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Hovedutfordringer med samordning og anbefalinger

A percepção de que valor é uma relação é interessante e pode ser incorporada em nossa percepção da condição econômica. Sendo o sistema econômico formado por redes de comunicações auto-geradoras que se corporificam em instituições por meio de um processo de valoração e geração de significados, torna-se necessário uma aproximação com o objetivo de distinguir o que exatamente se relaciona e como estas relações são afetadas.

Assim, como nas partículas subatômicas suas propriedades só podem ser compreendidas em termos de sua interação com o restante do mundo e a consciência humana só é compreendida por meio da linguagem e do contexto social no qual ela se

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No equilíbrio existe liberdade de escolha, mas não se faz a mudança da escolha porque nas circunstancias postulados nenhuma outra escolha teria preferência.

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desenvolve, o valor não deve ser definido nem a partir do indivíduo e nem a partir da sociedade/instituição. A proposição calidoscópio permite a compreensão da esfera social com uma totalidade inter-relacionada e não como simples agregação de unidades elementares. Isto significa que não existe um começo, existe atividade, processo, interação, na qual a parte e o todo são simultâneos e só se definem um em relação ao outro.

O valor pode ser compreendido como significado do processo de aprendizagem exosomática de sua sobrevivência pelo ser humano. Isto é, relaciona-se ao modo de apreensão e apropriação do meio ambiente para a produção e distribuição dos meios necessários à existência humana valendo-se de atividades de troca e não necessariamente comerciais.

Neste sentido, as relações que interessam para a compreensão do valor não se reduzem a uma relação de meios e fins dados ou da satisfação de um único indivíduo com os meios de satisfazê-la. As relações que interessam são as relações de organização/ padrão de produção e distribuição destes meios, ou relações de troca. O que organiza as relações de troca é o processo de valoração e não o valor como um dado, como defendido por Robbins. O valor ou preferência de um indivíduo não é dado, não é algo que deve aceitar-se como imutável103 ou inquestionável. É a expressão de um processo de escolha em nível individual e social simultaneamente do como, e o porque deste como, organizar a produção e distribuição. Assim, o que está internalizado no fenômeno valor são princípios éticos, portanto normativos, de como deve-se a sociedade humana organizar-se e desenvolver-se.

O desafio é conceber e realizar este processo de forma multidimensional e multirefencial diferentemente do mercado que realiza esta organização tendo como referência apenas a expressão monetária na esfera da distribuição.

Como vimos, o padrão de redes possibilita a multidimensionalidade e multireferencialidade no processo dado que pode ser incorporado em diversas estruturas e a partir de diversos princípios de organização. A busca desta percepção plural da realidade é importante para que todas as culturas e formas de organização social possam efetivar-se e constituir-se como diversidade e riqueza da civilização humana. É a existência desta diversidade que possibilita um certo grau de liberdade de escolha intencional para os indivíduos de acordo com a relação entre seu inconsciente cognitivo e desenvolvimento da autopercepção. Isto é, cada indíviduo poderá escolher do tipo de sociedade que quer participar e recursivamente produzi-la e ser produzido por ela. A participação em uma esfera social coordenada pelo mercado deixa de ser a única opção e passa a ser verdadeiramente uma escolha.

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Todavia, no contexto da condição econômica, a produção e apropriação de bens necessários à reprodução da civilização humana não ignora sua base física e mesmo uma relação de alteridade com as outras espécies. Neste sentido, apesar de ser uma criação do espírito humano o valor só existe (se efetiva) na totalidade das interações entre as partes e o todo, das partes entre si e entre o todo e as partes. Isto é, só existe considerando a existência e a necessidade de preservação do meio ambiente. Neste sentido, podemos dizer que o valor intrínseco do meio ambiente é seu valor instrumental104. Esta percepção é coerente com o princípio da recursividade, no qual o importante é a relação de causalidade circular entre produto e produtor. Considerando o atual nível de percepção e conhecimento, a separação entre valor intrínseco (valor objetivo, ontológico, valor de si, o qual pode ser descoberto, mas não gerado por outrem) e valor instrumental (valor possuído como meio para algo) deixa de fazer sentido.

3.2.1 Fetichismo e crematística

A teoria do valor apresentada por Robbins baseia-se em pressupostos que ignora mudanças endógenas na medida em que assume que apenas a tecnologia pode modificar a escassez. Isto significa que o indivíduo não muda suas preferências a medida que o modelo vai lançando mão de hipóteses subsidiárias utilizadas no quotidiano. O indivíduo e suas preferências assemelham-se a uma caixa preta ou ao argumento newtoniano de que o movimento pode ser descrito por uma mesma e única solução em qualquer momento, pois não é passivel de interferências externas.

Um dos pressupostos mais questionáveis relaciona-se ao fato da moeda consistir apenas em um meio de troca, não sendo objeto de preferência por parte dos indivíduos. No entanto, o que observa-se na prática é que a ordenação de preferências expressa em unidades monetárias é subsumida em valores quantitativos e que a moeda não se limita a ser meio de troca, que ela mesma passa a ser um bem e que faz parte da ordenação de preferências. Isto é materializado pela existência de um mercado monetário.

As implicações da moeda como mercadoria transcendem à questão levantada pelo próprio Robbins da subsumição da utilidade marginal em termos monetários e de sua comparabilidade entre indivíduos.

A utilidade da moeda transcende ao seu papel de meio de troca de modo que ela passa a ser reserva de valor e constitui-se em um bem com mercado próprio. Podemos dizer que o valor subsumido em unidades monetárias torna-se um fetiche de modo que passa a ser percebida como algo com poderes ilimitados. Um exemplo disto são as

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estimativas de custos de redução do aquecimento global. É como se o dinheiro pudesse automaticamente gerar tecnologia capaz de absorver gases do efeito estufa. Anteriormente já foi comentada a crença dos poderes ilimitados da tecnologia, o que também representa um fetiche.

A distinção realizada pelos gregos (como na política de Aristóteles) entre “oikonomia” (a arte do aprovisionamento material da casa familiar) e a “crematística” (o estudo da formação de preços de mercado, para ganhar dinheiro), entre a verdadeira riqueza e os valores de uso, por um lado, e valores de troca, de outro, é uma distinção que hoje nos soa irrelevante porque o aprovisiomaneto material parece dar-se, sobretudo, através de transações comerciais, existindo, portanto, uma aparente fusão entre a crematística e a “oikonomia” (ALIER, 2007, p. 53).

A arte do aprovisionamento material transcende à ação individual, seu caráter coletivo e social aprofundou-se com o processo de divisão do trabalho e especialização da produção. Na regulação pelo sistema de mercado, a atividade de aprovisionamento encontra-se em segundo plano em relação à formação de preços e a esfera da circulação da produção aparece como sendo o seu lócus. A função de reserva de valor da moeda passou a sobrepor-se às funções de instrumento de troca e unidade de conta para que a valorização monetária viabilizasse a acumulação produtiva e financeira.

O dinheiro é uma convenção social instituída historicamente. Dada a existência da renda da terra, imaginou-se e convencionou-se que o dinheiro teria, ele próprio, o poder de produzir receitas anuais como a terra. Além disto, como é impossível estocar fisicamente os requerimentos para a vida em médio e longo prazo, passou-se a converter o excedente presente em dívidas sobre receitas futuras. Para Frederik Soddy (1983), o erro fundamental da economia foi confundir riqueza, uma magnitude de dimensão física irredutível, com dívida e dinheiro, convenções sociais de natureza matemática e imaginária. Diferentemente do que para ele é a riqueza real, a dívida e o dinheiro não se deterioram, não são consumidos no processo de viver e podem crescer de acordo com as leis matemáticas de juros compostos. A transformação de riqueza em dívida parece permitir um meio de esquivar-se das leis naturais da termodinâmica. Todavia, os princípios, a ética das leis e convenções sociais não podem ir de encontro às leis da termodinâmica por muito tempo.

Podemos dizer que o fetiche relaciona-se ao nível de percepção macroscópica da realidade que ignora que a mesma consiste em um processo contínuo de interatividade, ou nas palavras de Capra (2006a) de uma dança cósmica.

Neste sentido, a ausência de valoração da contribuição da natureza é uma consequência do fetiche. Como vimos anteriormente, a atribuição da geração do valor nos modelos do mainstream econômico não incorpora adequadamente a contribuição da natureza por se basear numa percepção atomista e mecaniscista da produção de riquezas. A riqueza é vista como o somatório da contribuição do capital e trabalho e o resíduo é

considerado como contribuição da tecnologia. A simplicação e redução das forças operadoras no processo de produção ignora que o valor é produzido de forma sistêmica e que o suposto resíduo é produto das interações entres estas forças. Na verdade, o valor consiste numa emergência do padrão de organização das forças participantes deste processo e não um produto que pode ser desagregado em função da participação isolada de cada uma destas forças.

As contribuições individuais para o resultado coletivo se tornam evidentemente não mensuráveis. As noções de duração e de quantidade de trabalho perdem sua pertinência. A fonte de produtividade está numa organização que promove a auto-organização e engendra externalidades positivas, ou seja, resultados que transcendem a soma de contribuições individuais (GORZ, 2005, p. 60).

Do ponto de vista sociológico, o fetiche da ordem socioeconômica atual consiste na liberdade de potenciais relações sociais indesejadas, por meio do uso do contrato105. Esta liberdade é permitida pela liquidação imediata e permanente da dívida no âmago das relações sociais por meio do uso da moeda. Trata-se de um modelo que se pretende neutro em relação a valores. Observando de forma mais detida percebe-se que:

O mercado acrescenta uma condição de funcionamento que afeta a neutralidade: sejam quais forem os valores, estes devem estar em condições de serem transformados em mercadorias, tomarem a forma de produtos que são lançados no mercado, serem mercadorizados. A liberdade é completa, com a condição de ser capaz de traduzir todos os valores, todas as crenças, todas as paixões em demanda de bens (ou serviços) de consumo (GODBOUT, 2002, p. 68).

Isto significa que existe um valor básico: o crescimento.

O homem moderno tem todas as liberdades, salvo a de não contribuir para o crescimento do PNB... Se, graças à modernidade, nos libertamos de nossos vínculos, tornamo-nos, alhures, cada vez mais dependentes de nossos bens... de nossos produtos e, sobretudo de nossa capacidade de produzir cada vez mais (GODBOUT, 2002, p. 68-69).

3.3 CRÍTICA E PROPOSIÇÕES ÀS NOÇÕES DE ECONOMIA, VALOR, RIQUEZA E