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Hvilke bedrifter har de etablert ?

4. ETABLERERSKOLENS RESULTATER

4.2 Hvilke bedrifter har de etablert ?

Os dados desta pesquisa foram coletados por meio dos instrumentos: 1) observação participante; 2) notas de campo da professora pesquisadora, 3) questionários aplicados ao início e ao final do curso48; 4) sessões de autoconfrontação (CLOT, 2007) e 5) Grupo focal.

A importância de considerarmos a observação participante para a coleta de dados justifica-se pelo fato de que a pesquisadora atua, não somente como observadora, mas também como professora do curso de formação continuada ministrado, ficando, desta forma, diretamente envolvida no processo de ensino e aprendizagem. Não queremos dizer que o pesquisador que atua apenas como observador não esteja envolvido no processo, mas entendemos que o envolvimento é maior quando o próprio pesquisador é também sujeito de pesquisa.

Segundo Cohen (1989), as abordagens de pesquisa que se baseiam na observação do aluno em sala de aula pressupõem que o comportamento observável revelará o processo de aprendizagem (p. 02). Para que pudéssemos registrar esse comportamento bem como a interação entre os participantes, optamos como instrumento de coleta de dados gravações das aulas em vídeo, já que este tipo de instrumento permite o registro de movimentos físicos,

48 Ao final do curso, o questionário foi entregue aos participantes com perguntas abertas. Eles responderam por meio de relatório final. Uma cópia do roteiro para elaboração do relatório final encontra-se nos apêndices.

como acenos de cabeça, sorrisos, movimentos de olho, conversas (COHEN, 19989, p. 03). No entanto, ao utilizarmos as gravações em vídeo como instrumento de observação, percebemos que os professores participantes se sentiram inibidos diante desse instrumento e, por essa razão, optamos por gravar os encontros apenas em áudio, principalmente porque consideramos que esse poderia ser um fator que viria a prejudicar o andamento da pesquisa.

Ao consideramos que nem as gravações em vídeo e tampouco as em áudio são capazes de captar facilmente o modo como pensam e sentem os envolvidos na pesquisa, aliamos a este instrumento os questionários (aplicados ao início e ao final da pesquisa); as notas de campo da professora-pesquisadora; e a técnica do grupo focal. A coleta de dados por meio de quatro instrumentos diferentes aumenta consideravelmente as chances de obtermos dados mais confiáveis ao final do estudo.

As notas de campo são definidas por Vieira Abraão (2006) como relatos de eventos no contexto de pesquisa que são escritos de forma relativamente objetiva (p. 226). Nas palavras da autora, as notas de campo normalmente incluem relatos de informação não verbal, ambiente físico, estruturas grupais e registros de conversas e interações (...) e buscam responder as perguntas quem/ o quê/ onde/ quando/ como/ e por quê (p. 226). Entendemos que esse instrumento permite liberdade para o registro de percepções, opiniões, sugestões e descrições de comportamento. É também uma forma de reflexão da professora-pesquisadora sobre sua própria prática, sobre a prática dos professores envolvidos e sobre o processo de ensino-aprendizagem.

A aplicação dos questionários aos professores participantes do curso de formação continuada ocorreu em dois momentos da pesquisa: antes do início do curso e ao seu término. O primeiro questionário objetivou fazer um levantamento do perfil dos participantes. Queríamos saber quais disciplinas lecionam; que variedade do idioma priorizam; se conhecem o conteúdo dos documentos que norteiam o ensino de língua estrangeira no Brasil; se se consideram bons professores; se se consideram fluentes no idioma que ensinam; se ministram suas aulas prioritariamente em LE ou LM; se estão satisfeitos com seu trabalho; se utilizam tecnologias na sala de aula, se conhecem o projeto “O cinema vai à escola”; se já usaram o cinema para ensinar e/ou aprender; se observam que seus alunos têm hábito de assistir a filmes e/ou seriados; como foram as experiências prévias com cinema em sala de aula; e o que os motivou a fazer o curso.

A nosso ver, o levantamento dessas informações era relevante principalmente se considerássemos que poderia influenciar diretamente o tipo de atividade que os professores poderiam elaborar a partir do filme como ferramenta didática.

O questionário aplicado ao final visou obter informações sobre o desenvolvimento do curso, se as expectativas dos professores participantes foram atingidas; se com o final do curso eles se sentiam preparados para analisar e elaborar atividades didáticas com conteúdo fílmico, quais as dificuldades os professores encontraram no decorrer do curso; como foi a experiência de ter aplicado em sala de aula as atividades elaboradas por eles; como avaliavam a troca de experiências entre os colegas de trabalho promovida durante o curso; e como o curso contribuiu para sua formação como professores de línguas.

O primeiro questionário foi constituído por perguntas ora fechadas, ora abertas, de modo que os envolvidos pudessem expor suas percepções pessoais, crenças e opiniões (VIEIRA-ABRAÃO, 2006). Segundo Vieira-Abraão (2006), questionários construídos com itens abertos tem por objetivo a obtenção de respostas mais ricas e detalhadas. No entanto, requerem tratamento mais sofisticado na análise dos dados (p. 222).

Já o segundo questionário, aplicado ao final do curso de formação continuada, teve apenas perguntas abertas, de modo que os participantes pudessem expor livremente suas opiniões sobre cada questão que lhe era perguntada.

As sessões de Autoconfrontação (CLOT, 2007) consistiram em momentos subsequentes àqueles de preparação dos exercícios didáticos, em que os professores participantes demonstram aos demais colegas do curso e à professora-pesquisadora-formadora (PPF) as atividades que elaboraram. Na proposta de Clot (2007), por meio da Autoconfrontação, a atividade do sujeito é gravada em vídeo e, a partir das gravações, episódios são previamente selecionados pelos pesquisadores para serem apresentadas novamente aos sujeitos. Clot propõe dois tipos de Autoconfrontação: 1) a Autoconfrontação Simples (ACS) e 2) Autoconfrontação Cruzada (ACC). Segundo o autor, a Autoconfrontação Simples (ACS) consiste em apresentar os episódios ao sujeito, na presença do pesquisador, e solicitar a ele que a descreva, comente e faça questionamentos, ou seja, que analise a atividade. Já na Autoconfrontação Cruzada (ACC), os mesmos episódios são vistos novamente, agora pelo sujeito da atividade, acompanhado por um especialista ou colega de trabalho (alguém que desempenhe atividade semelhante) e pelo pesquisador.

Neste estudo, adaptamos a proposta de Clot (2007); optamos por não gravar as apresentações em vídeo, somente em áudio. As atividades didáticas com conteúdo fílmico dos professores foram selecionadas e apresentadas por eles mesmos, sem prévia análise da professora-pesquisadora-formadora. Promovemos, simultaneamente, a Autoconfrontação Simples e Cruzada, uma vez que o professor apresenta a atividade que elaborou, ao mesmo tempo para os colegas, para a professora-pesquisadora e para si próprio.

Clot (2007) defende a ideia de que por meio deste instrumento de produção de informações, ao descrever sua atividade nas Autoconfrontações, o sujeito busca fazer com que o outro compreenda o que realizou, além de buscar ver sua própria atividade com os olhos do outro e, nesse momento, encontrar algo de novo em si mesmo.

Em nossa pesquisa, assim como nas pesquisas de Aguiar e Machado (2012), quando o professor fala sobre sua atividade a diferentes interlocutores, a primeira transformação que se realiza diz respeito à direção da fala do sujeito. De acordo com as autoras, a fala do sujeito assume, na realização das autoconfrontações, diferentes direções: 1) ao preparar sua apresentação, primeiramente o sujeito elabora justificativas para si, compondo uma atividade intrapsicológica; 2) depois, quando se dirige ao pesquisador e/ou aos colegas de profissão para apresentar a atividade, descrevendo o que pretendeu realizar, está diante de uma atividade interpsicológica, e as duas atividades, intra e interpsicológica dialogam entre si. O que antes era intrapsicológico torna-se interpsicológico. O vivido, ao ser revivido em uma nova situação, é ressignificado, adquire um novo lugar na dimensão da subjetividade, cabendo ao pesquisador a análise e interpretação desse processo (AGUIAR E MACHADO, 2012, p. 34).

Ao final do curso também utilizamos a técnica do Grupo Focal para complementar a coleta de dados. Esta técnica configura-se como uma espécie de entrevista em grupo, mas não no sentido de uma sequência de perguntas e respostas. A essência do grupo focal consiste na interação entre os participantes e o pesquisador, que objetiva a coleta de dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e diretivos (IERVOLINO e PELICIONI, 2001). Para Iervolino e Pelicioni (2001) a coleta de dados feita por meio do grupo focal tem como uma de suas maiores riquezas basear-se na tendência humana de formar opiniões e atitudes na interação com outros indivíduos (p. 115).

Iervolino e Pelicioni (2001) explicam que o grupo focal como técnica de coleta de dados contrasta com dados colhidos em questionários fechados, ou entrevistas individuais, em que o indivíduo é convocado a emitir opiniões sobre assuntos que talvez nunca tenha pensado anteriormente. As pessoas em geral precisam ouvir as opiniões dos outros antes de formar as suas próprias, e constantemente mudam de posição (ou fundamentam melhor sua posição inicial) quando expostas à discussão em grupo (p. 116). É exatamente esse processo que o grupo focal tenta captar.

As autoras afirmam que cabe ao moderador do grupo (geralmente o pesquisador) criar um ambiente propício para que diferentes percepções e pontos de vista venham à tona, sem

que haja nenhuma pressão. Deve ser um ambiente relaxado e condutor de troca de experiências (IERVOLINO e PELICIONI, 2001, p. 116)

Para Gondim (2002) a utilização da técnica do grupo focal facilita a avaliação do confronto de opiniões, já que se tem maior clareza do que as pessoas isoladamente pensam sobre um tema específico (p. 03).

Em posse dos dados obtidos por meio das gravações em audio, questionários, notas de campo da professora-pesquisadora e grupo focal, optamos por transcrever as gravações do grupo focal para, em seguida, triangular todos os dados. Para Moita Lopes (1994), a técnica de triangulação é usada também como forma de dar conta da intersubjetividade, que é típica da tradição interpretativista (p. 335).