Etimologicamente a palavra “planificar” tem origem no latim Planumfacre e significa tornar evidente. De acordo com Zabalza (1992), planificar é transformar uma ideia ou uma intenção numa ação. Para Escudero citado por Zabalza (1992), a planificação é prever diferentes formas de agir, bem como adaptar as nossas previsões, desejos e metas ao nosso contexto escolar e ao que queremos concretizar.
De acordo com Ribeiro (1994) existem inúmeras vantagens da planificação no processo ensino-aprendizagem, tais como:
Prevenir as dificuldades e mostrar os meios para as ultrapassar; Criar uma relação entre os objetivos gerais e os específicos; Esclarecer o tipo de aprendizagem que se deseja obter; Comunicar o que pretende realizar;
Permitir uma adequação de estratégias, meios e materiais em concordância com os objetivos definidos;
Organizar a avaliação de forma a ajudar os alunos a ultrapassar as suas dificuldades, contribuindo desta forma para o sucesso escolar dos alunos. Sendo a planificação um documento que auxilia os docentes a orientar a sua prática pedagógica, é importante salientar que esta deve ser flexível, uma vez que nem sempre é possível realizar o que se tinha pensado e estipulado neste documento. Pais e Monteiro (2002), salientam que é importante que os docentes sejam capazes de decidir se o mais importante é “obedecer” ao que está planificado ou se o mais importante é responder às necessidades e questões que os alunos colocam no momento da aula.
A planificação não é um processo estanque ou um modelo único, mas sim um processo cíclico, em que existem diferentes tipos de planificação, nomeadamente três tipos, sendo estes a longo prazo, a médio prazo e a curto prazo. Estes tipos de planificação variam consoante o tempo e o processo de ensino-aprendizagem.
A planificação a longo prazo está relacionada com os conteúdos a lecionar ao longo de todo o ano letivo. Esta é uma planificação pouco detalhada que geralmente é elaborada pela equipa pedagógica do estabelecimento de ensino.
A planificação a médio prazo consiste na programação de cada conteúdo a desenvolver. Neste tipo de planificação, também são considerados os métodos de avaliação e os objetivos que se pretendem alcançar.
Por fim, a planificação a curto prazo, é uma planificação mais pormenorizada e descritiva, que normalmente é realizada pelo professor titular de turma, tendo em conta as necessidades dos alunos. Esta planificação a curto prazo aborda as estratégias pedagógicas, as atividades programadas, bem como o tempo destinado para a concretização de cada uma delas.
A planificação deve ser um trabalho realizado não só pelo professor titular de turma, como também, deverá ser fruto da cooperação entre todos os intervenientes, não a tornando algo rígido e elaborado para permitir o cumprimento do currículo. A principal função da planificação é modificar o currículo, adaptando-o ao contexto escolar, indo ao encontro das caraterísticas e das decisões de cada instituição de ensino. Contudo, não
podemos esquecer que esta não pode apenas adaptar-se à comunidade escolar, tem essencialmente de adaptar-se a cada turma e aos materiais pedagógicos disponibilizados.
Relativamente à avaliação, a palavra avaliar teve origem no latim avalere, que significa “dar valor”. De acordo com Frias e Takahashi (2002), avaliar é atribuir um valor ou qualidade a uma determinada ação ou a alguma coisa, posicionando-a de forma positiva ou negativa.
A avaliação é um elemento “[…] integrante e regulador da prática educativa, em cada nível de educação e ensino e implica princípios e procedimentos adequados às suas especificidades.” (Direção Geral da Educação, s.d.). Avaliar permite aos docentes identificar quais as aptidões, conhecimentos e atitudes que os alunos já adquiriram, auxiliando-os na procura de meios e estratégias que os ajude a resolver as suas dificuldades.
Segundo Pacheco (1995), a avaliação não depende exclusivamente dos alunos, pelo contrário, está diretamente ligada com o currículo, com o contexto da sua elaboração (programas e materiais), com os órgãos organizacionais (escola, ministério e secretarias regionais da educação) e por fim com os seus intervenientes (professores e alunos). Fernandes (2005) refere ainda que a forma como a avaliação se organiza e se desenvolve dentro da sala de aula, nas instituições e nos sistemas educativos é indissociável da forma como pensamos a educação, de facto, existe uma relação causa-efeito entre “[…] o que pensamos, ou o que sabemos, acerca das formas como os alunos aprendem e as formas como avaliamos as suas aprendizagens.” (Fernandes, 2005, p. 24)
Zabalza (1992) salienta que não podemos pensar a avaliação reduzindo-a a uma só área, a uma só forma de avaliar através de testes, a determinada situação e a uma só modalidade avaliativa, nomeadamente sumativa, uma vez que, isto representa um enfraquecimento da avaliação e uma perda de sentido do discurso didático. Neste sentido, Fernandes (2005) evidencia que os testes são os instrumentos mais utilizados pelos professores, avaliando unicamente os conteúdos de natureza académica presentes nos programas, sendo este instrumento responsável pela atribuição das classificações dos alunos.
Fernandes (2005) salienta que é essencial que os alunos participem de forma ativa no seu processo de aprendizagem, ajudando-os a organizar o seu estudo, motivando-os para aprender e a delinear estratégias de aprendizagem. Este refere também, que para uma participação mais ativa dos alunos no processo de ensino-aprendizagem os professores
devem utilizar outras estratégias e instrumentos de avaliação para além dos testes, como portfólios, pequenos relatórios, questionários e observação sistemática dos alunos.
Tendo em conta o que foi dito anteriormente e de acordo com Melo (2014) é importante referir que podemos falar de três tipos de avaliação: a diagnóstica, a formativa e a sumativa. A avaliação diagnóstica ajuda o docente a traçar o conhecimento dos alunos, o que aprendeu e o que não conseguiu aprender, fazendo com que este planifique de forma a colmatar as dificuldades dos alunos. No que concerne à avaliação formativa, esta prende-se com os conteúdos propostos pelo docente e procura saber se os objetivos propostos foram atingidos pelos alunos. Por fim, a avaliação sumativa está relacionada com a atribuição de notas aos alunos.
Em suma, quer a planificação, quer a avaliação são instrumentos importantes no processo ensino-aprendizagem, uma vez que permitem ao docente orientar, mediar e facilitar o desenvolvimento dos alunos. Estes instrumentos permitem também ao docente refletir sobre a sua prática, tendo como principal preocupação o desenvolvimento dos alunos, salvaguardando as aprendizagens dos mesmos, permitindo que estes ultrapassem as suas dificuldades.