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– Sammenheng mellom avregning med statskassen og mellomværende med statskassen Del A Forskjellen mellom avregning med statskassen og mellomværende med statskassen

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Note 8 – Sammenheng mellom avregning med statskassen og mellomværende med statskassen Del A Forskjellen mellom avregning med statskassen og mellomværende med statskassen

No canto XXII da Ilíada, Príamo interpela seu filho a não enfrentar Aquiles:85

Heitor, não fiques aí, meu filho, à espera daquele homem, isolado sem ninguém que te ajude, para que não encontres

logo a morte, subjugado pelo Pelida, que é muito mais forte que tu, homem cruel e duro. Quem me dera que pelos deuses fosse ele

amado como é por mim! Rapidamente os cães e abutres

o comeriam, jazente. E um terrível sofrimento partiria da minha alma.

84 ―La crainte de mourir est, chez Hector, moins forte que la crainte du déshonneur.‖ REDFIELD, La tragédie

d’Hector, 1984, p. 151.

85

HOMERO, Ilíada, XXII, 38-43: àEktor mh/ moi mi¿mne, fi¿lon te/koj, a)ne/ra tou=ton oiåoj aÃneuq' aÃllwn, iàna

mh\ ta/xa po/tmon e)pi¿sph|j Phlei%wni damei¿j, e)peiì hÅ polu\ fe/rtero/j e)sti, sxe/tlioj: aiãqe qeoiÍsi fi¿loj tosso/nde ge/noito oÀsson e)moi¿: ta/xa ke/n e( ku/nej kaiì gu=pej eÃdoien kei¿menon: hÅ ke/ moi ai¹no\n a)po\ prapi¿dwn aÃxoj eÃlqoi:

O apelo de um pai sofrido com as perdas da guerra que o próprio Aquiles causou aos troianos e à sua própria família é carregado de emoção. Heitor é, para ele, a única esperança de a cidade resistir ao cerco, contudo um destino terrível os espera sem sua presença:86

Os meus filhos a morrer, minhas filhas a serem arrastadas, minhas câmaras de tesouro pilhadas e crianças inocentes a serem atiradas ao chão em aterradora chacina

e as minhas noras arrastadas pelas mãos funestas dos Aqueus. A mim próprio, por último, às portas primeiras dilacerão os cães esfomeados, depois de alguém pelo bronze afiado com estocada ou arremesso me privar da vida – os cães que no palácio eu criei à minha mesa para guardarem as portas: depois de um estado de loucura terem bebido o meu sangue jazerão aos meus portões.

[...]

Mas quando os cães profanam vergonhosamente a cabeça grisalha e a barba grisalha e os membros genitais de um velho morto, isso é a coisa mais confrangedora que existe para os pobres mortais.

A visão prematura da queda de Troia ressalta a profanação da vida privada, a humilhação da família real e antecipa, provavelmente, os destinos de Cassandra e Astíanax. A mutilação do cadáver de Príamo pelos seus próprios cães implicam na destruição dos valores civilizados e a selvageria da guerra. Essa passagem relaciona-se com a mutilação de Heitor infligida por Aquiles e o desejo de Hécuba de devorar o fígado do Pelida por vingança.87 Ela junta-se ao pai no lamento e, angustiados e contraídos de dor, desvelam o coração: ―assim disse o ancião: e com as mãos arrancou os cabelos brancos da cabeça. Mas não conseguiu persuadir o coração de Heitor. Por seu lado, a mãe lamentava-se lavada em lágrimas,

desapertando o vestido e com a outra mão mostrando o peito‖,88e vaticina: ―mas lá, longe de nós, junto das naus dos aqueus, os rápidos cães te devorarão‖.89 O apelo de Hécuba é mais

86

HOMERO, Ilíada, XXII, 62-71: uiâa/j t' o)llume/nouj e(lkhqei¿saj te qu/gatraj, kaiì qala/mouj kerai+zome/nouj, kaiì nh/pia te/kna ballo/mena protiì gai¿h| e)n ai¹nh~| dhi+oth=ti, e(lkome/naj te nuou\j o)loh|=j u(po\ xersiìn ¹Axaiw½n. au)to\n d' aÄn pu/mato/n me ku/nej prw¯th|si qu/rh|sin w©mhstaiì e)ru/ousin, e)pei¿ ke/ tij o)ce/i+ xalkw~| tu/yaj h)e\ balwÜn r(eqe/wn e)k qumo\n eÀlhtai, ouÁj tre/fon e)n mega/roisi trapezh=aj qurawrou/j, oià k' e)mo\n aiâma pio/ntej a)lu/ssontej periì qumw~| kei¿sont' e)n proqu/roisi. ne/w| de/ te pa/nt' e)pe/oiken; e 74-76: a)ll' oÀte dh\ polio/n te ka/rh polio/n te ge/neion ai¹dw½ t' ai¹sxu/nwsi ku/nej ktame/noio ge/rontoj, tou=to dh\ oiãktiston pe/letai deiloiÍsi brotoiÍsin.

87

HOMERO, Ilíada, XXII, 212-3. A respeito do tema da mutilação e a questão de civilidade, conferir SEGAL, C. The theme of the Mutilation of the corpse in the Iliad. in: Mnemosyne supp. 17, 1971.

88

HOMERO, Ilíada, XXII, 77-80: åH r(' o( ge/rwn, polia\j d' aÃr' a)na\ tri¿xaj eÀlketo xersiì ti¿llwn e)k kefalh=j: ou)d' àEktori qumo\n eÃpeiqe. mh/thr d' auÅq' e(te/rwqen o)du/reto da/kru xe/ousa, ko/lpon a)nieme/nh, e(te/rhfi de\ mazo\n a)ne/sxe: .

89

HOMERO, Ilíada, XXII, 88-89: ou)d' aÃloxoj polu/dwroj: aÃneuqe de/ se me/ga nw½i+n ¹Argei¿wn para\ nhusiì

passional e pessoal. O próprio Heitor sente atordoado e pensa consigo mesmo, ou como diz o

poeta, ―disse ao seu magnânimo coração‖:90

Ai de mim! Se eu passar os portões e entrar para lá dos muros, o primeiro a atirar- me com censuras seria Polidamante, ele que me disse para conduzir os troianos para a cidade durante a noite funesta em que se ergueu o divino Aquiles. Mas eu não quis obedecer. Mais proveitoso teria sido!

Uma ponta de arrependimento em Heitor transparece nesses versos, que oscilam entre a firmeza e a fraqueza. O personagem tem medo e envergonha-se de seus erros perante os troianos, teme falhar e cair em desgraça. Adiante, retoma o autocontrole e, resolutamente, enfrenta o melhor dos aqueus, pois, dessa forma, pode, pelo menos, morrer com glória. Mas

novamente o ―medo dominou Heitor, assim que o viu. Não se atreveu a ficar onde estava, mas

abandonou os portões e fugiu. E o Pelida lançou-se atrás dele, confiante na rapidez dos pés.‖91 O episódio nos causa uma certa decepção com o nosso herói. A perseguição só termina com a intervenção de Atena enganando Heitor. O combate começa, tem-se a ordinária troca de insultos e entre um golpe e outro, Aquiles o atinge:92

Ora todo o corpo de Heitor estava revestido pelas brônzeas armas, belas, que despira a Pátroclo depois de o matar.

Mas aparecia, no sítio onde a clavícula se separa do pescoço e dos ombros, a garganta, onde rapidíssimo é o fim da vida. Foi aí que com a lança arremeteu furioso o divino Aquiles, e a ponta trespassou completamente o pescoço macio.

Mas a lança de freixo, pesada de bronze, não cortou a traqueia,

para que Heitor ainda pudesse proferir palavras em resposta. Tombou na poeira.

A narrativa em torno de sua morte dispensa muita atenção à importância de sua figura para os troianos, como esposo,93 pai, filho e baluarte do exército. As súplicas de seus pais mostram a importância de mantê-lo vivo para a possibilidade de Troia continuar

90megalh/tora qumo/n. Citação que se segue HOMERO, Ilíada, XXII, 99-103: wÓ moi e)gw¯n, ei¹ me/n ke pu/laj

kaiì tei¿xea du/w, Pouluda/maj moi prw½toj e)legxei¿hn a)naqh/sei, oÀj m' e)ke/leue Trwsiì potiì pto/lin h(gh/sasqai nu/xq' uÀpo th/nd' o)loh\n oÀte t' wÓreto diÍoj ¹Axilleu/j. a)ll' e)gwÜ ou) piqo/mhn: hÅ t' aÄn polu\ ke/rdion hÅen. Heitor aqui refere-se ao pedido de Polidamante de recuar os exércitos troianos, à vista de Aquiles,

para dentro dos muros da cidade. Ver Ilíada. XVIII, 243-313.

91

HOMERO, Ilíada, XXII, 136-8: àEktora d', w¨j e)no/hsen, eÀle tro/moj: ou)d' aÃr' eÃt' eÃtlh auÅqi me/nein,

o)pi¿sw de\ pu/laj li¿pe, bh= de\ fobhqei¿j: Phlei¿+dhj d' e)po/rouse posiì kraipnoiÍsi pepoiqw¯j.

92

HOMERO, Ilíada, XXII, 322-330: tou= de\ kaiì aÃllo to/son me\n eÃxe xro/a xa/lkea teu/xea, kala/, ta\

Patro/kloio bi¿hn e)na/rice katakta/j: fai¿neto d' h|Â klhiÍ+dej a)p' wÓmwn au)xe/n' eÃxousi, laukani¿hn, iàna te yuxh=j wÓkistoj oÃleqroj: th|= r(' e)piì oiâ memaw½t' eÃlas' eÃgxei+ diÍoj ¹Axilleu/j, a)ntikru\ d' a(paloiÍo di' au)xe/noj hÃluq' a)kwkh/: ou)d' aÃr' a)p' a)sfa/ragon meli¿h ta/me xalkoba/reia, oÃfra/ ti¿ min protiei¿poi a)meibo/menoj e)pe/essin. hÃripe d' e)n koni¿h|j:.

93

resistindo ao cerco aqueu. Não menos importante é a preocupação com seu cadáver, talvez o principal dos dois últimos cantos da ―Ilíada‖. Segue-se o diálogo entre os dois heróis, com a devida observância da verossimilhança questionada (no momento em Heitor consegue falar com a garganta atravessada por uma espada), mas surpreendente em termos dramáticos. E, com a negociação de que seu cadáver seja entregue à sua família cumprir os devidos ritos fúnebres, a narrativa da epopeia tem seu fim.

A queda de Troia não se dá imediatamente, mas sabemos que a cidade está perdida, será saqueada, destruída, mulheres e crianças serão escravizadas. O filho de Heitor será atirado de uma das torres da cidade. Quem não se sacrificaria para que isso não acontecesse? Talvez, no caso de Heitor, pudéssmos pensar na palavra a)pori/a. Ocorre no entanto que, por ignorância, por ilusão advinda de Atena, por avaliação equivocada de suas próprias forças, esse filho de Príamo enfrentasse a morte com o olhar para o futuro. Ainda quando tudo está perdido, ele procura preservar seu corpo. Sua morte é terrível, porém seu funeral glorioso. Há, por certo, cores trágicas; prevalece, contudo, o brilho épico. A palavra

a)pori/a tem outro colorido em ―Antígona‖; aÃporoj e)p' ou)de\n eÃrxetai to\ me/llon (v. 362) sem