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Institusjonenes oppfølging av evalueringene og fagplanene

4 Oppfølgingen av fagevalueringene

4.2 Institusjonenes oppfølging av evalueringene og fagplanene

Apesar de se ter escolhido, como foco de estudo, a Casa de Caridade Santa Fé,

é importante compreender a situação vivenciada por Padre Ibiapina ao sair da direção das suas instituições no Cariri Novo, revelando o caráter ambíguo de sua obra e os motivos de Santa Fé ter sofrido tanto após a sua morte. O fato de Dom Luís não admitir que Ibiapina continuasse a frente da missão trouxe à tona que a peculiaridade da missão de Ibiapina não condizia de fato com aquilo que era proposto pela Igreja enquanto instituição.

Irineu Pinheiro afirma no jornal A ação do Crato que Ibiapina, ao contrário de

Dom Luiz, não queria constituir bens patrimoniais (se preocupando apenas em colaborar com os fiéis acreditando na providência divina e no apoio dos mesmos). Pois, na visão dele, o bispo se preocupava em garantir a população dotes capazes de manter a população. Em sua obra, no decorrer do tempo, essa diferença, segundo o relator, foi à causa do desentendimento entre eles, por estarem convencidos de que seus respectivos pensamentos estavam corretos.

Contudo, o discurso de Irineu Pinheiro ao colocar o Bispo como alguém que prima pela estabilidade dos bens patrimoniais, omite o interesse do mesmo em manter instituições estáveis, cuja função era tê-las sob o controle da Igreja Católica. Dessa maneira fica claro como o modelo proposto por Ibiapina o incomodava por trazer o leigo como figura indispensável e por simplesmente dar-lhes funções que não tinha a autorização canônica, como por exemplo, a criação de um tipo de ordem religiosa, ou seja, das Irmãs de Caridade, composta de mulheres leigas. Sendo assim, desagradava ao Bispo à ênfase dada por Ibiapina às obras sociais que contavam com a providência divina e o apoio financeiro de pessoas mais ricas. Isso se justifica pelo pensamento centralizador do Bispo em torno da Sé fazendo com que ele decidisse assumir a direção das obras construídas por Padre Ibiapina.

Diante dessas divergências e da atitude do Bispo Luís, Ibiapina escreveu uma

carta62 destinada aos beatos e às irmãs de caridade, na qual afirmava que aqueles que

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Carta escrita por Ibiapina em Gravatá, 29 de novembro de 1872 e publicada no jornal A ação no dia 31 de janeiro de 1943.

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desejassem, poderiam sair das casas e que, daquele dia em diante, os que permanecessem não deveriam pedir mais esmolas em seu nome, mas sim em nome da caridade. O tom melancólico da carta demonstra a sua insatisfação com a situação, passando a idéia de que sempre esteve de acordo com o pensamento clerical, mas ele não questionou a situação. Pode-se observar ainda que ele, de maneira discreta, incutia em seu discurso a vontade de que os leigos se voltassem para as instituições por ele dirigidas:

[...] Se porem algum biato ou Irman de Caridade, não poder, ou não quiser continuar os seus serviços pode retirar-se para sua casa e se julgar que lhe convem continuar a prestar serviços debaixo de minha direção pode procurar-me, que, com agrado receberei como filho espiritual, a quem amo e quem continuarei a prestar serviços espirituais, tanto quanto minhas pequenas forças permitirem.

O modo como Ibiapina se dirigiu para suas instituições do Ceará trazia consigo o seu poder de persuasão. E a forma paternalista que ele se utilizava para convencer os que já estiveram sob sua direção, mostrava que aqueles que quisessem permanecer sob suas ordens deveriam procurá-lo e seriam acolhidos.

Segundo Ramos (1998), o desejo de se sentir protegido dos devotos, se dá devido à busca pela segurança e a necessidade de se acreditar na coerência do mundo. No caso de Ibiapina, essa segurança dos devotos se dava devido ao suporte por ele fornecido na construção de obras sociais por ele dirigidas.

O paternalismo pode ser observado ainda quando Ibiapina afirma, em carta

escrita ao Cap. Lobo63, que resolveu sair da direção das Casas de Caridade para

defendê-las das acusações de desobediência e rebeldia, assumindo o papel de culpado e adquirindo o papel de herói e de pai espiritual:

Agora mesmo acabo de officiar ao Shr Bispo do Ceará entregando-lhe as Casas do Cariry Novo, para elle tomar conta dellas e dirigil-as, como verdadeiro Pastor desse rebalho: Cessarão as hostilidades que se faz a

63Carta escrita a Pedro Lobo de Menezes, regente da Casa de Caridade de Barbalha em 16 de março de 1872.in: MADEIRA, Maria das Graças de Loiola. Entre orações, letras e agulhas: a pedagogia feminina das casas de caridade do Padre Ibiapina - sertão cearense (1855-1883). Fortaleza, 2003. 240 fl. Tese (Doutorado) em Educação Brasileira. Universidade Federal do Ceará.

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Cazas, acussando-as de desobedientes e rebeldes, como sou eu o autor da rebeldia quero desaparecer de scena para não comprometer as Casas.

Contudo, Ibiapina, quando não estava na direção das Casas, se lamentava e usava um discurso religioso para afirmar que mesmo sem o seu auxilio estas permaneceriam fortes: “ellas permanecerão por serem obras de Deos, falta-lhe tudo no Mundo porém tem em seu favor o braço onipotente”. Além disso, para demonstrar que não tinha mágoas, enviou um beato de Santa Fé para colaborar nas Casas de Caridade

do Cariri Novo64.

Novamente constata-se a ambigüidade da conduta de Ibiapina em relação à Igreja, pois apesar de se mostrar obediente às autoridades eclesiásticas e de ser apontado como homem conservador, ele não deixava de buscar a autonomia e a peculiaridade do seu trabalho, sendo desvinculado de ordens religiosas oficiais e buscando o auxílio da própria população para concretizá-la. No que diz respeito à diferenciação entre Ibiapina e os padres de formação mais romanizada, destaca Oliveira (2007, p. 49) que:

[...] Os missionários romanizados agiam com o seguinte lema: “salva a tua alma”. Ibiapina motivado pelas virtudes teologais, atuava a partir do lema “salva o Nordeste da fome, da doença, do pecado, da morte, pela fé pela esperança e pela caridade”.

Ibiapina tinha interesses divergentes aos demais missionários ditos “romanizados” e ao próprio pensamento de Dom Luis, pois estava voltado para a prática e não estava ligado a ordens religiosas que pudessem dar suporte a suas ações. Com isso, conseguia atrair grande número de pessoas para sua missão, mas se afastava das idéias propostas pela Igreja enquanto instituição. Por mais que trouxesse

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Carta escrita a Pedro Lobo de Menezes, regente da Casa de Caridade de Barbalha em 26 de dezembro de 1874.MADEIRA, Maria das Graças de Loiola. Entre orações, letras e agulhas: a pedagogia feminina das casas de caridade do Padre Ibiapina - sertão cearense (1855-1883). Fortaleza, 2003. 240 fl. Tese (Doutorado) em Educação Brasileira. Universidade Federal do Ceará.

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consigo o discurso de que estava cumprindo suas regras e lutando contra a maçonaria, na prática, percebe-se o caráter personalista de sua obra.

Assim, após a sua morte, as casas de caridade, em especial Santa Fé, não conseguiram se firmar por muito tempo, já que não houve nenhuma pessoa preparada para substituí-lo. Sendo assim, será analisado o que aconteceu com a Casa de Caridade Santa Fé após a sua morte, tomando como base os relatos encontrados em Celso Mariz e a entrevista realizada pelo autor com as últimas irmãs de caridade, bem

como as entrevistas65 realizadas recentemente com Pe. Gaspar e Padre Floren, por

conhecerem a realidade de Santa Fé na atualidade.