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Samfunn (delprosjekt 3)

In document Horisont Snøhetta (sider 42-50)

Fase 3: Sluttfase – interdisiplinært

3 Resultater fra delprosjektene

3.3 Samfunn (delprosjekt 3)

Embora não seja o objetivo deste trabalho a análise mais profunda de questões referentes à construção da leitura e escrita pelo aluno Surdo nem de concepções teóri- cas aplicadas pelo professor para a alfabetização, sabe-se que as atividades aplicadas pelos professores em sala de aula enfatizam o aprendizado da língua escrita e falada. Assim, o presente estudo se propõe a investigar as condições oferecidas em sala de aula pelas professoras.

O ensino da leitura e da escrita para o aluno Surdo tem caracterizado fortemente a sua situação educacional, haja vista o fato de estar exposto a professor ouvinte que desconhece a Língua de Sinais e que pressupõe que o leitor/escritor Surdo usa como recurso os padrões estruturais da língua oral.

De acordo com Salles (2004), o acesso à representação gráfica da Língua portuguesa (L2) ocorre pela modalidade escrita da língua oral, o que remete ao processo psicolingüístico da alfabetização e à explicação e construção das referências culturais da comunidade letrada. Essa tarefa, contudo, é menos árdua se a modalidade escrita da língua oral é adquirida como segunda língua (L2), depois de a Língua de Sinais ter sido adquirida como primeira língua (L1).

Para Quadros (1997), Moura (2000) e Lodi (1993), as estratégias aplicadas ao aluno Surdo para o aprendizado da língua escrita devem contemplar a sua língua natural. Assim, as práticas do cotidiano escolar não podem visar o ensino da língua es- crita por meio de treinos de identificação de palavras sem que ofereçam ao aluno rela- ções com a Língua de Sinais.

As atividades aplicadas aos alunos Surdos para o aprendizado da leitura e escri- ta devem propiciar condições para que os alunos possam partilhar significados social- mente com outros indivíduos. Para tanto é necessário que se estabeleça um sentido comum ao que é lido e escrito.

Reitere-se que a aprendizagem significativa ocorre quando o indivíduo atribui significado ao que lhe é apresentado por meio das relações que estabelece com o novo a partir do que já dispõe em sua estrutura cognitiva.

Ainda na perspectiva social, os textos produzidos pelos alunos são apresentados na perspectiva da língua vísuo-espacial e podem resultar na partilha de sentidos co- muns, quando se criam relações de diálogo sobre o que foi produzido e escrito; caso sejam aplicados métodos em que se contemple decodificação de palavras fora do con- texto e intervenções desviantes da construção de sentido, podem, por outro lado, des- favorecer a aprendizagem significativa.

Assim, se a didática aplicada ao ensino da leitura e escrita envolver relações de fato interativas, traz sentido ao que foi lido e produzido pelo aluno Surdo. A falta de um mesmo código lingüístico implica na ausência dessa relação dialógica no processo, o que pode levar o professor ouvinte e desconhecedor da Língua de Sinais à descaracte- rização do texto, à multiplicidade de significados e a técnicas de ensino em que predo- mina a identificação de palavras, letras ou sílabas, como é o caso do método silábico.

Kleiman (2000) reitera que tanto a leitura quanto a escrita são processos que ne- cessitam de conhecimento lingüístico, de textualização e de práticas sociais que vão dando ao leitor e escritor o sentido em suas produções.

A presente pesquisa se atém na investigação do processo em que se configuram o professor ouvinte e o aluno Surdo e se as condições oferecidas a esse aluno assegu- ram aprendizagem significativa, e, embora não seja escopo do estudo, considera, ain- da que brevemente, dados sobre leitura e escrita.

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____________________________________________

Esta pesquisa pautou-se em diretrizes de análise qualitativa por serem mais a- propriadas aos seus objetivos.

Como afirma Richardson (1999):

Os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vivi- dos por grupos sociais [...] em maior nível de profundidade, o entendi- mento de particularidades do comportamento dos indivíduos. (p. 80).

A complexidade do problema deste estudo, ou seja, o cotidiano escolar que envol- ve diferentes e complexas situações estruturais e relacionais dinâmicas (especialmente em relação ao professor-aluno e o aluno-ensino aprendizagem em sala de aula), con- cebe a abordagem qualitativa para a pesquisa da identificação, descrição, compreen- são e interpretação dos fenômenos nele presentes.

O foco da investigação e da definição do trabalho de campo foi determinado pelos propósitos específicos do estudo que, de acordo com as abordagens qualitativas, de- vem manter uma perspectiva de totalidade, sem desviar demasiadamente de seu inte- resse, planejando-se criteriosamente e com antecedência "o que" e "como" observar (Cf. LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Nessa perspectiva, propôs-se observar as condições oferecidas pelo professor ao aluno Surdo em Escola Especial e analisar se as mesmas propiciavam aprendizagem

significativa.

3.1 Precedentes

Em julho de 2006, com o intuito de verificar a possibilidade da realização da pesquisa em uma cidade do Estado de São Paulo, foi realizado o primeiro contado com a Equipe Técnica da Secretaria de Educação do Município. Foi explicitado o interesse em desenvolver a investigação em Escola Especial com professores de alunos Surdos em situação de sala de aula, e foi apresentada a linha de pesquisa em que esse estudo se insere no Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Uni- versidade Presbiteriana Mackenzie. Houve aquiescência e disponibilidade de todos os membros da referida equipe.

A partir do contato assim estabelecido com a Secretaria Municipal de Educação, foram iniciadas as primeiras visitas com o propósito de conhecer o local de pesquisa, a Equipe Escolar e o Projeto Pedagógico da escola para a seleção dos aspectos a serem investigados.

3.2 Local

Escola Especial localizada no município da Grande São Paulo. Os dados foram coletados em duas salas de aula organizadas para atender Surdos, deficientes auditi- vos e alunos com diferentes deficiências.

3.3 Participantes

Participaram da pesquisa duas professoras da referida escola, cujos dados de identificação estão descritos no Quadro 1, e um aluno identificado no Quadro 2.

* Todos os dados acima foram fornecidos pelos respectivos professores, e pelas questões (1,2,3,4) da entrevista semi-estruturada

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Dados coletados por meio da observação situacional.

Quadro 1. Dados das professoras que participaram do estudo. Dados da Professora da Sala 1

Identificação: P1 Sexo: F Idade: 32 anos Função: Professora interdisciplinar Formação:  Letras:

 Especialização latu-sensu em Psicopedago- gia (em curso)

 LIBRAS: Prefeitura Municipal – 80hs (módu- los 1 e 2)

Tempo de atuação na Instituição:

2 anos

Forma de comunicação6 utili- zada com o Surdo.

Alguns sinais, gestos, pantomima com presença de mímica e predominância da língua oral.

Observações Não possui especialização para ensino de Surdos. Na entrevista relatou que usa LIBRAS e códi-

gos que desenvolve junto aos alunos.

Dados da Professora da Sala 2 Identificação: P2 Sexo: F Idade: 25 a 28 anos Função: Professora de Educação Especial Formação:

 Magistério Superior à distância (em curso)  180horas de curso na APAE (DM/PC).  LIBRAS, 1º e 2º módulo (FENEIS).

Tempo de atuação na Instituição:

4 anos

Forma de comunicação6 utilizada com o Surdo. Português sinalizado, língua oral com a presença de imagens (figuras e objetos).

Observações: Possui 10 anos de experiência em Educação Especial na APAE.

Na entrevista relatou que usa LIBRAS. Ensina aos professores e funcionários a Língua de Sinais.

Quadro 2. Dados do Aluno*. Identificação: M1 Sexo: F Data de nascimento / idade 09/06/1990 17 anos Série / Classe: Alfabetização I

Ano em que ingressou na instituição:

06/08/2006

Trajetória Escolar: Foi encaminhada pelo Centro Especial de Integração Especial da Criança, da Prefeitura de Cotia. Conforme relatório de 08/2006, o referido centro informa que M1 recebeu atendimento de 1999 à 2005. Nesta Entidade, M1 recebeu aulas de LIBRAS, o que vem tendo continuidade. Atualmente, freqüenta a sala de alfabetização I para o ensino da L2, na modalidade da escrita, com apoio no reconhecimento visual e escrito das palavras (não na correspondência grafofônica). Em março de 2006, freqüentou a 7ª série do ensino regular, porém não se adaptou e retornou à Escola Especial. Apresenta muitas faltas. Sua maior dificuldade para aprender está na falta de compromisso com a escola.

Diagnóstico: (Anexo 1)

No setor de fonoaudiologia foi assistida de 2004 a 2005, com perda auditiva sensorioneural, bilateral modera- da a profunda à direita e profunda à esquerda. (laudo datado de 25/02/2005), devido seqüela de cardiotopia (conforme prontuário médico fornecido pela mãe). Não possui linguagem verbal. Emite alguns sons.

Observações: Filha de pais ouvintes. Não possui em seu prontuário exame audiométricos e parecer de otorrino.,também não possui registros que especifique a causa e início da surdez. Possui dificuldades em aceitar os conteúdos trabalhados pois os considera de 4ª série.

Comunicação: É usuária de LIBRAS. Usa alfabeto manual (datilologia) e alguns sinais. * Todos os dados acima foram fornecidos pela CP e pela P1/ P2 e obtidos no prontuário do aluno.

Os sujeitos participantes da pesquisa foram identificados por uma letra acompa- nhada de número em razão da preservação de suas identidades, razão pela qual tam- pouco foi citado o nome da Instituição por ser a única do município.

Em relação aos dados pessoais do aluno, mostra-se relevante observar que não se têm registros expressos da trajetória escolar (início da escolarização) e do histórico biopsicossocial (causas da surdez e quando foi identificada). Todas as informações ob- tidas foram relatadas pela Coordenadora Pedagógica (CP). A Unidade Escolar declarou que alguns exames, como o audiométrico e outros, permanecem com a família. As in- formações referentes ao histórico familiar foram fornecidas pelos responsáveis durante entrevista. Algumas informações são incompletas em razão das dificuldades dos famili-

ares em atender o que é requisitado pela escola.

3.4 Procedimentos

3.4.1 Estrutura, Plano de Ação e Proposta Pedagógica da Escola

In document Horisont Snøhetta (sider 42-50)