Após a seleção dos filmes a partir dos quais seriam desenvolvidas as atividades, a professora-pesquisadora entregava aos professores participantes do curso a primeira cena do filme (geralmente contendo de 5 a 10 minutos) transcrita no idioma original62.
O grupo assistia à cena do filme em questão63 e em seguida se reunia em pares, dando início à preparação das atividades.
No encontro seguinte à preparação das atividades, as duplas deveriam apresentar ao grupo os exercícios preparados, bem como suas intenções ao prepará-los (contexto de aplicação, público-alvo, nível, habilidade priorizada etc.). Essas atividades eram projetadas, de forma que todo o grupo as visualizasse e pudesse opinar a respeito de sua eficácia ou não. Todos opinavam sobre as atividades de todos, e assim contribuíamos para criar um clima de interação, troca de experiências e cumplicidade entre os participantes.
Ao final das discussões sobre o conteúdo das atividades didáticas, os professores cursistas deveriam reelaborar as atividades segundo as orientações da professora-pesquisadora e dos demais colegas, antes de aplicá-las em sala de aula. Havia, ainda, a possibilidade de um
62 As transcrições foram feitas pela professora-pesquisadora-formadora
63 Todos os participantes do curso, independentemente do idioma que lecionam, assistiam a todas as cenas, dos dois filmes, tanto em inglês quanto em espanhol. Também recebiam as cenas transcritas no original dos dois idiomas (inglês e espanhol).
professor aplicar a atividade do outro64, caso considerasse mais relevante para seu contexto de ensino.
Nos momentos de debate sobre o conteúdo das atividades, nos detínhamos em analisar se a atividade em questão promovia a ação com a língua-alvo. AÇÃO é palavra-chave nesse contexto. Por meio do material e da abordagem do professor, o aprendente deve ser estimulado a agir a partir da exibição das cenas, ora sintetizando, classificando, identificando, analisando... ora dramatizando, debatendo, prevendo, reescrevendo... (PARRA, 1977) – preferencialmente realizando ações que poderiam ser feitas também fora da sala de aula. É importante que o trabalho didático com filmes promova ações reais por meio da e na língua- alvo
Parra (1977), em seus estudos sobre a metodologia dos recursos audiovisuais, aponta que mostrar recursos audiovisuais, simplesmente, ou mostrá-los explicando, não assegura que haja aprendizagem. Para o autor, é através da ação ou da operação que o indivíduo poderá apreender o significado das coisas – o que nos remete à teoria de Vygotky (1930), de que o indivíduo aprende por meio de suas ações. Parra (1977) sugere o uso de estratégias variadas para que o professor possa criar condições ideais para tirar o aluno da passividade frente às imagens, levando-o a agir sobre elas.
Segundo Parra (1977), são inúmeras as possibilidades de exploração didática dos recursos audiovisuais. Concordamos com o autor por reconhecermos que a fonte de ideias metodológicas renovadas, em relação ao universo audiovisual é inesgotável. Seu limite está apenas na capacidade inventiva do professor (PARRA, 1977, p. 79).
Tanto as sessões de debates sobre as atividades desenvolvidas como as sessões de debate sobre o resultado das aplicações das mesmas objetivavam permitir a realização de um levantamento dos sucessos e fracassos para que, de forma conjunta, propuséssemos soluções para os problemas relatados pelos participantes. Dessa forma, buscamos avaliar o processo sempre partindo da própria experiência dos professores.
Em suma, as estratégias utilizadas no decorrer do curso foram:
Leitura e discussão de conceitos que subjazem a inserção do cinema na educação, especificamente na aula de língua estrangeira;
Leitura e discussão de alguns trechos dos documentos norteadores do ensino de língua estrangeira na escola pública (PCNs e OCEM);
Leitura e discussão do “Caderno de Cinema do Professor”, do projeto “O cinema vai à Escola”;
Leitura e discussão de conceitos sobre formas de avaliar;
Análise de material didático com o qual os professores já trabalhavam em sala de aula;
Mostra de atividades didáticas já desenvolvidas e aplicadas com base no cinema como recurso didático, seguida de discussão;
Exibição de cenas de filmes em inglês e espanhol, do projeto “O cinema vai à escola”, que serviram de mote para a elaboração de atividades didáticas.
Preparação das atividades didáticas com conteúdo fílmico;
Demonstração das atividades preparadas, nas sessões de Autoconfrontação;
Refacção das atividades;
Compilação das atividades em um único material didático; Aplicação das atividades em sala de aula;
Discussão sobre o resultado das aplicações, em sessões de Grupo Focal; Reflexão sobre a prática pedagógica.
Figura 4: Ações do curso de formação continuada
A figura 4 retrata as ações desenvolvidas durante o curso de formação continuada. Inicia-se o processo com discussões teóricas que servirão como subsídios para análise e elaboração das atividades com conteúdo fílmico. Para dar início ao processo de elaboração dos exercícios didáticos, os professores participantes recebem a cena transcrita e iniciam, em duplas e/ou grupos a preparação das tarefas a serem executadas pelos alunos em sala de aula. Finalizada essa etapa, antes de aplicar a atividade em sala de aula, os professores cursistas, demonstram o resultado de seu trabalho nas sessões de Autoconfrontação. Nesse momento todos os participantes, incluindo a professora-pesquisadora, opinam sobre mudanças que podem ser necessárias antes da aplicação. Inicia-se, então, o processo de refacção dos exercícios. Após a reelaboração, os professores aplicam as atividades em sala de aula. No encontro seguinte, discutimos os resultados da aplicação nas sessões de grupo focal. A partir do compartilhamento de experiências e saberes, reavaliamos nossa prática pedagógica.
3.7 Formas de acompanhamento e de avaliação dos participantes do curso