3. Method
3.6 Sample
A coleta de dados dos períodos pré e pós-operatório ocorreu entre os meses de abril de 1999 até agosto de 2000, com interrupções em decorrência de problemas com a aparelhagem na sala cirúrgica e a suspensão das autorizações do Sistema Único de Saúde para implante de marcapasso cardíaco definitivo.
3.3.4.1 - 1ª Fase da Coleta de Dados - Período pré-operatório
Na 1ª fase da coleta de dados, os prontuários eram verificados diariamente para identificar quais pacientes haviam sido internados para implante de marcapasso e que atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos.
Em seguida à apresentação pessoal ao paciente, era explicado o objetivo da pesquisa e feito esclarecimento sobre a liberdade de participarem ou não do estudo. É importante ressaltar que todos os pacientes abordados concordaram em participar e assinaram o Termo de Consentimento.
O paciente era encaminhado ao jardim da enfermaria para favorecer mais privacidade para a entrevista. Não havia interrupções, pois foram evitados os horários das refeições, da missa e das medicações.
Cada entrevista durava, em média, 50 minutos, sendo que após a aplicação do instrumento, os pacientes eram orientados pela pesquisadora sobre aspectos do cotidiano do portador de marcapasso, as dúvidas que apresentavam eram esclarecidas e o procedimento cirúrgico era descrito. Alguns marcapassos e eletrodos eram mostrados para que fossem manuseados, o que favorecia a compreensão do tamanho do aparelho e de como ocorreria o procedimento.
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No momento da entrevista, foi possível perceber o quanto a opinião das pessoas que cercam o indivíduo doente, assim como as idéias veiculadas pela mídia escrita e falada, influenciam na segurança do paciente para realizar a cirurgia. Fazem analogias com o próprio caso, considerando que o mesmo ocorrerá consigo.
Em alguns comentários, foi possível perceber a necessidade de atenção às dúvidas individuais para minimizar ansiedades e expectativas:
“como adivinhou que eu estava com medo dessas coisas?”
“a senhora explica, sabe mais do que o médico”; “agora estou tranqüila, a senhora é uma benção do céu”;
“e se no meio do tempo que o doutor marcou para voltar, ele descarregar?”
Estabeleceu-se um vínculo e foi disponibilizado um número de telefone para eventuais dúvidas que porventura tivessem, bem como para comunicar a data da consulta de retorno, para que pudessem ser entrevistados novamente.
Independentemente da entrevista fomos procurados diversas vezes pelos pacientes ou por seus familiares, quando necessitavam de orientação ou quando eles sentiam algum mal-estar. Houve até aqueles que telefonavam apenas para informar que estavam bem, que haviam conseguido emprego ou informar sua gravidez.
3.3.4.1. 2ª Fase da Coleta de Dados - Período Pós-operatório Entrevistas na Clínica de Atendimento Especializado
As entrevistas do período pós-operatório foram realizadas, em sua maioria, na Clínica de Atendimento Especializado na época do retorno dos pacientes para consulta médica. A secretária da clínica comunicava sobre a consulta ouos próprios pacientes o faziam.
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O paciente era entrevistado em um local separado dos demais pacientes da sala de espera do consultório, e algumas vezes, o familiar assistia a entrevista, sem, no entanto, interromper ou participar. Não houve dificuldades para aplicação do instrumento e novamente foi utilizada a lista alfanumérica colorida com os números da escala.
Alguns pacientes não retornaram ao consultório, e assim optou-se por localizá-los por telefone e/ou em seu domicílio.
Entrevistas por telefone
Quatorze pacientes dos que residiam a mais de 50 Km de distância de Goiânia foram entrevistados por telefone. Considerou-se que, como era a segunda vez que o instrumento era aplicado, eles se lembrariam da sistemática das respostas.
A utilização do telefone para contato com os pacientes é uma alternativa pouco utilizada no cotidiano profissional, mas pode facilitar a localização e o contato com o paciente, possibilitando aproximação em períodos mais curtos que os do ambulatório. Muitas vezes, ao serem questionados sobre o atraso para a consulta de retorno, os pacientes se justificavam com a impossibilidade financeira.
Os pacientes consideraram que o fato de estarem sendo procurados pelo telefone significava atenção para com sua pessoa, interesse pela sua saúde e respondiam as perguntas demonstrando satisfação. As entrevistas foram de fácil aplicação e nenhuma dificuldade pôde ser observada ou relatada pelos pacientes. Considerou-se que a lista alfanumérica utilizada em todas as entrevistas na primeira fase deste estudo facilitou a memorização visual.
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Entrevistas domiciliares
A visita ao domicílio foi recebida com satisfação e as entrevistas foram bem aceitas. Os pacientes manifestavam de diversas maneiras seu contentamento com a presença de um profissional de saúde em sua casa, com o interesse pelo seu bem-estar e pela valorização de suas opiniões sobre sua qualidade de vida.
Chamou a atenção o fato de que, quando o instrumento era aplicado no hospital, os pacientes pareciam todos iguais em seus pijamas, fora do seu habitat, num local onde maior autoridade é conferida ao profissional de saúde. No domicílio a situação se inverte, o paciente tem maior domínio da situação e o profissional é a visita. As entrevistas realizadas em suas casas pareceram mais informais, descontraídas, com respostas mais detalhadas.
Algumas residências não tinham luz elétrica ou aparelhos como telefone, microondas, geladeira e TV. Familiares assistiam a entrevista e era possível perceber certa curiosidade e mesmo proteção em relação ao paciente, mas não interrompiam. Ao final, perguntavam sobre problemas de saúde de outros membros da família e pediam outras informações.
Vinte pacientes não retornaram ao Serviço de Marcapasso e destes, oito não foram localizados. Eram, em sua maioria, provenientes de outras cidades e forneceram, no momento de sua hospitalização, o número de telefones próximos de onde estavam hospedados, assim como endereços temporários. Os outros doze pacientes faleceram entre um e doze meses após implante e as causas de óbito nem sempre estiveram diretamente relacionadas com o comprometimento cardíaco.
Portanto, a impossibilidade de contato com estes pacientes fez com que a entrevista pós-operatória tenha sido realizada com 60 pacientes.
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