4. Analyse og drøfting av resultater
4.2 Samhold
Chegamos, então, em nossas análises, àquele que foi o ano que mudou a forma de se ver e construir o terrorismo. A expressão “ano que mudou o mundo” ou “ano que mudou a história” foi disseminada pela mídia para caracterizar 2001. Passados mais de dez anos desde os atentados aos EUA, a história mostra que aquele episódio traçou o destino e os caminhos de países, dirigentes políticos, investimentos e vidas de pessoas comuns. O primeiro avião lançado sobre o WTC em Nova York foi uma espécie de mistura de press release com evento de grande eficiência no que se refere ao seu poder de comunicação. Isso pode parecer uma brincadeira de mau-gosto, mas, no fundo é uma verdade. Unindo a opinião de vários autores (LORENZON et MAWAKDIYE, 2006;
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REGO, 1987; e DUARTE, 2002) que pesquisaram e escreveram sobre comunicação organizacional e as estratégias para atrair a atenção do jornalismo, a fim de gerar pautas, chegamos a um resumo do que deve ser feito por um bom assessor de imprensa que queira ver seu cliente na mídia:
a. Levar aos jornalistas notícias novas;
b. Disponibilizar informação interessante que possa gerar várias matérias, com vários vieses e possibilidades de suítes;
c. Produzir imagens de alta qualidade informativa; d. Produzir imagens impactantes;
e. Mostrar que aquilo afeta a vida das pessoas;
Todos esses elementos estavam ali, no material fornecido à mídia pelos chamados terroristas.
Outro ponto importantíssimo para quem trabalha com assessoria de comunicação é saber a hora de produzir um fato e contatar a imprensa para sua cobertura. O momento exato do evento e/ou da abordagem pode definir o sucesso ou o fracasso de uma ação de comunicação.
Tudo isso foi aproveitado pelos terroristas do 11 de setembro. A lógica do mercado de comunicação foi utilizada dentro da estrutura montada pelos próprios veículos de comunicação contemporâneos.
O primeiro avião a atingir o WTC foi, como já afirmamos, uma espécie de press release, que convocou a imprensa a assistir o restante do espetáculo ao vivo. Um avião atingindo um dos principais cartões postais dos EUA não é um fato que pode ser ignorado. Jornalistas do mundo inteiro se voltaram para a torre em chamas e para tentar compreender o que estava acontecendo ali. Isso, por si só, já é um cenário espetacular, que atende a todos os requisitos das informações corporativas de qualidade e, obviamente, se enquadra em vários dos critérios de noticiabilidade que discutimos no capítulo 2. Foram cerca de 20 minutos até o impacto do segundo avião na outra torre. Tempo suficiente para convocar o mundo a olhar para aquele acontecimento espetacular. O choque do segundo avião foi mais que um atentado. Ele foi um aviso de
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que as coisas ali não eram acidentais e fez com que a imprensa do mundo todo corresse para descobrir quem seriam os responsáveis por tudo aquilo.
Ou seja, Osama bin Laden e seus seguidores se utilizaram da lógica da imprensa ocidental contemporânea para dar aos jornalistas o que eles queriam e, ao mesmo tempo, alimentaram uma espécie de grife do terrorismo, ao assumirem os atentados que seriam copiados diversas vezes por outros terroristas. Conforme já observamos, diferente do que acontecia no século XX, o terrorismo do Século XXI não quer ficar na clandestinidade. Ele se tornou mais um alimentador do jornalismo-espetáculo e, ao mesmo tempo, passou a se alimentar da visibilidade gerada por seus atos e por uma mídia sedenta por shows ao vivo e de longa duração, num verdadeiro ciclo de interesses. Para Melo Neto,
Os ataques terroristas aos Estados Unidos demonstraram ao mundo o surgimento de um novo tipo de terrorismo. Para o especialista americano Ian O. Lesser, o novo terrorismo tem as seguintes características: utilização de ataques em maior escala com um enorme número de vítimas fatais, escolha de alvos simbólicos e ataques sem objetivos claramente definidos. (2002, p. 28)
Como evento comunicativo, dentro da atual lógica da informação e da construção de notícias, podemos dizer que as ataques às torres gêmeas e os demais ataques que se seguiram (ao Pentágono e a tentativa à Casa Branca) foram muito bem sucedidos. Por outro lado, podemos dizer que como evento noticioso, os ataques também foram favoráveis à mídia, pois nunca tantos aparelhos televisores ficaram ligados simultaneamente no mundo, nem as tiragens dois impressos foram tão altas. Para se ter uma ideia, a audiência do Jornal Nacional da TV Globo foi de 52 pontos, a maior audiência daquele ano, segundo site da própria emissora. Mais profundamente, podemos dizer ainda que os ataques serviram para a promoção do governo dos EUA. Um povo com medo é um povo mais manipulável, já nos mostraram os regimes totalitários no mundo. Criou-se a partir do estado de terror gerado pelos atentados um novo tipo de
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ditadura, baseada nas necessidades imperativas de imposição dos estadunidenses sobre o resto do mundo, sob pena de o caos tomar conta, não apenas dos EUA, como de todo o mundo ocidental.
Mas o que fez com que esses eventos pudessem servir como combustível para que o “mundo não fosse mais o mesmo”? Como vimos no capítulo anterior, por trás dos critérios de noticiabilidade da imprensa, do seu uso pela mídia e fora dela e nas reações do público existem medos e necessidades complexos, escondidos sob camadas e mais camadas de história da cultura humana. Nas páginas a seguir, procuramos expor essas camadas e aproximar as origens culturais humanas dos resultados obtidos com os atuais atentados terroristas e sua cobertura midiática.