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Future work

6.2 Evaluation and analysis

7.1.1 Future work

O questionário The General Health Questionnaire (GHQ) foi desenvolvido tendo por base diversas escalas, nomeadamente a escala Cornell Medical Index (BOWLING, 1997). Destina-se ao rastreio de alterações psicológicas, não psicóticas (principalmente ansiedade e depressão) e não para estabelecer diagnósticos clínicos.

Tem sido a escala de morbilidade psiquiátrica geral mais utilizada internacionalmente (BOWLING, 1997) e tem sido aplicada em vários países e em diversos estudos, incluindo estudos na área da Saúde Ocupacional (LOUREIRO, 2006). Existem diversas publicações sobre o seu método, validade, reprodutibilidade e aplicações (GOLDBERG, WILLIAMS, 1988) e está traduzida em pelo menos trinta e oito línguas (BOWLING, 1995).

Pais-Ribeiro e Antunes (PAIS-RIBEIRO, ANTUNES, 2003) referem que este questionário detecta apenas alterações no funcionamento habitual do indivíduo sendo adequado para avaliar a saúde mental ou o mal-estar psicológico.

O GHQ foi desenhado para ser respondido pelo próprio e consiste numa lista de questões, algumas delas positivas e outras negativas, relativamente à qual os inquiridos comparam a sua experiência nas últimas semanas com o seu estado habitual (BOWLING, 1997). Avalia, deste modo, o estado psicológico naquele período de tempo, concentrando-se nos maiores componentes da morbilidade psiquiátrica, em particular a ansiedade e a depressão (BOWLING, 1997), que constituem os estados psicológicos habitualmente encontrados no distress.

A classificação de cada resposta de acordo com quatro alternativas de frequência, em 0- 0-1-1 (da esquerda para a direita), tem sido a mais usada, por ser mais simples e por apresentar resultados semelhantes a uma escala de gravidade do tipo Likert 0-1-2-3

(GOLDBERG, WILLIAMS, 1988). Os scores superiores a um limite, ou ponto de corte, são prováveis casos.

Contudo, é de questionar se a escala detecta sintomas de longa duração, uma vez que as respostas “como habitualmente” são cotadas com zero. Goldberg e Williams referem que é possível que a desqualificação de casos não seja muito significativa uma vez que muitos indivíduos interpretam “como habitualmente” como sinónimo de ausência de sintomas, podendo ser acrescentadas questões sobre a medicação que tomam e sobre o mal-estar mental (GOLDBERG, WILLIAMS, 1988).

Para contornar a limitação referida, Goodchild e Duncan-Jones (GOODCHILD, DUNCAN-JONES, 1985) sugeriram um método diferente de cotação que aumenta a sensibilidade do GHQ na detecção de casos crónicos (BOWLING, 1997). Este método, que é menos utilizado que o método clássico e que o método do tipo Likert, consiste em cotar as respostas às questões que detectam mal-estar mental em 0-1-1-1 (“como habitualmente” seria cotada com um, nos itens negativos) e às que detectam bem-estar em 0-0-1-1 (“como habitualmente” seria cotada com zero, nos itens positivos).

De acordo com aqueles autores, este novo método apresenta coeficientes de validade superiores para casos avaliados por exame médico (GOODCHILD, DUNCAN-JONES, 1985). Apesar disso, Williams citado por Bowling (BOWLING, 1995, 1997) recomenda que este método não seja usado em substituição do método de clássico, podendo ser utilizado como seu complemento. Neste caso, os scores das escalas poderiam ser eventualmente adicionados para produzir um score total. Esta metodologia não foi, todavia, citada por outros autores, pelo menos na revisão bibliográfica que foi efectuada. Existe evidência de que a gravidade das alterações psicológicas é proporcional ao número de sintomas referidos no GHQ. Este instrumento de medição é sensível na detecção de sintomas com pelo menos duas semanas de duração, relacionados com quadros depressivos, e também detecta problemas de ansiedade, pelo que é adequado quando o investigador pretende um instrumento de medição mais amplo (BOWLING, 1997).

O GHQ é, provavelmente, a escala de medição mais testada a nível de reprodutibilidade e de validade, com bons resultados (GOLDBERG, WILLIAMS, 1988).

O GHQ correlaciona-se bem com o diagnóstico de morbilidade a nível psicológico e de depressão. Utilizando entrevistas psiquiátricas como comparação, a sensibilidade deste método variou entre cinquenta e cinco e noventa e dois por cento e a especificidade entre oitenta e noventa e nove por cento, dependendo do ponto de corte escolhido (VIEWEG, HEDLUND, 1983). A comparação entre os scores do GHQ e uma entrevista clínica estruturada obteve correlações entre quarenta e cinco e oitenta e três centésimos (GOLDBERG, WILLIAMS, 1988).

As correlações obtidas por teste e reteste têm tido bons resultados sendo que, em 853 questionários, a correlação obtida foi de noventa e cinco por cento. A consistência interna, usando o alfa de Cronbach, foi determinada em diversos estudos, com correlações entre setenta e sete e noventa e três centésimos. As correlações usando teste e reteste variaram entre cinquenta e um e noventa por cento (GOLDBERG, WILLIAMS, 1988).

A versão mais longa da escala tem sessenta itens e revela-se multifactorial (LOUREIRO, 2006), existindo versões mais curtas (de dez, doze, vinte, vinte e oito e trinta itens) as quais, apesar de apresentarem uma sensibilidade ligeiramente inferior, são de aplicação mais fácil e rápida.

A versão de doze itens (GHQ12), que foi adaptada para a população portuguesa por

McIntyre e colaboradores (McINTYRE, McINTYRE, REDONDO, 1999), parece ser pelo menos tão eficiente no rastreio de casos como as versões mais longas (BOWLING, 1997; GOLDBERG, GATER, SARTORIUS, 1997).

Os resultados relativos à estrutura factorial do GHQ12 diferem entre autores

(LOUREIRO, 2006; WERNEKE et al., 2000), sendo que alguns defendem um modelo bifactorial (POLITI, PICINELLI, WILKINSON, 1994), enquanto que outros apoiam um modelo trifactorial (GRAETZ, 1991; KILIÇ et al., 1997). Os factores que têm sido identificados são a ansiedade e depressão, a disfunção social e perda de confiança e a

auto-estima. As alterações do sono raramente se apresentaram como um factor distinto, tendendo a associar-se à ansiedade e à depressão (WERNEKE et al., 2000).

Werneke e colaboradores, compararam os resultados obtidos em quinze centros de investigação, e concluiram que apesar de existir variação factorial entre centros, a eficácia global do GHQ12 na detecção de casos não era afectada (WERNEKE et al.,

2000).

Uma análise recente, efectuada por Gao e colaboradores, partilha o modelo trifactorial, composto por ansiedade e depressão, disfunção social e perda de confiança (GAO et al., 2004). No entanto, os autores concluíram que esses factores estavam fortemente relacionados, pelo que a sua análise não parecia ser mais adequada do que o score total. Assim, e numa perspectiva prática, aqueles autores defendem que é preferível utilizar o GHQ como uma medida unidimensional que avalia o distress psicológico.

O ponto de corte (ou cutoff) utilizado para obter as melhores sensibilidades e especificidades varia consideravelmente entre estudos, com uma variação referida em dezasseis estudos entre zero/um e seis/sete (FURUKAWA, GOLDBERG, 1999;

GOLDBERG, GATER, SARTORIUS, 1997). Ozdemir e Rezaki utilizaram o GHQ12

para detectar depressão em estudantes universitários e determinaram que o melhor ponto de corte para detectar casos de depressão era de oito/nove, ou seja, foi considerado caso com depressão quem pontuasse nove pontos ou mais na classificação binária (OZDEMIR, REZAKI, 2007).

No entanto, caso o investigador pretenda detectar todos os casos psiquiátricos não psicóticos possíveis para investigações posteriores perdendo um número o mais reduzido possível de “casos verdadeiros” é recomendada a utilização de um cutoff mais baixo, o qual tem a desvantagem de apresentar muitos falsos positivos. Quando se escolhe um ponto de corte mais elevado, um menor número de casos são detectados, mas reduz-se o número de falsos positivos. Furukawa e Goldberg sugerem a utilização de estratos de cotação (0/1/2/3/4-6/7-12) em vez de um ponto de corte fixo, sobretudo quando o instrumento vai ser aplicado a novos grupos populacionais (FURUKAWA, GOLDBERG, 1999).

De acordo com Jackson (JACKSON, 2007), e para a utilização do esquema de classificação binária 0-0-1-1, o melhor ponto de corte para a versão de doze itens é de dois/três (sendo considerado caso quando a pontuação é igual ou superior a três). Essa classificação também foi utilizada por outros autores (BELL et al., 2005; BELLANTUONO et al., 1987; ESCOT et al., 2001; LATTANZI et al., 1988; MAKOWSKA et al., 2002).

Entre nós, McIntyre, McIntyre e Silvério utilizaram a versão de doze itens do GHQ com o esquema de classificação binária 0-0-1-1 e um ponto de corte de dois/três, para definir casos com distress entre profissionais de saúde (McINTYRE, McINTYRE, SILVÉRIO, 2000a, McINTYRE, McINTYRE, SILVÉRIO, 2000b).

No estudo de Escot e colaboradores (ESCOT et al., 2001), realizado em trinta e sete enfermeiros de uma enfermaria de doentes oncológicos, utilizando o mesmo ponto de corte na escala de cotação binária, foi encontrada uma elevada concordância entre o GHQ12 (naquele grupo, 19,4% dos casos tinham stress elevado) e a entrevista efectuada

por psiquiatra.