• No results found

Sammenligning av resultater med konklusjoner i rapporten ”Evaluering av konkurran- konkurran-seutsetting av drift og vedlikehold i Statens vegvesen”

8. BAKGRUNN, METODE OG DATAKILDER

9.15 Sammenligning av resultater med konklusjoner i rapporten ”Evaluering av konkurran- konkurran-seutsetting av drift og vedlikehold i Statens vegvesen”

Krausmann (2009) destaca três fases distintas desde o início do século passado para a dinâmica do consumo de materiais com base na taxa de crescimento do consumo. Durante a primeira metade do século XX, o uso de materiais ampliou-se de forma bastante modesta, basicamente porque a crise econômica da década de 30 prejudicou o consumo em escala global. A

11 Darwin (1992) em seu estudo sobre a indústria de madeira em algumas regiões do Pacífico, apontou que não

obstante à presença de tecnologias capazes de minimizar a utilização de matérias-primas e insumos entre 1950 a 1985, a demanda de madeiras e derivados aumentou fortemente. O autor menciona que uma maior eficiência produtiva poderia reduzir os custos da indústria e ampliar o consumo. O crescimento do consumo no período, contudo, foi proporcionalmente maior que os ganhos de eficiência.

Figura 2.3 mostra taxas de crescimento reduzidas até o fim da década de 50, porém um crescimento pouco superior para combustíveis fósseis12. Após este período, o consumo de materiais teve um crescimento acentuado, uma expansão quase sempre superior a 4% a.a, sobretudo para minerais usados na construção. Os anos de 1973, 1979 e 1988 foram caracterizados, entretanto, por reduções na demanda de materiais, em resposta aos impactos dos choques de petróleo que afetaram o nível de atividade econômica. Os anos 2000 marcaram uma nova guinada no consumo de materiais. Esta reviravolta resultou, em 2005, em um nível de consumo mundial de cerca de 59 bilhões de toneladas de minerais usados na construção.

Figura 2.3: Evolução do Consumo de Materiais

Fonte: Krausmann (2009).

Em relação aos aumentos nas quantidades de materiais extraídos do meio ambiente, Krausmann (2009) ressalta no período 1900-2005, a extração relativamente elevada de minério de ferro (85%) em relação aos demais metais, como cobre (1,6%) e alumínio (6,6%). Verificou-se

12 Dentre os materiais analisados por Krausmann (2009) estão: biomassa (resíduos agrícolas, madeira, forrageiras e

gramíneas), combustíveis fósseis (carvão petróleo, gás natural e turfa), minerais para construção (cimento, areia e cascalho) e minérios e minerais industriais (44 tipos de minérios e 33 minerais industriais, como minério de ferro, alumínio, chumbo, zinco, níquel e cobre).

Minerais para construção Minérios e minerais industriais Combustíveis fósseis Biomassa B il h õe s de t on .

reduções na extração de carvão mineral em favor de aumentos de petróleo e gás natural e, desde meados da década de 70, reduções expressivas na extração de madeira. Steinberger et al (2010) examinaram a correlação entre população, PIB e extensão geográfica para as categorias de materiais mostradas na Figura 2.3 e constataram que o consumo de minerais para construção e biomassa é mais fortemente correlacionado à população do que os combustíveis fósseis. Todas as categorias seriam significadamente relacionadas ao PIB e, apesar da participação da biomassa diminuir com o aumento da renda per capita, países ricos continuariam consumindo mais biomassa do que economias menos desenvolvidas. Além disso, o consumo de combustíveis fósseis apresentaria uma baixa associação com a extensão territorial.

As elevações recentes na demanda de materiais intensificaram as discussões do consumo de longo prazo sobre as economias. No curso do desenvolvimento econômico, grandes transformações produtivas e ambientais ocorreriam na economia mundial se, em um futuro próximo, os países mais pobres atingissem o mesmo padrão de consumo de economias desenvolvidas. Neste sentido, Heiskanen et al (2001) mencionam que 1/5 da população mundial que compõe os países ricos consome cerca de 4/5 dos recursos naturais extraídos. Ainda que em termos relativos os países desenvolvidos estivessem dissociando o crescimento econômico do consumo de materiais básicos, o nível de consumo absoluto estaria crescendo consideravelmente. Esta visão é sublinhada por Ayres (2008), que sustenta que a demanda para muitos materiais continua a crescer em termos absolutos de forma mais acentuada que o próprio crescimento populacional, o que seria parcialmente explicado pela maior necessidade de infraestrutura de transporte (HERMAN et al, 1989).

Uma análise realizada por Vries (2006) entre 1971 e 2000 comprovou intensidades do uso variadas em função do PIB per capita para os países e blocos econômicos, conforme pode ser visto na Figura 2.4. As tendências de desmaterialização não necessariamente se manifestam para os vários materiais ao mesmo nível de renda. A hipótese de um formato em U invertido para a curva de intensidade do uso não implica que os pontos de máximo ocorram ao mesmo nível de PIB per capita para os vários materiais. Enquanto para aço e madeira os pontos de máximo a partir do qual a intensidade do uso passaria a se reduzir já teriam sido atingidos, em polímeros e papel, ainda haveria espaço para a difusão do consumo, com a intensidade do uso tendendo a cair a um maior nível de renda. Na América do Norte, Vries (2006) constatou uma saturação do consumo do aço em níveis entre 400 e 500 kg/hab., com uma renda per capita situada em torno de US$ 25.000

a preços constantes de 1995. A demanda por aço proveniente da indústria automobilística e do setor de máquinas seria um dos principais determinantes da intensidade do uso do produto nesta região (VRIES, 2006). Por outro lado, em países menos desenvolvidos, a intensidade do uso seria particularmente crescente no caso de madeira, cujo consumo per capita se mostra bastante reduzido em economias maduras. Na China, por exemplo, a intensidade do uso para alguns materiais é bem superior aos EUA. Mesmo em polímeros que constituem uma categoria de materiais dotada de maior dinamismo tecnológico, a intensidade do uso para a China é bastante elevada, em torno de 0,006 kg/US$. Países situados no norte e sul da África e no Oriente Médio vêm apresentando aumentos na intensidade do uso para cimento, um material básico cujo ponto de saturação já foi atingido em economias desenvolvidas e para o qual a China também já aparenta sinal de redução do consumo.

Evidências para o consumo de materiais para o México permitem, não obstante, vislumbrar as características de uma economia que se encontra em etapas intermediárias de desenvolvimento. Em 1970, a quantidade de materiais consumidos pela economia mexicana era somente 1/3 da quantidade consumida no ano de 2003 (MARTINEZ, 2007). Grande destaque é atribuído ao consumo de materiais usados na construção (47% do total de material consumido), em decorrência do intenso processo de urbanização. Contudo, Martinez (2007) descarta a hipótese de que a economia mexicana estaria passando por algum processo de desmaterialização.

Figura 2.4: Intensidade do Uso para Diferentes Materiais entre 1971 e 2000

Fonte: Vries (2006).

Intensidade do Uso para Polímeros

Intensidade do Uso para Papel e Papelão Intensidade do Uso para Aço

Baseando-se em informações históricas, Chateau et al (2005) realizaram uma projeção para o consumo per capita de materiais em geral. No período 2000-2100, o consumo de materiais na Europa aumentaria cerca de 70% (0,53% a.a) e, no restante do mundo, aproximadamente 380% (1,6% a.a), principalmente devido ao crescimento de países do sul da Ásia e África Subsaariana. Apesar de a China apresentar atualmente um forte consumo de materiais, o país assumiria taxas de crescimento de consumo bem mais modestas do que aquelas verificadas para economias em desenvolvimento, cerca de 1% a.a. Por sua vez, a América do Norte apresentaria um crescimento de 0,7% anuais e a América Latina, de 1,6% a.a.

Ao mesmo tempo, os aspectos concernentes ao comércio internacional ocupam posição chave no exame da dinâmica do consumo de materiais em economias com graus variados de desenvolvimento. A intensidade do uso é habitualmente definida e calculada com base no consumo aparente. Contudo, os países também consomem materiais que estão incorporados em bens acabados e semiacabados importados de outras regiões. Deste modo, um eventual declínio no consumo aparente poderia ser compensado por aumentos no uso de materiais contidos em bens importados. O estudo realizado pelo International Iron and Steel Institute (1972) que avaliou o comércio indireto de aço pôde levantar modificações significativas na intensidade do uso das economias, quando a este indicador foram agregadas informações sobre importações. Semelhantemente, Vanek (1963) que analisou o comércio para 20 materiais nos EUA entre 1889 e 1954 concluiu que o país passou de exportador para importador líquido de materiais. A relação do comércio direto e indireto de produtos constitui uma área de pesquisa que poderia ser bem mais explorada, notadamente por investigações do tipo insumo-produto (LEONTIEF et al. 1983), a fim de favorecer estimativas mais precisas sobre a quantidade de materiais que é consumida em nível mundial.

Uma exemplificação da relevância que o comércio indireto de materiais assumiu em países desenvolvidos é dada pelas importações indiretas de aço pelos EUA. Um relatório do American Iron and Steel Institute (AISI) mostrou que as importações indiretas de aço feitas pelos EUA totalizaram 27 milhões de toneladas em 2009 (AISI, 2010). Cerca de 75% dos produtos fabricados nos EUA continham alguma quantidade de aço. De modo geral, os dados de comércio indireto apontam que o processo de desmaterialização em economias centrais poderia ocultar a ocorrência de intensidades do uso mais elevadas nestes países do que as reveladas por indicadores calcados apenas no uso direto dos materiais. A Tabela 2.1 mostra que em 2009, este déficit

resultou de 12 milhões de toneladas provenientes da Ásia, União Europeia e de países do NAFTA, enquanto as demais regiões responderam por importações de 3 milhões de toneladas. O resultado negativo se deveu fundamentalmente ao comércio indireto com o continente asiático (AISI, 2010).

Tabela 2.1: Déficit do Comércio Indireto de Aço nos EUA

Região Valor (US$ bilhões) Quantidade (milhões de ton.)

2005 2006 2007 2008 2009 2005 2006 2007 2008 2009

Ásia -122,4 -142,6 -142,1 -133,8 -99,1 -10,8 -12,5 -11,6 -10,9 -8,1

China n.d n.d n.d n.d n.d -4,5 -5,5 -5,2 -5,8 -4,8

União Europeia -55,7 -58,1 -56,8 -49,8 -42,5 -4,9 -5,0 -4,4 -4,0 -2,9

NAFTA -26,5 -40,2 -39,7 -25,1 -18,7 -2,8 -3,9 -3,1 -1,7 -1,0

Outros países Europa 0,8 0,8 2,9 5,1 1,3 0,1 0,1 0,3 0,5 0,1

Outras regiões 19,6 22,4 30,6 37,6 29,3 1,8 2,1 2,7 3,5 2,8

Total -184,3 -217,6 -205,1 -165,9 -129,7 -16,7 -19,3 -16,1 -12,6 -9,0

Fonte: AISI. n.d : não disponível

A China é um importante parceiro comercial, respondendo por exportações anuais de seis milhões de toneladas de aço sob a forma de bens manufaturados para os EUA, principalmente em bens que compõem o setor automotivo, de máquinas e de construção. Estas exportações são atualmente o triplo das exportações diretas de aço da China para a economia norte-americana (AISI, 2010).

2.4 Conclusões

Um conceito fundamental para a discussão do dinamismo dos mercados de materiais básicos é o da intensidade do uso dos materiais (TILTON, 1986; 1990; CLEVELAND e RUTH, 1999), que pode ser definida como a relação entre consumo de um dado material e o PIB per capita de um país. A curva de intensidade do uso apresenta um formato típico em U invertido. Esta curva seria particularmente útil para abordar o processo de desmaterialização constatado em algumas economias. O termo refere-se à redução, absoluta ou relativa, na quantidade de material utilizado para uma dada produção. Várias pesquisas sugerem que, algumas vezes, o crescimento econômico não viria acompanhado de aumento proporcional no consumo de insumos (MALENBAUM, 1978; LARSON et al., 1986; TILTON, 1986), de modo que alguns países ricos estariam dissociando o crescimento econômico da utilização de materiais produtivos básicos. À

medida que se alcança um nível avançado de desenvolvimento, a demanda por certos materiais perderia dinamismo, em virtude de efeitos renda e substituição, bem como do surgimento de novos padrões de consumo, ocorrendo deslocamentos significativos em direção a produtos com maior valor agregado ou intensivos em conhecimento. A desmaterialização relaciona-se com a questão da desindustrialização por implicar uma expansão relativa do ramo de serviços. Dentro da indústria, a desmaterialização levaria ao aumento relativo de setores intensivos em conhecimento.

As tendências de desmaterialização em geral não implicam processos simultâneos em todos os materiais. A hipótese de um formato em U para a curva de intensidade do uso não obriga que os pontos de máximos ocorram ao mesmo nível de renda per capita em todos os materiais: em cimento, a saturação do consumo se prenuncia em níveis reduzidos de renda, porém, em polímeros, seria necessária uma renda mais elevada. Embora materiais mais nobres sejam demandados para bens consumidos a rendas elevadas (por exemplo, o alumínio substitui o aço em automóveis mais caros), as mudanças no perfil da demanda associadas à renda e nos preços relativos influenciariam grandemente este processo.

A demanda e a intensidade do uso dos materiais também estão associadas ao processo de transmaterialização. A demanda por materiais passaria por fases em que materiais tradicionais são substituídos por materiais de qualidade superior e com melhor desempenho técnico (SOUSA, 1990; LABYS, 2004). A transmaterialização refere-se a um processo periódico de transformação industrial e no consumo de materiais no decorrer da história, por meio do qual as indústrias substituem materiais antigos por outros mais avançados tecnologicamente. Esta substituição também é determinada por alterações nos preços relativos, nos ritmos diferenciados de progresso técnico e nas alterações na estrutura produtiva de um setor.

É necessário atentar para o fato de que em nível nacional o processo de desmaterialização poderia relacionar-se a um declínio tão somente aparente na intensidade do uso dos materiais, já que os bens importados podem ter sido produzidos com quantidade expressiva de materiais e insumos. Esta é uma questão centrada nos efeitos do comércio indireto de materiais sobre a desmaterialização dos setores industriais. Por outro lado, além do comércio indireto e das particularidades no perfil da demanda, as curvas de intensidade do uso de cada material dependem também, em nível nacional, da dotação de fatores e das condições geográficas e climáticas que caracterizam os países. Nos EUA, por exemplo, a grande quantidade de terras disponíveis, somada

à diversidade climática do país favoreceu a exploração de um conjunto de recursos naturais relevantes para o seu desenvolvimento econômico.