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3.2 Categorization and characteristics

3.2.1 Phases

Desde o início da colonização europeia do Brasil que as primeiras incursões às caatingas tiveram lugar. Inicialmente foi colocado, em prática, o regime de sesmarias

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ainda na época da divisão territorial em capitanias hereditárias, o que levou a criação de extensos latifúndios que predominam nos dias de hoje.

Foi, inicialmente, a monocultura da cana-de-açúcar, no Litoral, que deu início a busca por novas terras para a produção de bens de subsistência, produção extensiva de gados e o início da produção de culturas voltadas à exportação, a exemplo da cotonicultura. Com isso, seus antigos habitantes, os índios Tapuias Cariris e Tarairús foram dizimados, aculturados, cedendo lugar a sede voraz dos colonizadores, ávidos por lucros. Tudo isso tem contribuído para uma forte alteração do bioma caatinga e das paisagens ali dominantes, com a substituição de espécies vegetais nativas por cultivos de pastagens e espécies exóticas, a exemplo da algaroba.

Práticas comuns como o desmatamento e as queimadas continuam como atividades rotineiras no preparo das terras para o plantio e pecuária. Isso só corrobora com a destruição da cobertura vegetal, prejudicando a manutenção das populações animais silvestres, a qualidade da água já escassa na região e o desequilíbrio do clima e solo. “Calcula-se que em torno de 80% dos ecossistemas originais já foram antropizados” (AMBIENTE BRASIL, 2007: 02).

A desertificação já atinge cerca de 74% do território paraibano, segundo o engenheiro João Ferreira Filho (DIÁRIO DA BORBOREMA, 2007: 8). Essa área, na verdade, apresenta verdadeiras ilhas de desertificação, sendo que áreas consideradas mais críticas estão no Curimataú, Seridó, Cariri e parte do Sertão.

Manoel Correia de Andrade (1963: 21), já afirmava que “é o Nordeste uma das regiões geográficas mais discutidas e menos conhecida do país”. É uma imensa região de contrastes geográficos, culturais e sociais desde tempos imemoriais, como ainda hoje.

O Nordeste, como é conhecido atualmente com suas feições geográficas territoriais só passou a existir a partir de 1941, quando o Conselho Nacional de Geografia (CNG) faz uma grande classificação, dando as configurações atuais, com exceção do estado do Sergipe e Bahia. Em 1968, o Instituto Brasileiro de Geografia e

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Estatística (IBGE) é quem define as configurações atuais da região Nordeste do Brasil,

com os nove (09) Estados atuais 6.

O processo de interiorização da colonização do interior da Paraíba se deu por duas frentes: uma a partir do Litoral via Agreste e outra pelos Sertões, subindo os rios da região, como o Paraíba e seus afluentes. Sertão, portanto, é visto como todo o interior, domínio inconteste do gentio bravo, área de predominância das caatingas, povoado no pós-contato por aqueles que buscavam pasto para os rebanhos de gados.

Moreau e Baro assim viam o Sertão (1979: 116):

Sertão, é uma espécie da região particular no continente, que está atrás de Pernambuco. Esta palavra significa boca do inferno, segundo me disse o nosso tradutor. Aí existem as mais belas matas do Brasil. Diversas nações de Tapuias habitam esta região; são amigos dos portugueses, à saber os Guyauas, os Toicuiuios, os Cariuios e os Pigruuos.

Para Morisot (MOREAU e BARO, 1979), Sertão “ é uma espécie de região particular no continente, que está atrás de Pernambuco”.

Para Herckmans (1985) eram os caminhos que cortavam “os desertos chamados sertões”.

Para Figueiredo Filho (1964: 5), Sertão é a “zona do interior, afastado da faixa litorânea”.

Domingo Jorge Velho, famoso sertanista do século XVII, Sertão era “o mais áspero caminho, agreste e faminto sertão do mundo”. “um caminho tão agreste, seco, e estéril, que só quem andou poderá entender o que ele é” (MEDEIROS FILHO, 1984: 15).

Na visão de Alfredo Taunay (1948: 9), havia dois sertões: auqle em que era possível encontar algumas habitações e aquelas plagas inabitáveis, chamado de Sertão bruto, área virgem de homens.

A terminologia Sertão para o povo falante da língua Tupi era o de ser um lugar despovoado, estéril. O significado do nome é pora-pora-lima. Essa região tinha nas serras da Borborema o que Euclides da Cunha (1963: 94) chamou de “o asilo Tapuia”.

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Neste trabalho, chamaremos de Nordeste a região definida pelo IBGE em 1968, área esta denominada pelos colonizadores e cronistas de Norte.

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Assim, Tapui-retam (do Tupi – região dos Tapuias), era visto como o local onde se internaram os índios fugindo do contato com o branco sedento por riquezas, bem como fugiam dos Tupis, índios aguerridos que teriam expulsados alguns grupos étnicos Tapuias do Litoral. O Sertão era o vácuo, os chapadões, as áreas inóspitas, inacessíveis, onde, talvez imaginassem seus habitantes, poderiam finalmente viver em paz. Ilusão que terminou quando os colonizadores perceberam que daquela inóspita terra poderiam fazer brotar riquezas.

Na visão do Padre J. B. Hafkemeyer (s.d.), Sertão era todo o imenso interior das terras do Brasil, que abrangia desde áreas do interior do Rio Grande do Sul onde viviam aldeados os índios Guaranis, até o vasto interior do Brasil, como os de Sertões do Tocantins e os confins do Amazonas, capaz de ser alcançado pelos imensos rios que se lançavam ao mar.

No Nordeste, bem como na Paraíba, o Sertão (que aqui estendemos para as mesorregiões do Agreste, Borborema e Sertão (Figura 1), é a área mais extensa do Estado que está totalmente dentro do Polígono das Secas (IBGE, 2005). Segundo Manoel Correia de Andrade (1963: 40), cerca de 97.6% do território paraibano enquadra-se no Polígono das Secas. Assim, microrregiões como as dos Cariris Oriental e Ocidental, Seridó Oriental e Ocidental, Curimataú Oriental e Ocidental, estão totalmente inseridos neste contexto.

Figura 1 – Mapa da Paraíba: divisão política (Mesorregiões da Mata, Agreste, Borborema e Sertão – sentido Leste/Oeste).

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João Duarte Filho (1938) inicia sua obra dando uma outra conotação do termo Sertão. Para ele, Sertão era o Nordeste, representado especialmente por suas mazelas. A uma região mal julgada e mal vista por todos. Terra de sol e seca, terra de selvagens.

O Sertão, outrora local de grande relevância, transformara-se numa tragédia enorme, iniciada nos primórdios da colonização e perpetuada até nossos dias. Sertão ainda hoje é sinônimo de miséria, mesmo que durante os dois séculos iniciais da conquista fosse visto como a região mais rica, e portanto, desenvolvida da Colônia latente.

A literatura dos cronistas cita que, na época da colonização, já se verificavam deslocamentos de grupos humanos (índios) dos Sertões (interior) para a região do Litoral, especialmente entre os meses de dezembro a fevereiro, época em que o cajueiro está safrejando. Nos dias atuais, não é diferente. Nos anos em que as chuvas tardam a chegar, ou seja, se até o dia 19 de março (dia de São José) não começarem as invernadas, o sertanejo perde as esperanças de um ano bom de inverno, pois mesmo que chova não terá água suficiente para sustentar as plantações, são os períodos de seca verde. Há anos em que as chuvas não vêm e os meses secos se prolongam, emendando em dois ou mais anos sem que ocorram precipitações satisfatórias. A saída são as retiradas, o êxodo em busca de regiões mais úmidas até que o inverno (chuvas) voltem a cair na região.

A ocupação das áreas do interior das capitanias do Nordeste do Brasil, Pernambuco e suas anexas, deu-se de forma extremamente violenta, resultando num dos maiores genocídios das Américas, que levou ao cativeiro, ao aldeamento e a morte de milhares de índios pertencentes a dezenas de grupos étnicos diferentes.

Maria Idalina (2002: 27) afirma que desde as primeiras tentativas de expropriação das terras, o aniquilamento cultural foi acompanhado de intensa resistência por parte dos índios, através de fugas, guerras e alianças intertribais. Acrescentamos aqui alianças com o próprio colonizador como forma de sobrevivência do grupo.

Stuart Schwartz (1988) afirma que estudos recentes demonstram terem sido os

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heterogeneidade de povos com traços culturais distintos. O que realmente caracterizou esses grupos foi que parte significativa deles eram habitantes do interior (Sertões) não se excluindo, portanto, que alguns deles habitavam ou desciam ao Litoral, em certos momentos, bem como esses grupos humanos mantiveram contatos menores com os colonizadores no primeiro século de colonização lusa. Sua heterogeneidade cultural e principalmente linguística, bem como sua característica de povo pouco dócil favoreceu o afastamento destes com o colonizador, notadamente o português.

Existe, de fato, uma tremenda confusão na literatura e na documentação sobre os possíveis locais de aldeamentos destes grupos humanos nos Sertões. É fato que eles, os Tapuias, nome genérico para designar povos diversos com traços culturais diferentes, habitaram todo o interior.

Os Tapuias primitivamente conceituados pelos cronistas foram vistos como grupos que ofereceram maior resistência a tentativa de submissão imposta pelos colonizadores. Os colonizadores, de maneira geral, viam os Tapuias como violentos, agrestes, truculentos e foi desta forma que se criou um esteriótipo negativo desses índios. Foi, talvez, a sua não submissão ao colonizador que justificou seu extermínio por parte especialmente dos portugueses.

Sem dúvida, teria sido a introdução do gado criado extensivamente o grande causador das invasões territoriais dos portugueses as terras dos Tapuias, causando- lhes ou forçando-lhes a resistência. A partir daí, surge as inúmeras guerras insurretas dos índios contra as tentativas descabidas dos colonizadores em expulsá-los de seus territórios. Era através das guerras feitas contra os bárbaros que se conseguia o território indispensável para a ampliação do gado no Sertão, cada vez mais essencial para as várias atividades a que se prestavam.

Provavelmente os motivos principais que levaram os portugueses a realizarem as guerras contra os índios dos Sertões, foi a caça que estes empreendiam contra o gado criado solto já que, o gado solto não tinha proprietário, sendo permitido a todo e qualquer indivíduo da tribo abatê-lo (ALVES, 1982). É interessante de nota que a caçada ao gado solto se dava com maior afinco quando das grandes estiagens, portanto, quando havia escassez de alimentos para os índios.

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Irineu Joffily nos informa que no ano de 1692, abateu sobre a região especialmente da Paraíba, uma grande seca, que levou os índios Tapuias da região, foragidos pelas serras a se reunirem em grandes bandos e caírem sobre as fazendas de gado, abatendo os animais e saciando a fome (JOFILLY, 1977). Vê-se mais uma forma de resistência, desta feita contra a seca e fome, do que contra o invasor branco.

Foi no ano de1692 que foi marcado (assinado) o tratado de paz entre o Rei e o chefe Canindé, dos janduis. Houve uma quebra do tratado ou a situação gritante à qual passavam os índios desapropriados de suas terras os obrigaram a cometerem tal rompimento? Desprovidos de terras, caça e coleta, os índios se viam constantemente obrigados a quebrarem os tratados de paz, o que acabava por gerar novas guerras e mais atrocidades, até a extinção de inúmeros grupos. As facilidades em se conseguir sesmarias para a atividade criatória, geralmente grandes extensões de pelo menos três léguas, era um incentivo para a nova e lucrativa atividade que se desenvolvia na colônia, a medida que surgia também a necessidade de ocupação do interior, uma espécie de salvo-conduto contra possíveis novas investidas estrangeiras na região.

Maria Idalina da Cruz Pires (2002) chama a atenção para aqueles que, a partir do final do século XVI, invadiram as terras dos índios. Não apenas paulistas e colonos, mas também as várias ordens religiosas que aqui se estabeleceram com o objetivo de catequização, pois essas ordens tinham grandes fazendas em territórios indígenas e, por conseguinte, eram proprietárias de escravos, nem sempre negros.

Carlos Lemos (1979: 28) analisando o processo de povoamento do interior, que hoje é o Nordeste, afirma que foi lento e gradual, acontecendo à medida que se processava a expansão pastoril.

O ciclo pecuário, segundo Carlos Lemos, ocorreu com a minimização do ciclo de extração de madeiras, especialmente o Pau-brasil e com o desenvolvimento arraigado do ciclo do açúcar que impulsionou a criação de pequenos arruados, depois transformados em vilas, geralmente em áreas que antes tinham sido instaladas as antigas missões religiosas para a catequização do gentio brabo.

O gado, cavalar, muar e vacum, além do chamado gado miúdo (cabra, bode, ovelha e porco), essencial para a cultura ou ciclo da cana, serviu para propiciar o “devassamento dos “Sertões” (LEMOS, 1979: 28), através de duas frentes de

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penetração: o chamado “Sertão de Fora” foi aberto e dominados os gentios pelos pernambucanos que ocuparam, de forma muito rápida, o Litoral da Paraíba, Rio Grande e chegando ao Ceará. Recebe o nome de Sertão de Fora as terras que margeavam o Litoral, o que chamamos hoje de Agreste. Já o “Sertão de Dentro” foi aberto e conquistado inicialmente pelos baianos que cruzaram o rio São Francisco e atingiram principalmente a bacia do rio Parnaíba, chegando ao sul do Maranhão, Piauí e Ceará, penetrando vias principais rios, o Sertão da Paraíba, com seus rebanhos numerosos de gado. Depois, com a revolta dos Tapuias, conhecida por Guerra dos Bárbaros, no século XVII e início do XVIII, foi a vez dos bandeirantes darem continuidade ao processo de devassa e conquista em definitivo do interior, ou Sertão de Dentro, nas palavras de Carlos Lemos.

Os vastos campos dos Sertões, especialmente aquelas regiões dos confins da Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí estavam nas mãos de praticamente duas famílias: os Garcias D’Ávila, da Casa da Torre, e os Guedes de Brito, que mantinham seus currais e agregados, geralmente os “caboclos” que tinham um sistema de vida muito próximo aos antigos habitantes, os índios Tapuias da região aos quais descendiam diretamente: viviam os caboclos em estruturas arquitetônicas quase autônomas e coberturas e vedos de palha de palmeira encontradas na própria região. O giral de madeira, a esteira de palha, o velho fogão à lenha, as panelas de barro, a rusticidade para agüentar a lida e o trato com o gado criado solto nas caatingas, davam-lhes características peculiares, muitos vivendo em cavernas e abrigos rochosos como viviam os índios Tapuias antes da entrada do gado. Só nos séculos XVIII e XIX é que esse modo de vida do caboclo sertanejo começa a mudar, quando se define com “precisão uma técnica construtiva à européia, a seguir o exemplo litorâneo” (LEMOS, 1979: 28), é que a partir desse momento, algumas famílias de caboclos, devido aos sistemas de preação adotado na região, começaram a montar suas pequenas fazendas e, já estabelecidas na região, dão início as construções mais sólidas, casas geralmente alpendradas que subsistem ainda nos dias atuais. Nesse período (séc. XIX), praticamente não se encontravam mais índios nos Sertões da Paraíba; o processo de branqueamento da população, a extinção e a transformação das antigas aldeias em vilas contribuíram para o desaparecimento dos últimos remanescentes

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Tapuias Cariris e Tarairiús na região, mas prevalecendo os caracteres físicos e os costumes desses grupos humanos na sociedade contemporânea.

1.3.1. O Índio e o convívio com a seca

Cypriano (2007: 25), ao anlisar a relação existente entre homem e meio numa escala de interdependência e complicidade, é contudente ao explicar que para o índio o meio em que ele vive apresenta um significado totalmente adverso a concepção européia. A cultura indígena nesse sentido, é peculiar e totalmente distinta da européia do contato, com um saber e acuidade que foi percebido e assimilado rapidamente pelo colonizador.

O saber ocidental europeu sempre viu a caatinga como selvagem e improdutiva para a agricultura, mas foi daí que brotou, assim como no Litoral, riquezas, especialmente naquilo que Capistyrano de Abreu chamou Civilização do Couro.

Existem algumas fontes primárias que descrevem as caatingas como de difícil a sobrevivência e habitação, baseando-se numa concepção europeizada de ecologia, de modelo de ocupação que refletia a impossibilidade prática de “implantar modelos de exploração ou de colonização da América”. É sabido que tal pensamento logo nos primórdios da colonização caiu por terra e, dos portugueses aos holandeses, percebeu- se que o interior poderia ser fonte de riquezas.

No início do contato, o índio, que João Duarte Filho (1938: 105) chama de “caboclo brabo”, já sofria com o fenômeno natural das secas, buscando no Pajé alguma feitiçaria ou ritual mágico/religioso que aplacasse a fúria dos deuses e acabasse com as secas. Com a introdução do cristianismo, passou-se a rogar aos santos católicos o fim da seca.

Por volta do ano de 1600, Pero Lopes de Sousa (1964) menciona uma grande seca nos Sertões que dizimava gado e gente. Historicamente falando, esta pode ter sido a primeira grande seca mencionada por um cronista que mostrava seus efeitos devastadores. Os auxílios aos miseráveis da seca que foi, sem dúvida, acirrada cada vez no pós-contato, não tardaram a chegar e, quase sempre, vinham apenas para os brancos e os seus. O contato contribuiu para quebrar uma certa homeostase existente, forçando os índios a quebrarem o conhecimento que tinham adquirido, durante

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milênios, na região, sabendo driblar as secas periódicas que assolavam aquelas plagas, provavelmente desde o fim do Ótimo Climático, há mais ou menos 5.000 AP. A seca no Nordeste, sempre foi vista como o grande inimigo pré-histórico do povo, sendo que o problema acentuou-se com o assoreamento dos riachos e rios, o pisoteamento e a compactação do solo pouco profundo, com a introdução do gado em fins do século XVI. Foram nas grandes secas ocorridas no pós-contato, especialmente na de 1877, que se verificaram entre os colonos casos de antropofagia, no dizer de Duarte Filho (1938: 108) “gente comendo gente”. A essa altura, os Sertões já estavam quase que totalmente despovoado de índios.

Nas entrelinhas da obra O Sertão e o Centro, João Duarte Filho (1938) faz menção ao homem rústico do Sertão, mostrando a rusticidade, o convívio com o “flagelo das secas” e o ser “humano”, em termos de cordialidade que é. Na verdade, talvez, sem perceber a sinonímia que realizava, o autor simplesmente mostra as características que apresentavam os Tapuias quando dominavam aquela região,

herança que nos legaram e que o povo acaboclado7 do interior teima em não

reconhecer, nesses traços físicos/econômicos/sociais e principalmente culturais, a mão invisível dos índios que talhou no povo do Sertão contemporâneo as características que apresentam, mas imperceptíveis para os mesmos, devido a forma fugaz, arrasadora a que foram submetidas as culturas indígenas.