Foi realizada a validação junto a todas as categorias de trabalhadores, houve a apresentação do trabalho, com os objetivos, o método utilizado e a consolidação dos resultados. Nessa etapa participaram 13 trabalhadores. Das nutricionistas que foram entrevistadas apenas uma se encontrava no hospital e não pode participar. Os trabalhadores confirmaram os resultados, sendo feitas poucas considerações extras que foram devidamente acrescidas ao presente estudo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa aqui desenvolvida possibilitou o levantamento de informações sobre a realidade de trabalho da Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) investigada, tendo sido realizada uma análise dos processos de trabalho nas diversas funções da UAN, por meio da análise documental, que resgatou as descrições das atividades e a rotina de cada função. Além disso, com o auxílio de entrevistas semiestruturadas e observações sistemáticas, alcançou-se também o conhecimento das condições de trabalho e a identificação das situações de riscos as quais os trabalhadores estavam submetidos. O que permite afirmar que os objetivos postulados foram atingidos, tornando visíveis e passíveis de conhecimento as problemáticas vivenciadas pelos trabalhadores da unidade em questão.
Apesar dos esforços e de muita abertura para a pesquisa de campo, houve uma limitação em relação ao acesso aos atestados médicos, posto que não era possível discriminar os atestados referentes apenas à unidade investigada, contudo esse fato não inviabilizou o estudo.
Exceto nesse caso dos atestados, a facilidade de acesso aos dados, fatos e informações sobre a instituição e a unidade, a disponibilidade dos trabalhadores da UAN e do hospital, participando das entrevistas e fornecendo informações foram decisivos para o alcance das propostas estabelecidas.
O referencial teórico trouxe o conhecimento necessário sobre a legislação vigente referente à saúde do trabalhador, do ministério do trabalho, a legislação específica aplicada as UANs e as suas exigências para as condições ideais de funcionamento para produção de alimentos seguros e que garantam postos de trabalho com mais conforto e segurança para os trabalhadores; acrescentaram-se ainda os conhecimentos da ergonomia, enquanto disciplina, que se interessa principalmente pelas condições de trabalho e pela saúde do trabalhador. O levantamento da literatura trouxe diversos estudos demonstrando a realidade de funcionamento das UANs, quase sempre em condições inadequadas, com muitos improvisos e arranjos físicos comprometendo não apenas a saúde do trabalhador, mas o produto final, que é o alimento.
A confrontação deste conhecimento com a análise da situação encontrada possibilitou concluir que a unidade apresenta diversas inconformidades nos aspectos físicos, como o ambiente com temperaturas elevadas, a presença de muitas rampas com piso liso e a falta de equipamentos e utensílios, gerando improvisos e pressão temporal. Nos aspectos organizacionais, observaram-se escalas diferentes causando insatisfações e conflitos, que
expõem os trabalhadores a riscos de acidentes e de adoecimentos. Diante deste fato julgou-se necessário elaborar recomendações para que esta realidade venha ser modificada.
Além disso, é importante lembrar que a literatura aponta e que este estudo corroborou que as peculiaridades dos processos de trabalho nas UANs favorecem alguns tipos de adoecimento que deveriam ser melhor diagnosticados e consequentemente, tratados, posto que é necessário considerar as diferenças individuais de cada trabalhador, para assim ser possível estabelecer estratégias para prevenção e controle das doenças.
Outra questão relevante aqui foi o momento em que o estudo foi realizado, e que pode ser considerado um alerta para as organizações, no momento da investigação a unidade em análise estava em reforma de suas instalações, e convém ressaltar a importância dos cuidados sobre a integridade física do trabalhador, que precisa ser preservada, conforme determina a legislação, mesmo em situações provisórias como é o caso das reformas.
Estudos que contemplem outras categorias profissionais da área de alimentação, como por exemplo, o processo de trabalho do nutricionista e os impactos na saúde desses trabalhadores, também são muito relevantes e devem ser desenvolvidos. Destaca-se ainda a importância da formação desse profissional, que geralmente é gestor nessas unidades, afim de que lhe seja oferecida uma visão mais ampla do trabalho, dando ênfase à saúde do trabalhador da área de alimentação, como fator determinante para produção de alimento seguro sem, portanto perder de vista o cumprimento dos objetivos de uma UAN.
Considerando que a saúde do trabalhador é um tema relevante para a organização, para o trabalhador e para sociedade este estudo deve ser utilizado pela instituição como um diagnóstico da situação real e, se possível, que este possa ser ampliado para outras categorias de trabalhadores na área hospitalar e que seja útil para transformar a realidade como propõe a ergonomia e determina a legislação.
Evidenciaram-se inconformidades nos aspectos estruturais, organizacionais e materiais que podem comprometer não somente a saúde do trabalhador como a qualidade da refeição produzida. Diante disto recomenda-se a adoção de medidas a curto, médio e longo prazos para diminuir tais inadequações, transformando assim as situações de trabalho:
1 Urge que a instituição considere e se adapte às exigências disponíveis nos instrumentos legais como as portarias n° SVS/MS1428 (1993), RDC/ANVISA n° 275 (2002) e SVS/MS n°326 (1997), que dispõem sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação, incluindo aspectos de edificações, instalações, equipamentos, móveis e utensílios, que têm como objetivo garantir as condições para produção de alimentos seguros
como também proporcionar maior conforto nos postos de trabalho, consequentemente prevenindo acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Durante as reformas e obras a integridade física do trabalhador precisa ser garantida.
2 Deve-se priorizar e garantir minimamente, mesmo com as reformas, as áreas de produção e distribuição de alimentos para que o trabalho seja realizado de forma a cumprir o que preconiza a legislação, quando menciona que deve ser levada em conta a existência de espaços suficientes para atender de maneira adequada, a todas as operações.
3 Ressalta-se que a contratação de profissionais para compor a equipe de segurança do trabalho em cumprimento a NR 4 é fator bastante positivo, sendo necessária, com maior brevidade, a instalação da CIPA, cumprindo o determinado pela NR5.
4 Os equipamentos de proteção individual devem ser fornecidos pela instituição e pela empresa terceirizada. Estes precisam ser confortáveis e adaptados aos trabalhadores que irão usá-lo, atendendo ao determinado pela NR 6.
5 O contrato com a empresa terceirizada deve ser acompanhado de forma sistemática e o descumprimento das cláusulas, precisa ser apurado e devidamente punido. Importante priorizar as medidas de proteção coletiva.
6 É imprescindível adequar o piso em toda área onde haja risco de quedas, especialmente nas rampas, observando as recomendações da NR 8 e da SVS/MS 326/97
7 Importante avaliar a possibilidade de dotar algumas portas com fechamento automático para facilitar a distribuição de refeições.
8 No tocante à organização do trabalho, deve-se atentar para uma melhor divisão das tarefas de forma que não haja sobrecarga de uns em detrimento de outros, e que sejam consideradas as sugestões dos próprios envolvidos na situação de trabalho. Isto pode ser alcançado criando espaços para um maior diálogo. As reuniões podem ser usadas como uma das estratégias, porém não a única. Deve-se suscitar oportunidades para os diálogos e/ ou mesmo conversas em grupo, durante a jornada de trabalho, sempre que possível, posto que há
uma relação propícia entre os trabalhadores e a chefia imediata, conforme apontado pelos próprios trabalhadores.
9 Nos horários nos quais houver maior restrição de tempo, como foi constatado na distribuição do jantar dos pacientes, é necessário buscar estratégias para que as copeiras recebam colaboração de outra trabalhadora.
10. É imperativo manter e incentivar as pausas durante a jornada de trabalho, visto que é recomendado para atenuar os impactos produzidos pelos longos períodos em pé, e é uma medida preventiva com relação a diversos adoecimentos.
11 A equipe de segurança de trabalho deve proceder à avaliação dos postos de trabalho da UAN conforme recomendado pela NR17, que diz respeito à ergonomia, solucionando os problemas existentes.
Essas recomendações foram elaboradas considerando a realidade encontrada no estudo e seguiram as orientações estabelecidas por leis vigentes relativas ao tema e utilizou-se também os conhecimentos da ergonomia e dos vários estudos na área.
Após a conclusão e apresentação do estudo aos interessados na organização a pesquisadora agradeceu a disponibilidade da instituição para realização do estudo e colocou- se a disposição para quaisquer informações adicionais e outras contribuições que possam servir de subsídios para mudanças e melhorias na UAN e no Hospital.
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