Após recolha e análise da amostra, é possível verificar que no jornal P3 o número de artigos é de 93 e os temas mais frequentes estão relacionados a questões ligadas ao mercado de trabalho, aos jovens desempregados, a desigualdades de sexo, incluindo violência e racismo, e ao voluntariado em Portugal e na União Europeia. No Jornal de Notícias o número passa a 559 e os temas mais frequentes estão geralmente relacionados com a política europeia e nacional, os níveis de segurança da Europa devido a ataques terroristas e a uma possível independência da Catalunha, ao apelo à cidadania e aos jovens de um modo geral. 0 100 200 300 400 500 600 Fonte JN Fonte P3 Fonte JN Fonte P3 Total 559 93 set/17 16 5 set/16 10 7 set/15 156 16 set/14 89 14 mai/17 9 10 mai/16 2 8 mai/15 127 18 mai/14 150 15
Total set/17 set/16 set/15 set/14 mai/17 mai/16 mai/15 mai/14
Verificou-se que – de acordo com os cálculos realizados após a recolha e análise das notícias – o Jornal de Notícias é a plataforma de media com maior predominância na apresentação de notícias negativas, expondo-se com 26 notícias de aspeto negativo, enquanto que o Público se apresenta com apenas 4. Nota-se que no que concerne a notícias positivas, neste caso o JN consegue ultrapassar o P3, com 11 notícias positivas em comparação com 4. No entanto, comparando com o volume de notícias recolhidas em cada jornal, é possível compreender que o jornal P3 consegue uma abordagem direcionada ao público jovem, apresentando-se com 10,26% de notícias positivas em relação aos jovens, enquanto que o Jornal de Notícias, com apenas 1,97% de notícias positivas, mantém uma linha mais tradicional. Compreende-se também que o JN detém de um maior volume de notícias recolhidas (com 559) em comparação com o P3 (com 93). Os valores apresentados regem-se unicamente pelo facto do Jornal de Notícias, devido à sua escrita mais tradicional, deter de um maior volume de notícias diárias, nomeadamente notícias mais direcionadas aos temas políticos. No caso do jornal P3, o volume de notícias é significativamente mais reduzido devido a uma escrita mais simples e mais direcionada aos jovens, conduzindo a um número mais elevado de artigos de opinião e a menos de notícias diárias. A totalidade das 652 notícias encontradas a partir das palavras-chave selecionadas para a pesquisa e recolha de notícias para a presente investigação e, tal como qualquer estudo, a presente análise não estaria completa sem análise relativa às palavras-chave. É também possível verificar que das 652 notícias analisadas no atual estudo, apenas 2,4% faz referência aos jovens de forma positiva, subindo para 4,6% as notícias que fazem referência à geração mais jovem numa dimensão negativa.
As notícias “positivas” incluem exemplos maioritariamente ligados aos estudos, saúde e inovação. Essa apreciação positiva transparece nos depoimentos participantes, tal como Liane Costa em entrevista ao P3 no passado dia 22 de setembro de 2016, que espera que “seja um bom exemplo, sobretudo, para os colegas mais novos que, de facto, é possível fazer clínica, sermos internos da especialidade e, ao mesmo tempo, fazermos investigação.”. Outro exemplo vem de jovens mencionados em artigo do JN, no dia 26 de setembro de 2017, onde são apresentados projetos de investigação: “Estes são os dois
P3 JN Total Nº de notícias 93 559 652 Ref. Positiva 4 11 15 Ref. Negativa 4 26 30 % Ref. Positiva 10,26% 1,97% 2,40% % Ref. Negativa 10,26% 4,65% 4,60% 93 559 652 4 4 11 26 15 30 10,26% 1,97% 2,40% 10,26% 4,65% 4,60% 0,00% 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00% 12,00% 0 100 200 300 400 500 600 700
Nº de notícias Ref. Positiva Ref. Negativa % Ref. Positiva % Ref. Negativa
projetos que venceram a 25.ª edição do Concurso para Jovens Cientistas, promovido pela Fundação da Juventude”. Verificam-se também sinais positivos no discurso de Mariana Santos em entrevista ao P3, a 18 de setembro de 2016, onde é apresentado o incentivo ao público jovem, nomeadamente jovens adolescentes em início de vida e de carreira, caracterizando-se por “um monte de miúdas (…) que precisam que lhes digam que elas podem fazer o que querem. Dizer-lhes: ‘sim, tu podes’, ‘sim, é possível’”. Outro exemplo vem por parte do jovem Marcus Hutchins, com notícia presente no JN a 15 de maio de 2017, onde se confirma que “com a colaboração de amigos e entidades governamentais, como o Centro Nacional de Cibersegurança britânico e o FBI, dos EUA, conseguiu depois ajudar algumas das vítimas e lidar com o vírus”.
Relativamente a notícias de conteúdo mais negativo em relação com a geração jovem, estas passam maioritariamente por referências ao estilo de vida, ao terrorismo, ao desemprego e ao abuso de drogas e álcool. É possível verificar os vários aspetos negativos através dos artigos publicados por ambos jornais, nomeadamente no P3 a 13 de maio de 2016, onde se refere que “chegaram a sentir-se forçados a ir estudar ou trabalhar para outro país da União Europeia”, para além do JN, a 17 de setembro de 2016, que afirma que “a Justiça francesa acusou um adolescente de 15 anos do crime de associação terrorista. O rapaz, detido esta semana no 20.º distrito de Paris, planeava um ataque terrorista iminente.”. Em outro exemplo dado no P3 a 11 de maio de 2017, apresentam- se os adolescentes como uma geração doente, tanto físico como mentalmente, e com fortes apelos aos “distúrbios alimentares como um estilo de vida” e à mutilação. Ainda dentro do negativismo, a geração jovem é apresentada em Portugal, pelo Jornal de Notícias a 21 de setembro de 2017, como a geração de “(…) trabalhadores mais jovens, que trabalham a termo, em situações instáveis e com menos direitos.”. Para além da precariedade jovem e do ambiente de crise, esta geração é também obrigada a lidar com o desaparecimento dos “empregos para a vida, (…) noção de carreira”, podendo viver apenas com “(…) os "projectos" como estrutura de emprego e os recibos verdes como forma de pagamento: é o trabalho como "freelancer" – chamado de a nova Revolução Industrial.”, apresentado pelo P3 a 22 de setembro de 2016. Assim, é possível observar, em quadro abaixo, que a percentagem e valor total de notícias que se centram numa
abordagem positiva na geração mais jovem é extremamente baixa, obtendo-se apenas 15 artigos, sendo também de anotar que o número dos artigos em que os jovens são apresentados de modo negativo duplica, somando-se neste caso 30.
Quadro. 5 Quadro de percentagens – Número total de notícias positivas e negativas