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Samisk språk – og anerkjennelse

Visando a atender a objetivos variados, as redes sociais mobilizam recursos de dupla origem: um, que é gerado pelo tecido social das comunidades, no sentido americano da vizinhança e proximidade geográfica; e o outro, que é gerado por um tecido social alargado: associações, clubes, família e aliados geograficamente afastados. Porém as conseqüências, por atender a diversos recursos cobiçados, dependem de diferentes modelos de elos e de suas localizações nas redes. Tais conseqüências atribuem à rede social diferentes papéis, conforme Deroy-Peneau (1991): promoção no trabalho pela rede de relações pessoais, ativismo político pelos grupos de pressão, suporte social por especular-se que as características das redes de um indivíduo podem afetar significativamente sua saúde, longevidade e bem-estar, paz e proteção social quando reintegram na sociedade as pessoas marginalizadas, aquisição de experiências, contestação dos tradicionais canais de comando no mundo da gestão e mobilização social pelos canais de relacionamento entre amigos, colegas, etc.

Por causa desses diferentes papéis, na perspectiva de Deroy-Pineau (1991), ratifica-se a idéia de que a rede representa uma forma organizacional particularmente adequada para assegurar as ligações produtivas sem sobrecarga estrutural. Então, é preciso salientar que o estudo das redes organizacionais não pode ocorrer de modo isolado, distanciado de outros métodos das ciências sociais e econômicas, por derivar do uso crescente dos resultados aproximados de teorias diferentes. Assim, ilustra-se a influência estrutural - para o estudo de redes - sobre a cultura e conclui-se que as associações sociais dependem da posição social e da ocasião de contato, pois os indivíduos não são unicamente influenciados por valores e normas, mas também pelas condições estruturais e vice-versa. Daí que Moergenztern e Slama (1991) acreditam nas redes como locus para desenvolvimento de ações alternativas, efetivação das práticas de rupturas ideológicas quanto à mudança e contrapoder, criação de espaço alternativo além dos poderes ou ao lado deles, utopia social e signo de luta, constituindo-se então, um desafio para a teoria das organizações em vigor, principalmente na construção de modelos gerenciais, porque as redes organizacionais enfrentam um outro grande desafio:

O fato de vários gerentes, acostumados a conviverem num ambiente de competição selvagem, não conseguirem gerenciar essas novas formas organizacionais, ou até, fazem com que a competição se estabeleça dentro das próprias redes organizacionais. A colaboração, reputação e confiança mútuas devem dirigir essa nova forma organizacional. Apesar de existir um número considerável de conceitos gerenciais que possam ser aplicados no caso das redes organizacionais, cresce a necessidade de desenvolver conceitos próprios de gerência que lidam com os problemas específicos das redes organizacionais (PECI, 1999, p.14)

Assim, podemos dizer que as redes sociais apresentam uma proposta desafiadora não só para tópicos como cooperação, (re)integração, harmonia, trocas e relações, mas principalmente para a participação. Porque é no bojo da participação que reside a possibilidade de executar os tópicos citados, uma vez tendo-a claramente como um escopo absorvedor e de exercício da democracia ao inserir e ouvir todos os grupos participantes.

Randolph (1994) considera que essas redes sociais são novas por decorrerem de uma nova sociedade ou de nova articulação entre os diversos atores sociais no atual contexto capitalista, e ratifica sua opinião ao afirmar que o relacionamento entre o Estado e sociedade sofre modificações a partir da criação de redes de solidariedade, as quais se fortaleceram ppor causa das políticas neoliberais e com a proliferação das organizações não governamentais (ONG).

A contextualização dessas redes sociais refina-se e tende a deslocar-se para a parceria, que apresenta-se como indispensável entre os atores para o desenvolvimento do local ou da organização, adquirindo mais o espírito de cooperação que de controle, de defesa de interesses próprios ou apropriação de resultados. A parceria pode nascer da vontade de uma instituição ou de um ator líder que procura ampliar a sua ação e até mesmo exercer um certo controle sobre o ambiente de sua atuação. Para Delévaux e Gomez (1991), a parceria está marcada pela idéia da necessidade de trabalhar junto, multiplicar e de combinar os diversos atores implicados, representando diferentes níveis de organização ou de recurso. A parceria é também considerada como a possibilidade de compartilhamento dos recursos disponíveis entre as instituições ou pessoas relevantes das instituições, as quais reconhecem a necessidade de apelar para os recursos de outros para fazer frente aos problemas identificados, necessitando uma resposta coletiva, visto que a responsabilidade pela “solução de um problema é de cada uma das partes e não apenas de um só dos atores" (SANTOS, 1996, p.279).

Por ser também um sistema de relação firme, a parceria funciona como um circuito fechado (aproximado do modelo tradicional de organização técnico-administrativa) ou mais aberto (com fronteiras ilimitadas), e este esquema compreende um centro ou uma pessoa com parcerias iguais, desiguais, diferentes ou concepções não semelhantes na natureza dos laços entre os atores. Há nisso a necessidade de estabelecer as marcas que permitam aproximar as idéias de garantias, até mesmo de carta-contrato, balizando o funcionamento da parceria e a

partilha justa dos resultados mediante as condições de reconhecimento da legitimidade das estratégias de cada um, mediante também uma certa lucidez e transparência de comunicação, bem como a expressão clara de princípios dos meios de balanço e de avaliação. Conforme está apresentado no QUADRO 7, pode-se inferir que a parceria apresenta-se como institucional e a rede, como informal, assim como parceria e rede coexistem bem, sendo que, para fazer funcionar as parcerias, necessita-se das redes efetivas, pois a rede é o terreno da parceria e também do exercício de uma liderança, possivelmente, diferenciada.

Neste ponto, é necessário apresentar as nuanças da rede e da parceria, no sentido de clarificar as suas peculiaridades, conforme mostra o QUADRO 7.

QUADRO 7 Rede x Parceria

REDE (anos 90) PARCERIA (anos 80)

Representação ou participação dos usuários e articulação entre redes primárias e secundárias

Combinação de lógicas de estratégias, às vezes difíceis de conciliar

Informal Formal

Elaborada sobre uma base de relações de escolhas e tende ao consenso (implicitamente)

Tem em si o conflito e permite a expressão do dissenso Fomenta a geração de conflitos Da capacidade de gerir os conflitos nasce a ação

Uma carne Uma armadura

O terreno para as parcerias Uma forma pouco estruturada, acordada, até mesmo institucionalizada, uma tentativa de rede

FONTE – Santos, 1995

A respeito da interconexão entre rede e parceria, quando nos referimos a Brasil, consideramos importante ressaltar (assim como se deve fazer para qualquer país) que a rede social encontra barreiras para a sua instalação e funcionamento no momento da articulação com o poder público em função da existência do que Chauí (2000) chama de personificação

na esfera pública: quando o poder público é incorporado na esfera privada do indivíduo interessado nessa disfunção. A partir daí tem início a troca de favores visando a “conseguir alguma coisa” e assim constitui-se o âmago da personificação da esfera pública, desvirtuando as relações e consequentemente o direito alheio. Superar essa barreira no Brasil exige

determinação própria e uma imersão na lógica do personificador para conseguir neutralizá-lo. Chauí (2000, p.90-92) nos lembra que o hábito brasileiro de supor ser o autoritarismo algo inerente ao trato político o impede de perceber que o autoritarismo está intrínseco na sociedade brasileira e é justamente ela a geradora do autoritarismo político. A autora resume assim os traços marcantes desse autoritarismo:

a) “As divisões sociais são naturalizadas em desigualdades postas como inferioridade natural em função da cópia da estrutura senhorial da Colônia, nesse bojo estão as mulheres, os pretos, trabalhadores, índios, imigrantes, idosos, diferenças de gênero e etnia e homossexuais.”

b) “Os privilégios da lei para os “grandes” e a repressão para as camadas populares, decorrente das relações privadas ancoradas no mando e na obediência, com uma recusa tácita em operar os direitos civis e dificuldade para reconhecer os direitos substantivos.”

c) “Em relação aos direitos há uma redução do espaço público e uma ampliação do espaço privado, consequência direta da não diferenciação entre o público e o privado no período da invasão, pois a Coroa deixou nas mãos dos particulares a tarefa de colonizar e assim começou a construção de uma relação de favor, clientelismo e tutela, com corrupção dos fundos públicos.” d) “Uma dominação exercida sobre os demais alicerçada num discurso

nacionalista buscando solidificar um “caráter nacional” ou uma “identidade nacional” com o propósito de forjar a imagem de uma pátria ordeira, pacífica, indivisível e porque não dizer “cordeira”. Com isso as classes dominantes conseguiram manipular e bloquear o poder público, no sentido das ações sociais e direitos civis.”

e) “O fascínio pelos símbolos de prestígio e poder vias títulos de nobreza ou até mesmo o de “doutor” demarcando assim uma distância social entre as classes e desclassificando o homem pobre livre.”

A inserção dessa análise de Chauí teve como objetivo enfatizar que o processo de construção de uma rede social, no Brasil especificamente, requer a construção de parcerias, sobretudo, no sentido de conseguir realizar seus objetivos. Muitas vezes, essas parcerias, necessariamente, envolverão acordos que podem colocar em questão os valores éticos.

Após essas considerações acerca das redes econômicas e sociais, é preciso refletir sobre o que impulsiona o funcionamento dessas relações nas suas particularidades, nos seus arranjos. Para nós, esse motor está nas racionalidades substantiva e instrumental que sustentam o desenvolvimento e a manutenção de cada um desses relacionamentos e também influenciam a construção de novas redes organizacionais. Entretanto, acreditamos que o sucesso das redes está limitado, de certo modo, pelo caráter institucional que tende a adquirir ao longo dos anos, sendo isso o nosso próximo de reflexão.