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Security and Cheating for MMOGs

Os modelos transaccionais do stress contemplam a existência de diferenças individuais na experiência de stress, nos processos de coping e ainda na relação entre stress e saúde. As pessoas diferem na percepção das exigências da sua actividade profissional, na capacidade de lidar com essas exigências, na percepção das suas capacidades e no controlo que possuem e que percepcionam. Diferem também em relação à sua necessidade de suporte social e à percepção do suporte social disponível (COX, GRIFFITHS, RIAL-GONZÁLEZ, 2000). Essas diferenças podem depender de factores genéticos e também de experiências prévias (McEWEN, 2003).

De acordo com Serra (SERRA, 2005), a vulnerabilidade ao stress está relacionada com factores biológicos, sociais, psicológicos e de personalidade, com base nos quais o mesmo autor desenvolveu uma escala de tipo Likert para avaliar a vulnerabilidade ao

As características da personalidade influenciam o desenvolvimento de stress crónico e de burnout encontrando-se maior associação com o locus de controlo externo, a baixa auto-estima e o evitamento como forma de coping (SCHAUFELI, 1999). Pelo contrário, elevados níveis de “dureza” da personalidade (hardiness), que parecem permitir a avaliação dos acontecimentos como tendo mais significado e sendo menos geradores de

stress, enfrentando-os em vez de os evitar, estão associados a menor exaustão emocional

e a maior realização pessoal (COSTANTINI et al., 1997).

A personalidade parece determinar o modo como a pessoa interpreta os acontecimentos e concebe a interacção entre o próprio e o ambiente. Num extremo, alguns indivíduos interpretam os acontecimentos como resultado do acaso e da sorte (locus de controlo externo), enquanto que no extremo oposto, estão os indivíduos que acreditam poder influenciar o que lhes acontece (locus de controlo interno). Apesar da recompensa ou reforço positivo serem importantes, a interpretação que cada indivíduo faz dos acontecimentos determina quando ele percepciona um acontecimento como gratificante ou não (IACOVIDES, 2003).

O locus de controlo interno permite que enfermeiros que trabalham com doentes oncológicos ou com Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) acreditem que, apesar de não terem escolhido trabalhar com aquele tipo de doentes, o modo como lidam com a situação depende deles próprios (CONSTANTINI et al., 1997). Assim, integram as circunstâncias indutoras de stress no seu projecto existencial, atribuindo-lhes um sentido, o qual corresponde a experiências que permitem o seu crescimento pessoal em vez de constituírem ameaças ao seu bem-estar psicológico.

O comportamento tipo A é referido como um estilo de comportamento aprendido, um padrão de coping ou um traço de personalidade. Este tipo de comportamento foi descrito por Friedman e Rosenman (FRIEDMAN, ROSENMAN, 1959, citado por SERRA, 1999)como um factor de risco para doença cardiovascular e uma das suas características está relacionada com um envolvimento e um compromisso com o trabalho muito elevados, a que se associa um esforço intenso para atingir objectivos por si seleccionados, muitas vezes mal definidos. Outras características são a forte competição, o desejo de prestígio e de reconhecimento e um sentido desenvolvido de urgência

temporal, pelo que o indivíduo se encontra num estado de activação fisiológica permanente e elevada (SERRA, 1999).

O neuroticismo está particularmente relacionado com a exaustão emocional, pois os indivíduos neuróticos são emocionalmente instáveis e mais susceptíveis ao distress psicológico. As expectativas pouco realistas face ao trabalho estão também associadas ao burnout em profissionais de saúde (SCHAUFELI, 1999).

Alguns estudos encontraram níveis de saúde mental mais reduzidos em enfermeiros que utilizavam o evitamento como método de coping (CHANG et al., 2006; LAMBERT, LAMBERT, ITO, 2004). De acordo com um estudo de Thomsen e colaboradores, realizado com 1051 profissionais de saúde mental, a baixa auto-estima, o sexo feminino e a utilização de poucas técnicas activas de coping aumentam 1,6 a 1,9 vezes o risco de exaustão emocional (THOMSEN et al., 1999).

A falta de suporte social também parece estar relacionada com níveis mais baixos de saúde mental entre enfermeiros (ARAFA, 2003; CHANG et al., 2006; LAMBERT, LAMBERT, ITO, 2004), enquanto que o suporte social proveniente do superior hierárquico ou dos colegas está negativamente associado à presença de factores indutores de stress como conflitos e ambiguidade de papéis, sobrecarga de trabalho e recursos inadequados. Por sua vez, o “empoderamento” (ou capacitação) também diminui o conflito e a ambiguidade de papéis (JOINER, BARTRAM, 2004).

Verifica-se, portanto, que o suporte social, que se baseia em relações interpessoais com interacções frequentes, sentimentos positivos e capacidade percebida para obter apoio emocional e/ou instrumental quando necessário, parece ser muito importante para ajudar os enfermeiros a lidar com as exigências do trabalho, estando inversamente relacionado com os acidentes e os erros na prestação de cuidados de saúde aos doentes (SHEEHAN et al., 1981).

Para além do tipo de personalidade, métodos de coping e suporte social disponível, a vulnerabilidade pode estar dependente de outros factores, de que são exemplos o estatuto social, as competências profissionais adquiridas, o estado de saúde, a existência de problemas não relacionados com o trabalho e factores de natureza demográfica.

Os factores sociodemográficos correlacionados com o stress crónico e com o burnout em profissionais de saúde necessitam de ser interpretados com alguma precaução, uma vez que podem existir numerosos factores que influenciam os resultados (SCHAUFELI, 1999). Por exemplo, a maior incidência de burnout encontrada em jovens com menos experiência, poderá estar influenciada pelo abandono da profissão por parte deste estrato da população trabalhadora estudada, proporcionando a selecção dos profissionais que se mantêm na profissão como sendo aqueles que apresentam menores níveis de burnout. De acordo com Uva e Graça, trata-se de um fenómeno observado em epidemiologia ocupacional, intitulado “healthy worker effect”, ou seja, “efeito do trabalhador saudável”, em que o efeito verificado está provavelmente relacionado com a exclusão de indivíduos com determinadas características (UVA, GRAÇA, 2004).

Diversos autores encontraram níveis de stress mais elevados nos profissionais de saúde mais jovens e naqueles que tinham menor experiência profissional (ARAFA et al., 2003; CALLAGHAN, TAK-YING, WYATT, 2000; GARCIA et al., 2005). Contudo, Jones identificou níveis de stress superiores nos enfermeiros mais qualificados que prestavam cuidados, relativamente aos menos qualificados, e ainda nos alunos de enfermagem (JONES, 1994 citado por BALDWIN, 1999). Por sua vez, num outro estudo, o nível de

stress em enfermeiros com mais de cinco anos de experiência não diferiu do nível de stress referido pelos enfermeiros com dois e cinco anos de experiência profissional

(BOND, 1994). É possível que as diferenças encontradas relativamente à experiência profissional, possam estar relacionadas com diferentes graus de responsabilidade e de apoio aos enfermeiros menos experientes, nos seus respectivos locais de trabalho.

Relativamente ao tipo de actividade predominante de enfermeiros (prestação de cuidados de saúde ou actividade de gestão), os resultados também não são coincidentes. Alguns estudos detectaram níveis mais elevados de stress em enfermeiros com funções de gestão comparativamente aos enfermeiros que prestavam cuidados de saúde directos (LEPPANEN, OLKINUORA, 1987; WALL et al., 1997). Por sua vez, McIntyre e colaboradores referem que os enfermeiros que prestavam cuidados de saúde apresentavam mais sentimentos de culpa associados a stress do que os enfermeiros com funções de gestão (McINTYRE, McINTYRE, SILVÉRIO, 1999).

Evans e Steptoe sugerem que os homens, ou mulheres, que estão em minoria em algumas profissões, podem vir a sofrer de maiores exigências psicológicas influenciando a sua saúde mental (EVANS, STEPTOE, 2002). Contudo, estudos transversais como o de Callaghan e colaboradores identificaram, na amostra estudada, que os enfermeiros do sexo feminino manifestavam níveis superiores de stress (CALLAGHAN, TAK-YING, WYATT, 2000).

Os factores culturais também podem interferir com a percepção das circunstâncias indutoras de stress relacionado com o trabalho e também com os níveis de stress. No entanto, um estudo realizado com 1554 enfermeiros de hospitais japoneses, tailandeses, sul-coreanos e havaianos encontrou factores indutores de stress, métodos de coping e níveis de saúde física e mental semelhantes nos enfermeiros dessas nacionalidades (LAMBERT et al., 2004).

Conclui-se, assim, que os indivíduos não têm reacções iguais perante as mesmas circunstâncias indutoras de stress de natureza psicológica, existindo factores individuais, como a personalidade e os métodos de coping capazes de influenciar a percepção de determinadas circunstâncias como factores indutores de stress, tendo o suporte social um papel moderador nessa percepção. As características sociodemográficas e a experiência profissional também deverão ser tidas em consideração, apesar de não ser consensual o modo como influenciam os estados de stress (SPECTOR, 1999).