3. Metode
3.2 Sammenlikning av antall dødsfall og antall legemiddelbrukere med resept
Diário de Bordo
Nome : Sandra Daniela Silva
Data: Terça, 23 de Janeiro de 2018
Experiência/atividade/situação: Turno de intervenção no Hospital do Porto (12h30 às 15h00)
Objetivos de observação do dia:
Observação
Mais um dia de turno no Hospital do Porto. Mal cheguei, fui espreitar quais eram as crianças que estavam nos quartos, e para meu espanto a J.S. ainda continuava internada. Antes de ver se queria a minha companhia, fui explorar os restantes quartos, na esperança de encontrar mais crianças/famílias que precisassem de mim. Mas tal, não aconteceu, uma vez que os restantes se encontravam a dormir. Achei que era também positivo para mim, continuar a criar ligação com a mãe da J.S., porque ela já tinha desabafado muito comigo e abordado temas muito importantes relacionados com os cuidadores. Bati à porta e entrei no quarto, a mãe encontrava-se sentada na poltrona a mexer no telemóvel, e a J.S. estava deitada na cama a ouvir música no tablet. Depois de tentei perceber como se sentiam hoje, a mãe da J.S. fez logo questão de dizer que a filha estava de castigo porque tinha tido um comportamento muito mau. Perguntei à J.S. “Então? O que aconteceu para a mãe estar a dizer que te portaste mal?” e ela respondeu: “Nada. Não fiz nada”. Nesse momento, como a porta do quarto estava entreaberta, a mãe da J.S. viu alguém a aproximar-se, chegou perto da porta e disse: “Venha cá. Venha cá que a J.S. quer falar consigo”. Mal entrou no quarto, a J.S., em tom muito baixo, fez questão de dizer: “Desculpe. Peço mesmo desculpa”. Naquele momento fiquei confusa, não estava a perceber o que se estava a passar e o porquê da J.S. estar a pedir desculpa aquele senhor. Calculei que fosse um enfermeiro, porque da forma como estava vestido era o que me aparentava. Nisto, a resposta que a J.S. teve foi: “Não faz mal. Sabes que eu só quero o teu bem, sei que custa, mas isto é para ficares boa rápido. Amanhã já te vais portar melhor, sim?”. A J.S. acenou com a cabeça, a mãe voltou a fazer um pedido de desculpa, e ele acabou por ir
embora. Antes que eu perguntasse o que quer que fosse, a mãe voltou-se para mim e disse: “Sabe Daniela, a J.S. hoje portou-se muito mal com o fisioterapeuta. Não estava a ajudar a fazer os exercícios, e disse que ele era mau. Eu fiquei muito triste com ela, não pode andar a dizer essas coisas a quem gosta e se preocupa com ela, não está a ser boa menina”. Eu olhei para a J.S. e disse-lhe: “Então J.S.? O que aconteceu? O importante agora é que percebeste que isso não se faz, e pediste desculpa. Amanhã já te vais portar muito melhor, que eu sei”. A mãe prontificou-se logo a dizer: “Aí vai, vai! Porque aqui não há meninas mal-educadas. A educação não se perdeu só por estar doente. Ficou de castigo durante a manhã, e não deixei que nenhum voluntário viesse brincar com ela. Sei que é isso que ela gosta, e então teve de ser. E tinha de pedir desculpa ao fisioterapeuta, se não amanhã voltava a não brincar com os voluntários”.
Concordei com a mãe, senti mesmo que a intervenção dela foi importante, para a J.S. perceber que há limites que não se podem passar, mesmo estando doente. Só consegui brincar mais um bocado com a J.S., porque depois ela adormeceu, senti que estava mesmo muito cansada. Quando a mãe viu que ela estava a dormir disse-me: “É complicado. Também não gosto de ser assim para ela, e pôr de castigo... Mas tem de ser. Se não como é que ela aprende? A Daniela não está a ver a minha cara quando ela começou aos berros a chamar o fisioterapeuta de “mau” e a pedir para ele ir embora... Eu sei que é doloroso para ela, tentar começar a ganhar força nas pernas novamente, mas assim não pode mesmo ser. Isso não permito”. Perguntei à mãe se desde que a J.S. estava doente, esta era a primeira vez que tinha ficado de castigo, e a mãe explicou que sim. “Eu sei que os tratamentos são agressivos e que também a deixam irritada, mas isso não pode ser desculpa. Eu não quero que a minha filha ande aí, a gritar comigo e com os outros profissionais, como vejo outros meninos a fazer. Ela tem que falar para a mãe, com educação. Ainda no outro dia assisti a uma cena, que nem lhe digo... A minha filha não tinha hipótese de me fazer uma dessas! Eu gosto muito da J.S., ela é tudo na minha vida, mas abusar também não”. Respondi à mãe que era mesmo muito importante ela ter essas noções, uma vez que como cuidadora da J.S., ao estar a reagir assim às atitudes que ela tem, só está a fazer com que todos os comportamentos venham a melhorar, e a J.S. consiga distinguir o certo do errado. A mãe explicou-me que é assim com a J.S., e com o outro filho, e não gosta mesmo que eles percam a educação, porque ela também sempre teve uma educação muito exigente, porque o pai era da GNR e não deixava que os filhos passassem a linha. “Temos tido a ajuda dos voluntários da Associação durante a recuperação e depois nas consultas. São eles que tomam conta dos nossos filhos para termos um pouco de relaxamento, coisa que ao
longo deste tempo temos tido muito pouco” a mãe da J.S. mencionou isto quando explicava a importância que os voluntários têm na vida dela e na da sua filha. “Uma vez que a J.S. não pode sair do quarto, quando chega algum voluntário para brincar com ela, ela delira. E isso sabe bem...”.
Estava a aproximar-se a minha hora de saída, despedi-me da mãe da J.S., passei nos outros quartos para ver se alguma outra criança estava acordada, ou se os pais precisavam de alguma coisa e acabei por me ir embora.
Contratempos
(problemas, dificuldades, inseguranças, dúvidas…) Desafios profissionais
(tomadas de decisão, planos, (re)formulações, reflexões, novos conhecimentos, mudanças…)
Uma vez que já fazia voluntariado no IPO do Porto, antes de começar a minha intervenção no âmbito do estágio, já tinha observado de perto vários cenários no que diz respeito às crianças com doenças oncológicas e a interação que os cuidadores têm com elas. Nunca tinha acontecido ter visto uma criança de castigo, por qualquer motivo, os pais sempre foram dizendo que era muito difícil criar regras e hábitos, numa rotina diferente e tão dolorosa, como era a de estar com uma doença. Desde que conheci a mãe da J.S, que a achei uma senhora com uma coragem e determinação incrível, pela forma com que ela sempre falou e por tudo aquilo que fazia pela sua filha. Senti que ao mesmo tempo que ela dava muita educação à J.S., mas também lhe explicava o porquê de as coisas estarem a ser assim.
Registo autobiográfico
Expressões e Sentimento(s) do dia