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Roots to the impressionism

In document ALLAN HOLDSWORTH (sider 132-138)

Chapter 4: Thoughts of review

4.4 Roots to the impressionism

A apresentação do conceito de energueia no pensamento filosófico de Eugenio Coseriu, está organizada em cinco capítulos.

No primeiro capítulo circunscreve-se o tópico tratado na área da filosofia da linguagem, com o objectivo de demarcar claramente a diferença entre a teoria da linguagem de Coseriu e outras. A perspectiva muito abrangente sobre a língua e a linguagem, mas necessária para explicar a dimensão ontológica e a filiação destes

conceitos, restringe-se aos conceitos específicos desta área filosófica relacionados com a visão coseriana onde o conceito de energueia é uma constante funcional.

O segundo capítulo, a história da filosofia da linguagem em Coseriu, aborda a maneira como a energueia ultrapassa a dimensão histórica e se inscreve na problemática filosófica sobre a linguagem, existência e ser. A sua história da filosofia da linguagem, quer relativamente às fontes, quer às mais importantes exegeses referenciadas, constitui um aparelho necessário e funcional para os investigadores da linguagem. Menciona-se o valor formativo deste curso. Desenvolve-se a construção de teorias relativas às concepções sobre a linguagem iniciando-se com Heraclito e continuando com Pitágoras e Demócrito, problematizando-se com Platão na relação φύσει – νόμω, tornada técnica pelos sofistas nas relações ὄνομα - ρῆμα e ὀνομάζειν - λέγειν, esclarecida por Aristóteles na transferência do plano causal para o plano final, na clarificação das relações “palavras” – “coisas”, ὄνομα - πρᾶγμα relativamente ao critério verdade ou falsidade, com as clarificações necessárias operadas entre λόγος σεμαντικός, λόγος ἀποφαντικός, λόγος πραγματικός e λόγος ποιητικός, a determinação que oscila entre φύσει – κατά συντθέκην, na representação da escola estóica, à teoria do signo em vários pensadores, insistindo especialmente em S. Agostinho. Apresenta-se a problemática da linguagem na Idade Média e Idade Moderna. A sua apresentação situa-se na atitude filosófica relativamente à interpretação das ideias mais importantes que marcaram a cultura e o panorama da filosofia da linguagem da época.

O terceiro capítulo, o conceito de «energueia» no pensamento filosófico de Eugenio Coseriu, constitui o núcleo da tese e nele se trata da relevância do mesmo, a partir do seu conteúdo semântico filosófico, com as suas variações, destacando o lugar, a permanência da sua funcionalidade na teoria coseriana. Ligada à essência da linguagem, a energueia confere-lhe valor ontológico, tal como dá coerência ao seu discurso filosófico.

No quarto capítulo, a abordagem coseriana da semântica, valoriza-se a importância da energueia na mesma, na configuração da forma interior da linguagem46 que concretiza a função significativa47 desta como função ontológica constitutiva. A

46 Idem, “Semantik, innere Sprachform und Tiefenstruktur“, in Romanisches Seminar, Tübingen 1970,

separata; reimprimida em Folia Linguistica, 4, 1970, pp. 53-63.

47 “As palavras não são «coisas» mas «acontecimentos» e o carácter categorial delas não é algo

fisicamente observável, mas uma função significativa e, como tal, somente pensável.” Idem, “Sobre las

energueia é a actividade que absorve o momento da ante-predicatividade como um momento de união da actividade mental com a actividade da linguagem ao nível denotativo no saber linguístico que corresponde à lógica geral48. Através da linguagem,

pensam-se e criam-se os objectos ao nível mental como realidades com conteúdo semântico que permitem ao ser humano falar, pensar e operar através deles. Não se pensa com os objectos, mas com a parte inalterável comum à linguagem e ao pensamento, as designações, vistas não como elementos estáticos, imagens, mas como actividades mentais que abstraem a essência inalterável das coisas para com ela operar. É o ponto onde se inicia a odisseia humana num infindável trajecto cultural. É impossível reduzir a concepção semântica coseriana à semântica estrutural, já que a sua teoria semântica ultrapassa o momento estruturalista, funcional e útil na abordagem lexical e na descrição das línguas, mas não o suficiente para o universo semântico do homem, uma vez que toda a existência humana é semântica.

No quinto capítulo, filosofia da linguagem de Coseriu e cultura, relaciona-se a linguagem com a cultura no pensamento de Coseriu, definindo a língua como a cultura fundamental do homem. O ser humano é tido como o elemento fundamental, qualquer que seja o seu texto criativo. No discurso de entrada para a Academia de Heidelberg de 1978, Coseriu explicitou pela primeira vez os princípios deontológicos que estavam na base da sua actividade relativamente à linguagem: a objectividade, o humanismo, a

48 “El lenguaje es la primera manifestación específica del hombre como tal – es decir, como ente capaz

de conocer el mundo y de autoconocerse -, así, como la primera forma, y la única absolutamente general, de la que el hombre dispone para fijar y objetivar, más acá de las impresiones y reacciones inmediatas, el conocimiento del mundo y de si mismo, o sea, todo el contenido de la conciencia. Esto significa, por un lado, que el lenguaje y sus categorías internas no se relacionan propiamente con la facultad de pensar, sino con la facultad de conocer; y, por otro lado, que el lenguaje (como actividad intersubjectiva del hombre histórico), lejos de poder reducirse a otras categorías, es una categoría autónoma, y es la forma necesaria de manifestación del «pensamiento», tanto lógico como poético y práctico. Con respecto a los modos de pensamiento, el lenguaje histórico – en cuanto logos simplemente semántico – se presenta, pues, como «neutro», «indeterminado» o, mejor dicho, indiferenciado. Y con respecto al pensamiento lógico en particular, lejos de ‘no tener conceptos’, como a veces se ha dicho, el lenguaje aparece como el lugar mismo de los conceptos pues éstos son necesariamente anteriores al logos proposicional. […] En efecto, el lenguaje es el «mediador» necesario para la formación de los conceptos, y la primera universalidad, así las primeras distinciones necesarias para la estructuración del pensamiento lógico, se dan justamente, en el lenguaje y en sus categorías. El lenguaje es un «antes» y no un «después», en relación con el pensamiento lógico.” Idem, “Logicismo y antilogicismo en la

gramática”, Teoría del lenguaje e lingüística general, Madrid, Gredos, 1967., pp. 240-242.

“La parole est déterminée par rapport à la «logique général» (LOGICA1a) et indéterminée par rapport à

tradição, o anti-dogmatismo e a utilidade ou a responsabilidade pública49. De facto, Coseriu sempre pesquisou nos seus estudos um ou outro dos aspectos da cultura, criando a sua teoria global sobre a linguagem. Em “deontologia da cultura”realça:

“a objectivação do espírito em formas que persistem e se tornam tradições, formas que

constituem o mundo próprio do homem”50

por outras palavras, se afirmarmos que a linguagem é essencial para se ser homem, então a cultura abraça todas as manifestações humanas. Este tipo de abordagem anula a oposição defendida por Oswald Spengler51 entre cultura e civilização, vistas como duas vertentes (afectiva e intelectual) da vida social. Para responder à questão “como se denomina o “espírito” que se objectiva na história?”, Coseriu esclarece necessariamente a natureza do espírito:

“O que chamamos espírito é actividade criadora, é a criatividade em si mesma, não

algo que cria, mas actividade criadora como tal, energueia, na medida que se ultrapassa o que se aprendeu, ganhou através da experiência, respectivamente através da mathesis e da empiria.”52

Explica-se assim a configuração da liberdade, do homem, da sociedade, da história, de cada ciência em particular, e especialmente o entendimento da filosofia da linguagem como “ciência integral do falar”.

As conclusões são orientadas filosoficamente para várias finalidades criadoras humanas. Toda a manifestação do ser humano tem subjacente um texto pensado, intencional, visando sempre uma finalidade do acto criador. A energueia liberta-se nas criações culturais e civilizacionais sem nunca se separar da linguagem verbal. Todas as outras linguagens existentes e as futuras têm na base a linguagem verbal e utilizam a sua

49 Eugenio COSERIU, Johannes KABATEK, Adolfo MURGUÍA, »Die Sachen Sagen, Wie Sie Sind…«

Eugenio Coseriu Im Gesprach… veja-se o capítulo VIII, que deu título à obra.

50 “Cultura este obiectivarea istorică a spiritului în forme care durează, în forme care devin tradiţii,

devin forme istorice care descriu lumea proprie a omului, universul propriu al omului.” Eugenio

COSERIU, “Deontologia culturii”, Prelegeri şi conferinţe…, p. 172.

51 “In a word, Greek soul – Roman intellect; and this antithesis is the difference between Culture and

Civilization.” Oswald SPENGLER, The Decline of the West. An abridged edition by Helmut Werner,

English abridged edition prepared by Arthur Helps, trans. by Charles Francis Atkinson, New York & Oxford, Oxford University Press, 1991, p. 25. “The transition from Culture to Civilization was

accomplished for the Classic world in the forth, for the Western in the nineteenth century.” Ibidem.

52 “Ce numim spirit este activitatea creatoare, este creativitatea însăşi, nu ceva care creează, ci

activitatea creatoare ca atare, enérgeia, acea activitate care este anterioară conceptului oricărui dinamism, oricărei tehnici învăţate sau experimentate. Iar omul creează cultura, este creator cu enérgeia, în măsura în care trece dincolo de ceea ce a învăţat, de ceea ce a câştigat prin experienţă, prin cele două izvoare ale învăţării, anume prin studiu şi prin experienţă, prin mathesis şi prin empeiria.” Eugenio COSERIU, “Deontologia culturii”, Prelegeri şi conferinţe…, p. 172.

carga semântica. A linguagem verbal abraça toda a área de manifestação do homem, que, como ser pensante, deve consciencializar a importância da linguagem no seu modo de estar e harmonizar-se com os outros e com o universo.

Na organização da Bibliografia articulam-se três linhas de apresentação: I. As obras do Autor: organizadas em 1. Obras com estudos publicados anteriormente sob a forma de artigos e conferências; 2. Estudos referenciados na tese e apresentados por ordem alfabética; 3. Cursos universitários publicados, 4. Entrevistas, 5. Traduções; II. Estudos e comentários: 1. Publicações em homenagem, 2. Outros estudos e comentários; III. Bibliografia secundária.

Apresentam-se os índices: onomástico, temático, dos textos coserianos citados e das tabalas e esquemas coserianos.

Capítulo I

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