Apesar da pouca variedade de materiais inconsolidados encontrados na área, durante os trabalhos de campo verificou-se que um mesmo tipo de material poderia ser encontrado com diferentes profundidades, disposto em seqüências diferentes ao longo da encosta, ou ainda estar ou não presente em meio ao perfil. Então, com base nas observações de campo, foram definidos um total de 13 perfis típicos distribuídos em 10 unidades de materiais inconsolidados.
As características de cada unidade são apresentadas a seguir, juntamente com o perfil típico mais representativo. Para facilitar a visualização dos diferentes perfis típicos foram utilizadas tabelas contendo as características necessárias para a sua identificação em campo com desenho ilustrativo. As hachuras das camadas no desenho do perfil seguem a identificação mostrada abaixo:
I-R VII-A
II-R VIII-T
III-S Rocha alterada
IV-S RX Rocha Sã
V-S Contato abrupto
Características como graduação granulométrica e tipo de contato entre as camadas estão indicadas na forma de números, cujo significado é o seguinte:
Quanto a granulometria Quanto ao tipo de contato
1 decrescente para a base abrupto
2 crescente para a base gradual
3 inexistente ---
4.3.2.1. Unidade U1
Esta unidade apresenta uma profundidade total de materiais inconsolidados superior a 3m, cujo contato com a superfície do saprólito é dificilmente encontrado, com exceção do ponto 57, onde ele ocorre a 3m de profundidade. A seqüência de camadas que melhor representa esta unidade é apresentada na TABELA 4.7.
A característica mais marcante desta unidade é a presença constante do material VI-A na superfície, com profundidades variando de 0,5 a 1m, como pode ser visto na FIGURA 4.26.
Na TABELA 4.8 são apresentados valores de índices físicos encontrados em profundidade para o ponto 55, caracterizado pelas amostras I2A-F, que se encontram dentro desta unidade. Pode-se verificar, que apesar do perfil ser composto por diferentes tipos de materiais inconsolidado s, a variação ao longo do perfil é muito pequena.
Tabela 4.7: Perfil típico da Unidade U1.
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
VI-A 0,5-1 1 1
I-R 0,3-0,7 2 2
II-R 1-2,5 1 ---
Obs. Presença de veios de quartzo em meio a camada I-R
?
Tabela 4.8: Índices fisicos para várias profundidades - unidade U1.Amostra Prof. Coleta (cm) e ρd (g/cm3) n (%) ρn (g/cm3) w(%)
I-2A Superficial 1,249 1,194 55,5 1,473 23,4 I-2B 20 1,181 1,231 54,2 1,513 22,9 I-2C 40 1,064 1,301 51,5 1,682 29,3 I-2D 105 0,939 1,385 48,4 1,778 28,4 I-2E 135 1,076 1,344 51,8 1,741 29,6 I-2F 160 1,342 1,191 57,3 1,544 29,6
Figura 4.26: Exemplo de perfil típico da unidade U1.
4.3.2.2. Unidade U2
Esta unidade possui características semelhantes à U1. A principal diferença está relacionada com a profundidade total do perfil, que neste caso não ultrapassa 3m. Nesta unidade o material do tipo VI-A é apenas encontrado localmente, sendo que a porção superficial é caracterizada pela presença do material I-R, cuja profundidade pode chegar a 1m. Quando presente, o material VI-A ocorre com profundidades máximas de 0,2 m. As demais características desta unidade podem ser vistas na TABELA 4.9.
Nesta unidade, em alguns locais, é possível visualizar uma parte do saprólito, sendo que a espessura da porção aflorante chega no máximo a 1 m.
Em alguns locais é comum a ocorrência de porções de composição quartzosa preservadas em meio a camada de material II-R, como pode ser visto na FIGURA 4.28.
Na TABELA 4.10 é apresentada a variação dos índices físicos em profundidade, encontrada no ponto 72 e característica para esta unidade.
Tabela 4.9: Perfil típico da Unidade U2. Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométricaGradação Contato Perfil
I-R 0,5-1 1 2
II-R 1-2 2 2
III-S > 1 --- ---
Obs.
Presença de raízes e matéria orgânica no topo da camada I-R.
Veios de quartzo dispersos nas camadas I-R e II-R
Localmente podem ocorrer camadas superficiais do tipo VI-A
?
Tabela 4.10: Índices fisicos para várias profundidades - unidade U2.
Amostra Prof. Coleta (cm) e ρd (g/cm3) n (%) ρn (g/cm3) w(%)
I-12A Superficial 1,670 1,006 62,5 1,321 31,3 I-12B 50 0,984 1,354 49,6 1,614 19,2 I-12C 80 0,864 1,433 46,3 1,567 10 I-12D 115 0,852 1,434 46,0 1,638 13,23 I-12E 150 1,032 1,373 50,8 1,626 18,4 I-12F 160 1,122 1,315 52,9 1,767 34,4 I-12G 200 1,146 1,300 53,4 1,784 37,2
Figura 4.28: Perfil de solo representativo da unidade U2. Presença local de camada de material VI- A.
4.3.2.3. Unidade U3
É semelhante à unidade U1 pois se caracteriza por apresentar uma camada espessa de aterro do tipo VI-A sobreposto ao perfil residual típico. A espessura total pode chegar a 3 m, sendo que a camada de material I-R tem profundidade máxima de 0,5m (TABELA 4.11).
A diferença entre esta unidade e a U1 é que se observa o contato com o material saprolítico do tipo III-S. Além disso, é comum a presença de fragmentos de rocha na base do material II-R.
Tabela 4.11: Perfil típico da unidade U3.
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
VI-A 0,5-1,5 3 1
I-R 0,2-0,5 1 2
II-R 1-1,5 3 2
III-S >1 3 ---
Obs. Presença de fragmentos de rocha na base da camada II-R
?
4.3.2.4. Unidade U4
Apresenta profundidade máxima de 2m, com distribuição equivalente de materiais I-R e II-R. A profundidade da camada II-R varia lateralmente, de acordo com o tipo de saprólito, podendo chegar até 2m em locais onde há predominância da porção gnáissica do bandamento migmatítico.
Esta unidade é a segunda maior, estando presente em aproximadamente 15% da área mapeada.
Em alguns locais, principalmente próximo às ruas, pode ocorrer material de aterro VI-A, comumente de profundidade inferior a 0,3m. Assim como na unidade U2, nesta unidade, em alguns locais, é possível visualizar uma parte do saprólito, sendo que a espessura da porção aflorante chega no máximo a 1 m. Isto ocorre preferencialmente em locais onde foram realizados cortes profundos na encosta.
Amostras indeformadas coletadas em profundidade no ponto 7 apresentaram valores de índices físicos variados em profundidade, conforme pode ser visto na TABELA 4.13.
Tabela 4.12: Perfil típico da unidade U4
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
I-R 0,5-1 1 1
II-R 0,5-1 2 ou 3* 1
V-S > 1
Obs. * 3 quando em contato com III-S e 2 quando em contato com IV-S
?
Tabela 4.13: Índices fisicos para várias profundidades - unidade U4.
Amostra Prof. Coleta (cm) e ρd (g/cm3) n (%) ρn (g/cm3) w(%)
I-6A 30 1,085 1,288 52,0 1,603 24,5 I-6B 50 0,970 1,363 49,2 1,778 30,5 I-6C 180 1,283 1,218 56,2 1,627 33,6 I-6D 150 0,862 1,493 46,3 1,920 28,6 I-6E 200 1,090 1,294 52,2 1,706 31,8
4.3.2.5. Unidade U5
Esta unidade apresenta a mesma seqüência de materiais da unidade U4, porém a camada II-R apresenta espessura inferior (TABELA 4.14). Portanto, este perfil apresenta profundidade máxima de 1,5m. Além disso, observa-se a ocorrência de porções de coloração escura, aparentemente ricas em matéria orgânica, entre as camadas I-R e II-R.
Nas porções da unidade U5 localizadas na região leste da área, foi verificada a a presença da rocha migmatítica, de difícil visualização em outros locais (FIGURA 4.29a).
Tabela 4.14: Perfil típico da unidade U5
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
I-R 0,7-1 1 1
II-R 0,2-0,5 1 ou 2 2
IV-S > 1,5
Obs.
Horizonte rico em matéria orgânica e presença de raízes no topo do perfil.
Presença de fragmentos de rocha alterada junto ao contato da camada II-R e IV-S
a) Unidade U5a.
Esta unidade varia da unidade U5 apenas por apresentar predominância do saprólito do tipo IV-S na camada inferior (FIGURA 4.29b).
Figura 4.29: Perfil representativo da unidade U5(a)- (Ponto 10) e U5b(b)- (Ponto 31).
4.3.2.6. Unidade U6
Apresenta pequena profundidade, chegando a apenas 0,7m da superfície até o topo do saprólito, porém é composta por um perfil residual completo cujas camadas apresentam espessura pequena (TABELA 4.15).
Tabela 4.15: Perfil típico da unidade U6.
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
VII-A 0,4 3 1
I-R 0,2 3 2
II-R 0,1 3 2
III-S/V-S > 1
Obs. Profundidade de V-S pode ser maior nas faixas mais gnaissicas
?
a b Migmatito alterado Perfil residualUnidade U6b.
Esta unidade difere da unidade U6 pela ausência do material II-R, e também pelo enriquecimento em matéria orgânica da camada I-R. As espessuras dos demais materiais permanecem iguais a U6.
Índices físicos obtidos para a unidade U6 são apresentados na TABELA 4.16. Estes valores foram obtidos no ponto 85.
Tabela 4.16: Índices fisicos para várias profundidades - unidade U4.
Amostra Prof. Coleta (cm) e ρd (g/cm3) n (%) ρn (g/cm3) w(%)
I-3A 30 1,266 1,185 55,9 1,552 31 I-3B 50 0,915 1,402 47,8 1,754 25,1 I-3C 80 1,087 1,296 52,1 1,680 29,6 I-3D 100 1,017 1,341 50,4 1,703 27 I-3E 150 1,103 1,286 52,4 1,639 27,4 I-3F 200 1,276 1,189 56,1 1,580 32,9
4.3.2.7. Unidade U7
Esta unidade é caracterizada principalmente pela ausência de material do tipo II-R, ocorrendo a transição direta do material IR para saprolito do tipo V-S (TABELA 4.17). Localmente podem ser encontradas porções de material de aterro do tipo VI-A, em geral de pequena profundidade. Um exemplo de ocorrência desta unidade pode ser visto na FIGURA 4.30.
Esta unidade está presente principalmente na região norte da área, abrangendo aproximadamente 25% da área mapeada.
Tabela 4.17: Perfil típico da unidade U7
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulom. Gradação Contato
I-R 0,7 1 2
V-S > 1,5
Figura 4.30: Exemplo de perfil típico da unidade U7.
4.3.2.8. Unidade U8
Esta unidade está presente apenas na região oeste da área, e a sua principal característica é a presença de uma espessa camada de material do tipo VII-A diretamente sobre o saprólito (TABELA 4.18). Localmente podem ocorrer camadas delgadas de material arenoso do tipo I-R em contato gradacional com o saprólito, e também afloramentos da rocha migmatítica alterada.
Tabela 4.18: Perfil típico da unidade U8
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
VII-A 1-1,2 3 1
III-S/V-S > 1 --- ---
Obs. Localmente, ocorrência de camada delgada de
material I-R entre as camadas.
?
4.3.2.9. Unidade U9
Nesta unidade predomina o afloramento de todos os tipos de saprolito identificados (TABELA 4.19). Localmente pode se observar também gradação suave
do saprólito para a rocha migmatítica alterada na porção inferior do perfil. A rocha sã pode também ser encontrada em alguns pontos, predominantemente nas regiões próximas às drenagens, e, naturalmente na área da pedreira.
Tabela 4.19: Perfil típico da unidade U9.
Perfil Tipos de M. I. Espessura (m) Gradação granulométrica Contato III-S / IV-S / V-S >2 3 2 Rocha alterada --- --- ---
Obs: Localmente presença de vegetação e material arenoso e rico em raízes na superfície
?
No topo do perfil há, em geral, presença de material arenoso pouco espesso, rico em raízes (FIGURA 4.31).
Figura 4.31: Exemplo de perfil da unidade U9.
4.3.2.10. Unidade U10.
Esta unidade ocorre nas regiões mais baixas da área e é caracterizada pela presença do material do tipo VIII-T sobrejacente à rocha alterada (TABELA 4.20). Nesta unidade é muito comum a presença de afloramentos da rocha migmatítica sã na base do perfil (FIGURA 4.32).
Tabela 4.20: perfil típico da unidade U10
Perfil Tipos de
M. I. Espessura (m) granulométrica Contato Gradação
VIII-T 1-1,5 3 1 Rocha alterada --- --- 1 Rocha sã --- --- --- ? RX
Figura 4.32: Exemplo de ocorrência da unidade U10.