3. Prosjekter
3.1. Santiago de Compostela
Para o levantamento de indicadores coletivos, isto é, do grupo público-alvo recorte desta pesquisa sobre a construção do saber ensinar, foi utilizado o grupo focal, em dois momentos, considerado como uma forma de reforçar aspectos da entrevista individual dos professores, distinguir o que é individual do coletivo e suas interações, bem como desenhar o contexto em que essa construção se realiza e em quais ancoragens se apóiam.
A utilização do grupo focal, no âmbito das abordagens qualitativas em pesquisas que envolvem atos sociais, permite a captação de processos e conteúdos cognitivos, emocionais, ideológicos e representacionais mais coletivos, de interesse para o delineamento de uma epistemologia da prática em construção, bem como a verificação do grau de consenso/dissenso sobre o tema em foco:
O trabalho com grupos focais permite compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos e valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado (GATTI, 2005, p. 11).
Para proceder à realização da discussão, no grupo focal I, foi enviado a cada participante, com antecedência e solicitação de leitura prévia, texto gerador (ANEXO F), para a referida discussão, elaborado pela pesquisadora, com a finalidade de abrir horizontes para o grupo quanto aos múltiplos aspectos que compõem uma pesquisa de âmbito sócio-educativo, na área do saber social, como também para permitir variedade de interações entre os seus componentes, que podem evidenciar não só o que pensam, mas como pensam e porque pensam o que pensam.
Tomou-se como ponto de partida para a discussão, a definição de grupo focal, segundo Powell e Single (1996, p. 449 apud GATTI, 2005, p. 07): “é o conjunto de pessoas selecionadas e reunidas por pesquisadores para discutir e comentar um tema, que é objeto de pesquisa, a partir de sua experiência pessoal”.
Por ser uma técnica de levantamento de dados resultante de uma dinâmica interacional de um grupo de pessoas, exige do pesquisador/moderador cuidados metodológicos que possibilite um clima aberto e não diretivo para que a participação seja permitida a todos os seus componentes. Foi utilizado um roteiro para garantir o foco da pesquisa, a ser utilizado com total flexibilidade, permitindo-se tópicos não previstos, desde que pertinentes ao objeto de estudo.
O grupo foi composto pelos assistentes sociais docentes que participaram das entrevistas e compõem o curso de Serviço Social na instituição, campo de pesquisa, o que dispensou apresentações no momento da realização do grupo focal I e II85.
A reunião foi realizada na sala da diretoria do Serviço Social, local aconchegante, confortável e silencioso, portanto, propício ao debate harmonioso, que foi gravado e depois registrado por um observador/auxiliar não participante como membro da pesquisa. Paralelamente, foram feitas anotações pelo pesquisador/moderador com a finalidade de destacar falas significativas.
A abertura do grupo focal I se deu em clima cordial e cooperativo. O moderador apresentou seus agradecimentos pela colaboração e comprometimento de todos e, a partir do texto lido (ANEXO F), iniciou-se o debate solicitando a cada um que se posicionasse quanto à relação entre o pretexto e o tema saber ensinar.
Desta questão surgiram as relações entre o contexto e o saber ensinar e, em seguida, a indicação de critérios, valores e ancoragens em que essas conexões se apóiam. Em seguida, nortearam o debate o conceito do que é específico do saber ensinar, o que diferencia a prática do assistente social da prática do assistente social docente e, por último, qual o impacto das mudanças contextuais apontadas, do novo no saber ensinar.
Esses questionamentos foram colocados pelo moderador de forma sutil, sem se posicionar sobre o objeto de pesquisa em foco, de modo oportuno, sem intervenção ou direcionamento nos debates. A discussão permitiu verificar um grau maior de consensos do que dissensos entre os componentes do grupo.
85 No grupo focal I esteve ausente um professor, por estar hospitalizado; no grupo focal II tivemos 8 professores presentes com a volta da professora gestante, embora tivéssemos um docente hospitalizado para cirurgia.
Os indicadores coletivos foram coletados a partir da realização dos grupos focais, conforme explicitado.
Quadro 4 - Quadro-síntese geral dos questionamentos sugeridos no grupo focal I Q1 Relação entre o pretexto e o tema :
saber ensinar (contextualização)
Q1.1 Relação entre o contexto e o saber ensinar
Q1.2 Critérios , valores, ancoragens em que essas conexões se apóiam
>o saber social faz parte da socialização do professor; do saber que o professor traz;
>destaque para a existência de uma triangulação: o saber social e o saber ensinar trazidos para o trabalho realizado na sala de aula pelo professor;
>importância do repertório pessoal de cada professor: sua história de vida, seu conhecimento, seus valores + estudo constante da profissão (referência teórica) = realimentação da vida profissional;
> evolução do saber de acordo com as mudanças sociais (construção conforme movimento: questão dialética);
> no grupo: soma de experiência, de didática, de conteúdo (troca saudável) = construção coletiva;
>acrescentam-se: condições de trabalho, relação aluno x professor, outros atores no espaço institucional, organizacional (movimento de relação);
> espaço possibilitador de troca : o contexto do trabalho propicia mudanças no saber docente;
>projeto profissional: a direção (social, compromissos, código, projeto profissional) que a profissão de assistente social dá influencia e dá unidade (hegemonia?) à construção do saber dos docentes (considerado salto positivo);
>a questão legal: tem muito peso em função de ser uma escola isolada privada sem autonomia do ponto de vista legal
>conexão com a categoria profissional (da profissão de assistente social para docência): o norte do saber ensinar;
>existe uma trajetória que evidencia o movimento de construção do saber ensinar demonstrando uma evolução do individual para o coletivo;
> hoje: além da formação adequada considera- se o perfil do professor para determinada disciplina ;
> movimento de ensinar depende também do perfil do aluno, do perfil da classe que determinam a postura pedagógica e metodológica na sala de aula;
>trajetória entre o aluno real e o perfil do aluno desejado (Projeto Pedagógico): tipos de exemplos (mais concretos), grupos mais lentos, densidade teórica do aluno, número de alunos, características individuais, textos de mediações, mais exercícios, mudança de estratégias, necessidade de tutoria, monitoria para nivelamento, condições institucionais;
> outras variáveis intervenientes: eixos de séries, eixo de disciplinas, objetivos das disciplinas dentre outras mediações de apoio;
>destaque para a necessidade de visão de globalidade (conhecimento, questões institucionais, legais, profissionais de assistente social ): “ saber ensinar é ultrapassar em muito o limite daquilo que especificamente eu tenho que ensinar” = relacionar o que ensino x visão que tenho da totalidade x valores, princípios direção ética de cada um;
>Projeto ético-político da profissão de assistente social, baseado em uma teoria crítica (valores) que dá a direção para o agir do assistente social docente;
>Código de ética da profissão;
> Plano de Desenvolvimento Institucional, Projeto Pedagógico Institucional, Projeto Pedagógico de Curso;
(ex: alterações nas grades curriculares);
>limites: institucional, histórico, movimento;
Q2.O que é específico do saber ensinar Q3 O que diferencia a prática do assistente social da prática do assistente social docente
Q4 O saber ensinar em construção aponta em qual direção? Qual o impacto das mudanças, do novo no saber ensinar? Qual o novo?
> formar profissionais ;
>o que ensinar, para que ensinar e para quem ensinar;
> conteúdo selecionado de acordo com o projeto de formação do aluno (globalidade, projeto pedagógico);
>compromisso com a transformação social, compromisso com o outro, gosto pelo seu trabalho (projeto profissional e pessoal);
Observações iniciais:
1) docente : necessidade de mais aproximação com a realidade social, com a realidade do sujeito para ensinar a intervenção social ;
2) assistente social: distanciamento da teoria , do conhecimento mais intelectual;
> docente: trabalha com o processo de ensino- aprendizagem, vai formar um profissional para intervir na realidade , visão mais inteira , mais global do processo (formação generalista + conhecer os fundamentos teóricos e metodológicos de sua profissão);
> assistente social: trabalha com um processo sócio-educativo , com intervenção, visão mais restrita em uma área profissional focada na ação;
> abordagens diferentes, natureza distinta do processo de trabalho
> o que é comum: projeto profissional, o conhecimento, mesma direção ética, mesmo grupo de conhecimento para intervir e interpretar a realidade (um sabe fazendo, o outro sabe ensinando; um intervindo, o outro ensinando a intervir) dentre uma série de coisas. São processos diferentes em uma base comum;
>visão histórica da trajetória em movimento desenhada pelo curso: construção dos eixos do curso, aumento do trabalho coletivo (compatibilizações e atualizações bibliográficas de conteúdos nessa direção, discussão sobre a profissão);
> fatores que exigiram mudanças: condições institucionais de oferta de cursos, condições legais, criação da Coordenação Pedagógica de cursos, controle e avaliação sobre o processo de ensino–aprendizagem determinaram o aperfeiçoamento do conhecimento teórico dos professores e a exigência de qualidade de formação do aluno > impacto no saber ensinar (esforço pessoal do professor e fortalecimento do grupo : discutir para encontrar caminhos);
> conseqüências:
1) no enfoque de cada disciplina como parte de um todo (o saber ensinar em conjunto com outras disciplinas); 2) relação de cada disciplina com o projeto de formação do aluno;
3)trabalhos interdisciplinares;
4) construção coletiva do projeto pedagógico vivido pelos professores;
5) cada disciplina como parte de um contexto maior; 6)conscientização da relação projeto pedagógico com o perfil que se pretende formar (tipo de profissional) e ação nessa direção;
7)postura dialógica na construção do saber social entre os sujeitos envolvidos;
8)articulação vertical e horizontal dos conteúdos: compromisso para além da sala de aula;
9) as condições de trabalho do assistente social repensadas à luz da releitura da realidade social hoje;
10) amadurecimento da profissão: contribuição para o saber ensinar;
11) a coordenação pedagógica: dá a unidade, faz a integração entre os apoios acadêmicos que dão sustentação ao saber ensinar.
OBS: Os grifos indicam os destaques pertinentes aos questionamentos, no meu entendimento.
O grupo focal II foi realizado com a finalidade de complementar o anterior, focalizando-se, em especial, o como o docente ensina e a sua concepção de ensino.
Seguiu as orientações e procedimentos já expressos e realizou-se na sala de reuniões da diretoria, em clima cooperativo e cordial.
Quadro 5 - Quadro-síntese geral dos questionamentos sugeridos no grupo focal II
COMO VOCÊ ENSINA? CONCEPÇÃO DE ENSINO
> o “ como” faz parte de um projeto pedagógico coletivo, de um projeto profissional ;
> inclui o perfil do aluno e do professor;
>o nosso como (ensinar) exige uma direção para o crítico; > o “como” parte do conhecimento acumulado sobre o conteúdo a ser ministrado, que é renovado re-significado, de acordo com o momento, a série, eixos, objetivos, projeto, realidade social e profissional, problematização;
> o “como” ensinar considera o senso comum que o aluno traz (desafio para desconstruir e construir o novo);
> superação do senso comum pela reflexão, problematização, prática profissional com fundamentação teórica;
> o como é definido pela direção social : existe um como coletivo fortalecido pela compatibilização de conteúdos, objetivo e eixo da série, acrescido do compromisso e responsabilidade dos docentes;
> o “como” não é fixo, exige criatividade;
> o “como” inclui estratégias para provocar o aluno a ser sujeito de seu processo, bem como interdisciplinaridade constante; > o “como” é construído individual e coletivamente, é um movimento dialético;
> construção do “como” inplica limites e possibilidades: entendimento do processo, o aluno real, a instituição e o próprio professor;
> a troca de experiência , o trabalho coletivo permeiam o saber ensinar;
> concordam que existe uma estrutura básica para ensinar e que o relacionamento docente /discente é importante;
> as condições institucionais podem ser fator favorável , ou não, para o ensino;
> os erros dos alunos são apontados como retroalimentadores do processo para redirecionamentos do ensino;
Sintetizam: “é um movomento de relação, de busca permanente, conseqüência de um para que, para quem, com quem e em qual momento”;
O professor também necessita aprender para ensinar: “ ... ensinar é aprender” ; “Uma construção constante”.
>ensino é uma construção complexa entre subjetividades e objetividades;
> é um movimento;
> é conexão de um para quem, para que, onde , como; > tem direção social (especificidade do curso);
> concepção de ensino voltada para a formação do assistente social;
> ensinar é um processo dialético;
> parte do conhecimento acumulado, que é renovado, re- significado;
> é um ensino crítico, a partir da visão crítica da realidade, exige compromisso social do educando;
> a concepção de ensino do professor incide sobre a postura do professor na sala de aula: relação entre poder e humildade, autoritarismo e autoridade;
> a concepção de ensino do aluno também interfere no ensinar, pensam que “...ensinar é transmitir conhecimento...”
No item seguinte, sobre apresentação e discussão dos dados, serão analisados: os dados da ficha sócio-demográfica com a intenção de caracterizar o perfil
o levantamento de dados, indicadores individuais, resultante das doze respostas obtidas nas entrevistas. Esse procedimento metodológico será denominado, neste trabalho, de “análise horizontal”86 ao focalizarmos, todas as respostas da questão de número 1, depois de no.2, no. 3 e, assim sucessivamente, conforme quadros-síntese parcial e geral referente às entrevistas, e de “análise vertical” ao estabelecermos as relações de verticalidade e inclusão entre as respostas, indicando-se possíveis agrupamentos por afinidade temática, à luz da fundamentação teórica exposta, em especial, no item 3;
os discursos dos docentes no grupo focal I e II, indicadores coletivos, análise essa denominada de “transversal”, a título de contextualização e ancoragens de dados, possibilitando-nos uma possível triangulação dos resultados, na horizontalidade, verticalidade e transversalidade.
86 Esse procedimento de análise e as denominações dadas, análise horizontal, vertical e transversal, foram criados e utilizados em minha dissertação de mestrado com a finalidade de cruzar os dados obtidos de forma a tecer os resultados levantados, evidenciando-se possíveis relações entre eles, quer de pertença, ou de coerência de dados, visando à coesão do trabalho;
5 DA APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS
“[...] no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode , por isso mesmo, re-inventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas” (FREIRE, 1977, p .13).
A apresentação e análise dos dados desta pesquisa foram realizadas, predominantemente, à luz da abordagem qualitativa, considerando-se seus significados no âmbito da construção do saber ensinar por assistentes sociais no exercício da docência.
Os dados detectados no preenchimento da ficha sócio-demográfica nos possibilitam as seguintes observações sobre o perfil do público-alvo desta pesquisa:
100% dos docentes (oito), público-alvo da pesquisa, são do sexo feminino, o que nos remete à própria história do Serviço Social;
a faixa etária dos docentes pesquisados vai de 35 a 52 anos, com média de idade em torno de 43 anos;
todos são graduados em Serviço Social, 50% realizaram o curso na própria instituição e os demais em outras diversas instituições;
todos são especialistas e mestres na área do Serviço Social; somente um docente é doutorando;
a formação dos assistentes sociais para a docência se realizou via cursos de capacitação, em geral, oferecidos pela própria instituição, ou por meio de realização de disciplina(s) de metodologia e/ou didática do ensino superior oferecidas em cursos de pós-graduação, lato sensu ou stricto sensu, sendo que nenhum realizou curso de licenciatura;
50% dos docentes assumem a profissão de assistentes sociais, os demais (50%) ambas as profissões, isto é, são assistentes sociais, mas são, também, profissionais do ensino;
100% atuam em outras atividades, todos na área do Serviço Social (assessoria, consultoria e gestão de projetos e/ou programas sociais) somente um coloca a docência, nesta categoria (outra atividade), o que nos aponta a necessidade de dupla jornada e revela a desvalorização do profissional docente, mas, por outro lado, possibilita-lhes a ligação com a realidade social, foco de intervenção, o que enriquece sua prática docente;
a média em anos relativa à atuação em outras atividades que não a docência é de, aproximadamente, 16 anos, o que permite a interação entre e as atividades exercidas, como veremos;
em relação ao que consideram principal atividade exercida por eles, temos: apenas 01(um) docente se manifestou exercendo como atividade principal a assistência social; 03 (três) consideram ambas atividades com a mesma importância e os demais 04 (quatro), portanto, 50% deles, indicam a atividade docente como principal, o que é bastante significativo no âmbito desta pesquisa;
a média de anos relativa ao exercício da atividade principal exercida por eles é de cerca de 12 anos (entre 6 e 23 anos), tempo de experiência que nos possibilita observar a evolução do saber ensinar no exercício profissional; Os dados coletados nas entrevistas semi-estruturadas possibilitaram a análise
“horizontal” e “vertical”:
Na “análise horizontal”, foi observada a predominância das respostas a cada uma das questões nas entrevistas, evidenciada pela freqüência (maior número indicado com asterisco) da categoria apontada, a título de sua ordenação, conforme quadro- síntese dos indicadores individuais. Entretanto, foi destacada a abordagem qualitativa desses dados e os seus significados à luz da teoria explicitada no item 3, a partir dos quais verificamos:
Na questão nº 1 (Q1) sobre como aprender a ensinar, destacam-se: a partir da experiência pessoal, modelos de aprendizagem (professores que tiveram) e busca constante de aprendizagem (formação permanente);
Na Q2 sobre fontes de referência do saber ensinar, encontram-se: aprendizado escolar, cursos de capacitação, idéias de Paulo Freire, modelos, conjunto de fatores e trabalho em grupo;
Na Q3 sobre fonte facilitadora para a prática docente, encontram-se destacados: conhecimento (domínio do conteúdo teórico da profissão), cursos de capacitação, experiência com grupos e com professores, gosto de estudar, pesquisa bibliográfica;
Na Q4 sobre fonte ponto de partida para a construção do saber ensinar, ressaltam: domínio teórico da profissão, conteúdo específico, escolha do tipo de didática, habilidade do professor, gostar de ensinar, experiência com educação
popular, experiência pessoal, conhecer a classe e os alunos, nível de conhecimento da classe;
Na Q5 sobre preparo de sua prática docente, destacam-se: seleção de conteúdo (a grande maioria), metodologia, recursos (texto , filmes), estratégias, objetivos; Na Q6 sobre realização da integração das referidas fontes na prática docente,
temos: construção natural, processo espontâneo (sem reflexão mais profunda), conforme natureza do conteúdo, acúmulo de experiência, vivência, olhar do aluno e relação com o aluno por meio da linguagem;
Na Q7 sobre o modo como constroem o saber ensinar, destacam-se: aprendizagem contínua, troca de experiência, conteúdo teórico, assessoria da coordenação pedagógica, acervo pessoal, história de vida;
Na Q8 sobre a construção do saber ensinar realizada individual e/ou
coletivamente (troca de experiência), predominou: primeiro individual e depois coletiva, síntese das duas individual e coletiva;
Na Q9 sobre a lógica predominante no seu ato de ensinar, destacaram-se: reflexiva (maioria), primeiro interativa, depois reflexiva, e só interativa. A racionalidade técnica não foi apontada;
Na Q10 sobre o que diferencia a prática do assistente social da prática do
assistente social professor, detectou-se que em ambas profissões utilizam o trabalho pedagógico. Como assistentes sociais a sua prática tem uma dimensão educativa (trabalho sócio-educativo: educação para a cidadania). Como assistentes sociais professores visam à formação profissional do assistente social, à construção do conhecimento do aluno. Há preocupação com a metodologia para a consecução desses propósitos;
Na Q11 sobre o que indica ao docente que o seu saber ensinar é legítimo, apontaram: o impacto na formação do aluno e o processo em si acrescido do impacto. O resultado do ensino verificado por meio de avaliação de aprendizagem (provas, trabalhos e outras atividades) ficou em último plano. Na Q12 sobre o que considera específico do saber do professor, predominaram
as respostas relativas ao saber fazer: domínio de competências e habilidades que envolvem o processo de ensino aprendizagem (seleção de conteúdos, metodologias, estratégias, avaliação), domínio do conteúdo e construir uma didática, no cotidiano, e continuamente. Este último de relevante importância para a pesquisa em questão.
Na “análise vertical”, estabeleceram-se relações de verticalidade e inclusão entre as doze questões que nortearam a entrevista semi-estruturada, levando-se em conta as afinidades quanto à natureza das questões, congruências e inclusões mútuas, com a finalidade de se verificar a coerência, pertença e confirmação de dados coletados, nas entrevistas. As Q2, Q3, Q4, e Q6 foram consideradas relativas a fontes do saber