5 DISKONTERING PÅ PROSJEKTNIVÅ
5.2 Sammenveiing av Beta-anslag
Ao se falar em formação, é necessário considerar toda a trajetória de vida do professor, e não apenas pensar em formas de treiná-lo/prepará-lo por meio de propostas/programas de curso, muitas vezes, oferecidos pela escola, governo e universidades. É preciso promover um espaço em que o professor possa refletir sobre suas experiências, estudar conteúdos/temas escolhidos por ele, conforme suas necessidades, ou seja, um espaço em que ele se sinta motivado.
Muitas pesquisas na área sobre formação profissional têm como pano de fundo a ideia de desenvolvimento profissional, ou seja, concebem que a capacitação do professor para o exercício de seu trabalho é um processo que envolve múltiplas etapas e está sempre incompleto. Ponte (1998) ressalta que a formação pode ser vista de forma a favorecer o desenvolvimento profissional do professor. Da mesma forma, pode contribuir para restringir sua criatividade, sua autoconfiança, sua autonomia e seu sentido de responsabilidade profissional.
Mas, afinal, o que se entende por formação e por desenvolvimento profissional? Como esses conceitos têm sido definidos em nossa área?
O conceito de desenvolvimento profissional se aproxima do conceito de formação, mas não são equivalentes. Falar de desenvolvimento profissional implica olhar os professores sob nova perspectiva. Segundo Ponte (1995), a noção de formação está associada à ideia de frequentar cursos, enquanto o desenvolvimento profissional está relacionado ao processo, que inclui, além de cursos, participação em outras atividades, como projetos, troca de experiências, leituras, reflexões, etc. Para esse autor, a formação é um movimento de fora para dentro, no qual o professor detém o conhecimento e as informações que lhe são transmitidos. Já no desenvolvimento profissional, o movimento se dá de dentro para fora, o professor é o sujeito que toma as decisões relacionadas às questões que quer considerar. A formação procura atender principalmente às carências do professor, enquanto o desenvolvimento profissional parte de aspectos que o professor já possui, mas podem ser desenvolvidos. A formação é vista de modo compartilhado como, por exemplo, a formação inicial. O desenvolvimento profissional implica a pessoa do professor como um todo. A formação parte da teoria e o desenvolvimento profissional parte tanto da teoria como da prática, e considera ambos de forma interligada.
A formação normalmente se relaciona à ideia de frequentar cursos que buscam atender às carências do professor e alcançar resultados predefinidos. Assim, a teoria é o ponto de partida e as propostas são desenvolvidas de modo fragmentado e, muitas vezes, longe da realidade do professor, desconsiderando sua opinião, experiência e necessidades (FERREIRA, 2003). Esse conceito, entendido de forma mais ou menos rígida, por meio de etapas isoladas, quase sempre voltadas para resultados bem definidos, não representa adequadamente nossa visão. Como Ferreira (2003, p. 32), entendemos que:
o processo vivido pelo professor ao longo de sua carreira é algo maior e mais complexo, que envolve tanto a formação inicial quanto a continuada, as experiências enquanto aluno e professor, e que pode ocorrer não apenas a partir de cursos, seminários e oficinas, mas também no dia a dia, no contato com colegas, pais e alunos, nas leituras e reflexões pessoais.
Segundo Ponte (1998), a visão de desenvolvimento profissional tem sido entendida como um conceito mais amplo, que envolve a formação inicial e continuada. Além disso, considera suas experiências como aluno e professor, e sua história pessoal. O processo é mais importante que os resultados, e acontece em movimento contínuo de dentro para fora, tendendo a considerar a teoria e a prática de forma interligada.
Day (1999), citado por Ponte e Saraiva (2003), também aborda o desenvolvimento profissional num sentido amplo. Segundo esse autor, trata-se de um processo que abarca as experiências de aprendizagem do professor que lhe trazem benefícios diretos ou indiretos, e contribuições para a melhoria da qualidade de seu trabalho junto aos alunos. Dessa forma, o desenvolvimento profissional do professor se dá ao longo de sua carreira e é influenciado por crenças e valores desenvolvidos durante sua história de vida (FERREIRA, 2003).
Para Ferreira (2003, p. 36), desenvolver-se profissionalmente é “aprender a caminhar para a mudança, ou seja, ampliar, aprofundar e/ou reconstruir os próprios saberes e prática e desenvolver formas de pensar e agir coerentes”. Nesse sentido, os conceitos de aprendizagem, mudança e desenvolvimento profissional estão entrelaçados.
Como Ferreira (2003), também acreditamos que os professores trazem consigo o potencial da mudança. Aprender e refletir sobre determinada temática, muitas vezes, trazidas por eles, torna possível desenvolver uma nova cultura escolar de aprendizagem e construção coletiva. No entanto, é importante lembrar que, embora esse processo possa ser visto de fora como crescimento uniforme e contínuo, o ritmo do crescimento depende de
cada professor. Isso porque tal processo também depende do tempo, das experiências vividas, das oportunidades e da forma de pensar e agir diante dos obstáculos.
Nesse sentido, o tempo torna-se um elemento crucial, uma vez que o processo de aprender novos conceitos, mobilizar saberes e desenvolver-se profissionalmente acontece gradativamente. Concordamos com Baird (1997 apud FERREIRA, 2003, p. 36), em que o tempo “é o recurso mais importante para se alcançar a mudança e, muitas vezes, são necessários alguns anos para se implementar mudanças duráveis”.
Por outro lado, o apoio dado aos professores, o espaço para aprender e compartilhar experiências e a vivência de situações criativas que conduzam à reflexão sobre seus saberes são algumas das condições que favorecem o processo de mudança e de desenvolvimento profissional do professor.
Um ponto forte em estudos sobre os processos de mudança e de desenvolvimento profissional de professores é a reflexão. De acordo com Ferreira (2003), refletir sobre a própria prática, como aluno ou como professor, sobre seus alunos, sobre o próprio desenvolvimento profissional são exemplos disso.
Num sentido mais amplo, Ponte e Saraiva (2003) afirmam que a reflexão é um processo de longo termo, no qual o professor estrutura e reestrutura seu conhecimento prático e pessoal. Ela surge como essencial para o desenvolvimento de competências/habilidades do professor, bem como para dar-lhe confiança em sua capacidade de ‘fazer e ensinar’ Matemática. Serrazina (1998), citado por esses autores, parece concordar com Ferreira (2003), ao dizer que os professores são capazes de aprender sobre sua prática através da reflexão, uma vez que ela permite um exame de consciência de suas ações como docentes.
Assim, como nos lembra Ferreira (2003, p. 40), “o processo de desenvolvimento profissional envolve a ideia de aprender, de tornar-se sujeito do próprio processo de aprendizagem”. Dessa forma, para que o professor se desenvolva profissionalmente é preciso, sobretudo, que ele se sinta insatisfeito com seus saberes e manifeste seu desejo de modificá-los.
Mas o que é aprender? Segundo Ferreira (2003, p. 40), “aprender é alterar/ampliar/rever/avançar em relação aos próprios saberes, à própria forma de aprender e à prática pedagógica”. Como a autora, também entendemos que a mudança nem sempre
acontece rapidamente, pois depende de cada professor, de sua história de vida pessoal e profissional.
Contudo, esse processo não se torna um caminho fácil. Como Baird (1997 apud FERREIRA, 2003, p. 41), sabemos que “a mudança é difícil e exigente, e só pode dar-se com êxito quando se dão, em uma medida adequada e apropriada, os seguintes quatro fatores: tempo, oportunidade, orientação e apoio”. No entanto, como qualquer outro tipo de aprendizagem, a mudança requer a vontade/motivação de mudar e a atitude do professor. Ou seja, requer uma busca ativa de reconhecimento, avaliação e (re)construção de seus saberes e práticas de ensino.
Assim, o processo de mudança e de desenvolvimento profissional do professor só ocorre se ele estiver disposto a mudar. Ninguém consegue mudar uma pessoa se ela não se sentir à vontade para isso. A mudança normalmente vem de dentro de cada um. Por outro lado, o professor precisa estar ‘preparado’ para correr os riscos e desafios inerentes às novas situações do contexto escolar, e sentir-se motivado e mobilizado para isso.
Nesta pesquisa, entendemos o desenvolvimento profissional como um processo individual e coletivo, que envolve a aprendizagem de novos conhecimentos e habilidades do professor. Essa aprendizagem, ao longo do tempo, passa a se refletir em seu discurso, saberes e práticas. Esse processo é influenciado por aspectos pessoais, motivacionais, sociais e afetivos, e considera suas experiências, tanto como aluno, quanto como professor. Os conhecimentos e experiências prévias do professor são somados a um novo conhecimento, gerando outros saberes e influenciando sua prática.
Como Ferreira (2003), defendemos que, para o professor de Matemática desenvolver-se profissionalmente é necessário, sobretudo, que ele se sinta insatisfeito com o próprio modo de pensar (concepções, valores, saberes) e agir, e seja curioso em relação às novas maneiras de aprender e ensinar Matemática, buscando novas metodologias e propostas de ensino. Outro fator importante nesse processo é o contexto, ou seja, um ambiente de oportunidades, aberto às necessidades e anseios do professor, atento aos seus saberes e experiências, e organizado, de maneira que equilibre o tempo e o espaço necessários para que ocorra a aprendizagem.
Ao se falar em desenvolvimento profissional do professor de Matemática, é preciso também pensar nas necessidades desse profissional e conhecer suas ‘carências’, anseios e desafios enfrentados na vida escolar como um todo (como aluno e como professor). Para
enfrentar os desafios da profissão, muitas vezes surgidos a partir do avanço tecnológico e científico e das mudanças sociais, o professor precisa sempre buscar conhecimento.
O conhecimento do professor, segundo Ponte (1998), tem sido objeto de estudos e reflexões. Trata-se de um saber vindo de múltiplas origens. Apoia-se na própria experiência profissional e na (re)elaboração de seus saberes, a partir de interações com outras comunidades (como, por exemplo, matemáticos e educadores). Segundo esse autor, o conhecimento profissional é constantemente elaborado e reelaborado pelo professor, em virtude de seu ambiente de trabalho e das necessidades e desafios que vai enfrentando ao longo de sua carreira. Nesse sentido, ele ressalta que o desenvolvimento profissional, ao longo de toda a carreira, torna-se um aspecto marcante da profissão docente.
No desenvolvimento de nossa pesquisa, buscamos ‘criar’ um ambiente de estudo e reflexão no qual o professor tivesse a oportunidade de estudar Geometria, trocar experiências, falar sobre suas dificuldades e anseios. Em outras palavras, um espaço em que ele pudesse aprender a caminhar para a mudança, ampliando, aprofundando e reconstruindo os próprios saberes, ou seja, desenvolvendo-se profissionalmente.
Ao falar de desenvolvimento profissional do professor de Matemática, é importante conhecer/resgatar seus saberes. No próximo item, abordamos essas ideias e tentamos compreender como elas podem contribuir para o desenvolvimento profissional do professor.