2.2 H ELSEFREMMENDE ARBEID
2.2.1 Satsningsområdene til Ottawa-charteret
Como mencionado, além de Kayami Satomi e do spalla, participaram efetivamente dos ensaios da orquestra alguns colaboradores. Esses colaboradores eram professores do Curso de Música, como o trompetista chefe de naipe, o trombonista chefe de naipe, a violinista chefe de naipe. Esses colaboradores ficaram responsáveis, principalmente, pelos ensaios de naipes. Foram considerados, nesta pesquisa, como “chefes de naipes”.
Os ensaios de naipes tiveram suas características bem definidas, de maneira que eram diferentes dos ensaios de estudo e leitura e dos ensaios gerais. Esse tipo de ensaio da Orquestra Camargo Guarnieri estava dividido em dois grupos: naipe das cordas e dos sopros. Apesar de cada um dos naipes ter o chamado “chefe de naipe”, esses chefes de naipes, não raro, na organização e realização dos ensaios se revezavam. O chefe de naipe das cordas era professora violinista do Curso de Música e os chefes de naipe dos sopros alternavam entre os professores de trompete e trombone.
Além dessa organização, o naipe das cordas foi subdividido em dois grupos: dos primeiros e segundos violinos e violas, e dos instrumentos graves, os contrabaixos e os violoncelos. O músico violoncelista da primeira estante foi “líder do grupo” dos instrumentos graves, desempenhando o papel de um chefe de naipe e, às vezes, de “spalla dos violoncelos”. Com o passar das observações, sempre que anotei no caderno de campo, quando tratava do violoncelista da primeira estante, o fiz como sendo o “spalla dos violoncelos”. Isso porque, quando o naipe das cordas foi subdividido, ele liderou os músicos, a afinação, as decisões sobre as arcadas, a ordem nos ensaios. Apesar de não se revelar que ele era um chefe de naipe, ele foi conduzindo e direcionando os violoncelistas na preparação das obras do repertório. Eles agiram conforme o que era indicado, e tocavam somente quando eram acionados para tal. À sua maneira, regeu os músicos, ora com uma de suas mãos, ora batendo o arco na estante servindo como metrônomo. Outro fator que contribuiu, para considerá-lo “spalla dos violoncelos”, foi que tanto nos ensaios de estudo e leitura e como nos ensaios gerais, os violoncelistas olhavam para ele como se
quisessem ver como ele estava fazendo, quando tinham dúvidas nas entradas. Algumas vezes, quando os músicos estavam com dúvida sobre em que compasso deveriam tocar, ele informava com a ponta do arco a todos os violoncelistas, e depois olhavam para trás como que conferindo se estavam prontos ou procurando saber se ainda estavam com dúvidas.
Nos ensaios de naipes, cada chefe adotou uma forma de conduzir o ensaio e de trabalhar os conteúdos direcionados às obras do repertório, como, por exemplo, o trombonista chefe de naipe, que esperava que todos os músicos se acomodassem com tranquilidade e só depois propunha que os músicos tocassem uma escala. Após tocarem a escala, conversavam sobre os seus sons, sobre o que iriam ensaiar e ainda aguardavam que músicos que chegassem atrasados se acomodassem, abrissem seus estojos e afinassem seus instrumentos.
Cada naipe teve seus conteúdos direcionados para as necessidades de seus instrumentos e desenvolveu estratégias para que os músicos, que compunham o corpo daquele naipe, conseguissem executar as obras. Os conteúdos trabalhados no naipe das cordas se referiam ao dedilhado, ao estudo e escolha das arcadas; no naipe dos sopros à embocadura, ao controle da saída do ar, as articulações nos instrumentos; na percussão, os conteúdos estavam relacionados com a intensidade e o pulso.
Nos ensaios de naipes, além de os músicos tocarem o repertório musical, em alguns momentos, também conversavam, gesticulavam. Eram conversas que aconteciam durante o ensaio com os músicos entre si e entre músicos e chefe de naipe. Expunham suas ideias sobre suas interpretações e, muitas vezes, brincavam entre eles, uns rindo dos outros e imitando uns aos outros durante as brincadeiras.
Percebi que, nos ensaios de naipe, os músicos tocavam mais descontraídos. Em um dos ensaios, por exemplo, o fagotista perguntou para a clarinetista: “– Onde você está?”, querendo saber em que compasso ela estava tocando, ela respondeu: “– Eu estou aqui perto”... Então, eles deram gargalhadas, e, enquanto isso, o fagotista colocou “um cone de papel no instrumento” e ficou brincando (C.C, Ensaio 12, dia 11/11/10, p. 73).
Nos ensaios de naipe, os músicos podiam começar a tocar suas partes por iniciativa própria, sem que alguém os conduzisse ao que deveriam tocar. No caso dos ensaios do naipe dos sopros, quando o ensaio se iniciava, os músicos mudavam as suas cadeiras de lugar, alinhando-as, sopravam seus instrumentos tirando a
saliva, uns paravam de tocar, outros tocavam escalas de aquecimento. Contudo, quando eles começavam tocar o repertório, pensavam no/em grupo.
Nos ensaios do naipe dos sopros, os músicos tiveram algumas ações diferentes de quando estavam nos ensaios de estudo e leitura ou nos ensaios gerais. Uma dessas ações que se destacou foi as batidas dos pés. Essas batidas aconteceram com mais frequência nos ensaios dos instrumentos de metais do que nos ensaios do naipe das cordas. Tais batidas indicavam que os músicos precisavam de uma ação externa para “ter o controle” do tempo musical, para se encontrarem no compasso. As batidas de pés também foram utilizadas pelo chefe de naipe para mostrar aos músicos o que eles deveriam acentuar naquele momento do compasso.
Os ensaios de naipe possibilitaram uma observação mais aproximada dos músicos da orquestra. Os conteúdos musicais relacionados à partitura da obra musical eram os mesmos em todos os ensaios, porém, nos ensaios de naipe, foi possível observar melhor, de forma mais próxima, até espacialmente, as participações dos músicos mais afloradas.