas as etapas (busca, seleção, interpretação) de um momento atual ou do passado. 2. Reconhecer na sociedade a relação espaço geográfico x processo produtivo como conceitos que incorporam discussões e reflexões sobre os conflitos sociais. 3. Entender as características da sociedade no atual momento da economia capitalista, globalizada e excludente e suas múltiplas interferências no mundo do trabalho da cultura e no cotidiano. 4. Compreender a importância do lugar como espaço de vida, destacando as relações que se estabelecem entre o espaço local e global. 5. Reconhecer o importante papel das novas tecnologias e recursos informacionais a serviço da sociedade atual como (aeroespacial, sensoriamento remoto / fotos de satélites / computadores / programas para análise de textos) que mantêm o profissional de Geografia atualizado e promove um melhor conhecimento da realidade. 6. Reconhecer interdisciplinarmente, as relações preservação e degradação da vida no planeta tendo em vista o conhecimento da sua dinâmica e a mundialização dos fenômenos culturais, econômicos, tecnológicos e políticos que incidem sobre a natureza, nas diferentes escalas local, regional, nacional e global (IFPA, 2007).
Ainda sobre o mesmo item IV, o PP anuncia as competências prescritas nos PCN de Geografia para o ensino médio, que são: Competências no campo de representação e comunicação; Competências no campo da investigação e compreensão; Competência no campo da contextualização sócio-cultural.
Apesar dos PCN trazerem traços da teoria da aprendizagem sócio- cultural, não quer dizer que seja. Duarte (2001)64 alerta para o construtivismo
64 Ver análise completa em: DUARTE, Newton.
Vigotski e o “aprender a aprender”: crítica às
apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria vigotskiana. 2ª edição. Campinas, SP: Autores Associados, 2001.
eclético de César Coll presente nos PCN e o esvaziamento das várias teorias da aprendizagem. Segundo Duarte, César Coll apenas extrai o que lhe parece útil e abandona o resto das teorias e interpretando a seu jeito.
No item V (o fazer metodológico que norteia a prática docente do profissional de Geografia) permite-nos retificar a concepção adotada pelo PP, que não é a sócio-cultural, muito menos a sócio-histórica. Ao considerar que o professor de Geografia, para desenvolver competências e habilidades, necessitará:
Considerar os conhecimentos como recursos a serem mobilizados; trabalhar regularmente por problemas; criar ou utilizar outros meios de ensino; negociar e conduzir projetos com os educandos; adotar um planejamento flexível; implementar e explicitar um novo contato didático; praticar uma avaliação formada em situações de trabalho; buscar desenvolver uma prática interdisciplinar (IFPA, 2007).
Saber mobilizar recursos (conhecimentos) e trabalhar por tarefas- problemas, ambos defendidos por Le Boterf (2006), Perrenoud (2000; 2002) e Tremblay e Gillet (apud ZABALA; ARNAU, 2010). Planejamento flexível, avaliação formada em situações de trabalho, prática interdisciplinar, todas defendias por Perrenoud.
Destacaremos ainda, a proposição do PP para a prática metodológica, entre outras: desenvolver a capacidade de relacionar o aprendido com o observado, a teoria com suas consequências e aplicações práticas; reconhecimento que a aprendizagem mobiliza afetos, emoções e relações com seus pares, além das cognições e habilidades intelectuais. Em outras palavras desenvolver competências para o aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser, aprender a conviver.
Assim, conclui-se que desenvolver competências para o PP do IFPA, significa mobilizar conhecimentos para a resolução de problemas, ou seja, desenvolver capacidades práticas para resolve situações novas e complexas, a cada momento em que se apresentem enquanto problema.
Algumas vezes constata-se confusões de perspectivas, parecendo uma salada de enfoques teóricos (Piaget, Vygotsky, Wallon), chegando em outros casos a apresentar justaposições desses enfoques teóricos. Confirmando o construtivismo de César Coll, um hibridismo de teorias da aprendizagem, o mesmo ocorre com a concepção de competência presente no PP do curso de Geografia do IFPA.