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2.1 Supply Chain Management

2.1.3 SCM as a set of activities

O Brasil, pela sua vasta extensão territorial, é considerado como sendo detentor da maior biodiversidade do planeta Terra, possuindo um papel primordial no processo de preservação da variabilidade genética do mundo. Mas desde o início do contato, o território brasileiro tem sido alvo de ocupações humanas constantes, devastadoras, que colocaram e ainda põem em risco os ecossistemas mais vuneráveis, como as caatingas.

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A caatinga muda de variação fisionômica (densidade e porte das plantas), numa questão de metros, o que lhe dá a característica de possuir uma grande diversidade (AMORIM, et al 2005: 5).

De acordo com a região, as caatingas podem apresentar-se mais ou menos abertas, mais ou menos herbáceas, arbustivas, etc., a exemplo da descrição das caatingas da região do Seridó do Rio Grande do Norte que perfeitamente podemos enquadrar as nossas microrregiões do Seridó Oriental e Ocidental (Paraíba). Ali, predomina uma caatinga aberta, solo coberto de relva áspera com plantas enquadradas nos tipos arbóreas e arbustivas atrofiadas. Porte bastante reduzido e bastante espinhentas, o que tem levado os estudiosos a qualificar essa região como uma das mais perceptíveis a desertificação. Provavelmente fatores antrópicos, como a derrubada da mata primária com árvores de grandes copas que ajudaram como medidas protetoras do solo, bem como ações naturais (solos rasos e pobres com pouca capacidade de reter água), são os indicadores principais que aferem ao Seridó a condição de apresentar a área de caatinga na Paraíba mais propícia a desertificação. É bom salientar que esse problema vem se agravando a partir da colonização, pois no período pré-contato e imediato ao contato (séculos XVI e XVII), existem relatos de que vários grupos humanos viviam harmoniosamente no meio, retirando, na medida do possível, seu sustento e migrando para outros áreas nos períodos de grandes estiagens.

Dois tipos de climas predominam na região: o semiárido e o subúmido seco tropical. Alves (2007: 02) coloca que a pluviosidade da região concentra-se num só período que dura geralmente de 3 a 5 meses, variando, essa média, de ano para ano. A precipitação média anual situa-se entre 250 a 900 mm e bastante irregular. As temperaturas são elevadas e variam dos 26° a 29°C de acordo com fatores naturais, como por exemplo a hipsometria. A umidade relativa do ar é de aproximadamente 50% e, talvez os mais graves fenômenos naturais: a insolação média anual é de 2.800 horas e as taxas médias de evaporação giram em torno dos 2.000 mm/ano, causando o famoso fenômeno (natural) das secas.

Os terrenos predominantes são cristanilos quase que totalmente impermeáveis e sedimentares, ambos abrangendo 50% dos terrenos da imensa região.

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Os solos são pouco desenvolvidos, rasos e com fraca capacidade de retenção de água, o que levou a vegetação a se adaptar a tais circunstâncias.

A vegetação é bastante diversificada por vários motivos: climáticos, edáficos, topográficos, pedológicos, geomorfológicos e, desde o início da colonização da região, antrópico.

A heterogeneidade das caatingas contribui para ser a geradora dos problemas de definição e classificação das espécies, seja do ponto de vista fisionômico, florístico e condições estacionais (ALVES, 2007: 59).

Desde o início de penetração dos primeiros colonos, posseiros, sesmeiros e bandeirantes nos Sertões, que cronistas começaram a descrever as caatingas. O registro descritivo mais antigo data de 1587, no Tratado Descritivo do Brasil, em 1587, de Gabriel Soares de Souza (1971). De lá até os nossos dias, inúmeros cronistas viajantes, leigos e estudiosos a mencionaram em seus tratados, inclusive analisando os problemas advindos das pressões humanas e suas atividades econômicas sobre o bioma.

O bioma caatinga deixou, há muito tempo, de ser um simples complexo físico- natural-biótico-abiótico, para ser natural-histórico-social depois que o homem passou a intervir de forma impactante no sistema; o bioma, apesar de sua fragilidade, durante séculos, passou por um período de biostasia, ou seja, uma fase de estabilização, o clímax de seu desenvolvimento, sem que problemas de ordem natural (tectonismo e vulcanismo especialmente) modificassem a estrutura da região. Com a colonização, vieram os impactos ambientais, o sistema entrou numa longa fase de resistasia, representada por fortes alterações no equilíbrio do bioma, de instabilidade (disclímax), causados, quase todos, por ações danosas do homem ao meio.

O bioma está longe de ser um todo heterogêneo, ao contrário, existem as unidades funcionais “que reúnem fáceis (geofáceis), dinamicamente independente” (ALVES, 2007: 61). Cada uma dessas fáceis é como se fosse um micro-sistema dentro de um macro-sistema, com características homogêneas que se estendem por centenas de quilômetros, mas que cedo ou tarde apresentam um rompimento e dar lugar a um novo geofácil, independente, mas que estão interligados. Dentro dos geofácies, temos os geótopos, que nada mais são do que as menores unidades operacionais, pequenos

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ecossistemas às vezes num pequeno lajedo ou afloramento rochoso, mas que compõem um todo. Os geótopos podem apresentar-se como refúgios de seres relictuais ou endêmicos: o caso da presença de colônias de Euphorbia phosphorea (cunanã) no topo dos afloramentos graníticos existentes nos municípios de Pocinhos, mas já identificados em Puxinanã e Esperança (todos na Paraíba) se enquadram num exemplo básico de geótopos.

Alves (2007: 63) afirma que é difícil classificar uma determinada vegetação, devido as suas inter-relações entre fatores antrópicos e naturais.

Aubréville (1965) utilizou quatro critérios básicos para classificar uma dada vegetação: fisionômico, ecológico, florístico e evolutivo. Dos quatro, o mais utilizado devido a sua praticidade é o critério florístico.

A caatinga é um verdadeiro mosaico de diferentes formações e estratos, o que dificulta o seu estudo, classificação e conhecimento. Nem sempre a passagem de uma para outra formação (tipo) é perceptível, dificultando a identificação das espécies. Uma primeira forma apontada por Alves (2007: 63) para separar a caatinga em categorias dar-se observando a altura: (i) a floresta seca; (ii) as caatingas arbustivas; (iii) as estepes. Essas categorias nada mais são do que os três estratos em que a caatinga pode ser enquadrada.

Há outras formas de categorizar as caatingas: sistema de enquadrá-las enquanto espécies caducifólias, que predominam na formação do bioma; outra seria as xerófilas (cactáceas, bromeliáceas e euforbiáceas) que não são encontradas em todas as regiões que recebem o domínio das caatingas. Há regiões que apresentam uma grande quantidade, por exemplo, de cactáceas, enquanto que, em outras regiões, esses vegetais estão ausentes ou limitados há poucas espécies e há alguns geótopos.

O que realmente caracteriza esse tipo de vegetação, em detrimento dos doze tipos existentes, são os meios de modificações do ritmo biológico através de mudanças no metabolismo para o acúmulo cujo o objetivo é evitar a perda em demasia de água (acumulação de água nos tecidos e nas raízes (tubérculos), o processo de emurchecimento das folhas, redução dos tamanhos das folhas, película de “cera” que encobre as folhas para evitar a transpiração excessiva, etc., são algumas das adaptações perceptíveis desse tipo de vegetação observada em nossa região.

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Ao contrário do que se imagina, a presença de espinhos não acontece em toda e qualquer planta do bioma. Alves (2007: 63) alerta que “com exceção das cactáceas, a espinescência só existe nas Mimosáceas, o que constitui uma característica própria de algumas espécies dessa família, principalmente o gênero Mimosa, e em certas Euforbiáceas, principalmente Cnidosculus phyllaconthus (faveira).”

O acúmulo de água, também, não ocorre em todas as plantas: nas cactáceas e nas bromeliáceas, em menor escala.

A esclerofilia só é encontrada em alguns poucos gêneros: Aspidosperma, Maytenus, Brumelia, Ziziphus, Licania, Combretus e Chidosculus. Vários desses gêneros só perdem as folhas em períodos de grandes estiagens e, como é o caso do Juazeiro, esse processo não acontece.

Já o processo de emurchecimento, ou murchamento, é outro mecanismo existente em algumas espécies e não em todas; utilizado, também, para reduzir a transpiração: a espécie Cróton spp., que murcha durante as horas de maior insolação para voltarem a normalidade nos períodos mais frios.

A foliação é o processo em que as plantas perdem suas folhas nos períodos de seca para amenizar a transpiração. Esse processo “de caráter genético, selecionado pelo meio, representa a característica principal de adaptação secundária (ALVES, 2007: 63).

As espécies da caatinga, pelas suas características ecótopas, são condicionadas tanto para sobreviverem em condições de extrema aridez climática quanto em períodos mais úmidos, encontrando-se em condições adversas tanto climáticas quanto edáficas.

Na Paraíba, algumas espécies como a Caesalpinia pyramidales (catingueira), Mimosa hostilis e a Mimosa migra (jurema branca e preta); Cróton spp (marmeleiro e velame), Jatropha pohliana (pinhão (pião) - bravo), dentre outras, são encontradas em praticamente todas as áreas de caatinga, mas apresentando tamanhos variados de acordo com as condições ambientais e antrópicas do lugar. Plantas como Bursera leptoplhocos (umburana de cambão), Amburana cearensis (umburana de cheiro ou cumaru), Spondias tuberosa (umbu), Cnidosculus phyllacanthus (favela), Schinopsis

26 brasiliensis (baraúna), Astronium urundeuva (aroeira), Anadennonthera macrocorpa (angico), Mimosa caesalpinioefolia (sabiá), Cavanilésia Spp. (paineira ou barriguda) e algumas espécies de palmeiras formam as variações da presença ou ausência de elementos arbóreos (ALVES, 2007: 64). A Licania rígida (oiticica), Tabebuia caraibea (craibeira ou caraibeira), Bumelia sortorum (quixabeira), são espécies encontradas em áreas mais úmidas, geralmente compondo as matas ciliares dos córregos das caatingas. Tais espécies são citadas continuarmente por inúmeros cronistas que tiveram contato com os Cariris e Tarairiús, que as usavam para a confecção de utensílios e armas (PINTO, 1956).

Os tapetes gramíneos são abundantes nas caatingas. Foi a introdução do gado a partir dos séculos XVI e XVII, que os estratos inferiores, as gramíneas principalmente, sofreram fortes impactos, pois recebendo o pisoteio constante do gado graúdo e miúdo, compacta o solo, impedindo a infiltração de água e, por conseguinte, provocando a erosão dos solos que carream, devido o aumento do escorrimento superficial, estas pequenas plantas que formam o tapete herbáceo, deixando o solo desnudo e favorável a desertificação. O estrato que compõe o tapete herbáceo da caatinga também muda de acordo com as condições geo-climáticas. Quando o solo é mais arenoso e profundo, os estratos superiores das caatingas são mais abertos, fazendo com que o tapete herbáceo apresente um desenvolvimento em espécies mais diversificadas. Esse tapete é constituído por plantas de pequeno porte: gramíneas, malváceas, amoranfáceas, portulacáceas, rubiáceas, ciperáceas, comelináceas (ALVES, 2007: 64), além da presença de bromeliáceas (caroá e macambira). Existem, dependendo das condições geo-climáticas, o estrato herbáceo de porte mais avantajado: leguminosas, phaseolus, indigofera, crofalaria, labiadas, dentre outros.

Assim, as plantas das caatingas podem, ainda, serem categorizadas: 1. formação lenhosa – são os higrófilas geralmente plantas que absorvem água de um corpo d’água ou lençol freático das proximidades. Se enquadram as plantas das matas ciliares das colônias de carnaúba (Copernica cerifera); 2. formações florestais ligadas as condições climáticas locais relativamente úmidas – apresentam árvores com folhas persistentes ou não, às vezes, com características esclerofilas; epífitas, liana; sub- bosques; herbáceos ou subarbustivos. São as caatingas abrejadas ou de altitudes (ALVES, 2007: 65).

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Andrade-Lima (1981) afirma ser possível identificar até trinta tipo de caatinga fazendo uso da noção de comunidade-tipo, em outras palavras, “espécies que caracterizam uma associação vegetal” (ALVES, 2007: 65). No entanto, sugere Andrade-Lima reuni-la em doze tipos, devido, principalmente, as poucas informações disponíveis sobre o próprio bioma, bem como, as características naturais que a forma.

A classificação do autor é baseada nos critérios fisionômico-ecológicos, estabelecendo uma co-relação entre vários fatores naturais, como o solo, índices xerotérmicos, tipos de rochas, ação antrópica e fisionomia. Reunimos no Quadro 1 (Anexo A), os doze tipos de caatingas. É importante ressaltar que todos já foram observados nos Sertões da Paraíba, sem que no entanto tenham sofrido estudos sistemáticos.

Vasconcelos Sobrinho (1974) informa-nos que todos os tipos de caatinga e todas as áreas onde elas ocorrem, no Brasil, já sofreram impactos, sem que tenham sido por parte dos índios, mas sim pelos colonizadores europeus que implantaram, na região, um novo modelo econômico que não respeitava as limitações de carga do bioma. O autor aponta não a atividade agropecuária como sendo o principal destruidor das caatingas, mas a ferrovia5.

Lutzelburg (1922, Apud, ALVES, 2007: 66) já afirmava, naquela época, que era raro encontrar árvores nobres nas partes mais altas do Canyon do rio Paraíba e outras regiões. Pois as matas foram devastadas para plantio da cotonicultura.

Alves (2007: 67), baseado em estudos diversos, mas principalmente em levantamento feito in loco, criou uma nova tipologia para as caatingas, dividida em quatro tipos básicos, de acordo com seu porte, que descrevemos no Quadro 2 (Anexo B). Alves (2007: 68) para mostrar que a imensa região vem sofrendo fortes agressões antrópicas desde a colonização, mostra-nos que algumas espécies já predominam sobre outros, como as Mimosóideas e as Caesolpináceas e nas áreas e períodos mais áridos, a predominância das Euforbiáceas e as Apocináceas, constatando o fim das matas primárias.

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Foi das caatingas que saíram os dormentes para as novas linhas férreas que eram abertas na região. Dados da Great Western informa que essa empresa inglesa em apenas dez anos )1935- 1945) teria consumido 200.000 m3 de lenha e 60.000 dormentes de aroeira e baraúna.

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Por que esta longa exposição das características das caatingas? Primeiramente, é nesta imensa região de predominância das caatingas que desenvolvemos nossas pesquisas; é preciso conhecer a situação ambiental de hoje para entendermos como e a partir de quando os seus antigos habitantes (os índios) começaram a serem expulsos de lá, desaparecendo de suas terras. Em segundo lugar, analisando as caatingas, chega-se ao porquê da expulsão dos índios. Foi exposto que, a ação antrópica teria sido a grande responsável pela degradação ambiental, na região, e foi justamente a busca por mais riquezas, enfim a economia do período inicial da colonização que desalojou os gentios de suas terras, levando-os, no caso da Paraíba, a extinção. Em terceiro lugar, estudar as caatingas, seus tipos, é entender por que cada grupo humano por nós estudado buscava áreas diferentes para viver sem querer dizer com isso que houve uma predominância ambiental nessa escolha, mas que, sem dúvida, este ponto também foi importante na escolha feita em busca de áreas para o cultivo de suas culturas, a busca de locais para os aldeamentos e enterrar seus mortos. É impossível desassociar um grupo humano, seja ele pré-histórico ou histórico do contexto natural em que vivia. No nosso caso, entender a situação das caatingas é, acima de tudo, entender os motivos que levaram esses grupos (Cariris e Tarairús) a serem expulsos de suas terras, enfim extintos na Paraíba.