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SAMMENLIKNING - WTO OG ANDRE AVTALER

Merleau-Ponty estava muito interessado em arte, especialmente na pintura, e viu a pintura como o fornecer de evidências na ligação primordial entre o corpo e o mundo, que não pode ser expressa em termos filosóficos. A pintura explora a nossa forma de visão apreendida em objetos do mundo de uma forma mais sutil do que qualquer filosofia ou psicologia. Ele considera Paul Cezanne um verdadeiro fenomenólogo do mundo primordial, visível na descoberta da perspetiva vivida, e não na perspetiva geométrica, mantendo-se fiel aos fenômenos. A perspetiva vivida vai direta para as próprias coisas, revela a voluminosidade do mundo e capta os fenômenos tal como eles nos aparecem a nós218. Merleau-Ponty afirma que

a perceção é fundamentalmente relacionada com a textura e o fundo. Assim, o mundo consiste em um campo de materiais correlativos, não de objetos isolados. “Essa mancha

vermelha que vejo no tapete, ela só é vermelha levando em conta uma sombra que a perpassa, sua qualidade só aparece em relação com os jogos da luz e, portanto, como elemento de uma configuração espacial. Aliás, a cor só é determinada se se estende em uma certa superfície; uma superfície muito pequena seria inqualificável. Enfim, este vermelho não seria literalmente o mesmo se não fosse o "vermelho lanoso" de um tapete”219. Deste

modo, a perceção é o perceber de algo no seu contexto, na sua relação com a envolvente, e na forma como ela existe no mundo. Uma obra de arte e também uma obra de arquitetura não é algo simples, mas sim algo fluido, que ao contrário dos objetos, têm um processo de trabalho cumprido cognitiva, corporal e socialmente, definindo o espaço e o tempo. Desta forma, não podemos imaginar uma arquitetura pura e objetiva, independente de um mundo da vida desprovido da apropriação prática e cognitiva. Por outro lado, vendo que algo está essencialmente a entrar no mundo dos seres, mostrando-se, em um campo ou horizonte, este “olhar” um objeto, é habitá-lo e a partir desta habitação, compreender todas as coisas em termos de aspeto que o apresentam220. O campo de visão, é composto por todas as coisas

presentes nesse campo. Olhar para uma coisa e perceber que dentro de um campo de coisas, estas estão inter-relacionadas. Cada objeto é o espelho de todos os outros. “Quando olho o

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MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 285),

<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.

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MORAN, D. (2000) “Introduction to phenomenology”, London, New York, Routledge, (página 405), <http://www2.arnes.si/~jlozar2/6%20FENOMENOLOGIJA%20D%20BOLONJSKI%20PROGRAM/MORAN.pdf>. Acesso em Abril de 2013.

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MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 25), <https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.

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abajur posto em minha mesa221, eu lhe atribuo não apenas as qualidades visíveis a partir de

meu lugar, mas ainda aquelas que a lareira, as paredes, a mesa podem "ver", o verso de meu abajur é apenas a face que ele "mostra" à lareira. Portanto, posso ver um objeto enquanto os objetos formam um sistema ou um mundo e enquanto cada um deles dispõe dos outros em torno de si como espectadores de seus aspetos escondidos e garantia de sua permanência. Qualquer visão de um objeto por mim reitera-se instantaneamente entre todos os objetos do mundo que são apreendidos como coexistentes, porque cada um deles é tudo aquilo que os outros "veem" dele”222. Portanto, o horizonte é aquilo que assegura a identidade do objeto no

decorrer da exploração, é o correlativo da potência próxima que o nosso olhar conserva sobre os objetos que acaba de percorrer e que já tem sobre os novos detalhes que vai descobrir. Uma recordação apenas apresenta uma síntese provável, enquanto que na perceção se apresenta como efetiva. A estrutura objeto-horizonte, ou seja, a perspetiva, não nos perturba quando queremos ver um objeto, uma vez que se ela é o meio que os objetos têm de se dissimular, é também o meio que eles têm de se desvelar223. “Ver um objeto é ou possuí-lo à margem do campo visual e poder fixá-lo, ou então corresponder efetivamente a essa solicitação, fixando-o. Quando eu o fixo, ancoro-me nele, mas esta "parada" do olhar é apenas uma modalidade de seu movimento: continuo no interior de um objeto a exploração que, há pouco, sobrevoava-os a todos, com um único movimento fecho a paisagem e abro o objeto”224.225

No âmbito da perceção espacial Merleau-Ponty faz referência a dois conceitos, "campo visual" e "mundo visual", definindo-os. O campo visual é uma imagem bidimensional, sem profundidade espacial, sem qualquer objeto de identificação e sem qualquer significado. Na verdade, é uma representação do que está contra o homem na sua retina, pois este está limitado a um quadro e dificilmente o transcende226. Enquanto que o mundo visual é criado

através da identificação dos pontos como certas coisas em um determinado espaço, identificando figuras contra um fundo, em um espaço, criando um mundo. Imagine-se como um observador que se move em redor das circunstâncias e percebe de forma permanente. Deste modo, as coisas têm funções e significados, têm a sua própria história mundial, de existência no espaço e tempo). Na perceção de um cubo, por exemplo, nunca vemos as suas seis faces ao mesmo tempo, mas apenas três delas. As faces que não vemos, não deixam de

221 Ver diagrama 9, “O objeto e a sua inter-relação com as coisas“.

222 MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 79),

<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.

223 Idem, (página 80). 224 Idem, (página 78).

225 Ver diagrama 10, “A perceção como uma síntese efetiva”.

226 MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) – “Phenomenology of Perception”. London : Routledge, (página 24),

<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.

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O objeto e a sua inter-relação com as coisas. Este diagrama simplifica o pensamento descrito por Maurice Merleau-Ponty na página 105 do seu livro “Phenomenology of Perception” (1962). Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim

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A perceção como uma síntese efetiva.

Este diagrama simplifica o pensamento descrito por Maurice Merleau-Ponty na página 104 do seu livro “Phenomenology of Perception” (1962). Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim

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estar ali no momento em que observamos o cubo227. Uma superfície percebida sempre

aparece sobre um fundo de mundo. E quando se passa da figura ao fundo, este se torna figura, e a figura, fundo. Por meio dessas investigações, além de outras fornecidas pela

Gestalt, Merleau-Ponty afirma que “uma figura sobre um fundo é o dado mais simples que podemos obter”228. Isso quer dizer também que uma superfície verdadeiramente homogênea

ou uma muito pequena, ou seja, que não possam se mostrar como figura sobre um fundo, não podem ser percebidas. Dada essa descoberta, Merleau-Ponty afirma que perceber, ao contrário do que os clássicos supunham, “é apreender um sentido imanente ao sensível antes de qualquer juízo”229. O que quer dizer que a relação original entre corpo e mundo não é da

ordem do pensamento, mas da experiência percetiva, a qual se realiza numa esfera que é pré-reflexiva.