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Sammendrag og kunnskapsbehov

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O presente trabalho - O Poder do Anel na Diocese de Maringá - é fruto de uma investigação sociológica sobre o episcopado na citada diocese, projeto que tomou corpo com os trabalhos já desenvolvidos acerca do fenômeno religioso na diocese em foco e ampliou seu escopo de análise sob uma perspectiva comparativa, culminando na hierarquia eclesiástica da Igreja Católica sediada em Maringá.

O trabalho teve como perspectiva realizar uma reflexão sistemática a respeito das ações e das condições de formação e desenvolvimento das diversas frações constitutivas da noção do entendimento cultural do fenômeno religioso católico na cidade de Maringá.

Tentou-se dar ao trabalho uma feição eminentemente histórica e sociológica, conforme o viés estabelecido pelas fontes jornalísticas e os arquivos consultados, tendo-se constatado que os fatos ocorreram de maneira bastante distinta do que reza a já consagrada “historiografia oficial dos pioneiros”.

Guardadas as devidas proporções e, sobretudo, as diferenças de estilo organizacional e o peso político dos “historiadores oficiais”, pode-se afirmar que a Igreja Católica em Maringá atravessou um período de “construção institucional” bastante similar àquele por que passou a Igreja Católica na República Velha, com o fim do padroado.

A Igreja Católica em Maringá logrou êxito considerável em múltiplas frentes de atuação: estabilizou suas fontes de receita, constituindo um respeitável patrimônio imobiliário, constituiu várias paróquias e investiu na formação de um seminário. Dinamizou consideravelmente sua ação pastoral constituindo uma forte presença territorial, através da formação de mão-de-obra religiosa qualificada, diversificando a pauta dos serviços escolares de maneira a praticamente monopolizar a educação na diocese, no período analisado.

Celebrou alianças com facções oligárquicas regionais, possibilitando que a Igreja Católica em Maringá se projetasse como empreendimento religioso e como organização burocrática institucionalizada. Tais conquistas logo demonstraram sua eficácia, quando a diocese passou a operar em posição de relevo no centro da vida política regional ao longo da formação

histórica da cidade de Maringá e das demais cidades da circunscrição da diocese como um todo.

Outro ponto a ser considerado é o do caráter pessoal da figura do primeiro bispo da diocese de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho. Pode-se afirmar aqui que os laços familiares e corporativos desenvolvidos no decorrer dos anos de seu governo ocuparam um papel crucial nas estratégias de acumulação, produção e reprodução social das diversas ações pastorais constituídas. Sua ação pastoral constitui-se em atitudes representativas (simbólicas), pelas quais o Bispo manifestou seus interesses, valores e estratégias - peças do repertório da imagem com que pôde veicular e gerir uma identidade cultural religiosa mediante a qual estabeleceu sua rede de interesses sociais em função de seus interesses sociais, pastorais, eclesiais e pessoais.

O Bispo conseguiu constituir um espaço de poder em posições muito bem-delimitadas na cidade de Maringá, e conseqüentemente, em todo o território compreendido na circunscrição da diocese, Tal espaço se tornou um bloco de unidade de referência na formação dos núcleos de poder representados pelos círculos familiares da oligarquia local e pelos anéis de sociabilidade por estes produzidos

Desta forma, a diocese de Maringá, através do bispo Dom Jaime Luiz Coelho, contribuiu amplamente para a unificação dos interesses da elite burguesa da cidade de Maringá, bem como para a manutenção da ordem social estabelecida, através de intenso envolvimento em diversos domínios de atividades, onde logrou alcançar uma posição confortável de monopólio eclesiástico. Com a criação e gestão de vários estabelecimentos educacionais de instituições religiosas, por exemplo, a instituição eclesiástica se viu alçada a uma posição privilegiada na rede privada de ensino, o que lhe permitiu exercer um controle hegemônico da maioria dos estabelecimentos de ensino.

A participação nos principais eventos cívicos promovidos na cidade ao longo desses quarenta anos garantiu à hierarquia católica a concessão de subsídios e apoio político em favor de todo o complexo institucional sob a tutela eclesiástica.

O estilo episcopal de Dom Jaime, então em voga, tão apreciado e às vezes odiado pelas facções dirigentes da cidade de Maringá, prestou-se ao trabalho de legitimar o poder

das várias paróquias, de missas solenes, procissões e outras ocasiões propícias à consagração dos dirigentes leigos e de seus feitos.

Afora os amplos dividendos simbólicos e políticos agregados através destas iniciativas, a diocese de Maringá contribuiu ainda para a organização intelectual e cultural do setor católico das classes dirigentes, e conseqüentemente, de toda a sociedade, através da fundação de várias instituições de formação de opinião, como foram os casos do jornal Folha do Norte, da Universidade Estadual de Maringá, da Televisão Cultura – afiliada da Rede Globo, de programas de rádio e, mais recentemente, da aquisição da emissora de rádio AM Rádio Colméia e da criação de condições para a instalação do campus universitário da Universidade Pontifícia Católica do Paraná (dos Irmãos Maristas).

O Bispo também prestou uma colaboração direta ao trabalho político oligárquico mediante o apoio a candidaturas de partidos da direita conservadora, bem como através da militância na imprensa e em eventos culturais.

Por último, cabe mencionar o auxílio prestado pela organização eclesiástica às forças governamentais nas intervenções de repressão aos movimentos grevistas, por exemplo, os acontecidos na década de 1980 na Cocamar, e em outros eventos que poderiam pôr em risco a organização da ordem estabelecida local. Pode-se muito bem citar aqui a apatia política de que o Bispo foi tomado durante o regime militar e a negativa de ajuda aos militantes estudantis que solicitavam seu apoio quando acontecia alguma prisão arbitrária durante os anos de chumbo do regime militar.

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