Desde o surgimento do conceito de Estado e daí o aprimoramento das relações sociais, de trabalho e de produção o AIE Escolar encontra dificuldades em promover a formação de indivíduos críticos com compromisso com a causa ambiental, e não podemos aqui deixar de citar que neste sempre se acatam disposições emitidas por uma unidade de comando, que tem como foco primordial a formação e reprodução de indivíduos para compor a massa proletária e não para uma economia ecológica.
Não é intenção aqui discutir a relação de estrutura e superestrutura no âmbito de sua complexidade, mas exploraremos aqui e dentro da superestrutura as relações conflituosas tidas como reflexo do conjunto das relações sociais de produção.
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Anais da XIII Semana de Matemática
e III Semana de Estatística SEMATES 2013 ISBN 978-85-7764-034-8
Antônio Gramsci na busca pela objetivação do conhecimento explora muito bem o racionalismo do homem em forma de um questionamento.
“(..) Os homens tornam se conscientes (do conflito entre as forças materiais de produção) sobre o terreno ideológico das formas jurídicas, politicas, religiosas, artísticas, filosóficas. Mas esta consciência é limitada ao conflito entre as forças materiais de produção, ou se refere a todo conhecimento consciente?”. (GRAMSCI, 1995).
Neste sentido podemos explorar sem distorção que Gramsci não se refere ao materialismo histórico ou ao idealismo, mas sim a identidade do indivíduo dentro do “ato histórico concreto”, ou seja, na atividade humana. Para nós cabe intervir no sentido de que cada ato do homem transforma a natureza, e se este o faz, o faz conscientemente, posto que a identidade do indivíduo, de Gramsci, é moldada a partir de preceitos ideológicos bem definidos.
A Educação é vista por Gramsci como um campo pouco explorado na sociedade Marxista se comparado aos demais constitutivos:
“Na economia, o centro unitário é o valor, ou seja, a relação entre o trabalhador e as forças industriais de produção (os que negam a teoria do valor caem no crasso materialismo vulgar, colocando as máquinas em sí – como capital constante e técnico – como produtoras de valor, independentemente do homem que as manipula). - Na Filosofia, este centro é a práxis, isto é, a relação entre a vontade humana e a infra-estrutura econômica. - Na política, é a relação entre o estado e a sociedade civil, isto é, intervenção do estado para educar o educador, o ambiente social em geral” (GRAMSCI, 1995).
Outra vez o autor deixa nítida sua preocupação com a formação do cidadão, e estabelece aqui também que cabe ao estado viabilizar ao educador materiais e capital humano suficientes para que exerça seu pleno papel de cidadão; Talvez seja esta a única forma que se tem se hoje de fazer com que um indivíduo tenha consciência de seu papel enquanto formador e parte integrante do ambiente em que vive para desta forma passar a valorizar um meio de vida ecológico voltado para a sustentabilidade.
Depois do final da Segunda Guerra mundial tivemos o início do fenômeno conhecido como globalização, e com ele a necessidade de repensar as relações de trabalho e de produção para se adequar ao aumento da industrialização, internacionalização dos processos de fabricação, aumento exacerbado dos recursos renováveis, dispersão de resíduos industrializados de forma pouco uniforme, etc.
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A análise que Gaudêncio Frigotto desenvolve em A Produtividade da Escola Improdutiva sobre capital Humano é fator decisório para a compreensão da transição do pensamento econômico clássico da Sociedade Marxista baseado nos recursos renováveis para o pensamento sistêmico engendrado na base da teoria econômica neoclássica voltada para a sustentabilidade e que estabelece uma nova e necessária forma de encarar as relações de trabalho, produção e consumo, agora através da utilização de recursos renováveis e não renováveis. Para Frigotto :
“A tese central da teoria do Capital Humano que vincula educação ao desenvolvimento7 econômico, à distribuição de renda, configurando-se como
uma “teoria de desenvolvimento”, sem desviar-se de sua função apologética das relações sociais de produção da sociedade burguesa, vai desdobrando-se no campo da pesquisa, em trabalhos aparentemente contrários”. (FRIGOTTO, 1984).
Num modelo econômico baseado na teoria do Capital Humano em convergência com o compromisso da sustentabilidade o fator humano pode ocupar uma das posições chave para o aumento da produtividade e um instrumento de busca dos atrasos econômicos deixados por um modelo excludente. Um investimento no fator humano também serve para explicar as diferenças individuais de produção e renda, assim como de mobilidade social, que está aí intrinsecamente associado.
Analisando do ponto de vista da produção de um indivíduo na sociedade Neoclássica, Frigotto pontua:
“A um acréscimo marginal de escolaridade, corresponderia um acréscimo marginal de produtividade. A renda é tida como função da produtividade, donde, a uma dada produtividade marginal, corresponde uma renda marginal. Na base deste raciocínio infere-se literalmente que a educação é um eficiente instrumento de distribuição de renda e equalização social”. (FRIGOTO, 1984).
Nas palavras de Frigotto, fica implícito que há uma relação direta entre economia e educação, no entanto, o mesmo opta por dar maior valoração ao poder transformador que à educação incumbe se, em detrimento de enfatizar um uso direcionado da educação como instrumento capaz de interferir diretamente nas relações de produção e consumo, como prevê a Teoria do Capital Humano.
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Numa Economia Neoclássica diferentemente da Clássica que trás o produto Nacional Bruto como função do trabalho e do capital, e em alguns casos com o acréscimo da tecnologia, vemos a economia através de um processo sistêmico muito mais complexo onde o produto nacional bruto e o meio ambiente estão em função dos fatores trabalho, capital, da natureza e da tecnologia, esta visão surge não como uma opção, mas como uma necessidade nos dias atuais onde praticamente já não se tem mais bens naturais livres, fator preponderante para implantação de uma política econômica voltada para o desenvolvimento sustentável.
Ao reportarmos este panorama para a região norte do nosso Brasil como propomos a priori é fácil a verificação de que somente através da educação pode se modificar o quadro, dito desta forma por tratarmos de região com baixo fluxo de capital, de acesso a tecnologia e consequentemente a trabalho digno para a população, as poucas posições funcionais dignas são naturalmente ocupadas por profissionais de outras regiões do país com formação muito mais condizente aos planos de geração de renda dos empregadores, restando aí ao nativo o abandono da região ou exploração do mercado informal ou ainda na maioria dos casos o trabalho braçal e a cultura sitiante, alternativa de sobrevivência.
O argumento norteador deste trabalho consiste não em verificar um índice que quantifique a carência dos conceitos de sustentabilidade junto aos cidadãos, mas sim em demonstrar que uma grande gama de trabalhadores da região está e ficará trabalhando na agricultura ou agropecuária, inicialmente por questões sociais próprias da sociedade capitalista e devem reproduzir ali na prática o conceito de desenvolvimento sustentável sob pena de que em um curto espaço de tempo, sua última alternativa de renda venha a se extinguir por completo como o ocorrido na era industrial.
No período da revolução industrial tivemos em todo país a experiência onde o carvão mineral ou fóssil, substituiu a lenha como matéria prima e foi posteriormente substituído pelo petróleo que agora em parte é substituído pelo gás natural, todos estes fenômenos decorrentes da exaustão e mau uso de reservas acessíveis aliados ao progresso tecnológico extrativista e de transportes.