8 BEREGNINGSRESULTATER
8.4 Sammenligning av resultatene i referansebrukssystemet med resultatene
A população, de modo geral, e os profissionais da Educação, de modo particular, ainda carecem de informações pertinentes sobre as características associadas às altas habilidades. Na ausência de domínio conceitual, abre-se espaço para o preconceito e mesmo para uma mitologia sobre o assunto (ALENCAR, 1986; SILVA et al., 2012; VIANA, 2005, 2011; WINNER, 1998).
Um equívoco primário é constatado na confusão entre altas habilidades e genialidade. Costuma-se confundir a pessoa com altas habilidades com o gênio. Há uma diferença significativa, tanto na incidência populacional,quanto na capacidade de desempenho. As altas habilidades são observadas aleatoriamente em 3% a 5% da população mundial, ao passo que a genialidade se manifesta apenas em uma pessoa em um milhão. Além disso, “a diferença
24A acessibilidade deve ser assegurada mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas, urbanísticas, na edificação – incluindo instalações, equipamentos e mobiliários– e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações e informações. O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação (BRASIL, 2007).
entre talento, altas habilidades/superdotação e genialidade seria, portanto, de intensidade, sendo o gênio um fenômeno raro e o ápice da expressão da inteligência, como Leonardo da
Vinci” (SILVA et al., 2012, p. 3).
A incidência populacional assegura a presença de crianças com altas habilidades em todos os segmentos sociais, combatendo o preconceito de que se trataria de um fenômeno raro (como o é a genialidade), impossível de ser encontrado em nossas escolas. As altas habilidades existem como um patrimônio universal, mas devem encontrar estímulo no meio físico e social. Em consequência, configura-se comum a crença de que não haja essas características ou em pessoas de classes socioeconômicas desfavorecidas, ou como em pessoas com deficiência (ALENCAR, 1986; SILVA et al., 2012; VIANA, 2005, 2011; WINNER, 1998).
Cumpre mencionar a existência arraigada de preconceitos em relação às capacidades da mulher, quando comparadas ao homem, em escala mundial. As mulheres enfrentam uma discriminação de elevadas proporções, principalmente no quesito referente à iniciativa e independência, no campo profissional, sendo, muitas vezes, difícil conciliar a carreira profissional, a vida conjugal e a familiar.
Fica visível a conformidade e o medo de ser diferente, principalmente quando se trata de meninas com altas habilidades, conforme aponta Landau (2002, p.100):
Na ênfase dada à conformidade, é muito provável que se encontre a razão por que são tão poucas as meninas superdotadas. Talvez porque se deixem condicionar pela atribuição de papéis específicos do sexo, o que configura um substancial tipo de pressão para a conformidade.
Por isso, faz-se necessário que a menina com altas habilidades adquira autoconfiança, manifeste suas ideias e exercite sua criatividade, tornando-se confiante no que é capaz de fazer ou dizer. Um fator muito importante que pode afetar o desenvolvimento da criatividade em mulheres são os encargos domésticos, especialmente quando há filhos, que restringem o tempo que poderia ser dedicado a projetos criativos, em relação ao tempo de uma mulher solteira sem filhos.
No que diz respeito à diferença de gêneros:
Descobrir o talento nas mulheres envolve um conhecimento de como classes convencionais desencorajam as alunas para uma execução no seu nível de habilidade. Os métodos pedagógicos, a atuação do professor, o currículo e
muitos objetivos da educação, de modo geral, atingem mais o estilo masculino (SABATELLA, 2008, p. 158).
Os professores precisam ficar mais atentos e refletir sobre essa dificuldade na dinâmica escolar, conscientes de que os indicadores de altas habilidades independem de gênero.
Estudos realizados sobre sucesso profissional e gênero afirmam que as mulheres têm superado os homens em todas as disciplinas - incluindo Matemática e Ciências - em todos os grupos etários na Inglaterra, Austrália, Holanda e Espanha. Entretanto, os resultados não podem ser generalizados para todos os países; os dados encontrados na Alemanha e EUA, por exemplo, foram diferentes (FREEMAN, 2000).
Outra concepção errônea consiste na crença de que as altas habilidades asseguram
sucesso acadêmico e profissional, sendo garantia de excelência e alta produtividade na vida adulta. Essa ideia revela uma tendência inatista, um determinismo genético, desconsiderando a influência do ambiente no desenvolvimento das capacidades. A realidade demonstra que a criança com altas habilidades não apresenta, necessariamente, um bom rendimento na escola, mesmo aquelas cuja capacidade de destaque seja de natureza acadêmica. Sua postura crítica e criativa não costuma ser bem recebida em modelos educacionais pautados na memorização e reprodução do conhecimento. Em decorrência, essa criança se desmotiva e, por vezes, abandona a escola. Além disso, as crianças com altas habilidades não constituem um grupo homogêneo, seja em termos cognitivos ou afetivos. As capacidades humanas são amplas e ultrapassam os limites da instituição escolar.
É válido assinalar que a criança com altas habilidades pode se tornar um adulto notável, mas a probabilidade de sucesso pessoal e profissional se encontra mais estreitamente associada aos esforços empreendidos pelo indivíduo. Nesse sentido, Winner (1998, p. 17) pondera que:
Muitas crianças superdotadas, especialmente os prodígios malogram, enquanto outras acabam por se dedicar a outras áreas de interesse. Algumas, embora extremamente exitosas, nunca fazem nada de genuinamente criativo. [...] Os fatores que prevêem a trajetória de uma vida são múltiplos e interagentes. Bem acima de nível de habilidade, papéis importantes são desempenhados por personalidade, motivação, ambiente familiar, oportunidades e pelo acaso.
A pessoa com altas habilidades, portanto, não prescinde de uma intervenção educativa apropriada. Ao contrário, necessita ter acesso a experiências enriquecedoras que estimulem o
desenvolvimento pleno de suas capacidades, para não incorrer no risco de desperdício do seu potencial (ALENCAR, 1986; WINNER, 1998).
Nessa perspectiva,
As altas habilidades/superdotação não são como muitos pensam um dom, mas sim características e comportamentos que podem e devem ser aperfeiçoados na interação com o mundo e que se apresentam numa variedade grande de combinatórias. [...] Portanto, estas pessoas são valiosas tanto quanto todas as demais pessoas, e não podemos ignorá-las nem esquecê-las, sendo necessário ofertar instrumentos e oportunidades a todos e também a estes sujeitos com altas habilidades para cumprir nosso papel social na importante área educacional (BRASIL, 2005b, p. 31).
Familiares e educadores receiam informar à criança ou ao jovem a respeito da presença de altas habilidades. Os temores são, com efeito, pertinentes. A melhor forma de lidar com a situação é não pressionar o aluno nem torná-lo alvo da ambição da família. No entanto, são necessários a identificação e o encaminhamento para o atendimento educacional adequado. Em estreita associação, verifica-se a ideia de que não se deve comunicar à família que um dos seus membros apresenta altas habilidades. Os cuidados existem e seguem a mesma linha de raciocínio anterior.
A identificação possibilita o encaminhamento ao atendimento educacional adequado:
As crianças sobredotadas e talentosas são aquelas que como tal foram identificadas por pessoas profissionalmente qualificadas e que, em virtude de possuírem capacidades extraordinárias, conseguem atingir elevados níveis de desempenho. São crianças que, para poderem atingir o pleno desenvolvimento e dar o seu contributo à sociedade, necessitam de programas educativos e/ou serviços diferenciados mais avançados do que os programas educativos regulares (MÖNKS, 2000, p. 42).
Uma crítica apropriada se refere ao fato de que nossos testes de inteligência não são adaptados à nossa realidade e por isso pouca utilidade tem para a identificação de altas habilidades. Os testes de inteligência disponíveis se limitam a uma amostra do intelecto, contrariando a visão atual em que predomina uma visão multidimensional da inteligência, englobando diferentes fatores ou dimensões presente no indivíduo em maior ou menor grau.Precisamos considerar outros aspectos, como nível de produtividade e desempenho, interesses, traços de personalidade, presença de um talento ou de altas habilidades em diversas áreas do saber e do fazer (ALENCAR, 1986; ANASTASI, 1977; ANASTASI; URBINA, 2000; SILVA et al., 2012).
Um dos preconceitos mais prejudiciais, contudo, é observado na concepção de que a inteligência caminha ao lado da loucura, sendo as altas habilidades uma condição favorável à insanidade mental.
Nesse sentido:
A ideia de que superdotação e insanidade estariam intimamente relacionadas é antiga. Vários autores do século passado, como Lombroso e Nisbet, fizeram referência a tal relação. [...] Com isso, não queremos negar que o superdotado não apresente desajustamento emocional. Isto realmente pode ocorrer, especialmente se as condições ambientais não forem favoráveis, como é o caso daqueles indivíduos com uma inteligência significativamente superior e que não encontram, no meio em que vivem, companheiros que se assemelham neste aspecto, não sendo compreendido nem pelos colegas nem pela família. Neste caso, a tendência é se isolar e ter muitas dificuldades no seu relacionamento social (ALENCAR, 1986, p. 47).
Todos esses mitos apresentados são equívocos que estão presentes no senso comum. Ademais, alguns psicólogos acreditam que a inteligência deve ser medida, valorizando apenas os testes de inteligência e, dessa forma, introduzem um obstáculo à identificação de altas habilidades em áreas distintas da acadêmica, não avaliada por esses instrumentos.
A atenção às pessoas com altas habilidades teve um impulso considerável nessas últimas décadas, em razão das vantagens para o país, considerando-se o potencial humano como o maior recurso natural a ser cultivado e aproveitado em favor da humanidade. Dentre vários autores que apresentam modelos teóricos sobre altas habilidades ou talentos, destacamos, nesse estudo, Gardner e Renzulli, que adotam uma visão multifacetada da inteligência, priorizando as diferentes capacidades, habilidades ou manifestações de inteligência entre os indivíduos (BRASIL, 2005a; SABATELLA, 2008).
Quando a escola não investe, não tem interesse na educação dos alunos com altas habilidades e talentos, e, não se preocupa em identificá-los, favorece o insucesso da sua aprendizagem, provocando, inclusive, instabilidade emocional. Se esse aluno estiver frequentando uma sala de aula em que seus professores oferecem conteúdos escolares desinteressantes ou desmotivadores, que não acompanham a sua capacidade de aprender,tendem a ficar entediados e, por isso,podem abandonar a escola.
Se o ambiente escolar não incentiva a originalidade, reprime a capacidade criativa dos alunos, deixando transparecer que comportamentos divergentes tendem a ser rejeitados. Na prática escolar podemos identificar as consequências da abordagem inatista, não só no que diz respeito ao desempenho intelectual, mas, também no que se refere à forma de compreender o
comportamento do aluno de um modo geral. Dessa maneira, características comportamentais manifestadas pelas crianças como agressividade, impetuosidade, sensibilidade ou passividade, acabam sendo interpretadas como inatas e, portanto, têm reduzida chance de se modificarem, provocando a convicção de que as diferenças não podem ser superadas pela Educação, no entanto, deve-se investigar o temperamento, autoconfiança e motivação da criança (ALENCAR; GALVÃO, 2007; LANDAU, 2002).
Esses aspectos são bem definidos por Landau (2002, p. 85) com relação aos professores:
Muitos professores sentem-se incomodados quando alunos com altas habilidades e talentos respondem imediatamente a muitos estímulos, e os outros alunos não conseguem sequer absorvê-los. O correto seria que a classe fosse incentivada com perguntas que provocassem a curiosidade por novos conhecimentos, exigindo-se o uso de suas habilidades. Assim, cada aluno poderia reagir a seu modo.
Se o estudante for estimulado, adequadamente, sendo submetido a questões desafiadoras, ficará interessado e buscará informações, ainda, desconhecidas para ele a respeito do assunto estudado.
Um olhar diferenciado para o atendimento educacional desse alunado faz sentido por causa da necessidade de ações inovadoras que proporcionem avanços nas diferentes áreas do saber e do fazer, com as decorrentes vantagens para o país, enquanto, que o seu mau aproveitamento pode gerar graves consequências, não somente para o indivíduo, como também para o grupo social. Cumpre mencionar que pessoas capazes de grandes realizações se encontram sujeitas a canalizarem sua inteligência para ações negativas, o que pode ocorrer com qualquer pessoa, principalmente, quando são valorizadas por indivíduos que as levem a contribuir com o crime organizado na realização de atividades ilegais. Temos como exemplo
não muito distante, o Fernandinho “Beiramar”, que demonstrou a capacidade de comandar o
tráfico de drogas da cadeia; há também os exemplos de Hitler, Mussolini e Stalin, ditadores que levaram seus países ao caos, o que demonstra o grande desperdício de potencial, consequência da fragilidade dos programas e propostas de atendimento para as pessoas com altas habilidades ou talentos (ALENCAR, 1986; SILVA et al., 2012;VIANA, 2005, 2011; WINNER, 1998).