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Sammenfatning på tvers av evalueringene

3.1 Kvaliteten på norsk universitetsforskning i et internasjonalt perspektiv

3.1.2 Sammenfatning på tvers av evalueringene

No que diz respeito às Irmãs Superioras de Santa Fé, Mariz (1997) conseguiu obter o nome de todas elas e, de maneira resumida, descreveu um pouco sobre as mesmas, demonstrando a que classes sociais pertenciam e seus respectivos interesses na Casa de Caridade Santa Fé.

A primeira das Irmãs de Caridade, como já foi citada no primeiro e segundo capítulo, foi a Irmã Cândida Americana de Miranda Cunha, que, após viúva, quis permanecer na casa de caridade. Ela foi doadora de verbas para manter as casas ao lado de seu marido.

Posteriormente, veio a Irmã Felismina Maria dos Santos Peregrino, que era irmã do capitão Felinto Rocha, poderoso chefe em Bananeiras. Ela impressiona porque, mesmo diante de tantas riquezas de sua família, tinha tão forte apreço a Ibiapina que por ele foi convencida a ter uma vida dedicada a caridade.

A terceira das irmãs de caridade Maria do Sacramento iniciou sua vocação em Souza e seguiu para Santa Fé, exercendo o papel de enfermeira e depois de Superiora.

após a sua morte, com a criação da encíclica Rerum novarum no ano de 1891. Essa encíclica, se utilizando do discurso de que os pobres deveriam se erguer da pobreza e miséria através do trabalho se voltava para os direitos trabalhistas e primava pela ordem da sociedade, se contrapondo ao ideal de sociedade sem classes presente nas idéias marxistas da época. LEÃO XIII. Rerum Novarum. Carta Encíclica sobre a condição dos operários. Edições Loyola, São Paulo, 1991.

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É bom lembrar que ser enfermeira, nesse ambiente, não era algo fácil, já que havia nesse período inúmeras epidemias, atingindo a população.

A Irmã Maria de Lourdes foi órfã da caridade, mas se casou e, depois de viúva voltou para Santa Fé como superiora, pois, estando acostumada com o regimento da casa, não apresentou dificuldades em obedecer às normas e se destacar no meio delas.

Maria Ibiapina foi à última das diretoras, contactada por Mariz (1997) por meio de entrevistas e, como veremos adiante, buscou sempre seguir as normas das Casas trazendo, inclusive, meios para garantir seu sustento.

A maioria das mulheres que estavam em Santa Fé era rica. Tal constatação confirma a afirmativa de Comblin (1993) ao colocar que o poder de persuasão de Ibiapina era tão forte que foi capaz de fazer com que até mesmo as moças mais ricas chegassem ao ponto de apanhar os ossos que estavam espalhados pelas ruas e colocá-los nos cemitérios.

Com relação a essas mulheres, que estiveram em Santa Fé, é importante destacar que não foram apenas as diretoras que abandonaram as riquezas para seguirem Ibiapina, uma vez que o Beato Aurélio (sic), ao narrar sobre a sua convivência com o religioso, afirma que, em dezembro de 1873, Ibiapina trouxe para lá “[...] 6 moças que abandonaram as vaidades do mundo e vierão recoherem-se na Caridade para milhor amar e servir a Jesus Christo a quem elas tomavão por espozo [...]” (HOORNAERT, 2006, p. 160).

A forma como mulheres ricas resolviam se dedicar as instituições de Ibiapina também é enfatizada nas Crônicas das Casas de Caridade ao relatar sobre a conversão de duas moças no ano de 1863 em Bananeiras, conforme podemos observar em HOONAERT (2006, p.45):

Com efeito 2 virgens da principal família, que reprezentava na sociedade, forão estimuladas pela graça e penetraram as verdades que ouvião, e o rezultado foi despirem as gallas, os enfeites e as esperanas illuzorias do mundo, para seguirem o estreiro e áspero caminho da Cruz, acompanhando o doce Jesus a quem se consagrarão como espozas amantes e depois se recolherão na Santa Caza de Santa fé, onde estão a 16 anos.

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Enfim, as Irmãs Superioras da Casa de Caridade Santa Fé, geralmente, eram mulheres ricas que se dispunham de bens materiais para direcionarem as Casas de Caridade. É importante ainda, observar que a posição de destaque ocupada por muitas delas, certamente era uma forma que Ibiapina encontrou de recompensar pelos bens que outrora disponibilizaram a serviço de sua instituição, tal como Antonia Candida que doou a propriedade de Santa Fé.

2.4. A Seca de 1877 em Santa Fé

Entre todas as preocupações do Brasil, a seca certamente merece destaque, por ter sido vivenciada duramente pelo Norte do país. Ela foi mencionada até mesmo no discurso do Imperador em 1º de julho de 1877 como o pior dos problemas enfrentados pelo país, apesar de informar que houve uma considerável queda nas epidemias, apontando o auxílio da Comissão de Socorros Públicos e as iniciativas particulares como amenizações da situação.

Esse sofrimento da sociedade foi vivenciado também nas casas de caridade, devido à impossibilidade de seu líder em se locomover e de, portanto, conseguir pessoalmente as verbas necessárias para seu sustento. Sendo a solução encontrada por ele o envio, através de seu beato Ignácio, de uma carta relatando a situação das casas, em que apelava para versículos bíblicos que tinham como intuito, comover a quem eram destinados:

[...] É o padre Ibiapina que vos pede uma esmola pelo amor de Deus. Lembrai-vos, cristãos: a esmola apaga o pecado e faz achar misericórdia na presença de Deus no dia do juízo. Quando Deus julgar o mundo, dirá para os da direita: vinde, bendito de meu eterno Pai! Vinde receber o prêmio da glória que vos está preparada, pois estive com fome e me deste de comer, estive com sede e me deste de beber [...]56.

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Carta do Padre Ibiapina entregue em mãos ao Beato Ignácio em 2 de novembro de 1877 para dirigir a todos que ele pedisse esmolas. Arquivo de Santa Fé

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Um mês depois de enviar essa carta, Ibiapina fez uma descrição dramática de como estava Santa Fé, mostrando que os alimentos ficaram escassos e até mesmo a água já estava acabando, afirmando que as órfãs que lá estavam eram, em sua maior parte, menores de sete anos e que, diariamente, retirantes procuravam suas casas, nus e carentes de alimentos.

Nas cartas escritas por padre Ibiapina percebe-se, portanto, o quanto a seca de 1877 colocou Ibiapina em um estado de desespero mediante a fome e as freqüentes mortes que assolavam a região, bem como a indisponibilidade dos recursos, apelando para a comunidade com versículos da Bíblia que se voltam para o juízo final, e afirmando que quem fosse “bom” seria salvo enquanto as pessoas más pereceriam, apelando para o sentimento de partilha cristã.

Além do sentimento de autopiedade, presente nesse pensamento, e da visão de que, através do sofrimento, haveria uma maior aproximação com o ser supremo, ou seja, de freqüentes idéias de cunho mágico-religiosas, Gomes (1995) aponta que essas pessoas acreditavam ser as principais responsáveis por esses acontecimentos devido aos muitos pecados que eles acreditavam ter cometido:

É preciso refletir sobre o significado que tem para os sertanejos a convicção de que merecem viver a seca como uma condição de compromisso com o seu Deus, expiando nessa passagem de “fogo e dor”, de desencontro e agonia, os pecados em carne viva no envelhecimento precoce, nos molambos de gente em se tomam na dieta receptiva de cuscuz, feijão e arroz – quando isso é possível (GOMES, 1995, p. 112).

No entanto, a dimensão da seca vai além da ausência de água, ou seja, representa a ausência de comida e de recursos básicos para a sobrevivência, restando às pessoas a esperança por dias melhores e a fé de que essa situação seria passageira, já que, na visão deles, haveria o tempo bom após esse período de martírio, revelando, portanto, a expectativa por dias melhores.

As dificuldades no pensamento messiânico como um todo, portanto, eram passageiras; as privações, sinais de uma felicidade futura. No caso da obra missionária de Ibiapina, contavam, pois, com a providência divina aguardando-a através da

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sensibilização do Estado, da Igreja e de pessoas que os beatos tivessem contatos.

Para Thomas (1991, p. 78):

[...] A doutrina da Divina Providência consolava os homens pela morte de seus parentes próximos, reconfortava-os em seus infortúnios terrenos e apresentava a perspectiva da felicidade eterna como compreensão pelas efêmeras dores na existência na terra [...]

Thomas (1991) ainda observa que esta doutrina é bastante elástica, por fazer

com que os mais ricos se sentissem confortados com a sua situação por ser garantia da providência divina. Além disso, faz com que as pessoas mais religiosas vejam os momentos de sofrimento como passageiros e que, o ser supremo providenciaria o melhor para eles, não devendo se desesperar. Vale destacar que este pensamento é mencionado em todas as cartas que Ibiapina dirigia as suas instituições.

Apesar de se diferenciar de muitas missões de caráter messiânico, a obra de Ibiapina possui a profecia como um elemento comum as demais. Um exemplo claro disso é quando ele brada profeticamente “o Cariri Novo não me verá mais” ou ainda na Villa Teixeira no momento em que ele afirma que “a justiça divina faria recair os raios de sua ira” (MARIZ, 1997, p.141).

Diante da seca, a Villa de Teixeira realmente passou por grandes provações, que podem ser constatadas no Relatório realizado pela Comissão de Serviços Públicos, em 1879, direcionada ao presidente da Província da Paraíba José Rodrigues Pereira Júnior, em que a fome chegou a tal ponto que até mesmo cachorros eram disputados como alimentos pelos os mais pobres. Esse quadro de horror, segundo Gomes (1995), ao invés de gerar um espírito de revolta no sertanejo, lhe trouxe uma visão heróica de si mesmo por enfrentar essas dificuldades com resignação. A sua força foi demonstrada por meio do conformismo e do apego ao sobrenatural.

A população, em sua maioria, não se questionava pelo fato de a elite não ser prejudicada com a situação e nem tinha conhecimento dos freqüentes desvios de verbas que impediam a Comissão de realizar serviços a que eram destinados. Dessa forma, a Comissão de Socorros Públicos narrava esses fatos para o Presidente da Província, demonstrando-se insatisfeita ao presenciar o grande número de emigrações

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de pessoas pobres em busca de melhores condições de vida. Via-se a esperança do

povo e, concomitantemente, a sua fé de que estavam tendo o castigo merecido, sem saber que, na realidade, esses eram vítimas de uma constante exploração dos mais ricos que lucravam sem pensar na penúria vivenciada por eles.

As emigrações ocorriam porque o povo queria uma realidade melhor, sendo fruto do desespero, da falta de alimentos e da sede, que assolava a região. A emigração também pode ser considerada como esperança em encontrar em outra localidade uma terra que fornecesse frutos em abundância, assim como os hebreus que saíram em busca da “terra prometida”, conforme é narrado nos textos bíblicos. Essa não foi, contudo, a atitude das casas de caridade que buscavam elementos externos para socorrê-las, enviando o Irmão Ignácio para o Rio de Janeiro, a fim de que trouxesse verbas para essas instituições, conforme consta na carta escrita por Ibiapina (2/11/1877).

Essas doações foram agradecidas pelas órfãs que, motivadas por Padre Ibiapina, relatavam sobre a seca e o sofrimento vivenciados e demonstravam o quanto tinha sido importante a colaboração oferecida pelas pessoas do Rio de Janeiro, pois enviaram vultosas esmolas, conforme é mencionado no livro “Textos Inéditos” lançado em 2006, em que a UNIPÊ reuniu manuscritos da Casa de Caridade Santa Fé.

Nesse ano, ficam evidentes as necessidades da população através da Veneranda responsável pela Casa de Caridade em Cabaçeiras. Ela pediu recursos ao Presidente da Província mostrou que as 18 (dezoito) senhoras que nela residiam não conseguiam suprir as necessidades das 38 (trinta e oito) órfãs. Vale destacar que esta conseguiu os recursos solicitados, mas em uma ínfima quantidade, pois, em pouco tempo, reivindicou novamente o envio de recursos que durassem, no mínimo, quatro meses.

Enfim, o estado calamitoso nesse período é explicitado em narrativas de pessoas que o vivenciaram e que procuravam apoio de autoridades como os presidentes das províncias, líderes religiosos ou até da própria população, apelando para o sentimento de partilha cristã. É a partir de tais fontes e da abertura dos estudiosos para um estudo dessas temáticas que eles são possíveis de serem

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realizados, como se verificará melhor no quarto capítulo dessa dissertação, que dedicará um tópico para análise das cartas escritas durante a Seca de 1877.

A situação de morte e de sofrimento vivenciada pelos mais pobres, portanto, fazia com que, através desse quadro de terror, as pessoas tivessem em seu imaginário medo e assombro diante das constantes mortes e da fome que assolava o norte do país. Contudo, a esperança maior existente nas casas de caridade era certamente a de Santa Fé por manter um contato direto com Ibiapina. Porém, esta foi a que mais sofreu com sua morte por ter um contato direto com ele e por estar acostumada com sua presença na resolução dos seus problemas, conforme se verá no capítulo posterior.

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Capítulo 3 - A população e a Igreja antes e depois da morte de Ibiapina

3.1 A fé da população na época do Padre Ibiapina.

Após a análise do funcionamento da Casa de Caridade Santa Fé e das regras existentes nessa instituição, realizados no segundo capítulo, observar-se-á neste terceiro capítulo, qual era a relação entre o catolicismo praticado pelos admiradores de Ibiapina e aquilo que a Igreja Católica enquanto instituição trazia como ensinamento, levando-se em consideração a distinção entre as práticas do Norte Imperial, do Nordeste atual (após a morte de Ibiapina) e aquilo que é proposto pela Sé.

Logo de início, pode-se constatar que o trabalho missionário do Padre Ibiapina se deu em um período conturbado entre parte do clero e o Estado, ou seja, quando a Igreja desejava se auto-afirmar diante do poder secular, contrapondo-se, principalmente, ao controle que o Estado queria exercer sobre a mesma. Entretanto, Ibiapina não tomou partido nesse conflito, preocupando-se em doutrinar e em realizar obras sociais que atendessem às expectativas dos mais pobres. Ele julgava que as necessidades dos pobres tinham um caráter urgente, ocorrendo até a falta de padres para celebrar as missas, já que:

No Brasil retirando um raro Frei Caneca, e o presbítero de São Pedro o solidário intelectual e mártir de revoluções eloqüências liberais. Deles parte uma mística de ação, imposta pela personalidade irresistível, Padre Ibiapina, Padre Cícero, Padre João Maria. O frade não se tornou intimo porque o homem-do-interior não os conheceu pastoreando a freguesia, mas tempestuosos e ameaçadores nas Santas missas, bradados pelos apocalípticos capuchinhos. Serão, para o povo os videntes, profetas natos, sabedores do futuro, Frei Vital de Frascarolo e Frei Serafim de Catania, adivinhando pecados e “obrando milagres”. (CASCUDO, 1974, p 17).

Foram poucas as missões de religiosos ou beatos no Norte, porém merece destaque o Padre Hermenegildo Herculano Oliveira, contemporâneo de Ibiapina, por ter atuado na construção de cemitérios, igrejas e cruzeiros. Existiram, ainda, outras poucas missões de alguns Freis Capuchinhos que tiveram breve passagem. “Anteriormente aos dois só nos ocorre missionários no Sertão da Paraíba Frei Caetano de Messina, em