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8. SAMMENLIKNING AV RESULTATER

A responsável primeira pela formação dos estudantes que participam do projeto Bolsa Alfabetização é a Instituição de Ensino Superior em que cursam Pedagogia: as Faculdades Integradas Copérnico.

As Faculdades Integradas Copérnico localizam-se em um município da Grande São Paulo que conta com outras dez Instituições de Ensino Superior e Tecnológico.

Trata-se de uma instituição privada, que oferece cursos de licenciatura, bacharelado e tecnológicos, tendo iniciado suas atividades em 2000.

O município tem população estimada de 1.283.253 habitantes, “parte significativa” considerada de baixa renda, apesar de situar-se como a 2ª. maior economia do estado de São Paulo e a 9ª. economia dentre as cidades do Brasil, de acordo com o documento da Conferência Municipal de Educação – Plano Municipal de Educação. Este contexto sócio- econômico reflete-se diretamente no perfil dos sujeitos desta pesquisa, como veremos adiante, fazendo com que a bolsa de estudos oferecida em contrapartida à participação no projeto Bolsa Alfabetização represente um importante atrativo para o ingresso dos estudantes no projeto.

O curso de Pedagogia das Faculdades Integradas Copérnico foi autorizado pela Portaria 1.075 de 21/10/2005 e reconhecido pela Portaria n. 3.835 de 08/11/2005.

As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Pedagogia, de 2006, propõem que o curso de Pedagogia seja organizado em três núcleos:

1. Estudos básicos

2. Aprofundamento e diversificação de estudos 3. Estudos integrados para enriquecimento curricular

Por outro lado, não determina um “currículo mínimo”, deixando às instituições relativa autonomia para traçar sua proposta curricular.

Os três núcleos indicados pelas Diretrizes estão presentes na organização do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas Copérnico, que a partir de 2006 foi organizado em sete semestres.

Contrariando as tendências atuais dos debates sobre currículo, que defendem organizações menos fragmentadas, com proposições inter e transdisciplinares, observamos que o curso apresenta uma organização curricular eminentemente disciplinar.

Os alunos cursam, ao longo de sete semestres, 53 (cinqüenta e três) disciplinas, além de cumprirem a carga horária referente a atividades teórico-práticas, laboratórios/ projetos interdisciplinares e estágio supervisionado.

O número de disciplinas desta licenciatura remete à analise dos cursos de Pedagogia no Brasil empreendida por Gatti e Nunes. As autoras constataram uma grande variedade de nomenclaturas de disciplinas oferecidas, que relacionaram à tentativa das instituições de dar aos cursos um enfoque próprio, adequado à sua vocação. Dentre as 71 instituições pesquisadas foram encontradas 3.107 disciplinas obrigatórias e Gatti calculou uma média de 44 disciplinas obrigatórias por curso. Considerando a carga horária prevista, a autora aponta para uma “característica fragmentária” da formação, “com um conjunto disciplinar bastante disperso” e poucas conexões entre as disciplinas (GATTI; NUNES, 2008, p.20).

O número de disciplinas oferecidas pela IES em questão está um pouco acima, portanto, da média encontrada por Gatti.

Observa-se, no entanto, uma relativa articulação ou continuidade entre disciplinas de diferentes semestres, como por exemplo, em Prática Pedagógica (oferecida nos cinco primeiros semestres), Didática (presente nos quatro primeiros semestres) e nos estudos referentes à aquisição e desenvolvimento da linguagem oral e escrita (Fundamentos Metodológicos da Alfabetização e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa), especialmente relevantes para esta tese.

Especificamente em relação à alfabetização, o curso oferece um conjunto seqüenciado de disciplinas, composto por dois semestres de Fundamentos Metodológicos da Alfabetização, além de um semestre voltado para Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, para alunos do quinto semestre.

Esse referencial parece ser importante para os estudantes que participam do projeto Bolsa Alfabetização e em suas entrevistas eles mencionam a articulação que lhes é possível

fazer entre o que aprendem na faculdade e o que vivenciam e aprendem nas salas de aula em que atuam.

O curso de Pedagogia buscou uma estratégia para romper com a fragmentação curricular promovendo semestralmente projetos com uma temática interdisciplinar, discutida por todas as turmas a partir de diferentes enfoques. Como exemplos dos projetos desenvolvidos nos últimos semestres, foram realizados projetos sobre “Ecopedagogia”, “Políticas Públicas” e “Ensino Fundamental de Nove anos”. Recentemente, a instituição propôs ao conjunto de cursos a realização de um Projeto Interdisciplinar de Pesquisa e Aprendizagem (Pipa).

O curso de Pedagogia, a partir de 2008, passou a ser oferecido em seis semestres para os alunos matriculados a partir de então. A carga horária e a distribuição das disciplinas não sofreram alterações significativas, uma vez que uma parcela do curso foi oferecida na modalidade à distância: a cada semestre, duas disciplinas são cursadas em EaD (Educação à distância), em geral sob orientação dos mesmos professores que as ministram ou ministravam presencialmente.

Essa redefinição ocorreu em consonância com o proposto pelo Ministério da Educação, que prevê que até 20% do total da carga horária dos cursos presenciais possa ser oferecida à distância.

Em relação aos conteúdos referentes à alfabetização, houve um acréscimo de 36 horas para essa disciplina, cuja oferta agora inicia-se no segundo semestre.

Essa ênfase em conteúdos como a alfabetização pode ser compreendida em função das pressões da sociedade que demanda uma formação voltada para as necessidades mais diretas da atuação do professor (atividade de ensino), bem como a urgência de solucionar um dos problemas crônicos da educação brasileira: a alfabetização inicial.

Nesse sentido, além dos conteúdos referentes à metodologia da alfabetização, os alunos de Pedagogia cursam metodologias do ensino de Matemática (dois semestres), do ensino de História e Geografia, do ensino de Artes, Educação Física e Ciências Naturais.

Para Sacristán, a formação de professores envolve diferentes tipos de conhecimentos, dentre os quais destaca a importância do conhecimento dos conteúdos do currículo (2000, p. 190). Para ele, as diferentes áreas do currículo colocam problemas particulares, em função de sua singularidade. Com um conhecimento mais aprofundado em relação a um determinado campo de conhecimento, os professores poderiam depender menos de materiais didáticos “que dão, em muitos casos, visões empobrecidas do que é uma área do conhecimento” (SACRISTÁN, 2000, p. 185).

Isso é especialmente relevante no que diz respeito à alfabetização, em que os materiais didáticos – as cartilhas – são sobejamente considerados insuficientes para uma efetiva aprendizagem e as concepções agora defendidas (apoiadas na Psicogênese da língua escrita) não constituem um “método” a ser seguido pelos professores alfabetizadores.

Finalmente, cabe apontar que, na instituição, a participação das alunas em projetos como o Bolsa Alfabetização e outros semelhantes pode ser convertida em horas de estágio curricular, o que atende ao perfil das alunas, que necessitam realizar atividades remuneradas para permanecerem estudando e apresentam dificuldade em conciliar outros empregos com a obrigatoriedade da realização de estágios.

Além dos reflexos financeiros, o fato da instituição favorecer a participação dos estudantes nesse tipo de atividades contribui para atender ao que é proposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso, que aponta como objetivo do “núcleo de estudos integradores”, o “enriquecimento curricular”, que inclui a participação em “atividades práticas, de modo a propiciar vivências, nas mais diferentes áreas do campo educacional, assegurando aprofundamentos e diversificação de estudos, experiências e utilização de recursos pedagógicos” (BRASIL, 2006, p.4).

3.2Segundo plano do cenário: as Escolas Públicas que recebem os estudantes de