[…] O ponto é formar leitores competentes. É para isso que serve a biblioteca, para aumentar a capacidade proactiva da escola na promoção da leitura em vários suportes e melhorar essas competências nos alunos. Hoje não chega ler escrever e contar, é preciso ler multimédia, ler em ambientes online. Portanto, na economia da informação e do conhecimento do século XXI, se não contribuirmos para leitores competentes e autónomos, capazes de construir o seu percurso como cidadãos habilitados, limitamos a função da escola, diminuímos as aprendizagens, a cidadania e, em última instância, não é fonte de desenvolvimento, que é para isso que serve a escola. E se isto é verdadeiro para Portugal, também o é para Moçambique ou para Timor, e é verdadeiro para países, ditos mais desenvolvidos, do norte da Europa. Para tal é necessário possuir um conjunto de recursos materiais e humanos para formar típicos leitores do século XXI, contrariando, assim, aquilo a que se poderá chamar a nova escravatura.
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Palavras proferidas por Teresa Calçada, Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal, aquando a sua visita à EPM – CELP, em Abril de 2011. Calçada visitou, também, as várias escolas do Sistema de Ensino de Moçambique, cujas bibliotecas foram integradas na rede, e nos diferentes contextos “ […] discursou sobre o papel das BE’s na promoção da leitura e do conhecimento e sobre a importância do livro enquanto recurso essencial para a redução da pobreza” (Albasini, in Pátio das Laranjeiras, Nº 75, 2011, p. 14).
Comparando a BE da Escola Primária Completa Polana Caniço A com bibliotecas de escolas portuguesas do mesmo nível de ensino, a Coordenadora da RBE disse não aferir diferenças, o que muito nos apraz já que, aquando a organização do espaço, equipamentos e fundo documental desta biblioteca, procurámos respeitar as linhas de orientação técnica e funcional, traçadas pela Rede de Bibliotecas Escolares.
Afirma uma das referidas linhas de orientação, a necessidade de se instituir a BE
“[…] como um núcleo da organização pedagógica da escola, vocacionado para as actividades culturais e para a informação, constituindo um instrumento essencial do desenvolvimento do currículo escolar” (Veiga, 1996, p. 13). É, justamente, no âmbito deste princípio que propomos, no projecto “aLer+ na Escola Primária Completa Polana Caniço A”, a articulação entre as actividades da BE e as aprendizagens curriculares, sugerindo-se, por exemplo, a dinamização da “Hora do Conto” e o apoio a grupos de leitura. Com o desenvolvimento deste projecto e com as visitas dos alunos à BE, acreditamos conseguir ‘criar e manter nas crianças o hábito e o prazer da leitura, da aprendizagem e da utilização das bibliotecas ao longo da vida’. A confirmar a proficuidade da relação entre a BE e as aprendizagens curriculares, o Manifesto da UNESCO para as Bibliotecas Escolares refere:
“Está comprovado que quando os bibliotecários e os professores trabalham em conjunto, os alunos atingem níveis mais elevados de literacia, de leitura, de aprendizagem, de resolução de problemas e competências no domínio das tecnologias de informação e comunicação” (FIABB, 2000, p. 1).
Nesta conformidade, o Manifesto prescreve, entre os vários objectivos da BE:
“apoiar e promover os objectivos educativos definidos de acordo com as finalidades e currículo da escola; […] trabalhar com alunos, professores, órgãos de gestão e pais de modo a cumprir a missão da escola; […]” (IFLA, 2000, p. 3).
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Sequeira (2000), igualmente reportando-se às finalidades e funções da biblioteca escolar, faz alusão ao apoio às actividades curriculares e aos processos de aprendizagem em geral. E, ainda no âmbito da sua explanação, a autora refere:
“Tendo em conta que, por vezes, os únicos contactos com o livro por parte dos alunos são aqueles que são feitos na escola, é necessário que a escola se envolva nesse processo através de um dos seus mais importantes recursos – a Biblioteca” (Sequeira, 2000, pp. 46/47).
A advertência da autora remete-nos para a realidade moçambicana, sabendo-se, de acordo com Diniz (2005), que integra uma maioria de crianças, provindas de ambientes familiares carentes, que contactam, pela primeira vez, com o lápis, com o papel e com o livro quando entram para a escola.
Clemente (2001), porém, caracterizando os contextos escolares moçambicanos, apresenta um quadro que se revela, igualmente, preocupante, indicando a falta de instalações e de recursos humanos e materiais. Entretanto, defensor da motivação e perseverança no processo de ensino – aprendizagem, propõe que as escolas insistam na criação de condições para o desenvolvimento de projectos educativos, pelo que refere:
“Devido aos fracos recursos de que dispõe uma quantidade considerável de escolas, é de todo o interesse que se criem condições com os meios existentes a nível de cada região” (Clemente, 2001, p. 103).
Quist (2007), por exemplo, sugere que se minimize a falta de recursos materiais utilizando-se, nas escolas, objectos de desperdício para a construção de materiais de apoio, plantas locais para se fazer tintas, os recursos existentes no recinto escolar e no ambiente local para o enriquecimento dos temas curriculares; ao nível dos recursos humanos, sugere o envolvimento dos encarregados de educação e de outros membros da comunidade nas actividades da escola.
No que diz respeito à leitura, em escolas onde não existem bibliotecas, o manual escolar é, normalmente o único livro a que a criança tem acesso e, mesmo assim, nem todas. A ausência de livros nas escolas inscreve-se, também, na problemática da falta de recursos materiais, pelo que Gonçalves et al. (2004) sugerem a recolha ou criação de textos adaptados à realidade e, ainda, a utilização de textos produzidos pelos próprios alunos.
Embora exista na EPCPCA uma biblioteca de raiz, devidamente equipada, as dificuldades ao nível dos recursos materiais e humanos são, de igual modo,
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sentidas. Clemente (2001), no entanto, sempre defendendo a possibilidade de se superar os constrangimentos, refere:
“Existe uma infinidade de actividades que os professores e estudantes poderão desenvolver à volta da biblioteca. A iniciativa e criatividade são factores que muito contribuirão para o sucesso” (Clemente, 2001, p. 67).
Em consonância com o autor, pretendemos que a BE da EPCPCA seja um espaço integrador de práticas educativas criativas, inovadoras, estimulantes e facilitadoras das aprendizagens curriculares.