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3. Teoretisk rammeverk

3.2 Samfunns- og miljømessige virkninger

Como nossa pesquisa apresenta quatro etapas principais bem delimitadas – i) levantamento inicial realizado com nove turmas e seus respectivos professores; ii) observação de aulas; iii) processo de intervenção a ser realizado com apenas uma turma e um professor; e iv) nova coleta de dados – as coletas de dados e as formas de análise também se diferenciaram, de acordo com os objetivos propostos em cada momento.

Na primeira etapa, a análise dos dados obtidos a partir das respostas dos alunos e professores foi predominantemente de ordem quantitativa. Procuramos detectar, através de suas respostas, os seguintes aspectos:

- o nível motivacional dos alunos durante as aulas de espanhol no CEL (nível obtido através da análise das respostas a uma escala de pontos de 1 a 4);

- os pontos mais fracos/fortes apontados pelos alunos (também obtidos através das respostas de acordo com a mesma escala);

- as atividades mais/menos motivadoras na opinião dos estudantes (através da análise das respostas conforme uma escala de pontos de 1 a 4);

- as atividades mais/menos motivadoras na opinião dos professores (através da análise das respostas de acordo com a mesma escala);

- a correlação entre as respostas dadas pelos alunos e pelos respectivos professores quanto às atividades mais/menos motivadoras;

- quais estratégias didáticas em busca da motivação dos alunos os professores utilizam com maior/menor freqüência (dados obtidos através de respostas de acordo com uma escala de 1 a 4);

- a opinião dos professores sobre o tema motivação e sua relação com a aprendizagem de línguas estrangeiras;

- quais eram as turmas que apresentaram menor nível de motivação, segundo os resultados dos questionários.

Classificamos essa etapa inicial da pesquisa como do tipo descritiva e exploratória, uma vez que registramos opiniões sem qualquer tipo de intervenção ou manipulação de variáveis, numa tentativa de diagnosticar a realidade, descrevendo e interpretando os dados fornecidos pelos sujeitos.

A segunda e terceira etapas da pesquisa, entretanto, apresentaram características bem distintas da primeira e tiveram como objetivos principais: i) observar e descrever a motivação dos alunos durante as aulas; e ii) testar o efeito de mudanças pedagógicas no nível de motivação dos estudantes. Nesse sentido, nosso trabalho apresenta estreitas relações com o estudo de caso etnográfico e a pesquisa-ação, conforme mostraremos a seguir.

Segundo André (2004, p. 28-30), para que um trabalho possa ser considerado de cunho etnográfico, em educação, deve apresentar as seguintes características:

a) fazer uso de técnicas como a observação participante, a entrevista intensiva e a análise de documentos;

b) ter o pesquisador como o instrumento principal na coleta e na análise dos dados; c) ter ênfase no processo e em sua evolução;

d) preocupar-se com a maneira com que as pessoas vêem a si mesmas e as suas experiências;

e) envolver um trabalho de campo, no qual o pesquisador se aproxime de pessoas, situações, locais, eventos, mantendo com eles um contato direto e prolongado; f) fazer uso de uma grande quantidade de dados descritivos: situações, pessoas,

ambientes, depoimentos, diálogos, que devem ser transcritos pelo pesquisador; g) buscar a formulação de hipóteses, conceitos, abstrações e teorias.

Quando a abordagem etnográfica for aplicada a uma situação específica, delimitada, com o objetivo de compreender o seu funcionamento, como é o caso da nossa, a pesquisa enquadra-se nos “estudos de caso etnográficos”, conforme definido por André (1994, p. 31). Consideramos, portanto, que a segunda etapa de nossa pesquisa situa-se nesse marco conceitual, já que:

- estamos interessados em uma instância em particular, no caso, os Centros de Estudos de Línguas da cidade de São Paulo;

- desejamos conhecer profundamente o funcionamento de determinados aspectos dessa instância;

- estamos interessados em descobrir como e por que ocorrem determinados fenômenos nessa instância;

- buscamos descobrir novas hipóteses teóricas sobre determinado fenômeno.

O processo de intervenção que realizamos após a observação relaciona-se, por sua vez, ao conceito de pesquisa-ação. Para Thiollent (2004, p. 14),

[...] a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.”

Para esse mesmo autor (THIOLLENT, 2004, p. 16, 18), a pesquisa-ação é uma estratégia metodológica da pesquisa social na qual:

a) há uma ampla e explícita interação entre pesquisadores e pessoas implicadas na situação investigada;

b) dessa interação resulta a ordem de prioridade dos problemas a serem pesquisados e das soluções a serem encaminhadas sob forma de ação concreta;

c) o objeto da investigação não é constituído pelas pessoas e sim pela situação social e pelos problemas de diferentes naturezas encontrados nessa situação;

d) o objetivo da pesquisa-ação consiste em resolver ou, pelo menos, em esclarecer os problemas da situação observada;

e) há, durante o processo, um acompanhamento das decisões, das ações e de toda a atividade intencional dos atores da situação;

f) a pesquisa não se limita a uma forma de ação: pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conhecimento ou o “nível de consciência” das pessoas e grupos considerados.

Considerando os objetivos desta pesquisa, anteriormente mencionados, acreditamos que a metodologia da pesquisa-ação apresentou-se adequada aos nossos propósitos, uma vez que nos possibilitou não apenas conhecer e entender determinados aspectos da aprendizagem de línguas num contexto determinado, mas principalmente propor soluções a possíveis dificuldades e envolver a comunidade educativa (alunos, professor e pesquisadora) em um processo de reflexão crítica sobre a sala de aula.