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4. Presentation of findings

4.5. Interjectional phrases

4.5.2. Secular phrases

Historicamente, a preocupação com os riscos ocupacionais e o adoecimento em contexto laboral se iniciou com as proposições da Medicina do Trabalho, centrada na figura do médico, com o objetivo de detectar os processos danosos à saúde, além de cuidar para o retorno mais rápido daquele trabalhador doente à linha de produção, não dependendo dos serviços públicos oferecidos naquela época, que se apresentavam morosos e ineficazes. Outras ações ficavam também limitadas a uma intervenção médica, como a seleção de candidatos que na prática funcionava como um recurso para se evitar o recrutamento de indivíduos cuja saúde já estivesse comprometida. As ações médicas incluíam também atividades educativas, objetivando adaptar os trabalhadores às suas condições de trabalho. Caberia a este serviço contribuir para que o trabalhador tivesse o nível mais elevado do bem-estar físico e mental. Prevalecia nesse modelo a teoria da uni causalidade e a medicalização se dava em função dos sintomas e sinais que apareciam (MENDES; DIAS, 1991; GOMEZ; COSTA, 1997).

Ocorreu uma difusão e um fortalecimento desse modelo de modo que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) passou a fazer recomendações com o intuito de fomentar a formação de médicos do trabalho, qualificados. Em 1954, então, é criado o serviço de

médicos do trabalho e, em 1956, passa a se chamar Serviço de Medicina do Trabalho (MENDES; DIAS, 1991).

Contudo, no período da guerra e do pós-guerra e em um momento de rápido crescimento da indústria, os agravos à saúde por causa do trabalho e a perda abrupta de vidas por acidentes só cresciam gerando insatisfações dos trabalhadores e preocupações dos empregadores que viam uma ameaça à produtividade. Além disso, as indenizações por incapacidade provocadas pelo trabalho também aumentavam, gerando preocupações por parte das companhias de seguro. Observa-se também uma evolução na tecnologia, novos processos industriais, novos equipamentos, uma nova divisão do trabalho, não acompanhados pelas intervenções da medicina do trabalho, que passa a mostrar sinais de impotência e ineficácia para responder aos problemas que surgiam (MENDES; DIAS, 1991; GOMEZ; COSTA, 1997).

Diante desse quadro e com as reivindicações, o movimento da Medicina do Trabalho foi cedendo espaço ao da Saúde Ocupacional, que avança numa proposta de interdisciplinaridade, com base na higiene Industrial que passando a considerar o ambiente de trabalho passível de intervenção e, neste aspecto, precisando envolver o conhecimento de outras disciplinas. As equipes de saúde ocupacional formadas dentro das grandes empresas possuem um caráter multi e interdisciplinar, Incorporando a teoria da multi causalidade, na qual um conjunto de fatores de risco passa a ser considerado na produção da doença (MENDES; DIAS, 1991; GOMEZ; COSTA, 1997).

A higiene do trabalho é uma das ciências que atua no campo da Saúde Ocupacional, aplicando os recursos da engenharia e da medicina no controle das doenças ocupacionais, doenças do trabalho ou moléstias profissionais. Segundo Abreu; Spinelli (2003) as doenças ocupacionais são: “estados patológicos de determinadas atividades remuneradas.”

Apesar das ampliações e mudanças no que se refere à atuação da saúde ocupacional, este modelo não concretiza o apelo à interdisciplinaridade, as atuações apenas se justapõem; mantém o modelo da medicina do trabalho consolidado no mecanicismo; a capacitação de recursos humanos, a produção de conhecimento não acompanham o ritmo de transformações dos processos de trabalho; continua a abordar o conjunto dos trabalhadores como um objeto das ações de saúde, além do que segue com uma desqualificação no enfoque médico epidemiológico da relação trabalho/ saúde (MENDES; DIAS, 1991).

Segundo Gomez e Costa (1997) enfatiza-se o uso de equipamentos de proteção individual em detrimento daqueles de proteção coletiva, normatizam-se formas de trabalhar

com segurança e com este enfoque é atribuída aos trabalhadores a responsabilidade por acidentes e doenças.

No Brasil esse modelo se dá tardiamente e se concretiza com a regulamentação do capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente no que se refere à obrigatoriedade de equipes técnicas multidisciplinares nos locais de trabalho, na avaliação quantitativa de riscos ambientais e adoção de “limites de tolerância”. Um fato que chama a atenção é que as mudanças nas leis trabalhistas não foram acompanhadas pelas leis previdenciárias e acidentárias que permanece sem alterações, mantendo uma prática medicalizada, individual, e exclusiva para o trabalho formal, o que se observa até os dias de hoje (MENDES; DIAS, 1991).

Ao final dos anos 60 começam a aparecer críticas ao modelo da saúde ocupacional, inclusive denúncias sobre os efeitos negativos da medicalização. Surgem discussões na sociedade e ganha corpo a teoria da determinação social do processo saúde-doença centralizando as causas no trabalho, levando a maiores questionamentos a medicina do trabalho e a saúde ocupacional. Nesse período surgem programas de assistência aos trabalhadores com a participação dos mesmos (MENDES; DIAS, 1991).

Tais movimentos sociais e a organização do trabalho colocaram em questionamento várias práticas da saúde ocupacional, dentre elas os exames pré admissionais, denunciados como discriminatórios, os limites de tolerância, questionamentos quanto ao conceito de “exposição segura”. Estas e outras questões ampliam a relação trabalho/saúde, exigindo novas formas para modificar as condições de trabalho, evidenciando a ineficácia da saúde ocupacional. Esses movimentos tiveram inicio nos países industrializados, mas se difundiram em outros países. As questões levantadas foram principalmente relacionadas ao sentido da vida, valor à liberdade, o significado do trabalho e outros valores (MENDES; DIAS, 1991).

Na atualidade, as proposições da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional foram sendo transformadas e permitindo o surgimento de um campo de estudo e atuação mais complexo, chamado hoje em dia de Saúde do Trabalhador. As mudanças que ocorreram nos processos de trabalho com a terceirização da economia e a automação e informatização, culminam com as modificações no perfil do trabalhador, na forma de organização do trabalho e no perfil de morbidade por causa do trabalho. Verifica-se que as doenças clássicas vão cedendo lugar às novas formas de adoecimento como as doenças cardiovasculares, distúrbios mentais, o estresse, depressão, entre outras (MENDE; DIAS, 1991).

Para complexidade do adoecimento, produto de fatores tanto individuais como socioeconômicos. E ainda que as doenças profissionais podem ser decorrentes de má alimentação, pressão por produtividade, medo de demissão, competitividade, movimentos repetitivos, assédio, humilhação (MAENO, 2010, p. 1).

A organização do trabalho ganha destaque na relação trabalho/saúde, sendo, portanto necessárias novas estratégias para responder às questões que surgem. O modelo de saúde ocupacional com intervenção ambiental não consegue atender às expectativas. Os movimentos sociais ganham corpo, as pesquisas avançam, sendo necessário apresentar respostas a esse trabalhador que se mostra mais participativo e exigente (MENDES; DIAS, 1991).

Nesse novo contexto econômico e social surge a saúde do trabalhador buscando as explicações sobre o adoecer e o morrer, especialmente dos trabalhadores, por intermédio do estudo dos processos de trabalho.

Diante da complexidade e das dificuldades enfrentadas a saúde do trabalhador é ainda hoje um processo em construção no espaço da saúde pública. E a sua proposta se consolida a partir dos seguintes fatos: como já referido anteriormente, a nova forma de entender o processo saúde-doença e a implicação do trabalho neste processo, rompendo com a concepção de que apenas um agente causal concorre para o adoecimento do trabalhador; o aparecimento de doenças profissionais clássicas e novas como verdadeiras epidemias; denúncias sobre a ineficácia das políticas públicas e os serviços públicos de saúde em atender à necessidade do cidadão e dos trabalhadores; as novas práticas sindicais em saúde pressionando pelas reivindicações de melhores condições de trabalho, entre outras questões (MENDES; DIAS, 1991).

Os avanços que ocorreram foram importantes, no entanto, como disse Gomez e Costa (1997), “as marcas de um passado não são facilmente removíveis.”.

O modelo de saúde do trabalhador, que vem de algum tempo, foi consolidado por lei em 1974, sendo sem dúvida um avanço e pode se dizer que, nesse sentido, estamos melhores do que estávamos em 1950 e em 1960, é um modelo onde a vigilância das condições de saúde nos locais de trabalho ainda é pago com recursos patronais e, portanto, o que deve ser feito ainda é ditado por eles. Para realmente avançamos para um modelo mais justo é preciso que

os trabalhadores entendam que esse processo precisa ser modificado, inclusive a própria lei e os serviços públicos de estado (informação verbal). 1

A Ergonomia de matriz francesa relaciona-se principalmente com as proposições que foram avançando da Saúde Ocupacional para a Saúde do Trabalhador, por considerar os processos de trabalho, por observar a relação entre trabalho e adoecimento, por entender a complexidade e admitir que é necessário reunir e articular as várias áreas do conhecimento para conseguir compreender e responder as demandas que surgem e, por fim, por tornar os trabalhadores sujeitos participantes, capazes de pensar e se colocar como atores de todo este processo.

Foi exposto a evolução, os avanços e as estratégias utilizadas em cada momento histórico na tentativa de responder aos problemas da saúde do trabalhador, porém no Brasil, segundo Maeno (2010) temos um mosaico de situações de trabalho, inclusive o análogo ao do escravo, o que explica o Ministério da Saúde ter arrolado mais de 300 doenças relacionadas ao trabalho.

Nesse mosaico se inserem as UANs e os seus trabalhadores. A literatura mostra os diversos problemas encontrados nessas unidades de produção e a ergonomia, especificamente a AET, vem sendo utilizada com certa frequência como método dessas pesquisas, para tentar dar conta, por exemplo, das relações entre trabalho e saúde. Apresenta-se a seguir alguns estudos realizados em UANs, utilizando os conhecimentos da ergonomia.