Desde o século XVII, com o início da Revolução Industrial, o crescimento econômico trouxe com a maior geração de riqueza e melhor qualidade de vida um contingente de problemas que lentamente foram se agravando, entre esses, a crise ambiental (ALIGLERI, 2011, p. 88).
Essa transformação passa a requerer por parte das organizações um maior comprometimento com o meio ambiente, como também com o seu entorno e medidas que promovam estratégias de gestão ligadas à sociedade e ao seu crescimento sustentável é uma nova forma pensada pelas organizações para enfrentar essa crise ambiental.
De acordo com Aligleri (2011), a preocupação com posturas socialmente corretas, ambientalmente sustentáveis e economicamente viáveis estará cada vez mais presente entre os temas de gestão. Segundo a autora é nesse contexto que a responsabilidade socioambiental pode ser percebida com um dos temas mais debatidos e propagados na gestão empresarial, tornando-se uma variável importante na estratégia competitiva da empresa.
Para tanto, as estratégias que compõem essa dimensão fazem menção ao modo pelo qual as organizações respondem de forma interna ou externamente sobre o seu compromisso com as questões ambientais, ou seja, os mecanismos que estas usam para concretizar a sua preocupação com os recursos naturais, e também os impactos causados pelo seu modelo de produção.
Os benefícios da adesão das estratégias que compõem esta dimensão muitas vezes estão diretamente ligados à imagem e reputação da organização por meio do seu
90 comportamento socioambiental, uma vez que, ao assumirem compromisso desse porte terão efeitos positivos no mercado em que atuam e também para os seus consumidores.
Desta forma Aligleri (2011) afirma que o mundo corporativo percebeu que as empresas, enquanto agentes sociais fazem parte da sociedade que as abriga e condicionam sua existência. Assim, passam a perceber a partir de uma gestão socioambiental a busca de um equilíbrio social e funcional concreto.
No entanto, vale ressaltar que apesar de perceberem esse fato muitas organizações não buscam de forma efetiva esse equilíbrio entre a sua existência, e a forma pela qual produz bens e serviços.
3.3.1 Estratégia- Programa de Atuação Responsável (Responsible Care)
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM, 2011), a implementação do Sistema de Gestão do Programa Atuação Responsável proverá as empresas de uma ferramenta que as permitirá desenvolver de maneira simples, objetiva e efetiva, os temas relacionados à saúde, segurança e meio ambiente.
No que se trata especificamente das questões relacionados ao meio ambiente, essa estratégia, ao ser implantada passa a fornecer a organização condições para que possam estabelecer requisitos que funcionem como instrumentos para uma atuação responsável e comprometida com as questões ambientais, saúde e segurança.
Esse programa está fortemente baseado no modelo de gestão adotado no ciclo de PDCA (Plan- do-check- act), contemplando o gerenciamento interno e os impactos referentes aos processos, produtos, instalações e serviços relacionados ao meio ambiente.
Ainda de acordo com a ABIQUIM (2011), um Sistema de Gestão do Programa de Atuação responsável deve ser implementado e melhorado continuamente pela empresa. Para tanto, essa estratégia possui 10 elementos que são fundamentais para uma atuação positiva do programa, são estes: liderança e compromisso, identificação dos aspectos e perigos, e avaliação dos impactos e riscos, requisitos legais, objetivos metas e indicadores de desempenho, normas (procedimentos, instruções, controles operacionais e controle de
91 processos), comunicação, capacitação e comportamentos das pessoas, auditorias, incidentes (não conformidades, ações preventivas e corretivas) e análise do sistema de gestão.
De modo geral pode-se entender que a estratégia do Programa de Atuação Responsável possibilita as organizações por meio das práticas citadas acima considerar aspectos como, saúde, segurança e meio ambiente, em todas as fases do ciclo de vida de seus produtos e serviços.
Contribuindo deste modo para uma melhor qualidade de vida dos seus colaboradores, como também desenvolver produtos serviços que levem em consideração os seus impactos causados ao ambiente, e reduzindo-os o máximo possível.
3.3.2 Estratégia – Apoio a ONGS Ambientais
Para Dias (2011), um dos resultados da crescente importância do meio ambiente foi o crescimento do número de organizações ecológicas, tanto no plano internacional com em nível nacional e local que se ocupam de diversos temas da agenda ambiental.
O apoio a Organizações Não Governamentais por parte das empresas e organizações públicas e privadas tem se mostrado uma estratégia de respostas no que se refere ao comportamento ambiental destas organizações, uma vez que, as ONGS são consideradas como fontes de pressão para um bom comportamento ambiental das organizações.
De acordo com Úbeda et al., (2011), os grupos de interesse tem forte influência nas estratégias ambientais das organizações. Segundo o autor, estes grupos de interesse como, por exemplo, as ONGs provocam nas organizações medidas de proteção ambiental, que condicionam o comportamento ambiental da organização.
Nesse contexto, Dias (2011), afirma que nos últimos anos, os exemplos são muitos sobre a relevância assumida pelas ONGs no cenário internacional e local, uma vez que estas vêm desempenhando um “papel fundamental nos esforços de identificação, monitoramento, e solução de problemas ambientais e de desenvolvimento”.
Diante do exposto acima se entende que essa estratégia pode ser vista como o modo pelo qual as Organizações Não Governamentais influenciam os processos produtivos das
92 organizações em geral, e modo pela qual estas, respondem as estas pressões fazendo com que mostrem o seu compromisso com processos produtivos sustentáveis e comprometidos com o meio ambiente.
No entanto, esse compromisso pode ser firmado através de parcerias das organizações com as ONGs, fazendo com que ambas operem juntas em busca de um desenvolvimento alinhado com as politicas de desenvolvimento sustentável.
3.3.3 Estratégia – Educação Ambiental
De acordo com Seiffert (2011), o processo de degradação ambiental de uma região está sem dúvidas condicionadas ao padrão de consumo de seus habitantes, que se apresenta de modo sustentável ou insustentável (subconsumo de superconsumo).
Os níveis de degradação ambiental podem associar-se aos padrões de consumo da sociedade, onde o nível de educação ambiental poderá atura com ponte em busca de um modelo de crescimento econômico, que esteja de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.
Para Philippi Jr e Pelicione (2005), o século XXI inicia-se em meio a uma emergência socioambiental que promete agravar-se caso sejam mantidas as tendências atuais de degradação; um problema enraizado na cultura, nos estilos econômicos de pensamento, que configuram um sistema político, econômico e social em que vivemos.
Ainda de acordo com Seiffert (2011), a educação ambiental deve ser considerada com um importante instrumento de gestão ambiental para essa mudança de pensamento em todas as esferas, como também para a materialização da visão do desenvolvimento sustentável. Segundo a autora o processo de educação ambiental envolve num primeiro momento o processo de conscientização ambiental, quando o indivíduo toma contato com a realidade que o cerca sobre os impactos ambientais gerados pela sua existência, seja como cidadão ou profissional.
Segundo Philippi e Pelicioni (2005), é fundamental uma educação que permita desvelar os sentidos da realidade, problematizando as interpretações das diferentes forças
93 sócias existentes, pois, ao interpretar as interpretações vigentes, essa prática educativa abre uma campo de novas possibilidades de compreensão e auto compreensão, no sentido do reposicionamento e compromisso dos sujeitos na problemática ambiental.
A estratégia de educação ambiental está diretamente ligada à forma pela qual as organizações tanto públicas como privadas, atuam de modo a conscientizar os seus colaboradores e partes envolvidas nos seus processos produtivos, para que estes contribuam para uma melhoria da qualidade ambiental, através de padrões de consumo sustentável. Como também, no fortalecimento de uma ética socioambiental que leve em conta a construção de uma sociedade justa e com novos valores ambientalmente sustentáveis.
Segundo Sachs (2004), a capacidade de um indivíduo de responder às demandas de um cidadão em sintonia com a perspectiva do desenvolvimento sustentável deve envolver produção de meios de subsistência que dependam da combinação de alguns elementos como: acesso a ativos requeridos para a produção de bens e serviços para autoconsumo, acesso a treinamentos e técnicas para produção de bens e serviços orientados para o mercado mediante autoemprego8, acesso universal aos serviços públicos e etc.
Nesse contexto, conclui-se que essa estratégia é de fundamental importância para um bom desempenho ambiental das organizações, uma vez que ela atuará como fonte propulsora para a conscientização ambiental das pessoas que envolvem seus processos, tornando-se assim, mais competitiva e comprometida ambientalmente.