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Sammenfattende drøfting og konklusjon

De acordo com a Comissão Europeia (European Commission, 2005:4), “There is no health without mental health”. Para os cidadãos, a saúde mental é um recurso que permite a realização de objectivos seja a nível intelectual ou emocional, o que contribui para uma sociedade mais próspera, solidária e justa (id.). A OMS define saúde como um estado de bem-estar completo, físico, mental e social e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades (World Health Organization, 1946) e saúde mental como um estado de bem-estar, no qual o indivíduo realiza as suas próprias habilidades, consegue lidar com o stress normal da vida, consegue trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para a sua comunidade (World Health Organization, 2001).

As doenças do foro mental afectam um em cada quatro cidadãos europeus, podendo mesmo provocar suicídio, e contribuindo para encargos significativos nos sistemas económicos, sociais, educacionais e de justiça. Além de que contribuem também para a existência de estigma, discriminação e falta de respeito pelos direitos humanos das pessoas que sofrem destas doenças (European Commission, 2005).

2.1.1 | Esquizofrenia

De acordo com a OMS, cerca de quatro milhões de pessoas que vivem na Europa sofrem de esquizofrenia (World Health Organization, 2005), sendo esta uma doença que afecta aproximadamente vinte e quatro milhões de pessoas em todo o mundo (World Health Organization, 2007). De acordo com o 3º Censo Psiquiátrico realizado em Portugal, em 2001 e onde participaram 66 instituições de saúde, verificou-se que a patologia mais frequente foi a esquizofrenia (nas suas várias tipologias) com 3595 doentes, 21,2% (Bento et al., n.d.).

15 A esquizofrenia é uma forma severa de doença mental que, apesar de ter uma incidência baixa, apresenta uma prevalência alta, devido à sua cronicidade, o que influencia todos os aspectos da vida de quem sofre deste distúrbio (World Health Organization, 2007, Lehman et al., 2004). A esquizofrenia pode ser tratada, sendo o tratamento mais eficaz nas fases iniciais da doença. No entanto, mais de 50% da população não está a receber tratamento adequado (World Health Organization, 2007). Esta doença causa sintomas persistentes e recorrentes que angustiam e incapacitam o paciente (Sensky et al., 2000). De forma a reduzir os aspectos negativos da doença, o plano de tratamento tem três grandes objectivos: reduzir ou eliminar sintomas; aumentar a qualidade de vida e desempenho; e promover e manter a recuperação, na medida do possível (Lehman et al., 2004).

Características da esquizofrenia

O National Institute of Mental Health (NIMH) (2006) divide os sintomas de esquizofrenia em três categorias: sintomas positivos, sintomas negativos e sintomas cognitivos– caracterizadas de seguida:

• Sintomas positivos – Estes sintomas estão normalmente relacionados com a falta de contacto com a realidade:

o Alucinações – que podem ser visuais, de olfacto, de sentido ou audição, sendo as de audição as mais comuns;

o Ilusões relacionadas com falsas crenças – os pacientes esquizofrénicos podem acreditar que estão a ser perseguidos, que a televisão envia mensagens directamente para eles ou que outras pessoas conseguem controlar os seus comportamentos;

o Pensamentos confusos – os pacientes podem ter dificuldade em organizar os pensamentos, o que se reflecte num discurso desorganizado;

o Movimentos desorganizados – que estão relacionados com movimentos descoordenados e com repetição de acções vezes sem conta.

Os sintomas referidos como “positivos” podem contribuir para o aumento de ansiedade, de medo e de distracção (Miller & Mason, 2004). Os pacientes com esquizofrenia resistem com frequência aos tratamentos por acreditarem nas suas alucinações e ilusões, pois pensam que não estão doentes e que, desta forma, não necessitam de ajuda psiquiátrica (National Institute of Mental Health, 2006).

• Sintomas negativos – Estes relacionam-se com a diminuição dos estados emocional e comportamental

o Apatia – o paciente demonstra falta de expressões; o Falta de prazer no dia-a-dia;

o Falta de iniciativa para iniciar ou continuar actividades; o Pouca comunicação.

Uma comunicação deficiente pode conduzir à falta de esperança e solidão, devido à dificuldade de auto-expressão (Miller & Mason, 2004). Quando os pacientes esquizofrénicos têm dificuldade em expressar as suas necessidades, preferências ou opiniões, excluem a possibilidade de tornar os seus comportamentos credíveis, reduzindo desta forma as suas energias e interesses, o que conduz à apatia e falta de vocação na vida (Hogarty & Flesher, 1999). Os sintomas negativos podem inclusivamente diminuir a interacção interpessoal (Miller & Mason, 2004). Devido a este tipo de sintomas, os pacientes muitas vezes negligenciam a sua higiene básica, sendo frequentemente considerados preguiçosos, quando na realidade necessitam de ajuda para as tarefas diárias (National Institute of Mental Health, 2006). Muitos destes sintomas são atribuídos à depressão e podem ser aliviados com estratégias e técnicas cognitivas (Beck & Rector, 2000).

• Sintomas cognitivos – Estes são mais subtis e muitas vezes só são detectados quando se fazem alguns testes neuropsicológicos

17 o Funcionamento executivo pobre, relacionado com a capacidade de

receber e interpretar informação, de forma a tomar decisões com base nessa informação;

o Dificuldade em manter a atenção;

o Dificuldade com a memória de trabalho que se relaciona com a capacidade de reter informação recente e utilizá-la convenientemente. As dificuldades sentidas em tarefas cognitivas podem tornar-se stressantes aumentando os sintomas psicóticos (Miller & Mason, 2004). Os pacientes esquizofrénicos com défices cognitivos podem ter dificuldade em gerir a vida normal o que causa muito stress emocional (National Institute of Mental Health, 2006). Num contexto de esquizofrenia, os défices cognitivos estão relacionados com a atenção, memória, rapidez de resposta, resolução de problemas (Green et al., 2004), aprendizagem verbal, funcionamento executivo e cognição social (Pfammatter et al., 2006). Estes défices podem não ser detectados com instrumentos clínicos estandardizados ou observação clínica, mas são detectados no desempenho de tarefas cognitivas (Green et al., 2004).

Ainda não existem protocolos para avaliação de medicação para o tratamento dos défices cognitivos, nem tão pouco foi aprovada alguma medicação neste sentido (Green et al., 2004). No entanto, existem técnicas que podem ser utilizadas de forma a ajudar os pacientes a interagirem com outros (Miller & Mason, 2004).

O diagnóstico de doenças mentais é efectuado de acordo com normas estandardizadas, sendo as mais conhecidas a Classificação Internacional de Doenças – International Classification of Diseases (ICD) e o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM). A ICD, da responsabilidade da OMS, é uma classificação internacional estandardizada de diagnóstico das várias doenças que existem (World Health Organization, n.d.). O DSM é o manual de classificação de perturbações mentais, cujos

códigos de diagnóstico derivam do sistema Internacional ICD (American Psychiatric Association, n.d.).

De acordo com a versão 4 do DSM, a esquizofrenia é dividida em cinco subtipos, que são definidos pelos sintomas predominantes por altura da avaliação, sendo eles de tipo paranóide, desorganizado, catatónico, indiferenciado e residual (O Portal dos Psicólogos, n.d):

• Tipo Paranóide

o Caracteriza-se pela presença de delírios e alucinações

• Tipo Desorganizado

o Caracteriza-se pelo discurso e comportamento desorganizados e afecto inadequado

• Tipo Catatónico

o Caracteriza-se por perturbações psico-motoras que podem envolver a imobilidade ou actividade motora excessiva, extremo negativismo, mutismo, ecolalia (repetição patológica de uma frase ou palavra que alguém disse) ou ecopraxia (imitação repetitiva dos movimentos de outra pessoa)

• Tipo Indiferenciado

o Caracteriza-se pela presença de sintomas de esquizofrenia, que, no entanto, não satisfazem os critérios das tipologias Paranóide, Desorganizada e Catatónica

• Tipo Residual

o É uma tipologia diagnosticada quando já houve pelo menos um episódio de esquizofrenia, no entanto, o quadro clínico actual não apresenta

19 sintomas positivos dominantes, existindo, contudo, alguns sintomas negativos.