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De acordo com Mendes, 1994, DENÉGRE e SALGÉ, 1996 e PUEBLA e GOULD, 1994, entende-se que um Sistema de Informação Geográfica (SIG) possa ser considerado um caso particular e especial dos sistemas de informação em geral.

Usando como base a definição de sistema de informação – sistema de comunicação que permite comunicar e tratar informação (norma internacional ISO 5127-1-1983) ou, segundo Martin, 1991, um conjunto de rotinas de programação, ou conjuntos integrados de subrotinas de programação, desenvolvidas para representar ou gerir grandes quantidade de dados que traduzem o mundo real – temos que um SIG é um sistema que permite comunicar e tratar informação geográfica, isto é, recorrendo à etimologia da palavra, que descreve o mundo terrestre.

Vocacionado para informar o utilizador acerca do território, um SIG recorre a um parâmetro essencial: a localização (este objecto é vizinho daquele, determinado fenómeno afecta uma determinada área e sobrepõe-se a uma outra, etc.).

Portador das funcionalidades referidas, um SIG possui ainda duas particularidades:

A capacidade de gerir e tratar as relações espaciais entre objectos ou fenómenos no espaço terrestre, implicando a existência de funções de análise espacial e de síntese para o apoio à decisão;

A representação do espaço e suas componentes sob a forma de uma carta ou de uma planta, o que implica a disponibilidade de funções de construção e produção cartográfica.

DIDIER, 1990, num estudo para o Conselho Nacional de Informação Geográfica (CNIG) de França, definiu um SIG como um conjunto de dados referenciados no espaço, estruturado de forma a se poder extrair comodamente sínteses úteis à decisão.

PEUQUET e MARBLE, 1991 apresentam uma definição baseada na descrição das principais componentes funcionais, excluindo da classe dos SIG os sistemas que incluem apenas parte das características dessas componentes. Segundo este autor, um SIG deve integrar:

• Um subsistema para a entrada dos dados, que realiza a aquisição de dados espaciais provenientes de mapas existentes, sensores remotos, etc.;

• Um subsistema de armazenamento e recuperação, que organiza os dados espaciais de forma a poderem ser rapidamente extraídos pelo utilizador para subsequente análise, bem como permitirem a realização de actualizações e correcções de forma rápida e rigorosa;

• Um subsistema de manipulação e análise, que realiza várias tarefas tais como alterar a forma dos dados de acordo com regras de agregação definidas pelo utilizador, ou produzir estimativas de parâmetros para modelos de simulação ou optimização do tipo

espaço-tempo;

• Um subsistema de apresentação da informação, capaz de apresentar a totalidade ou parte da base de dados original ou dados já processados, e ainda os resultados de modelos de análise espacial em forma de tabela ou de mapa.

Estas definições evidenciam duas facetas importantes dos SIG: as funções técnicas e o apoio ao utilizador. Um SIG deve assim ser capaz de responder eficazmente às necessidades dos profissionais da cartografia cujo objectivo é de automatizar a sua produção, face ao crescimento do consumo do seu produto, e as necessidades, de tamanho e diversidade quase ilimitadas, dos utilizadores finais de SIG que neles se pretendem apoiar para tomar decisões.

4.1.1. QUESTÕES DE BASE QUE UM SIG PODE RESPONDER

Um SIG é uma potente ferramenta de análise pelas diversas razões já expostas, sendo uma delas a potencialidade de incluir bases de dados de informações temáticas e espaciais de quantidade e diversidade quase ilimitada. Por essa razão, não teria muito cabimento não aproveitar esta faceta de instrumento de consulta. Essa consulta pode efectuar-se de duas formas:

• Sobre a base de dados, dita consulta por atributos, combinando filtros que são constituídos por operações lógicas aplicadas aos atributos ou por definição de domínios espaciais aplicados à localização das entidades, de forma a obter a informação pretendida;

• A partir do mapa, dita consulta espacial, onde se seleccionam objectos. Essa selecção pode efectuar-se com o rato, objecto a objecto, ou utilizando algumas funções de selecção disponibilizadas pelo sistema (por exemplo, polígonos contíguos a um polígono previamente seleccionado ou que intersectam uma área definida pelo utilizador).

Quando um problema envolve a componente de localização, poderão surgir aos utilizadores interrogações como as seguintes (DENEGRE e SALGÉ, 1996):

• ONDE? Onde se encontra este objecto, este fenómeno? (inventário dum tipo de objecto em todos os locais onde estiver presente, realce da sua distribuição espacial),

• O QUÊ? O que se encontra neste local? (inventário de todos os objectos ou fenómenos presentes num determinado território, realce das sobreposições e das proximidades);

• COMO? Que relações existem ou não entre os objectos ou fenómenos? Será que a sua distribuição no espaço geográfico relata outros fenómenos subjacentes? Trata-se da problemática da análise espacial,

e a evolução de um determinado objecto ou fenómeno? (actualização dos dados e conservação histórica dos mesmos: análise temporal),

• E SE? O que resultaria se determinado cenário de evolução acontecesse? Em função da sua localização, que consequências afectariam os objecto ou fenómenos em causa? (estudos de impacto, estudo de projectos, simulação, projecção no futuro).

Ao ler estas interrogações, facilmente se depreende que existe uma multiplicidade de domínios de aplicação possíveis para os SIG.

Entre estas cinco interrogações "elementares", denota-se uma diferença de nível de complexidade. As duas primeiras traduzem directamente o acto de leitura de uma carta ou plano, recorrendo a funções simples de selecção.

Para ser capaz de dar uma resposta às interrogações para o qual ele foi destinado, um SIG deverá conter toda a informação relativa aos objectos ou fenómenos que, directa ou indirectamente, sejam objectos de estudo. Por sua vez, as outras três perguntas, ao recorrer à análise espacial, ao estudo da evolução, à simulação e à prospectiva para obter resposta, traduzem a necessidade de tratamentos e processamentos bem mais complexos e sofisticados.

Pelas características descritas, não restam dúvidas que um SIG é muito mais do que simples cartografia informatizada e, tendo sempre presente o objectivo de apoio à decisão, deve ser apto a reproduzir a parte automatizável da perícia humana.