Em seu texto clássico “An essay on the Nature and Significance of Economic Science” (1945), Lionnel Robbins objetivou estabelecer uma definição universal do que se trata ciência econômica.
Partindo de algumas definições já existentes que afirmavam ser o objetivo da economia explicar as causas materias da qual dependem o bem-estar humano ou estudar as ações do homem no ordinário negócio da vida, Robbins desenvolve a definição de que a economia é a ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que possuem usos alternativos. Em sua argumentação, a economia se dedica ao estudo do comportamento humano especificamente diante da escassez de meios para satisfazer diferentes necessidades sem expressar juízos de valor sobre estas. Riqueza não é definida por sua substância, mas por sua escassez e valoração no mercado. Esta valoração não é uma proposição normativa da ciência econômica, ela é a expressão das importâncias relativas dos fins ou mesmo uma ordenação das preferências dos indivíduos.
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O objetivo não é discutir a teoria do valor em si e sim os pressupostos utilizados na elaboração da mesma. Por isto não faremos a discussão sobre a teoria do valor utilidade e da escola marginalista.
Assim, o valor expressa uma relação e não uma medida.
De acordo com a argumentação de Robbins é a escassez e a existência de um custo de oportunidade que define um bem como econômico. Esta escassez e este custo de oportunidade referem-se à relação do indivíduo com os meios/bens em questão e relaciona- se de forma subsidiária com as relações de troca. Neste sentido, a concepção de bem econômico é formal, pois não existem qualidades tomadas fora de suas relações com os indivíduos que possam tornar um bem econômico. A relação do indivíduo com o bem é a mesma fora da economia de mercado e as generalizações da teoria do valor também são aplicáveis ao comportamento de um homem isolado97 ou a um executivo centralizador de uma sociedade comunista.
Para Robbins a teoria econômica, como todas as outras teorias, parte de postulados, os quais não necessitam ser demonstrados para estabelecer sua validade. A partir destes fazem-se deduções e acrescentam-se novas hipóteses subsidiárias para tornar o modelo mais próximo da realidade. A intenção não é fomentar a crença de que o mundo real corresponde às suas representações em modelos, mas possibilitar o estudo, em isolamento, das interações que ocorrem no mundo real e depois por contraste ou comparação aplicar o conhecimento adquirido em situações reais mais complicadas. São estas hipóteses suplementares que levam à visão de que as leis econômicas são histórico-relativas. Todavia, esclarece Robbins, mesmo sendo a validade de uma teoria relacionada à consistência da derivação lógica das hipóteses gerais, sua aplicabilidade a uma dada situação depende da extensão para a qual seus conceitos refletem as forças operando naquele contexto. Neste sentido, a teoria econômica estuda a forma e a história econômica trata da substância.
Nesta perspectiva, as proposições mais fundamentais da análise econômica são as relacionadas à teoria geral do valor e aos pressupostos envolvendo a experiência de como a escassez se expressa no mundo real. A teoria geral do valor é explicada pela operação das leis de escolha, as quais são mais bem percebidas contemplando o comportamento de um indivíduo isolado. A base é a hipótese de que diferentes meios necessários a um indivíduo possuem diferentes importâncias e que podem ser ordenadas. Esta ordenação pode ser expressa em variados graus de precisão, mas em última análise podem ser ordenadas simplesmente como experiências equivalentes, de maior e de menor importância. Para Robbins, esta noção de valoração relativa não está vinculada a doutrinas psicológicas particulares, como o hedonismo, embora alguns economistas o tenham feito. A valoração é um processo subjetivo e, portanto, não observável, nem suscetível de explicação científica.
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Robinson Crusoe - Modelo inspirado no livro Robinson Crusoe, de Daniel Defoe de 1719, cuja economia possui apenas um produtor, que produz apenas um bem e um consumidor.
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Elas são, para os economistas, consideradas como dadas. Isto significa que embora este processo de valoração consista em julgamentos individuais de valor e, portanto internas aos indivíduos, não se faz necessário que seja objeto de juízo de valor por seus observadores. Os economistas podem explicar mudanças ex-post a alteração dos dados, mas não podem explicar a mudança dos próprios dados. Isto porque uma vez no estado de equilíbrio não se considera a possibilidade de vantagem de uma outra arbitragem interna dos indivíduos devido ao custo de oportunidade tornar-se maior do que a utilidade marginal.
Os preços de diferentes bens expressam sua escassez relativa ou ordenação das preferências em quantidade de dinheiro necessária para dar em troca por uma mercadoria. Isto é, os preços refletem uma ordenação ou graduação de vários bens e apenas possuem significado em relação a outros preços. Seu significado é uma relação entre uma quantidade de dinheiro e outras similares. As avaliações que o sistema de preços expressam não consistem em quantidades, são arranjos ordenados. Em outras palavras, entre dois bens X e Y, é possível determinar se X é preferido a Y, mas não o quanto X é preferido a Y. Observa-se que as proposições feitas não referem-se a nenhum bem ou qualidade específica. Elas são relativas a qualquer bem ou qualidade que seja considerada escassa.
Partindo deste pressuposto deriva-se a ideia de substitutibilidade entre diferentes meios de satisfação ou bens, bem como, a demanda de um bem em termos de outro. Fazendo-se outras hipóteses subsidiárias deriva-se o equilíbrio dos meios entre diferentes usos, o equilíbrio nas trocas e da formação de preços. Também são suposições desta argumentação que o dinheiro sirva apenas como meio de troca98, não sendo um bem que faça parte da ordenação de preferências do indivíduo, e que somente mudanças nas técnicas produtivas podem alterar a escassez e consequentemente influenciar nas valorações relativas. Não existem mudanças autônomas ou psicológicas99 que influenciem a escassez relativa e consequentemente a demanda100.
Dados os pressupostos acima, a teoria geral do valor afirma que quanto mais se tem de um bem, a próxima unidade do mesmo vale menos do que a unidade anterior. Trata-se da lei da utilidade marginal decrescente101. Utilidade é percebida como satisfação ou bem- estar que o indivíduo obtém a partir do consumo de um bem. No entanto, a comparabilidade da valoração é da ordenação das preferências e não da satisfação em si. A satisfação é uma experiência subjetiva e individual para a qual não existe comparabilidade científica
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Na avaliação de Robbins, Smith descreveu o equilíbrio na distribuição de graduações particulares do trabalho em termos de tendência, para maximizar vantagens líquidas entre várias alternativas e não para maximizar ganhos monetários.
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Fatores psicológicos podem influenciar na escolha de quais serão os fins desejados pelo indivíduo, mas não alteram em nada a forma como esses fins se relacionam com os meios.
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Isto aufere um significado limitado à adição de preços ou rendas individuais na formação de agregados utilizados na teoria monetária dado que valorações como expressões de ordem de preferências em escala relativa não são suscetíveis de adição.
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Observa-se que a utilidade marginal não é definida a partir de acréscimos na utilidade, mas sim a partir de acréscimos na quantidade de bens, assim as quantidades adicionais consumidas geram menos utilidade.
porque envolve um elemento de valoração convencional, o que é normativo. Robbins afirma que embora no cotidiano adote-se este procedimento para alcançar determinados fins, a comparação é realizada com uma diversidade de pressupostos relacionados a diferentes momentos e lugares, o que é uma evidência de sua natureza convencional (ROBBINS, 1945, p. 140). Neste sentido, Robbins apresenta reservas ao argumento de que quanto mais se tem renda real, menor é o valor de uma unidade adicional de renda real, o qual é usado como base para dizer que a utilidade marginal de um rico é menor do que a utilidade marginal de um pobre.
Da mesma forma defende que a noção de equilíbrio do sistema de preços não possui sentido ético que sirva como critério de justificação econômica. A teoria do equilíbrio apenas permite o entendimento de que como, dadas as valorações e os fatos legais/técnicos do ambiente, um sistema de relações sem tendência a variações pode ser concebido102. O fato de que a demanda é mais adequadamente satisfeita sob estas condições do que sob outras condições não prova que aquele grupo de condições seja desejável.
Além disso, existem certas limitações óbvias na possibilidade de formulação de fins em ofertas de preços. Robbins argumenta que para assegurar as condições nas quais o equilíbrio emerge é necessário um aparato legal, o qual não é capaz de ser suscitado por propostas de preços e que são essenciais para sua execução. Por exemplo, a imunidade para uma doença infecciosa não é um fim que pode ser totalmente alcançado por um indivíduo. A garantia de fins deste tipo envolve necessariamente o uso de fatores de produção de forma pouco compatível com a liberdade de escolha no gasto de recursos específicos. Todavia, o que a análise econômica pode fazer é apontar as implicações deste processo e não classificar estes fins coletivos como bons ou ruins.