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Musikkterapifaget skal bidra til ny kunnskap om musikken og dens betydning for mennesker og samfunn

Refleksivitet i språk og metaforer

10. Musikkterapifaget skal bidra til ny kunnskap om musikken og dens betydning for mennesker og samfunn

O movimento anarquista e operário brasileiro preocupou-se, desde o seu primeiro congresso operário, e mesmo antes, com a questão da educação dos filhos e filhas dos trabalhadores. Por esse motivo, foram criadas escolas de orientação racionalista por toda a parte do país que, segundo Luciana Santos, teriam como propósito o enraizamento do ideal anárquico no solo brasileiro, pois os esforços, que estes militantes tiveram em criar e manter essas escolas libertárias, possibilita entrever que “a classe operária, ainda que de forma incipiente, organizou-se vislumbrando transformações profundas na sociedade”.67

A iniciativa em criar tais escolas não se restringia, apenas, à estrangeiros. Militantes como Edgar Leuenroth, Octávio Brandão, João Penteado, José Oiticica, Rodolfo Felipe, Zeferino Oliva, Pedro Catalo, entre outros, foram muito importantes

66 O sentido que damos aqui ao conceito de continuum é aquele exposto por Jacy Alves Seixas no artigo “Os tempos da memória: (des)continuidade e projeção. Uma reflexão (in)atual para a história? Segundo a autora, “se em Bergson a realidade do ser é a duração, se em Bachelard essa dimensão migra para o instante presente, em Proust, a sensibilidade volta-se igualmente para o presente e para a força do instante, mas também para a trama descontínua, construída pela memória de tantos momentos e lugares do passado. Fazendo com que a realidade se situe precisamente nessa dimensão construtiva, fundindo instante e duração num coninuum tecido a partir do que é por definição descontínuo”. Em Revista Projeto História, Artes da História e Outras Linguagens, vol.24, jan./jun. 2002.

67 SANTOS, Luciana Eliza dos. A Trajetória do Educador João Penteado: Leituras sobre educação, cultura e sociedade, mestrado USP, 2009, p.118.

para a realização dos projetos pedagógicos libertários da primeira república. Muitas escolas foram fundadas neste período. A primeira delas, segundo Edgar Rodrigues, foi a Escola União Operária, em 1895, no Rio Grande do Sul, por anarquistas provenientes da Colônia Cecília. Em Porto Alegre foi fundada a Escola Elisée Reclus, em homenagem ao grande geógrafo e anarquista. Em 1904, a União Operária dos Alfaiates de Santos fundou a Escola Sociedade Internacional e a Federação Operária de Santos, em 1907, a Escola Noturna. Por fim, em 1904, no Rio de Janeiro, foi fundada a Universidade Popular. Muitas outras experiências pedagógicas e criação de escolas se espalharam por todo o Brasil, todavia, pela escassez de fontes, somente algumas informações nos chegaram.

Segundo Carlo Romani, em São Paulo foi criada em 1902 a Escola Germinal na Rua Solon, 138, no bairro do Bom Retiro. A Escola Germinal seguia os mesmos pressupostos que Francisco Ferrer havia posto em prática na Escola Moderna de Barcelona. A direção do colégio ficou sob a responsabilidade de Angelo Bandoni, permanecendo seu diretor até o seu encerramento em 1905. O motivo do fechamento foi por problemas financeiros, questão que sempre afetou as iniciativas educacionais libertárias. No entanto, em 1907 o próprio Bandoni, animou a reabertura da escola, sendo prontamente ajudado por seus companheiros a organizar uma quermesse que tinha como fim arrecadar dinheiro para as despesas da abertura da escola. Apesar das dificuldades financeiras que passava, procuraram, a todo custo, ajudar as crianças que se matricularem através da criação de um núcleo de “homens de boa vontade”, que forneciam aos alunos os materiais escolares gratuitamente, mais uma quantia de quinhentos réis todo mês, o que permitia que cada criança pudesse pagar uma mensalidade de 2$500 réis. Tendo a certeza das suas capacidades pedagógicas, os militantes anarquistas convidavam a todos que visitassem a escola para verificar sua qualidade de ensino:

Quem duvide da superioridade do ensino libertário sobre qualquer outros métodos, é convidado a visitar a nossa escola, das 9 horas ao meio-dia e das 1 às 3 da tarde. Trabalhadores: Pensai no futuro de vossos filhos68.

Outra iniciativa, que merece destaque, foi a realizada em Campinas. Em

1907, a Liga Operária de Campinas fundou a Escola Social de Campinas para os filhos dos operários. Esta escola tinha como professor o jovem Adelino de Pinho, que havia chegado ao Brasil em 20 de outubro de 1906, aportando, aparentemente, em Belém do Pará. As informações sobre sua juventude são bastante escassas, mas o que se sabe foi que sua militância começou muito cedo, ainda quando residia em Portugal, militando em um grupo anarquista chamado Propaganda Libertária.69 Traduziu também o livro “A Mulher” de José Prat em 1904, conhecido anarco- sindicalista ibérico. Segundo Antônio Candido foi guarda livros, “motorneiro, e analfabeto até a idade adulta. Instruindo-se por conta própria, graças à intensa paixão cultural dos meios anarquistas", o que nos mostra a grande importância para os anarquistas do autodidatismo e do ensino mutuo, realizados em sindicatos e associações operárias (VALVERDE, 1996).

Apesar de ter começado sua militância em Portugal, toda sua experiência foi construída no Brasil. Em Campinas, passou a trabalhar na Companhia Paulista, conhecida companhia férrea que tinha acabado de sair de uma greve, que ganhou contornos de Greve Geral, e que foi fortemente reprimida pelo poder público em união com patronato. No ano de 1907, Adelino se tornou professor da Escola Social, vinculada à Liga Operária de Campinas, colocando em prática a pedagogia racionalista. A escola foi inaugurada em 24 de fevereiro de 1907, contando com Renato Salles como professor, além do próprio Adelino. Na inauguração, estiveram presentes representantes de diversas entidades operárias da região e representantes da Federação Operária de São Paulo (FOSP). A Escola Social, em seus primeiros anos

ainda que de forma precária, ganhava um espaço definitivo com a aquisição de um prédio próprio para o seu funcionamento. Quem surgiu à frente dessa iniciativa foi o educador português Adelino de Pinho70

A orientação tomada pela escola foi publicada no jornal La Battaglia de dezenove de setembro de 1908, sob o título de “Uma escola livre”:

69Existe uma variedade imensa de informações sobre o movimento autônomo de Portugal a d m i n i s t r a d o p e l o p r o j e t o M O . S . C . A . d i s p o n í v e l n o s i t e : h t t p : / / m o s c a - servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php

A escola não deve ser um lugar de tortura física ou moral para as crianças, mas um lugar de prazer e de recreio, onde elas se sintam bem, onde o ensino lhes seja oferecido como uma diversão, procurando aproveitar sua natureza irriquieta e alegre, as suas faculdades e sentimentos, falando mais ao olhar do que ao ouvido, dedicando-se mais a inteligência do que a memória, esforçando-se por desenvolver harmônicamente e integralmente os seus orgãos.

A experiência, a observação direta, a recreação instrutiva serão muito mais favorecidas pelo professor que compreende sua missão, do que as longas e fatigantes prelações e as recitações fastidiosas e sem sentido. O que é verificável pelo próprio aluno, o que é demonstrável, o que é acessível, claro, lógico para a criança, o que ela pode por si mesmo descobrir ou desenvolver – isso será preferido a todas as divagações metafísicas ou filosóficas, e todas as autorizações impostas pelo pedante, que não pode senão habituar à preguiça intelecutal.71

Vemos pelo manifesto da escola que a pedagogia libertária buscava, como nos diz a historiadora Margareth Rago, formar um novo homem que deveria “ser capaz de andar sobre as próprias pernas, voar com as asas seguras para espaços novos e desconhecidos, aventurar-se, mergulhar profundamente”, sendo que a melhor maneira de se criar esse novo homem foi colocando em prática uma pedagogia onde

busca formar pessoas críticas, desenvolver a espontaneidade criadora, libertar o homem das superstições e preconceitos que inibem seu crescimento pessoal, através de um outro procedimento pedagógico.72

A educação anarquista tinha como intenção ser uma pedagogia oposta àquela praticada nas escolas estatais e da igreja, onde obrigavam as crianças assimilar

todo um conjunto de informações desnecessárias para sua vida prática, no interior de espaços celulares, fechados, onde se exerce uma vigilância ininterrupta sobre todos. Crianças: vocês não devem brincar, nem fazer algazarras, gritar ou agitar,

71 ROMANI, Carlo. op. Cit., p.178-179.

72 RAGO, Margareth. Do Cabaré ao lar. A Utopia da cidade disciplinar. Brasil 1890-1930, Editora Paz e Terra, 1987, p.148.

nem devem colar nas provas, nem virar para o lado. As cadeiras já estão fixas nos devidos lugares, todos perfeitamente enfileirados. Tudo o que importa é garantir a ordem aqui dentro, lá fora e em toda a parte, literalmente. Sem turbulências, sem agitação, sem risinhos e cochichos. Crianças-operárias, crianças-estudantes, o controle disciplinar não faz distinção de alvos: incide sobre todas. Ela deve aprender a respeitar, isto é, a temer, a submeter-se aos superiores hierárquicos, aos horários, aos regulamentos, às instruções, responder devidamente aos estímulos, na instituição escolar ou no processo de trabalho.73

Porém, para que fosse necessário educar as crianças sem os vícios da sociedade burguesa, foi necessário também produzir um novo professor que colocasse em prática esta educação, ou seja, educadores capacitados, com conhecimentos pedagógicos os mais avançados possíveis e que seguissem os princípios anarquistas. Portanto, ao invés da fala sem fim sobre um assunto, a obrigação do professor seria a de mostrar para as crianças a melhor forma como elas poderiam descobrir por elas mesmas os fenômenos sociais e naturais. A pedagogia libertária não tinha como função formar cabeças cheias de informações, mas “boas” cabeças que saberiam pesquisar e descobrir por si mesmas, desenvolvendo a autonomia em relação aos “detentores do saber”.74

Segundo Ferrer, na Espanha não havia professores capazes de colocar em prática o ensino racional, pois os vícios que traziam da antiga forma de educação eram muitos, pois tinham como pano de fundo um pensamento religioso. Mesmo aqueles que se diziam laicos eram muito mais anticatólicos ou anticlericais, do que necessariamente racionalistas, isso porque

os profissionais da educação, para se adaptarem ao ensino científico e racional, deveriam sofrer um preparo difícil em todo caso e nem sempre realizável pelos impedimentos da rotina, e aqueles que, sem noções pedagógicas anteriores, entusiasmados com a ideia, vinham nos oferecer seus serviços, necessitavam também, e talvez com maior motivo, o seu preparo. (FERRER, 2014, p.66)

Buscando resolver esse difícil problema, Ferrer criou uma Escola Nornal para

73 RAGO, Margareth. op., cit., p.153.

74 A distinção entre formar cabeças cheias de informações e “boas” cabeças foi feita pelo professor e anaerquista Hugues Lenoir no evento Seminário Internacional: 150 anos da AIT – A Tradição Anarquista, na UFRJ em 23 de setembro de 2014.

a formação de professores com educação racionalista, tendo na direção os mais experientes a escola matriculava jovens de ambos os sexos e tinha como proposta aplanar todas as dificuldades, “toda imposição dogmática era descoberta e rejeitada, toda incursão ou desvio ao terreno metafísico era imediatamente abandonado”.

É neste contexto que o racionalismo humanista de Francisco Ferrer y Guardia foi escolhido como ferramenta pedagógica pelos militantes libertários para formar tanto professores, como adultos e crianças. Segundo Romani, tais ideias foram as precursoras das futuras teorias construtivistas de ensino, encampado no Brasil tanto por João Penteado, quanto por Florentino de Carvalho e Adelino de Pinho. Esta educação era a única “capaz de atender à perspectiva revolucionária do anarquismo”.75 Segundo Francisco Ferrer, uma educação laica, alheia de todos os preconceitos religiosos, não era o suficiente para alcançar “uma humanidade livre e feliz”.

Se a classe trabalhadora se libertasse do preconceito religioso e conservasse o da propriedade, tal qual hoje existe; se os operários julgassem como certa a parabola de que sempre terá de haver pobres e ricos; se o ensino racionalista se contentasse em difundir conhecimentos sobre a hygiene, sobre as sciencias naturaes e preparasse sómente bons aprendizes, bons dependentes, bons empregados e bons trabalhadores de todos os officios, poderiamos muito bem viver entre atheus mais ou menos são e robustos, segundo o escasso alimento que podem permitir os minguados salarios, mas não nos deixariamos de nos encontrar sempre entre escravos do capital.76

Por detrás da pedagogia racionalista libertária de Ferrer e dos militantes anarquistas, residia uma postura filosófica racionalista humanista, que consistia em

inculcar à infância o afan de conhecer a origem de todas as injustiças sociaes para que, com o seu conhecimento possa logo combatel-as e oppôr-se a ellas.

O nosso racionalismo humanitário combate as guerras fratricidas, sejam intestinas ou exteriores, combate a exploração do homem pelo homem, combate a relegação que tem a mulher e combate todos os inimigos da harmonia humana como são a 75 ROMANI, Carlo. op. Cit., p.182.

ignorância, a maldade, a soberba e outros vicios e defeitos que têm dividido os homens em tyrannos e turannizados.

O ensino racionalista e scientifico da Escola Moderna ha de abarcar, como se vê, o estudo de tudo o que seja favoravel à liberdade do indivíduo e à harmonia da collectividade, mediante um regimen de paz, amor e bem estar para todos, sem distincção de classes, nem de sexos.77

Justamente, para Adelino de Pinho, a escola anarquista, assim como a Escola Moderna de Francisco Ferrer,

propunha-se educar as gerações infantis em princípios inteiramente novos, em bases complementamente racionalisticas, em conhecimentos concretos. Uma educação despida de preconceitos, alheia a moral corrente do venha nós, baseada dos factos e nos phenomenos naturaes, na observação e na crítica racional.

Nada de formulas feitas, mas o alunno mesmo ser levado a descobrir o phenomeno, a causa ou a lei natural a que obedece. Não a apologia deste estado social, mas a crítica das instituições e a demonstração de que são um obstáculo à felicidade do povo e d'ahi a necessidade de as aniquilar.78

A escola anarquista não tinha apenas a intenção de estimular a crítica social, desvendar os fenômenos naturais e estabelecer uma nova moral, diferente daquela burguesa. A escola anarquista tinha como proposta preparar a criança para a vida.

Sendo a vida o exercício amplo e fecunda da intelligencia, da affectividade e da vontade, a escola evidentemente ha-de encaminhar o alumno para as maravilhas sumptuarias das sciencias, para o explendor cantante das artes, para a grandeza cantante das industrias. Desvendará os olhos dos estudiosos ao que é Verdadeiro, ao que é Bello e ao que é Util.79

Por isso, a missão social que a escola anarquista deveria ter era:

o culto à verdade, que é justiça, à beleza, que é o amor, à utilidade que é o progresso. Só assim, a vida seria boa, isto é, feliz; e seria luz sem sombra, astro sem occaso, dia sem noite, primavera sem inverno, alegria sem tristeza, maravilha 77 Idem.

78 PINHO, Adelino Tavares de. A Escola, Boletim da Escola Moderna, n.1, 13-10-1918, p.3. 79 PALMEIRA, Alvaro. A Escola, Boletim da Escola Moderna, n.3 e 4, 01-05-1919, p.8.

sem par para estender pela eternidade dos seculos.80

Esta escola utópica iluminista, sob a perspectiva desses trabalhadores anarquistas, ainda não existia, pois o futuro reservava sua existência. Para tanto, muitos militantes anarquistas trabalharam para o surgimento dessa escola, mas não apenas eles, pois muitos outros participaram deste projeto, como livre- pensadores e anticlericais.

O ensino da Escola Moderna não engendra fanáticos de seita alguma, nem militaristas fanfarões, nem jacobinos ridículos. Lá não se incute, mas demonstra praticamente às crianças, que os seres humanos de todas as raças e de todas as cores são igualmente dignos de respeito, sendo todos igualmente susceptíveis das mesmas qualidades e das mesmas aptidões, contanto que sejam favorecidas pelas mesmas circunstâncias.81

Assim, em 1909, diante do fuzilamento de Francisco Ferrer y Guardia no dia 13 de outubro do mesmo ano, foi criado o Comitê Pró-Escola Moderna, que agregava distintas personagens de distintos lugares sociais, desde militantes do movimento operário e anarquista, como Gigi Damiani, Edgard Leuenroth, Eduardo Vassimon, Neno Vasco e Oreste Ristori, até profissionais liberais, industriais e maçons, como Leão Aymoré, Dante Ramenzoni, Pedro Lopes e José Sanz Duro.

A idéia de se fundar em São Paulo a Escola Moderna e tanto quanto possível difundi-la pelo Brasil todo surgiu com a morte do inolvidável mártir que primeiro a iniciou na Espanha e que por ela foi covardemente assassinado.82

O comitê tinha como objetivo levantar fundos para a construção da escola através de conferências onde se fazia propaganda da educação racionalista por toda São Paulo com festas, comícios, assembleias e conferências. Nos primeiros meses do ano de 1910, o então anarquista Oreste Ristori, que depois da Revolução Russa aderiu às fileiras do comunismo, realizou uma série de conferências pelas

80 Idem.

81 A Lanterna, 31-01-1914. 82 Idem.

cidades que circundavam as linhas férreas da Mogiana em benefício da Escola Moderna. O dinheiro arrecadado com as conferências tinha como destino o fundo para a criação da escola, tais conferências foram divulgadas pelos jornais O Amigo

do Povo e A Lanterna, tendo como proposta a contraposição do conhecimento

histórico e científico do religioso, o que ficava claramente explicitado em seus títulos: A Creação Miraculosa do Mundo e Descendência do homem de formas

inferiores de vida. Todavia, combater a influência da Igreja Católica na educação

não era a única preocupação de Ristori, pois em suas palestras “combatia também o problema do alcoolismo, já tendo publicado no ano anterior um opúsculo sobre o tema, Operai non bevete!”.83

Em suas excursões pela região da Mogiana, Oreste Ristori palestrou em Jaú em agosto de 1907, e, segundo Romani, muito impressionou o educador João Penteado, que passará a criar vinculos cada vez mais estreitos com o movimento anarqusta.84 No dia primeiro de setembro de 1907, o jornal La Battaglia publicou a correspondência do professor João Penteado enviado aos editores do periódico:

A presente correspondência, que é a primeira por mim dirigida a essa folha, tem o fim exclusivo de nestas poucas linhas, dar notícia da estada do companheiro Oreste Ristori nesta cidade, onde, galhardamente recebido por parte de seus admiradores e companheiros, foi instigado à realizar uma conferência pública, de propaganda sociológica, logrando com isso trazer muito proveito para a causa da reforma social. O tema versou sobre o Cristianismo perante a história e a sociologia, tendo o compenheiro Ristori no decorrer de seu calaroso discurso, merecido sinceros aplausos, principalmente quando se referia aos dogmas absurdos das religiões e as sutilezas do clero e de seus representantes.85

João Penteado, foi à São Paulo em 1911 e em 1912, fundou junto com todos seus companheiros e companheiras, a Escola Moderna n.1 na Rua Saldanha Marinho n.66, no bairro do Belenzinho. Em 1915, a escola foi transferida para a Rua Celso Garcia n.262, do mesmo bairro. Logo após a inauguração da Escola Moderna n.1, foi fundada a Escola Moderna n.2, sob a direção de Adelino de Pinho. Sabemos que Pinho, em 1911, residia em Portugal e lá estreitou seus laços com

83 ROMANI, Carlo. op. Cit., p.184. 84 ROMANI, Carlo. op. Cit., p.184.

Neno Vasco.

É difícil saber quais foram os motivos que levaram Adelino de Pinho voltar à Portugal. Sua decisão foi tão repentina que nem ao menos não lhe deu tempo de despedir de companheiros próximos como Edgar Leuenroth. Podemos supor que essa volta, sem muitos avisos, se deu por sua militância em Campinas na Escola Social e na Liga Operária. A Greve, como nos conta Edgar Rodrigues, foi duramente reprimida, e os militantes mais ativos, e que instigavam os trabalhadores a radicalizar o processo, foram duramente perseguidos. Podemos ainda supor, inclusive, que retornou à sua terra natal por motivos familiares, já que não temos nenhum registro de ter vindo com parentes; ou mesmo dizer que sua volta ocorreu por conta do forte sentimento antilusitano presente nos meios operários, como nos relata Alexandre Samis (SAMIS, 2009b). Enfim, não sabemos ao certo porque Adelino de Pinho toma essa decisão, mas sabemos que uma fez em Portugal estreita laços com Neno Vasco e passa a trabalhar como comerciante de livros e outros materiais. Porém, ao enfrentar grandes dificuldades financeiras, resolve voltar ao Brasil em meados de 1912 (SAMIS, 2009b).

Neno Vasco, como fazia parte do Comitê-Pró Escola Moderna, pôde ter indicado Adelino de Pinho para ser professor da Escola Moderna n.2, pois já conhecia a pedagogia racionalista de Ferrer e havia lecionado na Escola Social de Campinas em 1907. Independente de como Adelino se tornou professor da Escola Moderna n.2, assumiu o cargo de professor e colaborou com a divulgação da escola moderna e da propaganda da pedagogia libertária. A Escola Moderna n.2 abriu suas portas na Rua Muller no Brás, mesmo local de residência de Adelino e