A ideia de «campo literário», que tem como seu principal inspirador Pierre Bourdieu, foi talvez a grande corrente que, a partir do início dos anos de 1970, começou a dominar os estudos sociológicos sobre a literatura. Segundo Fabrice Thumerel, que adaptou as ideias de Bourdieu a diferentes dimensões do campo literário francês do século XX, esta sociologia surgiu numa época muito marcada pela «sociologia dos factos literários» de Robert Escarpit e pelo surgimento da sociocrítica lançada pelo grupo de Vincennes Claude Duchet na Universidade de Paris VIII.169
O campo literário é um caso particular da lógica inerente aos campos em geral, na base da qual está a ideia de que o mundo social é um lugar onde ocorreu um processo de diferenciação progressiva: à medida que a actividade humana se foi diferenciando, a vida intelectual organizou-se progressivamente no Ocidente num tipo particular de associação por oposição aos poderes religioso, político e económico, ou seja, às diferentes instituições que pretendiam legislar em matéria de cultura em nome de uma autoridade que não era especificamente intelectual. Portanto, a evolução das sociedades, caracterizada pela divisão social do trabalho, deu origem a universos, domínios, regiões relativamente autónomas do mundo social, «campos», no vocabulário de Bourdieu. Esta teoria inscreve-se, pois, na linhagem das reflexões de autores clássicos da sociologia, de Spencer a Weber, passando por Marx e Durkheim, que procuraram descrever o processo de evolução que explica a passagem de uma sociedade tradicional caracterizada por uma relativa indiferenciação das funções sociais para sociedades modernas que dissociam a esfera religiosa, política, económica, cultural, etc., cada uma delas dotada de um certo grau de autonomia, que não surgiu de forma espontânea mas que é resultado de um trabalho dos agentes. Assim, os campos não são autónomos por natureza, tendem antes para uma autonomização que será maior ou menor consoante o nível do seu reconhecimento social. Logo, quanto mais uma actividade estiver mediatizada por uma rede estruturada de posições, de instituições e de actores, mais ela tenderá para a autonomia.
Na sociologia dos campos, a «sociedade» é vista não apenas como um meio exterior de pertença colectiva, mas também, e sobretudo, como um espaço que é interior aos próprios indivíduos. Quer isto dizer que, segundo Bourdieu, o «social» existe de duas maneiras, exteriormente e interiormente.170 Detenhamo-nos na primeira, enquadrada teoricamente pela própria noção de «campo» enquanto «rede ou configuração de relações objectivas entre posições».171 Relações que são mantidas, não por causa de um contrato, mas porque todos, pelo simples facto de «jogarem o jogo», aceitam implicitamente o próprio «jogo», para utilizar os termos de Bourdieu. Ora, esse investimento no jogo (illusio) depende não só da crença colectiva na sua própria existência (doxa), mas também do conjunto de interesses partilhados pelos agentes, que passam pela conquista dos capitais específicos a cada campo de actividade: por exemplo, no campo literário serão as diferentes formas de consagração: a obtenção de prémios, o desempenho de funções em editoras ou revistas, a inclusão nos programas escolares, a ocupação de lugares em academias ou outras instituições do meio, ser objecto de análise em jornais e em revistas académicas, etc.
Estando assentes numa distribuição desigual dos recursos (ou capitais) entre as diferentes posições e nas possibilidades de acesso a esses recursos (sejam eles sociais, escolares, económicos, culturais), os campos são um lugar de lutas que têm em vista a captação, a acumulação ou a conservação dos capitais que lhe são próprios: por exemplo, o lucro económico, a respeitabilidade profissional, o prestígio académico, científico, literário ou artístico, em suma, tudo o que sirva para aumentar a legitimidade (o produto da concorrência entre os agentes é designado por Bourdieu como enjeu). Este modelo conceptual, na sua tentativa de superar a análise meramente quantitativa, procura abarcar o conjunto das práticas sociais vendo-as como uma espécie de «campo de forças» formado por oposições e alianças entre os intervenientes e caracterizado, consequentemente, por uma instabilidade estrutural, dado que a estrutura dos campos, incluindo o literário, depende do estado mais ou menos variável das relações de força entre os agentes e instituições que aí coexistem.
Cada campo é, portanto, um universo social constituído de agentes e de instituições que ocupam posições específicas estreitamente relacionadas com o volume
170 Pascal Durand, «Introduction à la sociologie des champs symboliques», em Romuald Fonkoua, Pierre
Halen e Katharina Städtler (ed.), Les champs littéraire africains, Paris, Éditions Karthala, 2001, p. 21.
171 Pierre Bourdieu, com L. J. D. Wacquant, Réponses. Pour une anthropologie réflexive, Paris, Seuil,
e a organização do capital que circula no seu interior, cujas estratégias repousam em mecanismos estruturais de concorrência e de dominação. Segundo Bourdieu, as estratégias que predominam nos campos são estratégias de reprodução ou de conservação por parte daqueles que pretendem continuar a monopolizar o capital simbólico (ou seja, que ocupam as posições dominantes), o que isso explica a permanência (reprodução) das estruturas sociais. Além dessas, há também estratégias de subversão por parte daqueles menos munidos, por exemplo, de capital económico ou de capital simbólico (ou seja, que ocupam as posições dominadas). Portanto, as lutas de concorrência tendem a conservar ou a transformar esse campo de forças.172
O lugar que os sujeitos ocupam depende da pertinência dos seus movimentos, das suas estratégias e das suas tomadas de posição, que dependem, por sua vez, quer do momento da história do campo em que ocorrem, quer sobretudo das suas disposições iniciais. Chegamos então ao segundo modo de existência do social, que é interior e remete para a noção de habitus, traduzindo a incorporação das condições de existência objectiva na forma de esquemas de disposições mentais e corporais.
As estratégias e as acções dos agentes no campo são, pois, determinadas pelo seu
habitus (incluindo as categorias de apreensão e de percepção do mundo e as disposições para a acção) ou, melhor dito, resultam de uma «relação inconsciente entre um habitus e um campo».173 Orientando os agentes em função das suas trajectórias passadas e do capital de experiências que acumulou, esse habitus, também definido como «presença activa do passado», é complexo e estratificado: o «sentido prático» de um agente articula as vantagens de partida, as representações e os valores inerentes à sua classe de origem, mas também aqueles que incorporou no decurso da sua formação escolar e aqueles de que se verá dotado, como por osmose ou impregnação, pela sua inserção e pela sua trajectória no interior do universo social específico em que fizer a sua carreira. Em suma, o habitus aponta para a forma como as modalidades de percepção e de acção colectivamente constituídas são individualmente incorporadas através das interacções, mas também para a dependência do indivíduo em relação a esses comportamentos
172 Sem dúvida, ao apresentar a oposição entre dominantes e dominados como princípio da dinâmica do
campo e da sua evolução (e ao atribuir às relações de produção um papel primordial na explicação do movimento das ideias e da arte), Bourdieu foi buscar parte da sua inspiração à concepção marxista do conflito social ou da luta de classes.
173 Pierre Bourdieu, «Quelques propriétés générales des champs», em Questions de sociologie, Paris,
adquiridos, que são próprios do grupo a que ele pertence e que não decorrem, nesse caso, da livre escolha.
Por exemplo, quando um escritor se orienta em função dos seus interesses – por exemplo, se associa- a um editor em particular, frequenta um certo espaço de sociabilidade literária, opta pelo género romance –, ele está condicionado pelo horizonte de possibilidades que o seu lugar admite e pela margem de manobra que o seu capital social lhe autoriza. Porém, essa pertença de classe não produz necessariamente efeitos mecânicos e imediatos: o seu capital social e cultural, as suas opções de partida e a sua trajectória são mediadas pela estrutura do campo tal como ele se apresenta em cada momento da sua história. É isso que explica que a poesia tenha atraído, em diferentes momentos do século XIX, elementos de diferentes fracções sociais: se a base social do romantismo e do Parnaso era essencialmente aristocrática, a partir da segunda metade desse século, altura em que o recrutamento de escritores se democratizou cada vez mais poetas provinham de famílias da pequena e média burguesia, detentoras de algum capital económico (por exemplo, comerciantes), ou de algum capital cultural (profissões liberais ou intelectuais): é o caso dos simbolistas, como Mallarmé, Verlaine e Huysman, de origens pequeno-burguesas; meio social de onde provinha, também, a primeira equipa do surrealismo, que se opôs aos grandes burgueses da Nouvelle Revue
Française. Nem as escolhas estéticas, tão-pouco, são apenas determinadas pela origem social dos autores, já que a recepção de um livro, ao revelar ao escritor o sentido público da sua obra, pode levar a uma reformulação ou a um reforço desse projecto criador, contrariando-o ou confirmando-o nos trabalhos posteriores. Foi assim com Robbe- Grillet e a recepção de L’Année dernière à Marienbad: em reacção ao facto de a crítica o ter rotulado como representante da literatura objectiva, Robbe-Grillet desenvolveu a partir daí um universo imaginário e fantasmático que procurava ser o mais singular possível.174
Como domínio de actividade social que se foi diferenciando progressivamente dos outros (a literatura, por exemplo, esteve durante muito tempo tributária da Igreja e dos poderes aristocráticos), defendendo uma regulação puramente interna, o campo literário inscreve-se numa evolução de longa duração no sentido de uma maior especificidade e autonomia: as lutas que se desenrolam no seu interior têm uma lógica
174 Pierre Bourdieu, «Champ intellectuel et projet créateur», Les Temps Modernes, nº 246, 1996, pp. 865-
própria. Todavia, a autonomia de que goza é e será sempre relativa (nenhum campo é totalmente autónomo), pois os actores movimentam-se forçosamente em diversos campos ao mesmo tempo, sendo que alguns são mais englobantes ou mais poderosos que outros. Por exemplo, o subcampo dos críticos literários faz parte do campo literário, que por sua vez está submetido aos constrangimentos do mercado mais global (ou seja, do campo económico), das leis criadas no campo jurídico, das decisões dependentes do campo político, etc. O resultado das lutas (económicas, sociais, políticas, etc.) externas ao campo pesa grandemente no curso das relações de força internas. Mas se dispõe de uma autonomia relativa, isso também quer dizer que não é totalmente heterónomo (nenhum campo está inteiramente submetido às determinações exteriores), caso contrário não seria um campo mas sim uma mera actividade desprovida de regras ou de estruturações específicas. Seja como for, o campo literário é sempre um campo dominado no conjunto da sociedade: a sua autonomia relativa assenta numa espécie de acordo, tácito, de não ingerência por parte do campo político (que no fundo pode sempre quebrar esse acordo).
Segundo Bourdieu, a noção de campo literário só é operatória a partir do momento em que se torna autónomo, nomeadamente em relação ao campo político e ao campo económico. No caso de França, esse processo ocorreu entre 1848 (com o fim do romantismo social e das estratégias dos escritores – e dos artistas em geral – no sentido de adquirir uma dupla vantagem, política e simbólica) e o final do século XIX. A sua formação e o seu desenvolvimento, ou seja, a sua autonomização e constituição em universo social respondendo a uma lógica de funcionamento que lhe será específica, são inseparáveis da difusão da escolarização e da leitura, da formação de um «mercado» das obras, tornado possível pelo desenvolvimento da imprensa e da edição, bem como de uma transformação do estatuto dos intelectuais e dos escritores daí resultante.
Para Alain Viala, no entanto, a formação do campo literário francês iniciara-se já no século XVII, altura em que o público aumentou e os autores se especializaram na profissão de escritor e puderam começar a viver dela, ao mesmo tempo que a literatura se tornou um valor reconhecido, atestado pelo surgimento de instâncias de sociabilidade literária (os salões) e de instituições como a Academia Francesa (a sua criação 1635 foi impulsionada por Richelieu) ou a Comédie Française (1680).175 Todavia, isso não deu origem a uma verdadeira «sociedade de homens de letras», apenas os «curializou»,
colocando-os sob a dependência do poder monárquico e ao serviço de uma política de unificação e de codificação linguística, visível na criação de um Dictionnaire e de uma
Grammaire. Na realidade, até ao século XIX, quando esses laços de subordinação se distendem até finalmente se romperem, os escritores viviam sob o império e o impulso de poderes e de estruturas como a Igreja, a Monarquia, os Grandes. Faziam parte, na sua imensa maioria, de um sistema de pensões, de sinecuras, de mecenatos e de clientelas que impediam que a escrita e a actividade estética em geral se pensassem e se praticassem como actividades independentes, ou seja, que se vissem como um fim em si próprio, com a sua própria justificação.
Apesar de todos os movimentos de emancipação que atravessaram o século XVIII, esse estado de coisas continuou mais ou menos na mesma: Voltaire, Didedot, Helvétius e outros tentaram resistir à autoridade dos poderosos, lutaram contra os efeitos da censura e apelaram à liberdade de expressão, porém, como estavam comprometidos na luta social e política, não contribuíram verdadeiramente para o surgimento de um meio especializado e unido por um sistema de valores específicos. O caso de Rousseau é, a este respeito, particularmente significativo. O seu isolamento e a sua singularidade não se deviam apenas a uma ruptura com o pensamento da maioria dos outros filósofos, mas também ao facto de ele ter sido o primeiro a afirmar a sua individualidade de autor, bem como a defender a diferença estilística da sua escrita, em particular através de uma descrição dos esforços, das dificuldades, dos sofrimentos e dos sentimentos de culpa inerentes a esse trabalho.
Rousseau foi um exibicionista no sentido em que anunciou a sua própria diferença num momento em que a diferença e a exibição de si próprio (em particular do seu sofrimento no acto da criação) ainda não estavam na ordem do dia. Ou seja, o sistema literário que permitirá e mesmo exigirá esse tipo de exibições de singularidade sofredora ainda não estava constituído. Daí a sua grande solidão. E daí a natureza pioneira do seu projecto, já que no fundo anunciou as transformações profundas que se iriam operar a partir do romantismo, no momento em que se instaurou e se instalou em França o regime político de uma burguesia triunfante, com todos os valores individualistas e voluntaristas (que serão determinantes na formação da figura do escritor visto como «autor», criador singular, pai e filho das suas obras, lutando com a linguagem e com as técnicas do estilo) e com o princípio da divisão do trabalho, que se impôs a todas as esferas de actividade.
Só com o romantismo é que começaram a aparecer, entre os escritores e os artistas em geral uma série de exigências no sentido de serem eles próprios a determinar, independentemente das tradições, dos poderes e dos cânones da sua escrita. É apenas então, segundo Bourdieu, que se pode falar verdadeiramente de autonomização e de profissionais da escrita. Para além das mudanças culturais, sociais e económicas, vários factores específicos determinaram o processo de autonomização do campo literário (e artístico) e alteraram, correlativamente, a relação dele com o mundo político. Transformações morfológicas, como o desenvolvimento da imprensa e a consequente expansão do mercado de bens culturais, a afluência de uma população de jovens a Paris, vindos da província e com origem nas classes médias ou populares, atraídos pelas profissões literárias, ou remetidos a elas já que as empresas não os conseguem absorver.176
Transformações que criaram as condições para a constituição de um verdadeiro mercado literário. Em primeiro lugar, em resultado das políticas de alfabetização e de escolarização verificou-se um grande aumento em número dos produtores (indicador, simultaneamente, do aumento do prestígio da actividade); e aumento também, não só da quantidade mas também da competência cultural dos consumidores de literatura.177 Em segundo lugar, o progresso das técnicas de impressão e de fabricação industriais, autêntica revolução do livro, permitiu alimentar esse mercado em expansão e reduzir o preço dos livros Em terceiro lugar, o desenvolvimento da imprensa, que graças ao alargamento do público e à massificação da população de leitores começou a publicar os folhetins e os melodramas, dando assim origem a uma literatura de grande consumo (ou «literatura industrial», como lhe chamou Saint-Beuve).
O aumento do corpo de leitores potenciais e a industrialização do sistema editorial – que significou uma maior submissão à procura e ao poder económico – permitiram distender e depois romper os laços de dependência desses campos em relação aos poderes políticos e religiosos. A independência política foi conseguida à custa de uma dependência económica, por um lado, em relação aos editores, que se tornaram os novos aristocratas do sistema e os mestres do jogo, e, por outro lado, ao público, o qual, como dizia Mallarmé, «paga em glória e em notas do banco». Assim,
176 Pierre Bourdieu, As regras da…, pp. 74-75.
177 Christophe Charle, «Le champ de la production littéraire», em Henri-Jean Martin e Roger Chartier
(dir.), Histoire de l’édition française – le temps des éditeurs, du romantisme à la Belle Époque, vol. III,
reveladora do peso crescente dos constrangimentos económicos sobre o funcionamento do meio literário, foi esta transformação que, simultaneamente, tornou possível, a alguns escritores, viver da escrita e romper os seus laços de dependência em relação aos poderes políticos e religiosos que os sustentavam.
Finalmente, e em parte como reacção a essa literatura de massas, a criação de um mercado reservado à elite cultural, a única capaz de julgar e apreciar com conhecimento de causa as obras e as estéticas nele produzidas. Como resultado dessa evolução, deu-se uma divisão do campo em duas esferas: a da difusão restrita, que releva dos valores simbólicos e do reconhecimento dos pares, defensora da total autonomia e afirmando a sua indiferença perante todos os compromissos, em particular políticos e morais; e a da grande difusão, que relevava dos sucessos de vendas e que, tendo como grande objectivo o lucro económico, procurava ir ao encontro do gosto da maioria, nomeadamente através da confirmação dos preconceitos e das ideias feitas dos leitores, evitando os dilemas e as ambiguidades morais. Assim, a constituição de um mercado restrito da literatura procede, em suma, de duas rupturas. Por um lado, da ruptura com a literatura industrial, a partir da qual emerge uma espécie de moral estética da originalidade, do singular e da recusa ostensiva das gratificações económicas, em benefício das gratificações simbólicas. Por outro lado, da ruptura (ambígua) com a ideologia dominante.
Neste processo de autonomização e de profissionalização, o movimento romântico desempenhou um papel de grande importância. No decurso da primeira metade do século XIX, diversos escritores empenharam-se nas lutas pela república e pela liberdade da escrita, opondo-se directamente aos dogmas do Antigo Regime. No início, porém, essas proclamações estavam ainda presas a uma lógica revolucionária devedora do campo político, ao qual Hugo e Lamartine (como um pouco antes Chateaubriand e Benjamin Constant) consideravam um dever moral e social pertencer. Paralelamente, os escritores continuavam ainda a ter o grande público como destinatário das suas obras, ou seja, o sucesso comercial ainda não tinha nada de desprestigiante (o facto de várias obras de Vítor Hugo, por exemplo, terem sido best-sellers não beliscou em nada a sua reputação).
À medida que ia ficando cada vez mais próxima do poder político, por razões de gestão e de perpetuação do seu poder, a burguesia tornou-se conservadora, a sua ideologia de combate transformou-se numa ideologia de defesa e de auto-preservação.
Fruto do desencanto com os acontecimentos que levariam à Revolução de 1848, a