IV. DIE ZAUBERFLÖTE: HERSKERIDEAL OG VERDENSANSKUELSE PÅ SCENEN
6. E N POLITISK UTOPI : D EN IDEALE STATEN
7.3. Sarastro og det sublime
Trata-se de família reconstituída, composta de mãe, padrasto e quatro filhos. A Sra. C, 23 anos, do lar, relata que aos 14 anos foi conviver maritalmente com o Sr. W, hoje com 22 anos. Esse casal teve dois filhos: R1, sexo masculino, 07 anos (27/12/1998) e R2, sexo masculino, 05 anos (19/10/2000), ambos vitimizados por um primo materno. Essa família ficou assim constituída por seis anos sendo que a separação se deu por um envolvimento extraconjugal da parte do Sr. W. A Sra. C passou a conviver a dois anos com o Sr. F, 20 anos, relacionamento este definido como muito conturbado em função do comportamento do marido, que chegou a infligir agressões físicas em sua esposa, quando a mesma estava grávida do primeiro filho do casal. Estes têm dois filhos, a saber: a criança R3, sexo masculino, com a idade de 1 ano e sete meses (02/02/2005) e R4, sexo feminino, nascida em 17/01/2006.
A família extensa materna é composta pelos pais e sete filhos, sendo que quatro já são adultos e estão casados e tem vida própria, mas residem próximos à família de origem. Uma delas é a mais velha, solteira, sem filhos e que colabora muito com a família, tanto
financeiramente quanto cuidando dos irmãos menores. As duas caçulas são crianças de 09 e 07 anos, ambas do sexo feminino, exigindo ainda muita a atenção dos pais, conforme o genograma abaixo poderá identificar e esclarecer. As condições sócio-econômicas são precárias: o Sr. E, 48 anos é serralheiro e a Sra. L, 43 anos, cuida de crianças da vizinhança e exerce a função de passadeira como forma de ajudar nos proventos e manutenção da casa.
A família extensa paterna, é composta pelos pais, O Sr. R, 58 anos, pintor e a Sra. Z, 48 anos, do lar. O casal está casado há 33 anos e tem cinco filhos, sendo todos adultos e apenas o mais velho continua solteiro vivendo com a família. As condições sócio-econômicas são razoáveis, tanto que essa família é que promove apoio tanto material como emocional para a Sra. C, participando muito ativamente de sua vida e dos netos, mesmo após a separação do casal.
Aspectos da Transgeracionalidade
Ao contemplarmos os aspectos verificados nos Genogramas da Família B, tanto materna quanto paterna, verificamos elementos de reprodução de violência doméstica de diversas modalidades. Em diversos momentos da entrevista a Sra. C comenta o uso abusivo de bebidas alcoólicas por parte de seu pai e o quanto o mesmo era negligente com a família, principalmente com relação aos filhos. O relacionamento com a genitora também era permeado de rejeição e distanciamento afetivo o que configura violência psicológica.
A família paterna demonstra pelo genograma apresentar um quadro menos acentuado de violência, sendo inclusive essa família que apóia a Sra. C e seus filhos, tanto do ponto de vista emocional e afetivo como com ajudas eventuais de provimentos. Entretanto, o genitor é distanciado de seus filhos. Isso é uma queixa recorrente tanto da Sra. C quanto das próprias crianças que manifestam insatisfação com o comportamento paterno. A Sra. C tem que recorrer permanentemente a justiça para o recebimento de pensão alimentícia.
Genograma Familiar B Materna
Genograma Familiar B Paterna
Categoria 01 = Violência
“Meu pai sempre foi uma pessoa que desprezou a gente...”
Definição
A violência inserida nas relações familiares em seu cotidiano, expresso tanto nas verbalizações sobre alguns fatos, quanto como forma de resolução de conflitos. Presente nos relacionamentos entre os adultos e desses com as crianças, assim como nas relações entre as próprias crianças. Demonstra, além de tudo, um aspecto de reprodução intergeracionais.
Sub-categorias ¾ Violência Física ¾ Violência Psicológica ¾ Violência Conjugal ¾ Negligência Freqüência: 50 Verbalizações
“Por que, por ele, quer que eu bata nos meninos o tempo todo...e eu não vou fazer isso” “Sai daqui menina, eu não gosto dessa lambeção” (a mãe se referindo a ela quando ia beija- la)
“É na gravidez do R3 e da R4 ele me batia”
“Sabe, ele joga muito na cara e eu não peço nada pra ele, nem creme de cabelo, nem batom.”
“Desde a primeira vez que ele me bateu eu mandei ele ir embora...”
“Sabe, nisso ele ficou tão nervoso que me bateu na frente de todo mundo, ele me deu um tapa, eu tava de três meses dela, da neném”
“ Ele me chateia agora e daqui a pouco ele age como se nada tivesse acontecido, vem me beija e quer que eu beije da mesma forma”
“Eles já sentem muito a falta do pai, eles cobram do pai dele, no aniversário...”” “Só que ele foi muito rejeitado desde a barriga, eu tentei aborto..
Categoria 2 = Abuso Sexual
“Alguém mexeu na sua bundinha?”
Definição
O abuso sexual é uma modalidade de violência específica, definida como um relacionamento entre um adulto e/ou adolescente maior que submete a criança aos seus desejos e necessidades sexuais. Imposto de forma violenta ou sedutora de modo que a criança não tenha opção, escolha ou não possa fazer valer a sua vontade.
Sub-categorias ¾ Sentimento de Culpa ¾ Sentimento de Medo ¾ Sentimento de Vergonha ¾ Sentimento de Negação ¾ Complô do Silêncio Freqüência: 20 Verbalizações
“Eu fiquei sabendo do abuso, por que eles estavam estranhos, quietos eu fiquei desconfiada” “Quando aconteceu o abuso, eu dei banho nos meninos assim, fui conversando, querendo saber”
“Mamãe minha bundinha tá doendo”
“Prepararam-me muito assim. Mas mesmo assim eu fiquei muito triste...”(o pai em relação ao abuso dos filhos)
“É primo meu ele. Porque é filho da prima da minha mãe. Você nunca imagina que pode acontecer”
“Se esse assunto é comentado na sala, eu saio, procuro não saber de nada”.
“Porque eu não sei se estou sufocado. Não sei se um dia vai passar. O tempo vai passar” “Não falo. Não falo de jeito nenhum”
Categoria 3 = Relações de Gênero
“Meu peito todo ferido e eu insistindo pra ter leite, comia cuscuz, tudo que me ensinavam, sabe pra ter leite. Mas assim...eu passava muito nervosismo...”
Definição
As relações de gênero enquanto vivências no seu cotidiano familiar. A compreensão de homens e mulheres sobre si mesmos e suas relações. A imposição de papéis estereotipados e de formas de ser no mundo pré-estabelecidos, referentes ao sexo masculino e ao sexo feminino.
Sub-categorias
¾ Papéis Estereotipados de Gênero ¾ Ser homem
¾ Ser mulher
¾ Ser Menino e Ser Menina
Freqüência: 68 Verbalizações
“Então é assim, quando ele vai assistir TV tem que ser os programas que ele quer, por quê?” “Ser mulher ...é ser heroína porque são tarefas difíceis, sabe tem que fazer de tudo. Menino que estuda de manhã, menino que estuda de tarde, menino ta chorando, quer mamar, né? ”
“O homem é mais tranquilão, também, joga tudo pra lá ... (risos)”
“Aí eu peço pra ele ficar com um e outro enquanto eu faço as coisas, mas ele fica assim...fica jogando bola”
“O R1 quer defender todo mundo, ele se sente na obrigação, por que o pai dele foi embora e ele se sente o homem da casa”
“Eu fui criado assim, meu pai era muito machista, criaram essa idéia na cabeça que homem tem direito a tudo, tem toda liberdade e mulher não”
“Acho que ser mulher é isso: ser boa em tudo, ser carinhosa, ser amorosa, tem que ser romântica. Tudo que há de bom a mulher tem que ser”
“Mas eu acho que meu marido é grosso assim, mas ele é bonzinho. Não falta nada. Na medida em que ele tem condições, eu tenho do bom e do melhor”
Categoria 4 = Fatores Adversos
“Eu tive uma adolescência que eu não pude cultivá-la, né ? Porque eu tive que virar mulher muito cedo”
Definição
A presença de fatores adversos ou predisponentes na vida cotidiana e nas relações familiares que venham facilitar o desenvolvimento de situações de violência de diversas modalidades. As dificuldades apresentadas pelas famílias e/ou casais na resolução de conflitos, precariedades econômicas, dentre outros.
Sub-categorias
¾ Dificuldades sócio-econômicas
¾ Uso abusivo de drogas e/ou de bebidas alcoólicas ¾ Falta de Planejamento Familiar
¾ Sentimento de isolamento ¾ Reprodução da violência
Freqüência: 71 Verbalizações
“Minha mãe conta que ele bebia e tinha muitas mulheres.” “Eu acho que era, pelo jeito que ela conta, fumava droga, sabe?”
“Se ele vinha em casa uma vez na semana e olhe lá, a gente passava necessidades e ele nada, então era muito chato.”
“Um dia antes meu gás tinha faltado, meu gás acabou, meu arroz tinha acabado, meu Deus do Céu ! E agora? ”
“Assim os meninos passam quase um mês sem tomar leite, entendeu? ”
“Eu não tenho intimidade com eles, nenhuma?” (com relação à família extensa)
“Eles estavam tão novos que não podiam se casar. Ele tinha 14 e ela 15 quando ela engravidou” “Eu apanhava muito, então eu batia muito também”
“Ela está passando muitas necessidades, eu sei que a C tem sofrido muito mesmo depois que ficou sozinha”