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Sample representability and external validity

6. Methodological considerations

6.2 Sample representability and external validity

Figura 2 - Mito de Áries. Disponível em: <http://www.fietreca.com.pt/horoscopoaries.htm>. Acesso em 9 mar. 2011.

O jovem Frisso, filho do rei da Beócia, Atamante, por sofrer constantemente perseguições de sua madrasta Ino, recorre ao auxílio de sua mãe Nefeles, que na mitologia grega, é a deusa das nuvens. Diante da desventura do jovem, a deusa oferece-lhe um cordeiro,

que ao invés de ser recoberto por lã, era todo de ouro, o qual conseguiria livrar Frisso e os irmãos da perseguição da madrasta.

De posse do cordeiro, Frisso inicia sua aventura, levando consigo sua irmã Elle. Estes montaram no cordeiro e sobrevoaram a Terra, sobrevoando mares e terras. Contudo, enquanto estavam montados no cordeiro, na cansativa aventura, a irmã de Frisso adormeceu e, soltando-se do animal, caiu no mar. O jovem nada pode fazer para salvar sua irmã desse terrível desastre e teve que seguir sua viagem solitária. Ao chegar a uma terra desconhecida, Cólquida, ofereceu a Zeus o carneiro do Velo de Ouro, dado pela deusa como sacrifício. Entretanto, Frisso ainda teria de enfrentar outras desavenças nessa terra nada receptiva, o que o levou à morte.

Figura 3 - A tentativa de Jasão em resgatar Elle. Disponível em: <ariesmitologico.blogspot.com>. Acesso em 9 mar. 2011.

Na continuação da história de Frisso, temos o jovem Jasão, filho de Éson e Polímede, o qual foi exilado de sua terra Iolco por seu pai, a fim de passar pelas mãos do centauro Quíron (núcleo do mito sagitariano) no processo de iniciação, sendo destronado do reino pelo próprio irmão, Pelia.

Ao atingir a idade necessária ao cumprimento de sua missão, Jasão volta do monte Pélion, onde era iniciado. No percurso de volta, perde uma sandália ao ajudar uma velha senhora a atravessar um rio.

Pelia, que estava sendo atormentado pela sombra de Frisso, foi avisado pelo oráculo de Delfos que a terra de Iolco não voltaria a ser fértil caso a sombra de Frisso, que ficou presa na Cólquida, não retornasse à pátria junto com o Velo de Ouro. Foi, ainda, informado sobre a vinda de um homem com apenas uma sandália, o qual seria uma ameaça a seu reinado. Logo, Pelia identifica Jasão como sendo este homem e firma um acordo com o mesmo: compromete-se a devolver o trono que lhe havia usurpado desde que Jasão conquistasse o

Velo de Ouro e o trouxesse de volta à pátria. Jasão aceita o trato e consegue reunir uma boa tripulação para a nau Argo (por isso ―argonautas‖) e rumou à Cólquida.

Jasão reúne um conselho de guerra e recebe influências das protetoras do Olimpo, Hera e Atenas, que lhe imputaram ideias inconscientes para superar os obstáculos que vinham pela frente. Com o auxílio das deusas, Jasão chega à Cólquida e apresenta-se ao rei Aetes, com o qual tentou negociar o Velo de Ouro. O rei impôs condições e provas de habilidades impossíveis de serem efetuadas.

Contudo, Medéia, a feiticeira filha do rei Aetes, apaixona-se por Jasão e promete ajudá-lo desde que o mesmo lhe jure amor recíproco e a leve com ele. Sob o juramento sagrado de casamento, Medéia fornece ajuda mágica a Jasão, o que o fez superar todas as provas, inclusive adormecer o dragão que cuidava do bosque sagrado de Ares, em que estava o Velo de Ouro. Jasão apoderou-se do cordeiro e junto com a nau Argo retornou para a Grécia, levando consigo Medéia; lá, devolveu o Velo de Ouro a Iolco.

Figura 4 - Cena do filme Medéia. Disponível em:

<papelderascunho.net/index.php?m=200509&paged=2>. Acesso em 9 mar. 2011.

A história termina com a vingança de Medéia ao saber da paixão de Jasão por outra mulher, Creusa, filha do rei Creonte. Assim, Medéia, alucinada pelo amor repelido, assassina Creusa e seu pai, bem como, sacrifica suas próprias filhas, e deixa Jasão sob a maldição de uma morte violenta. Tal profecia se cumpre quando Jasão, ao observar os trabalhos de manutenção em sua nau Argo, morre quando uma viga de madeira despenca de um mastro e esmaga sua cabeça.

Figura 5 - Jasão e o Velo de Ouro. Disponível em: <commons.wikimedia.org/wiki/File:Jasão_e_o_Velodeouro>. Acesso em 9 mar. 2011.

Nos mitos de Frisso e Jasão podemos observar o arquétipo do Herói, que é representado pelo sacrifício, pela doação ao outro ou em prol de algo; assim, serve ao outro para salvar-se a si mesmo. O sacrifício do herói é combater o inimigo, o dragão, o ego. Há, pois, durante o combate uma recusa do ego e da própria identidade, para só após a conquista recuperá-la.

No caso dos mitos em questão, os dois heróis são levados a assumir tal conduta, como acontecia na cultura celta, em que o herói era guiado, inconscientemente, por um animal a uma aventura a fim de resgatar uma riqueza.

Sobre o mito de Frisso, Sicureti explica que:

A irmã não é apenas a expressão da segurança presente e que se perde pela ânsia de encontrar outras certezas ou proteções ainda desconhecidas, mas é também a expressão do risco da inconstância, uma vez que a alma se enfraquece exatamente ao longo do caminho, demonstrando não saber abandonar-se ao próprio destino (SICURETI, 1978, p. 28).

Na aventura de Frisso, representada pelo tema da fuga, ao perder sua irmã, ele perde seu componente feminino, sua alma, inflando, assim, seu traço masculino, o ego.

Sicureti (1978) alega que a característica principal do símbolo mítico restringe-se exclusivamente no Velo de Ouro, que representa a libido ligada ao arquétipo da aventura e da evasão.

Frisso é a energia que se liberta de todo obstáculo, é Eros que se livra da ameaça destrutiva, mas lança o pânico. E justamente nos tipos de Áries, nos quais se pensa que há a expressão total da coragem e a audácia, nota-se a presença do medo e da angústia (SICURETI, 1978, p. 29).

Nos mitos de Frisso e Jasão, estes personagens passam pela experiência do pânico, superando-a com o Eu heróico. Entretanto, Frisso e Jasão tornam-se vítimas inconscientes desse medo, resultado implícito de seus feitos. Assim, o heroísmo é permeado pelos sentimentos do medo e da angústia, já que se pode obter como recompensa a morte, que é o que ocorre com Frisso, ao perder a irmã; e com Jasão, que sofre com a morte da mulher e das filhas pela vingança de Medéia.

O mito de Jasão sustenta a trama da negação de herança ou da usurpação do direito de nascença, os quais são bastante recorrentes nos mitos do Herói: que dizem respeito aos Heróis que já nascem nesta condição, mas são impedidos de usufruir tal status desde o nascimento, sendo preciso que lute e passe por inúmeras empreitadas de risco para poder conquistar sua identidade. Contudo, Jasão só obtém sucesso em sua conquista não por sua consciência heroica, mas pela ajuda mágica de uma mulher.

De acordo com Sicureti (1978, p. 31), ―[...] o feminino identifica-se com um traço guerreiro da alma‖, assim, Medéia promove a cegueira da alma do seu amado, em seus atos heroicos.

Figura 6 - O Héroi Jasão. Disponível em: <ariesmitologico.blogspot.com>. Acesso em 9 mar. 2011.

O espírito de aventura, a coragem e a agilidade como forma de provar a "masculinidade" marcam esse mito, assim como a personalidade do nativo de Áries, seja ele homem ou mulher. Seu desafio é aprender a controlar a impulsividade e refletir sobre seus atos. Freitas afirma que:

No ariano, o que se verifica é a manifestação audaz e impetuosa da força fálica humana a todo tempo, especialmente se confrontado ou desafiado, dado o rito externo de primeira infância que se abate sobre a sua estrutura mítica inconsciente (FREITAS, 1990, p. 276).

É o que se vê em Frisso, ao enfrentar sua aventura voando num cordeiro do Velo de Ouro, e em Jasão, ao lançar-se numa nau rumo ao desconhecido.

É possível observar algumas características em comum entre os mitos de Frisso e Jasão e as características do nativo de Áries, apontadas por Max Klim (2006) em sua obra

Você e seu signo em 2007, bem como no horóscopo da Revista Cláudia, de setembro de 2009:

Figura 7 - Você e seu signo em 2007, de Max Klim (2006). Fonte: Acervo pessoal.

Áries é o signo que mostra elementos de combatividade e determinação que se expressam de forma notável na vontade e na criatividade de seus nativos. O filho de Áries [...] tem dons de liderança e de condução de outrem, que são naturais em sua vida. Em essência, as principais características do caráter do nativo de um signo que vive para ser e nunca para ter estão em sua representação no Zodíaco na condição de senhor da criação explosiva, do nascimento e da realização. Áries representa a semente ao nascer, cheia de esperanças, inovadora, enérgica, personalista e expressão máxima da individualidade (KLIM, 2006, p. 11).

(CLÁUDIA, 2009, p. 22)

Dessa forma, verifica-se que os elementos de combatividade e de determinação estão presentes nas ações dos heróis míticos Frisso e Jasão, assim como, a liderança em seus feitos e o dom de conduzir alguém, como o fizeram Frisso com sua irmã, e Jasão com os Argonautas. O sentido de ―ser‖ e nunca ―ter‖ também são representativos nos mitos, já que a função de Frisso e Jasão, enquanto heróis, era a conquista de algo não para si, mas para outrem, pagando com a própria vida, sem conseguir alcançar o ―ter‖. Segundo Freitas,

Se o ariano, homem ou mulher, compreende que sua inesgotável energia fálica deve ser posta a serviço de um ideal de justiça e poder de liderança por causas novas, canaliza sua agressividade e aproveita sua imensa capacidade intuitiva e poder de iniciativa, abandonando a belicosidade aparentemente gratuita tão característica do signo. Caso contrário, continua a busca do ‗Velo de Ouro‘ em cada oportunidade que se manifesta, preso da compulsão em arrancar sua própria identidade das mãos do ‗Pai Terrível‘ que teima em negá-la - seja o próprio pai, o marido, uma figura de autoridade e o rival ou parceiro em cada conquista amorosa (FREITAS, 1990, p. 278).

Assim, Áries, representa a inconstante busca pela conquista de sua identidade e, para isso, é preciso passar pelo sacrifício. Como se observa no horóscopo em Cláudia, que aponta uma ariana tão ocupada que lhe falta tempo, lhe causa cansaço, lhe compromete a saúde, além de interferir em sua vida afetiva.

Sicureti explica que:

Quem estuda sobre a simbologia de Áries sempre encontra expresso o conceito de sacrifício. Parece anacrônico que o primeiro signo do zodíaco,

expressão do início de todas as coisas, manifestação global da energia pura, traga em si um valor de sacrifício como tema simbólico; no entanto, é assim mesmo, e nós tentamos, na medida do possível, deixar isso bem claro (SICURETI, 1978, p. 32).

O tema do sacrifício em Áries parte do ideal do Eu, ou seja, é a base para alcançar seus objetivos. Assim, se um indivíduo de Áries quiser concretizar projetos e ideais, terá de passar por sacrifícios que o processo impõe e recusar os caminhos fáceis. O sacrifício para Áries é como um patrimônio vital, como diz Jean Pierre de Nicola (1992, p. 32) ―[...] experiências em que prevalece a tendência a se cansar, a se desgastar quase com prazer; seguir em frente até o esgotamento extremo, amar até os últimos limites do amor, desfazer-se das alegrias até o desgosto‖. A partir dessa imagem, os exegetas aplicaram o signo de Áries à Paixão de Cristo. Outra representação do sacrifício ariano encontra-se no Velho Testamento, no livro do Êxodo, quando os judeus de Israel fizeram uma longa peregrinação em busca da terra prometida sob o domínio egípcio. Entre estas há outras passagens bíblicas que apontam para o sacrifício heroico do signo de Áries.