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Harmony

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Chapter 4: Thoughts of review

4.3 Harmony

O trabalho segue uma via sistemático-explicativa na focalização do conteúdo, das relações e da funcionalidade ontológicas e cognitivas do conceito de energueia nos textos de Eugenio Coseriu. Opera-se a distinção necessária da energueia entre a manifestação linguística do homem, a interpretação linguística da energueia a partir do lado material da expressão, respeitando os princípios estruturais e a reflexão filosófica sobre o conceito que localiza e fixa o pensamento na linguagem. Para evitar a “dissolução” e a “destruição” da sua teoria reduzindo-a a érgon e sabendo-se por Coseriu que o ponto de vista cria o objecto, atenta-se à maneira de criar, através de referências, menções e aplicações ilustrativas, o objecto de estudo como um dado subjectivo da interpretação, diferente do dado subjectivo do autor, mas orientado para os mesmos objectivos filosóficos. Nesta perspectiva, considera-se que o método mais adequado seja expor a teoria no seu espírito “anti-dogmático” e crítico, que repensa as premissas, a metodologia e as finalidades das teorias sobre a linguagem. Mais uma vez, se evidencia a unicidade de cada sujeito e discurso, ao manter-se uma distância reflexiva necessária entre o método coseriano e o nosso que se apresenta como descritivo, interpretativo e valorativo. Consideramos importante ilustrar as valências reais da originalidade do método coseriano e aproveitá-las, tanto no sentido de promovê-las, como de verificar a sua verdade como funcionalidade real da linguagem nos saberes empírico e teórico. Embora não empreguemos nenhuma das várias denominações descritivas ou conceptuais criadas para o seu método crítico, é importante apresentá-las. O “método aristocrático”24 anula a oposição concreto / abstracto, num percurso que se inicia com o facto concreto, seguido pelo momento teórico de “abstracção abstractiva” para voltar ao concreto. Uma outra denominação é a de “realismo linguístico”25

24 Florival SERAINE, “Um pensador da linguagem” [Eugenio Coseriu], in Revista de Portugal, Série A,

‘Língua Portuguesa’, Lisboa, 1960 vol. XXV: “Ao comentarmos esta obra [Sistema, Norma y Habla],

fizemos notar a influência do «método aristocrático» sobre o desenvolvimento ideológico do autor, observação por ele confirmada posteriormente.

Com efeito, para Coseriu «a linguística» mais do que as outras ciências, pela natureza mesma do seu

objectivo, deve mover-se constantemente entre os dois pólos opostos do concreto e do abstracto: subir da comprovação empírica dos fenómenos concretos à abstracção abstractiva. E acentua: «O importante é que não se conforme com a abstracção e não se fique nela, porque a intima compreensão da realidade da linguagem só se poderá alcançar nesse terceiro momento da volta ao concreto»” p. 28.

25 Demetrio COPCEAG, “El «realismo lingüístico» o doctrina de Eugenio Coseriu“ in Horst Geckeler,

Brigitte Schilieben-Lange, Jürgen Trabant, Harald Weydt eds., Logos semantikos. Studia Linguistica in

honorem Eugenio Coseriu (1921-1981), Madrid & Berlin & New York, Editorial Gredos & Walter de

Gruyer, 1981, vol. 2, pp. 7-18. O autor criou esta denominação, contrapondo ao “funcionalismo linguístico” que se mostrava limitado. “propongo como adecuada para designar la doctrina de Eugenio

explicado através da “visão integral do fenómeno linguístico”26, da “concordância” entre a teoria criada por Coseriu e os factos linguísticos e culturais em todas as ciências humanas, sem perder de vista o pormenor concreto, a linguagem na sua realidade viva e manifestações quotidianas, “fundamentando o abstracto no concreto e interpretando os factos concretos à luz das abstracções”27. O que pode ser mais realista do que uma teoria que justifica as irregularidades? questiona o autor28. Um outro traço metodológico da obra coseriana que destaca a sua teoria de outras é “a denúncia da miragem”29 na desmontagem dos mitos, mostrando como os intelectuais vivem as modas culturais e repetem afirmações (no sentido que recriam automaticamente) sem uma análise crítica, e por tal, atribuem frequentemente a paternidade dum conceito às personalidades mais conhecidas que o utilizaram na sua teoria: por exemplo o conceito de “arbitrário” existia desde a Antiguidade30. A parte mais evidente do “realismo” seria as aplicações práticas31 desta teoria. Uma outra denominação utilizada é a de “descrição dinâmica”32 da realidade complexa da linguagem onde o sistemático coincide com o cultural, o social e o histórico33, tendo em vista o facto que a grelha de leitura coseriana oferece a possibilidade de distinguir pelo menos nove elementos, ultrapassando assim as

Coseriu la denominación de realismo lingüístico. De ser aceptada, esta denominación se añadiría al

«positivismo lingüístico», al «idealismo lingüístico», al «estructuralismo», «pragmatismo», «transformalismo» y otras tantas, ya consagradas por el uso. «Realismo» no en alguno de los sentidos

especiales que tiene esta palabra en la terminología filosófica – aludo en primer lugar a la conocida distinción entre realismo y nominalismo – sino en su acepción más común y corriente: «sentido de la realidad [cf. Lalande, Vocabulaire technique et critique de la philosophie, Paris, 1967. – Réalisme… sens de la réalité (par opposition ou verbalisme, à l’abus des abstractions, ou encore à la chière]; actitud intelectual o artística, modo de pensar, de sentir, de ver el mundo, conforme a la realidad»” Ibidem, p. 8.

26 Ibidem, p. 9. 27 Ibidem, p. 10. 28 Ibidem, p. 12.

29 “La denuncia del espejismo”, Ibidem, p. 14.

30 Eugenio COSERIU, “L’arbitraire du signe. Sobre la historia tardía e un concepto aristotélico”,

Tradición y novedad en la ciencia del lenguaje, Estudios de historia de la lingüística, Madrid, Editorial

Gredos, 1977, pp. 13-61.

31 Demetrio COPCEAG, “El «realismo lingüístico»” art. cit., p. 16. “Scientia, quo magis theorica, magis

practica” – “a ciência quanto mais teórica, mais prática” Moto leibniziano empregue como base para o

seu estudo: Idem, “Sobre la enseñanza del idioma nacional. Problemas, propuestas y perspectivas” in

Philologica (Festschrift Antonio Llorente), II, Salamanca, pp. 33-37.

32 José María BERNARDO, La construcción de la lingüística. Un debate epistemológico, València,

Universitat de València, 1995, p. 180.

33 “Se desprende de lo dicho que en la lengua real coinciden lo sistemático, lo cultural, lo social y lo

histórico (aunque pueden no coincidir los límites de las varias estructuras sistemáticas, culturales, sociales e históricas).” Eugenio COSERIU, “Lengua abstracta y lengua concreta”, Sincronía, diacronía y historia. El problema del cambio lingüístico, Montevideo, 1978, 3ª ed., p. 62.

antinomias teóricas e não reais entre sincronia e diacronia, entre teoria e prática. O seu método foi igualmente interpretado como “pancronismo”34, entendido como a superação

da teoria e da prática tal como da antinomia sincronia-diacronia. Uma outra qualificação refere-se ao “eclectismo” desta concepção35, que promove um neo-tradicionalismo caracterizado pela “«coexistência pacífica» da tradição com a modernidade”36. Ultimamente, a denominação mais frequentemente utilizada foi a de “integralismo linguístico”37. Coseriu exige tratar a linguagem como linguagem, na sua essência que é energueia, sem misturar dados, factos, teorias com contextos e referências extra- linguísticas não apropriadas. A linguagem tomada única e exclusivamente como instrumento gera interpretações superficiais, em termos impróprios, incapazes de apreender a essência do fenómeno linguístico38. Coseriu orienta todo o seu discurso lógico para uma continuação platónica de dizer “as coisas assim como são”39, de dizer a verdade sobre as “coisas” conhecidas, numa primeira instância, através da linguagem comum. Os conceitos utilizados por Coseriu destacam os níveis da essência dos factos e realidades universais, históricos e individuais. A manifestação complexa, real40 e concreta da fala arrisca-se a misturar os planos acima mencionados, como é o caso de se

34 José Maria BERNARDO, La construción de la lingüística…, p. 180.

35 Iorgu IORDAN, “Eugenio Coseriu, Théoricien du langage et historien de la linguistique” in Logos

semantikos. Studia Linguistica in honorem Eugenio Coseriu (1921-1981)…, vol. 1, pp. 3-6.

36 “Une «coexistence pacifique» de la tradition et de la «modernité».” Ibidem, p. 5.

37 O sétimo capitulo, 2ª parte da obra de Eugenio COSERIU, Johannes KABATEK, Adolfo MURGUIA,

»Die Sachen Sagen, Wie Sie Sind...« – Eugenio Coseriu im Gesprach…, intitula-se “linguística geral

integral”. Mencionam-se alguns estudos sobre Coseriu: Flora ŞUTEU, “Eugenio Coseriu – o viziune integratoare asupra lingvisticii”, in Limba română, XXX, 1981, 4, pp. 311-315; Mircea BORCILA, “Eugenio Coseriu şi orizonturile lingvisticii”, in Echinox, Cluj-Napoca, XX, 1988, nr. 5, pp. 1, 4-5; Klass WILLEMS, “Eugenio Coseriu (1921-2002) Versuch einer Würdigung”, in Leuvense Bijdragen 92, 2003, cap. 2 “Die «integrale» Sprachwissenschaft”, pp. 3-6.

38 “Aproximações dos linguistas não especializados, gramáticos empíricos ou linguistas amadores”,

Eugenio COSERIU, “General Perspectives”, in R. LADO, N. A. MCQUOWN, S. SAPORTA (eds.),

Current Trends in Linguistics, IV, Iberoamerican and Caribbean Linguistics, Mouton, 1968 p. 6., Dina

VÎLCU, “(Im)posibila întoarcere”, in Contrafort. Revista tinerilor scriitori din Republica Moldova, Chişinău, 2003 (X), nr. 10-11 (supliment Contrafort: „Modelul Coşeriu” - mărturii interviuri, anchete, recenzii), pp. 24-25, especialmente as últimas duas partes do seu estudo intituladas: “Integralismo – um

novo caminho para o homem” (p. 24) e “O paradoxo do integralismo” (p. 25); Emma TĂMÂIANU-

MORITA, Integralismul în lingvistica japoneză, Cluj-Napoca, Clusium, 2002.

39 Johannes KABATEK e Adolfo Murguía, »Die Sachen sagen, wie sie sind…« Eugenio Coseriu im

Gespräch, Tübingen, Gunter Narr Verlag, 1997.

40 “Nous savons que l’élément réel qui est à la base d’une langue, c’est la phrase, la proposition e non

pás le mot”, Myron MALKIEL-JIRMOUNSKY, “La langue et la pensée”, Boletim de Filologia, Lisboa,

confundir os universais da linguagem com os universais da linguística41, ou “o plano da teoria e as categorias do plano da descrição com os esquemas que as representam materialmente”42. O percurso das suas exposições é profundamente racional, apolíneo43,

do entendimento do sentido das coisas que se manifestam numa sequência contínua onde os termos intermediários buscam surpreender a manifestação dos factos.

“A teoria no seu sentido primário e genuíno, é apreensão do universal em concreto e

nos próprios «factos». Não há, por consequência, nenhuma distância nem conflito entre «factos» (ou investigação «empírica») e teoria, uma vez que a teoria e a investigação são duas formas complementares da mesma actividade”44.

Aceitando a energueia como processo constitutivo do ser, entende-se a universalidade da actividade criadora humana que tudo cria e recria constantemente, inclusivamente os métodos na investigação de qualquer ciência, pois, para Coseriu estes não são exteriores à linguagem, pelo contrário, surgem através dela e por tal razão fazem

41 “Los universales lingüísticos deben buscarse en el lenguaje mismo, no fuera de él. No cabe buscarlos

en la lingüística, ya que ésta puede ser artificialmente universalista; y no cabe buscarlos en la realidad designada, puesto que la identidad de la realidad está admitida de antemano. Y tampoco cabe buscarlos en un pensamiento concebido de antemano como «universal». Al contrario: es la doctrina del pensamiento la que puede esperar recibir importantes datos de las investigaciones sobre los universales del lenguaje, pues el lenguaje es el λόγος no diferenciado y, por tanto, el λόγος primario, anterior a cualquier otro tipo de λόγος. Añadamos que los universales deben buscarse en las manifestaciones mismas del lenguaje, y no en sus determinaciones externas. En cambio, la justificación de los universales podrá, sí, ser extralingüística: todo el lenguaje es un universal humano cuya justificación no es lingüística.” Eugenio COSERIU, “Los universales del lenguaje (y los otros)”, Gramática, semántica, universales…, p. 203.

42 Afirmação exemplificada “Otras dificultades se deben al hecho de que no se distinguem con claridad y

coherencia los varios planos de abstracción en que se puede considerar el objeto lenguaje. El error principal en que aquí se incurre (y que se debe también a las dos confusiones ya eliminadas) es el de concebir y tratar de definir las categorías verbales como «clases» léxicas, como conjunto a los que pertenecerían «naturalmente» tales y tales palabras del diccionario de una lengua. El error es triple: porque las categorías verbales no son «clases» de palabras; porque las clases que se pueden constituir sobre la base de las categorías no son clases «léxicas»; y porque las categorías no pueden definirse en el plano de la «lengua». La categoría del substantivo no es la clase de los substantivos; esta clase no es una clase del diccionario; y, con respecto a una lengua determinada, no se pueden decir qué es el sustantivo, sino sólo si tiene o no tiene substantivos y, si los tiene, cómo es le esquema formal que les corresponde.” Idem, “Sobre las categorías verbales («partes de oración»)”, Gramática, semántica, universales…, pp. 52-53.

43 “Diese freudige Nothwendigkeit den Traumerfahrung ist gleichfalls von den Grichen in ihren Apollo

ausgedrückt worden: Apollo, als der Gott aller bildnerischen Kräfte, ist zugleich der Wahrsangende Gott. Er, der seiner Wurzel nach der „Schreinende“, die Lichtgottheit ist, beherrscht auch den schönen Schein der inneren Phantasie-Welt.” Friederich NIETZSCHE, “Die Geburt der Tragödie“, Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe in 15 Bänden, Berlin & New York, Walter de Gruyter Verlag, 1980,

vol. 1, p. 27.

44 “La teoría, en su sentido primario y genuino, es aprehensión de lo universal en lo concreto, en los

«hechos» mismos. No hay, por consiguiente, ni distancia ni conflicto entre «hechos» (o investigación «empírica» y teoría, sino que la investigación empírica y la teoría son dos formas complementarias de la misma actividad.” Idem, “Nota preliminar”, Gramática, semántica, universales…, p. 10.

parte do conteúdo e manifestação da linguagem. Os métodos não limitam a liberdade de criação. O que parece um entrelaçamento de diversos métodos no seu discurso é, de facto, a abordagem do acto de criação do ponto de vista técnico da potencialidade da dýnamis na manifestação da energueia da linguagem tendo sempre em vista uma finalidade específica que se concretiza num texto.

Coseriu denomina o seu modo de interpretar a linguagem como “um método crítico”45, no sentido de distinguir os níveis de abstracção da linguagem do da abstracção das ciências a partir dos pontos de vista da energueia, do dýnamis e do érgon. A experiência do abstracto inerente à linguagem enriquece o concreto na única realidade da linguagem, a fala (ou o texto), onde o concreto incorpora o abstracto na denominação conceptual ou converte em concreto linguístico o abstracto do pensamento. O método crítico coseriano não é o resultado duma atitude contestatária em evidenciar o lado fraco ou inconsequente duma teoria consagrada, mas pelo contrário, é o exercício de análise das teorias que evidenciam a presença humana como ser concreto, individual e histórico que se inscreve no contexto cultural e civilizacional através da sua linguagem. Neste tipo de abordagem qualquer negação, erro, exagero, redução, transgressão e extrapolação é interpretada como uma construção com valor para o conhecimento humano que destaca a intersecção de vários paradigmas semânticos na expressão sintáctica.

Adoptamos várias modalidades de circundar a obra coseriana: 1. a referência directa às teses e ideias coserianas; 2. a exemplificação e o desenvolvimento das sua teses, identificando a presença constitutiva de energueia em cada situação concreta; 3) a interpretação de vários conceitos da filosofia em geral e da linguagem em especial através da grelha coseriana; 4) a referência ocasional e colateral de outros conceitos; 5) a referência alternativa à possibilidade de escolha entre várias soluções totalmente distinctas.

45 Idem, Lecţii de lingvistică generală, traducere din spaniolă de Eugenia Bojoga, cuvânt înainte de

Mircea Borcilă, Chişinău, Editura ARC, 2000, p. VIII. Trad. nossa: „Na edição espanhola das Lições da linguística geral, mencionei em prefácio que dedico o livro à memória dos três grandes mestres que

foram: Givanni Maver, professor de Eslavistica em Roma, Antonino Pagliaro, professor de Linguística também em Roma e António Banfi, professor de Filosofia em Milão. Mas, neste prefácio especifico que o que eu recebi deles não foi a informação, mas a formação intelectual e a educação crítica abertas e o considerar qualquer tipo de teoria e método como possível e “de dentro”. Tratar para entender cada um dos métodos e cada uma das planificações pelas suas próprias razões, em lugar de considerá-los de fora, numa posição dogmática; resumo-la numa única frase: o que eu aprendi deles é o anti- dogmatismo.” Ricardo MAIRAL e Pedro SANTANA, “Entrevista a Eugenio Coseriu”, in Cuadernos de Investigación Filológica, Lograño, Colégio Universitário de la Rioja, XVI, 1990, p. 159-160.

Tentamos respeitar as exigências coserianas que se impõem na redacção dum texto interpretativo correcto ou numa tradução correcta.

Para ter exactidão da informação, utilizamos por um lado, a identificação bibliográfica exacta dos itens da sua filosofia e as delimitações e distinções entre os conceitos com os quais ele opera.

Para tornar o nosso texto adequado ao discurso coseriano e ao diálogo com as tradições da linguística e da filosofia da linguagem, confrontamos as suas afirmações com outras fontes, para recuperar as intuições correctas, distorcidas, por vezes, através de interpretações dogmáticas.

Para ilustrar a coerência do seu pensamento em evidenciar o papel da energueia na visão coseriana, impõe-se uma coerência da demonstração e sistematização dos dados que concretiza a coesão do seu pensamento na coerência do texto. Considerando como inédita a simplicidade em apresentar e interpretar realidades complexas, quer numa sequência cinemática em construir a vivência processual da energueia, quer numa secção teórica que identifica os elementos do universo da unidade, no sentido que o que se dá uma vez como manifestação, ao nível de interpretação apresenta vários degraus de generalização e abstracção, elementos pensados que desmontam o poder da manifestação da linguagem.

A transparência do pensamento coseriano, da construção e explicitação do conceito da energueia, é dada pelas citações de textos representativos, integradas em comentários, paráfrases e exemplificações intuitivas. A direcção da interpretação é fundamentalmente centrípeta. O mundo construído é um mundo realizado a partir da linguagem, um mundo que está na nossa mente fixado através das designações da linguagem, a mudança do meio natural, social e cultural realiza-se também a partir da linguagem e por isso o salto civilizacional é dado pela língua falada.

In document ALLAN HOLDSWORTH (sider 126-132)