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Genetic and clinical variations in Rett syndrome

7. General discussion

7.1 Genetic and clinical variations in Rett syndrome

Figura 12 - Mito de Gêmeos. Disponível em: <http://www.fietreca.com.pt/horoscopogemeos.htm>. Acesso em 9 mar. 2011.

O terceiro signo do Zodíaco remonta o mito de Castor e Pólux (ou Polideuces), filhos gêmeos de Leda, esposa de Tíndaro, rei de Esparta.

Na noite do seu casamento com o rei de Esparta, Leda fora banhar-se no lago provocando a paixão de Zeus, deus do Olimpo, precisou transformar-se em gansa para escapar aos assédios do deus, mas Zeus assumiu a forma de um cisne e a seduziu, copulando com ela. Na mesma noite, Leda foi ter com seu esposo, e um segundo ovo foi fecundado.

Do primeiro nasceram Pólux e Helena (futuro pivô da guerra de Tróia), filhos de Zeus e, por isso, imortais; do outro, nasceram Castor e Clitemnestra, que eram mortais, pois eram filhos do rei Tíntaro. Portanto, desde o ventre, os gêmeos apresentavam pares opostos – mortal/ imortal, feminino/masculino.

À medida que cresciam, as diferenças entre Castor e Pólux iam se acentuando: enquanto o primeiro era um forte e destemido guerreiro, o segundo era um músico, delicado e sensível. Estas diferenças os faziam brigar muito, até que Castor morre, após travar uma batalha junto com seu irmão Pólux contra Linceu e Ida, outros dois irmãos gêmeos.

Figura 13 - Os gêmeos Pólux e Castor. Disponível em: <www.xamanismo.com.br/Lua/SubLua1195504392It5>. Acesso em 9 mar. 2011.

Pólux, inconformado com a morte do irmão, coberto de dor e saudade, dirigi-se a seu pai divino e pede para que este interceda junto ao Reino de Hades (o submundo), local onde a alma de Castor se encontrava, ou para que seu irmão voltasse a viver ou para que Hades aceitasse que ele trocasse de lugar com o irmão. Contudo, Castor, que era mortal, havia morrido, e Hades, que representava a morte, era um deus irrecorrível; além disso, Pólux, por ser imortal, não poderia morrer. Entretanto, um acordo foi feito e Hades permite aos gêmeos alternar a imortalidade. Assim, os gêmeos passam a viver, em dias alternados, um no Reino de Hades e outro no Olimpo, sob o domínio de Zeus, tendo a oportunidade de, na troca, entrarem em contato. Dessa forma, enquanto Castor estivesse vivo, Pólux desceria ao Hades, invertendo-se as posições a cada dia.

Figura 14 - Pólux e Castor. Disponível em: <www.mitologiagrega.templodeapolo.net/ver_mito>. Acesso em 9 mar. 2011.

Diante disso, observa-se que a representação de Gêmeos, na mitologia, é materializada por meio de pólos opostos, de forças positiva e negativa, que travam embates não extremos, mas consigo mesmo, visando combater seu próprio oponente interno.

Na história da humanidade é possível visualizar outros pares de irmãos que enfrentaram as mesmas questões opositoras, na Babilônia, por exemplo, as irmãs Inanna e Ereshklgal eram rivais; no Velho Testamento, Caim e Abel, o primeiro representava a inveja, a maldade, e o segundo, a bondade, a obediência, o sacrifício; na mitologia romana, os gêmeos Rômulo e Remo, que fundaram Roma, também representam esse dilema, a luta pelo poder.

Na perspectiva de Freitas,

O embate entre os gêmeos parece representar, na maior parte das vezes, a luta do ser contra a própria Sombra, a qual é composta pelos aspectos internos negados pelo próprio indivíduo: é o inimigo interno, nascido e vivido conjuntamente, que nunca poderá ser completamente superado, mas com o qual o indivíduo deverá combater sempre, pois é desse embate sem tréguas que surge o próprio crescimento da pessoa humana. Na vida do geminiano tal dilema se instala com maior evidência, muitas vezes vivido projetivamente através de sócio, amigo ou irmão (gêmeo ou não): nesse último caso, um é amado pelos pais, representando o lado bom do par, enquanto o outro é o ‗ruim‘ e recebe a projeção da Sombra familiar - os aspectos da família que a própria família não aceita em si e ‗despeja‘ em alguém, tornando-o verdadeira ‗lata de lixo‘ dos detritos familiares... Sem dúvida, em casos desse tipo é bem mais difícil identificar e enfrentar o ‗inimigo interior‘, mas em última instância é esse embate que terá de ser feito (FREITAS, 1990, p. 282).

O mito de gêmeos representa, pois, o ciclo da individuação e da diferenciação, em que se encontra o núcleo do comportamento ambíguo geminiano: vivendo a ―mortalidade‖, torna- se introspectivo ou explosivo, ―descendo aos infernos‖ astrais e sentimentais, tendo que lidar com a própria sombra; por outro lado, em sua condição de ―imortalidade‖, torna-se vivaz, comunicativo, audaz, pois vivencia os prazeres divinos.

Dessa forma, é possível encontrar semelhanças entre essas características com base no mito de Pólux e Castor e as características do signo de Gêmeos, apontadas por Klim (2006) e pelo horóscopo da Revista Cláudia (2009):

Versátil e extremamente curioso, o nativo de Gêmeos é, sem dúvida, o comunicador e anfitrião do zodíaco. Nele, há uma inquietude que marca seus atos e faz mostrar-se em constante movimento para saber de tudo e de todos, revelando-se, por isso, sagaz, requintado, inteligente, sonhador e conhecedor sempre dos dois lados da mesma moeda. Tem o caráter de maior mobilidade do zodíaco, o que o faz dono da inquietude, da agitação, da intriga e do conhecimento de tudo, embora se mostre superficial naquilo que sabe. Vive pela busca da novidade e representa a liberação dos sonhos mais profundos do ser humano. É diplomata entre todos os signos (KLIM, 2006, p. 69).

(CLÁUDIA, 2009, p. 22)

A inquietude e comunicação, próprias do nativo de Gêmeos, geram em Pólux a saudade do irmão (ou do ―Eu‖), fazendo-o trocar todos os dias de lugar com este, a fim de ter ao menos um momento de contato entre os dois. Essa ―troca‖ de ambiente (Hades – Olimpo), ou a alternância de sentimentos (inferno e paraíso sentimental), o faz ser conhecedor dos dois lados da moeda, o que resulta no ―caráter de maior mobilidade do zodíaco‖, como informa Klim (2006). O lado inquieto, agitado e sonhador do geminiano o faz entrar em conflito com seu próprio ―Eu‖, no embate entre a consciência e inconsciência, na ida e vinda do inferno ao paraíso, o que também gera a sugestão do horóscopo Pé no freio e Possíveis viagens (CLÁUDIA, 2009, p. 22).

Sobre isso, Sicureti (1978, p. 49) alega que ―[...] a humanidade organiza-se na parte consciente, no Eu, e na parte inconsciente, no Não-eu. [...]. A ruptura da unidade urobórica

originária produz a diferenciação na dualidade [...]. Essa divisão leva a si mesma a individualidade‖.

Com se vê, o geminiano sustenta em si a eterna oscilação das oposições, alterando em questão de segundos o humor, a atitude, saltando ciclicamente de um estágio depressivo a um eufórico.

Também para Freitas, o indivíduo de Gêmeos

[...] ora comporta-se da forma mais elogiosa possível, de acordo com os padrões da cultura em que vive, ora é completamente insociável. Como diz a observação popular, ‗possui dois rostos‘. Ambos os pólos tentam se destruir mutuamente, visando a hegemonia, como que em uma tentativa do Ego de suprimir a Sombra, reprimindo-a em benefício da persona; apenas após haver um processo de assimilação consciente das características de ambos os componentes intrapsíquicos, porém, é que certa paz interna será conseguida, podendo o Ego manter a harmonia do todo psíquico com um ou outro componente predominando a cada momento, sem ameaçar o resultado global da psique (FREITAS, 1990, p. 283).

O embate do geminiano também se materializa diante das oposições entre o lado masculino e o lado feminino que cada sujeito sustenta, assim como, entre as questões e os objetivos intelectuais e emocionais, materiais e espirituais. Portanto, enquanto o geminiano não aprender a lidar com seu próprio ―oponente‖ interno, convivendo consigo mesmo em harmonia, reconhecendo sua própria Sombra, a fim de não ficar preso a um constante comportamento de ambiguidade compulsiva, ele acabará por afetar, até agressivamente, seus externos, seja irmãos, amigos, filhos, sócios, etc. Isso pode ser observado na sugestão do horóscopo ―Converse mais com seus filhos. No amor, aceite o desenrolar das coisas sem interferir‖ (CLÁUDIA, 2009, p. 22).