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Sammenligninger med andre land i Europa

In document Narkotikautløste dødsfall (sider 48-72)

Ao refletir sobre a dimensão do projeto do Google Books, que objetiva digitalizar e disponibilizar livros digitais das mais importantes bibliotecas do mundo tem-se a primeira ideia que a empresa está, de fato, contribuindo para a disseminação do conhecimento. Todo leitor com um dispositivo digital conectado à internet terá condições de acessar o acervo de

Em 2013, após a permissão para dar continuidade no trabalho de digitação, o

Google não divulgou as possíveis formas de remuneração para oferecer esse acesso. O projeto tem enorme capacidade de digitalização e é possível que, em alguns anos, já tenha digitalizado livros de bibliotecas ao redor do mundo, não limitando-se somente àquelas pertencentes aos Estados Unidos.

O que podemos esperar? Ainda não é possível afirmar, mas pode-se imaginar o surgimento de uma biblioteca digital universal com livros de diversos países do mundo, cuja empresa detentora de tamanha quantidade de conhecimento da humanidade disponibilizará acesso ao acervo, mediante cobrança de uma assinatura.

Neste contexto, observa-se a existência de duas forças de igual intensidade em sentidos opostos, sendo de um lado o benefício que o projeto traz à sociedade e do outro lado a insegurança de ter a riqueza de conhecimento em poder de uma única empresa privada que poderá deliberadamente deixar de oferecer tal acesso. Que empresa ou lei nos dias de hoje têm fôlego financeiro ou embasamento jurídico que possa impor certos limites ao Google? Até o momento a empresa tem permissão judicial para seguir com seu objetivo.

Retornando a Roger Chartier (2009, p. 117), o sonho da biblioteca universal existe desde a época de Alexandria. Ter todos os livros e todos os textos reunidos em um único lugar excitava a imaginação da biblioteca sem paredes. Mas isso era ceifado com as coleções particulares ou de príncipes na época. Com o texto digital, o sonho da biblioteca universal volta a ser possível.

Com o texto eletrônico, a biblioteca universal torna-se imaginável (se não possível) sem que, para isso, todos os livros estejam reunidos em um único lugar. Pela primeira vez, na história da humanidade, a contradição entre o mundo fechado das coleções e o universo infinito do escrito perde seu caráter inelutável. (CHARTIER, 2009, p. 117)

Com o projeto do Google Books, ainda que os livros estejam disponíveis no banco de dados do Google, e que exista, de certa forma, a permissão de acesso a eles, fica a dúvida: se o acesso a coleções raras será administrado pela empresa, será que todos terão realmente permissão de acesso a textos desse valor? Mesmo que o acesso seja concedido mediante alguma forma de pagamento, será o que o Google realmente disponibilizará

acesso a todo o acervo ou fará restrições se assim decidir? Esse controle estará unicamente em poder do Google.

A liberação de livros digitais deve continuar sendo oferecida por diferentes tipos de empresas como as editoras cuja produção de livros digitais entrou no foco da indústria editorial, por bibliotecas on-line, por livrarias e, entre outras, por empresas como o Google. Para o autor John B. Thompson que analisa o mercado editorial em seu livro Mercadores da Cultura, reflete sobre a frase de que “o conteúdo do livro é separável da forma” (THOMPSON, 2011.p. 364). A partir dessa afirmação, podemos compreender que a digitalização do conteúdo de um livro permite a dissociação da sua forma quando ele afirma:

A digitalização de conteúdo simplesmente realça uma característica que sempre fez parte do livro, mas que ficou obscurecida pela equilibrada união de conteúdo e forma em um objeto físico específico. Ela acentua mais claramente o fato de que o verdadeiro valor do livro está no conteúdo, mais do que na sua forma física – daí o sempre repetido slogan associado à revolução digital: “o conteúdo é rei” (THOMPSON, 2011. p. 364)

Com isso, entendemos que o fornecimento do conteúdo do livro no formato digital transforma a cadeia de fornecimento assim como o modelo financeiro de publicação de livros. No caso do fornecimento de livros pelo Google, o modelo tradicional financeiro para aquisição de livros também poderá sofrer transformações se pensarmos a aquisição do livro nos mesmos moldes da aquisição de música – aquisição do direito de uso/acesso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O consumo do livro analisado a partir das interações de leitores nas redes sociais e das mobilizações do comércio eletrônico permitiu compreender como as transformações digitais modificaram a prática da leitura e as formas de aquisição de livros.

A Amazon, o Google Books e o Goodreads se mostraram estar enfrentando um momento de adaptação no que tange a produção, comercialização e distribuição de livros, principalmente os digitais, no intuito de acompanhar as práticas de consumo dos leitores. Algumas dessas adaptações podem ser exemplificadas: quando a Amazon apresenta ao mercado novas versões do Kindle, ou ainda quando, vez ou outra, anuncia promoções nos preços dos livros digitais. Outro exemplo que pode ser citado em relação a essas adaptações é a integração do Goodreads com a interface do Facebook. Essa interação permite que usuários da primeira rede organizem seus livros listados numa timeline do

Facebook.

O papel comunicacional das redes favorece o consumo do livro quando analisamos as interações dos leitores conectados. Percebe-se que esses leitores dispensam um esforço na divulgação do que se está lendo e na colaboração com outros leitores a partir da troca de livros digitais. Informações sobre livros, classificação e comentários feitos por membros do Goodreads, promovem a interação entre os participantes. Publicação de resenhas no

Google Books colabora para a construção do conhecimento e interação com o livro.

A atenção de empresas, como o Google, Amazon, o Goodreads, e até mesmo do

Facebook voltada para as práticas de consumo do livro e para os processos comunicacionais das redes, sugere algumas das mobilizações do comércio eletrônico e das redes sociais apontadas no decorrer da pesquisa. Nesse contexto, fatos como a compra do

Goodreads pela Amazon, a inclusão de uma área para “guardar” livros na timeline do

Facebook, a vitória judicial do Google na conquista do direito de digitalizar livros de importantes bibliotecas e o lançamento da loja on-line do Google, o Google Play. Todos esses acontecimentos sinalizam o enorme potencial que as interações dos leitores têm no ambiente digital.

A atividade dos leitores no ambiente digital induz mobilizações comerciais dessas empresas na tentativa de conquistar a atenção desses consumidores de livros. Neste sentido, empresas buscam encontrar uma forma de aproximação dos leitores, tomando como principal fonte de informação os próprios diálogos em rede.

A análise dos estudos de caso elucida uma classificação dos diálogos que ocorrem nos ambientes digitais estudados (redes digitais e comércio eletrônico) em torno do consumo do livro.

Observou-se que não existe um caminho linear para diálogos dos leitores nas redes. Esses podem se iniciar a partir de qualquer local da rede. Por exemplo, um depoimento publicado nos comentários do livro na própria Amazon, uma consulta nos grupos de leitores das redes sociais digitais: “Que livro de ficção científica vocês recomendam?”, uma pesquisa no Google, um alerta do aplicativo do Goodreads no celular do que outra pessoa acabou de ler. Ou seja, a narrativa das redes pode se iniciar em qualquer ambiente do ciberespaço e terminar também em qualquer outro lugar.

Este é um dos desafios para os atuantes no mercado de livros. Estar justamente onde o consumidor de livros está e captar sua atenção neste momento.

Quanto às tecnologias para produção de livros eletrônicos e seus dispositivos de leitura, estas ainda precisam evoluir. A leitura na tela ainda precisa ser melhorada para oferecer mais conforto ao leitor. A Amazon tem dedicado esforço na melhoria do seu dispositivo, o Kindle, incluindo uma lanterna na segunda versão do aparelho, por exemplo. Mesmo que alguns leitores tenham se adaptado ao livro digital, para as leituras mais extensas, o suporte impresso parece ser o preferido. Para Bill Gates, empresário da

Microsoft:

“Ler na tela ainda é uma experiência vastamente inferior à leitura em papel. Mesmo eu, que tenho telas caríssimas e gosto de me considerar um pioneiro do estilo de vida na web, prefiro imprimir qualquer coisa que passe de quatro ou cinco páginas. Assim posso carregar o texto comigo e fazer anotações. E a tecnologia ainda precisa avançar bastante para se igualar a esse nível de usabilidade. (DARNTON, 2009, p. 87)

De forma distinta do impresso, anotações podem ser feitas no livro digital por meio de grifos em cor na parte do texto ou adicionando comentários. No digital o dedo funciona como a caneta marca texto, pois ao passar o dedo no trecho que se quer marcar, este fica marcado na cor amarela da mesma forma que nas páginas em papel. A diferença é a busca por anotações feitas. No impresso basta folhear, no digital é necessário fazer uma busca. São adaptações necessárias na prática da leitura exigidas pelo suporte adotado.

A questão que fica ainda sem resposta, está ligada ao sonho da biblioteca mundial projetada inicialmente pelo Projeto Gutemberg e depois pelo Google. Como será o acesso aos livros nos próximos anos? Se o objetivo é disseminar o conhecimento disponibilizando livros no ambiente on-line, como esse conhecimento chegará a pessoas que não podem pagar uma assinatura para ter direito ao acesso? Em 2011 a Biblioteca Pública Digital (Digital Public Library of America59) possuía cerca de mais de 2,4 milhões de itens60e

ainda oferece acesso gratuito, sem a exigência de cadastro prévio, ao banco de dados composto por arquivos de museus e bibliotecas dos Estados Unidos que estão sob Domínio Público.

No Brasil há alguns acervos digitais ainda não tão expressivos se comparados aos acervos americanos. A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin61, da Universidade de São Paulo (USP), deu os primeiros passos nessa direção. Em 2011, a biblioteca desenvolveu um sistema para implantação e gerenciamento de bibliotecas digitais.

Ainda não é possível prever o que acontecerá em relação ao projeto do Google. Com o acordo já definido judicialmente, o que poderemos acompanhar é o avanço para digitalização de livros de bibliotecas de outros países que ainda não estão inclusos do projeto e aguardar para as possibilidades de acesso que serão fornecidas.

Quanto ao acesso aos livros digitais, outras iniciativas foram encontradas que oferecem acesso sem que se tenha que recorrer, ao banco de dados do Google, por exemplo, as bibliotecas on-line de universidades ou mesmo o já citado Fogotten Book.

59 Digital Public Library of America – disponível em <http://www.dp.la/> Acesso em 20/03/2014.

60 Dados extraídos da matéria: Uma Nova Alexandria – Revista Época, n. 778 de 22 de abril de 2013. Autora: Amanda Polato.

Contudo, observou-se no decorrer da pesquisa, que interações dos leitores nas redes sociais incluem, ainda de esteja fora das questões legais de direitos autorais, a troca de livros dentro de grupos presentes nas redes. As plataformas permitem a criação de grupos com possibilidade de upload e download de arquivos sem atentarem para a origem dos livros como se pode notar na figura a seguir:

Figura 25: Grupo “Livros em Inglês” para troca de livros no Facebook

Fonte: Facebook

Neste grupo mencionado, acontece a livre troca de livros. Membros podem disponibilizar seus livros fazendo o upload e pode buscar e baixar outro que esteja disponível para download.

Essa pesquisa estudou o livro como mídia e suas ações na cultura. O que constatamos é que o livro impresso se mantém o formato preferido entre leitores que desejam guardar seus livros. Mesmo aqueles que mantêm os livros digitais em bibliotecas portáteis – o e-readers, percebe-se que há uma movimentação de adição e subtração dos livros digitais nesses dispositivos quando se observa que alguns livros são apagados para a adição de novos títulos.

Outro fator observado nessa pesquisa é que o processo de compra do livro também sofreu transformações. Livros digitais são parcialmente disponibilizados pela Amazon e pelo Google Books e essas partes ou trechos funcionam como uma espécie de “vitrine” para os leitores, que podem consulta-las antes de efetivamente fazer o investimento na compra do livro. Fazendo uma analogia, é a mesma atitude do consumidor que folheia o livro na livraria para ver se há interesse antes de se dirigir ao caixa.

Essa pesquisa investigou os livros, o consumo, o comércio eletrônico e as interações do consumidor nas redes sociais. Temas que, mesmo sendo já muito amplos, abrem diversos novos caminhos de investigação e possibilidades para futuras pesquisas, por exemplo: os progressos tecnológicos dos dispositivos de leitura contribuirão para a prática da leitura ou fortalecerão os dispositivos de controle que restringirão ainda mais o compartilhamento e distribuição de livros baseados nas discussões dos direitos autorais? A indústria editorial conseguirá definir acordos que contribuam com empresas de digitalização e distribuição de livros? O consumo do livro digital caminha para os mesmos fins que tiveram a comercialização de músicas?

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