As exportações são muitas vezes apontadas como uma estratégia para aumentar o crescimento econômico de um país ou região. Argumenta-se que as exportações produzem efeitos sobre o emprego, remuneração, qualificação da mão-de-obra, além de gerar aumento das competitividade e ganhos de produtividade para as empresas exportadoras.
As relações entre crescimento econômico e exportações já foi discutida por diferentes abordagens da teoria econômica e por estudos empíricos. A ideia de que as exportações podem estimular o crescimento econômico estava implícita no multiplicador de comércio exterior de Harrod, na qual o produto real é apresentado como uma função do
quantum exportado pela economia.
A teoria da base exportadora desenvolvida por North (1977) defende que as exportações são importantes para determinação do nível de renda absoluta e per capita das regiões, e também da quantidade de atividades locais que se desenvolverão, do tipo de industrias, da distribuição da população, do padrão de urbanização, do tipo de força de trabalho, das flutuações de renda e emprego, das atitudes sociais e políticas da região. A
84 constatação deu-se pela observação da experiência dos Estados Unidos no século XIX cujo aumento das exportações baseada em recursos naturais foi fundamental para o desenvolvimento econômico das regiões norte-americanas.
A experiência internacional apresenta exemplos de países cujas produção voltada para as exportações conduziu a um rápido crescimento dos mesmos a partir da década de 1960, em especial os asiáticos, como Coréia do Sul, Hong Kong, Cingapura Taiwan e mais recentemente China3. O modelo de desenvolvimento asiático fundamentado na expansão das
exportações estava focado especialmente em investimento em infraestrutura e formação de capital humano, desenvolvimento cientifico e tecnológico, abertura da economia ao capital externo, aumento da produtividade e competividade das empresas.
Nas experiências nacionais o estudo de Fasano Filho (1988) analisa o papel das exportações no crescimento econômico do Brasil nos anos de 1960 a 1984. Constatou-se que apesar do Brasil ser no período analisado uma economia relativamente fechada, as maiores taxas de crescimento econômico do Brasil estavam associadas a maiores taxas de exportações de manufaturados.
Um exemplo que relaciona as exportações ao desenvolvimento econômico de uma região é o caso da soja no Brasil. Siqueira (2004) argumenta que em termos regionais, a expansão da soja segue o modelo de desenvolvimento com base nas vantagens comparativas e nos ganhos gerados pelas exportações. O cultivo da soja de base de exportação tem proporcionado fortes impactos nas economias dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, e consolidando-se como alternativa para o desenvolvimento de estados da região Nordeste como Bahia, Piauí e Maranhão.
A importância das exportações para o crescimento dos estados do Nordeste pode ser verificada por meio do coeficiente de correlação entre a taxa de crescimento das exportações e a taxa de crescimento do PIB. Percebe-se pela tabela 1.34 que nos estados do Maranhão, Alagoas e Piauí o coeficiente de correlação entre as taxas de crescimento das exportações e do PIB estadual tiveram resultados expressivos, enquanto Sergipe e Bahia apresentaram média correlação.
3 Para maiores detalhes acerca as experiências de exportações e crescimento dos países asiáticos ver: Rodrik
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Tabela 1.34 - Coeficiente de Correlação entre Taxas de Crescimento do PIB e das Exportações, e PIB per capita e Exportações dos Estados do Nordeste – 1999-2011
Estados
Taxa de crescimento das exportações x taxa de
crescimento do PIB
PIB per capita x Exportações Estaduais Alagoas 0.61 0.97 Bahia 0.41 0.97 Ceará 0.17 0.91 Maranhão 0.74 0.93 Paraíba 0.21 0.76 Pernambuco 0.26 0.95 Piauí 0.60 0.86
Rio Grande do Norte -0.10 0.30
Sergipe 0.52 0.82
Fonte: IBGE (2014) e AliceWeb (2014) - elaborado pela autora
Embora nos demais estados do Nordeste a respectiva correlação tenha sido fraca, em cinco dos nove estados da região os resultados indicam que o crescimento econômico pode ser estimulado pelo crescimento das exportações. Neste sentido fica evidente a necessidade de medidas com vista a uma maior inserção das exportações nas economias estaduais.
Destaca-se que o estado do Maranhão tem uma economia voltada essencialmente para o mercado exportador, este, juntamente com Piauí e Bahia aumentaram suas exportações na década de 2000, através da expansão das exportações de commodities primárias minerais e agrícolas, especialmente a soja. Vale ressaltar que entre 1999 e 2011 a participação do setor agropecuário no VAB do estado do Maranhão cresceu significativamente, chegando a atingir 22,2% do VAB do estado em 2008, ademais Maranhão é o estado do Nordeste cujo setor agropecuário tem maior peso na composição do valor adicionado bruto.
Quanto ao estado de Alagoas, uma das principais atividades produtivas do estado é a monocultura de cana- de-açúcar. Dado que as exportações de Alagoas concentram-se no setor sucroalcooleiro, há indícios de que a dinâmica do respectivo setor tenha influenciado no crescimento da economia alagoana no período mencionado.
Observa-se que entre as três maiores economias do Nordeste, apenas na Bahia há uma correlação moderada(0,51) entre taxa de crescimento das exportações e taxa de crescimento do PIB. Nos estados do Ceará e Pernambuco o crescimento das economias parece estar mais relacionado ao comportamento do mercado interno que às exportações. Os
86 coeficientes de correlação para os dois estados foram 0,17 para o Ceará e 0,21 para Pernambuco.
Apesar de em alguns estados os coeficientes de correlação entre as taxas de crescimento do PIB e das exportações indicarem que o aumento das exportações não representa uma boa estratégia para estimular o crescimento econômico, quando verificado a correlação entre as exportações e o PIB per capita (tabela 1.34), há evidencias de que desenvolvimento está correlacionado com o nível das exportações em oito dos nove estados. Apenas o estado do Rio Grande do Norte apresentou uma correlação pequena (0,30), nos demais o coeficiente de correlação entre o PIB per capita e o valor das exportações apresentaram resultados superiores a 0,7. Os maiores coeficientes foram para os estados de Alagoas e Bahia (0,97 em ambos).
A observação dos coeficientes de correlação entre o valor das exportações e o PIB
per capita sugerem que um nível maior de exportações contribui para gerar efeitos
multiplicadores sobre a economia podendo resultar em um nível maior de desenvolvimento para os estados. Possivelmente as exportações geram efeitos positivos sobre as economias e, tais como desenvolvimento de industrias e serviços, geração de emprego, fatores que contribuem para elevar a renda dos consumidores, bem como estimular o consumo e a produção.