Apesar de «Portugal» se enquadrar nos primeiros cinco temas da amostra e de ser o tópico principal, na grande maioria das vezes este aparece como um fator negativo, transmitindo em parte dos artigos em que aparece como sendo um país que ainda necessita de alguma evolução política, educacional e civil, subsistindo ainda a sua quase inatividade no que concerne o apoio a jovens quer a nível laboral, quer a nível sexual. Como segundo tema da listagem de cinco verifica-se a predominante «Europa», revelando-nos assuntos anteriormente descritos tais como a crise de refugiados que ainda se mantém, a forte crise europeia, os atos de terrorismo normalmente abordados em relação com a geração jovem e a falta de segurança dos cidadãos europeus perante tamanhas alterações na União Europeia. Com as notórias alterações, foi-nos possível chegar ao terceiro tópico mais abordado na imprensa portuguesa: «Jovens». Um tópico relevante, senão o mais essencial à investigação, que consegue abranger todos os restantes temas e apresentar diferentes
Nº de notícias Positivas Negativas JN 2014/15/16/17 Nº JN 559 11 26 P3 2014/15/16/17 Nº P3 93 4 4 TOTAL notícias 652 - TOTAL notícias 652 - Total positivas 15 2,40% Total negativas 30 4,60%
discussões sobre esta geração, sendo o tópico que se insere nos primeiros cinco da amostra. É normalmente indicada em relação com os participantes em atos de terrorismo e manifestações, apesar do ativismo ser das questões menos abordadas nos meios de comunicação social; a geração jovem é vista como a linhagem dos emigrantes, dos que abandonam o seu país, uma geração de estagiários e dos que abusam de estupefacientes. Uma linhagem que apesar da notória capacidade de fazerem o bem e desenvolver mecanismos que colocam «Portugal» bem-visto perante os restantes estados-membro, é normalmente assumida como uma geração que nada-faz ou, pior ainda, o que faz, faz mal, para além do fraco envolvimento e o ceticismo relativos à participação desta geração (Mesquita, Bonfim, Padilha e Silva, 2016: 289). Com a presente linha de pensamento, é- nos também permitido abordar o quarto tema mais abordado na amostra, «Cidadãos». Um tema estritamente necessário tanto de um modo de representação geral como devido a uma certa negatividade perante os cidadãos mais jovens. Contudo, os «Cidadãos» de um modo genérico, nomeadamente portugueses, são apresentados na imprensa como aqueles que ajudam outros povos apesar da diferença de culturas, como no caso da receção a emigrantes venezuelanos e a refugiados de outros países. Estão também presentes em decisões de elevada importância, tal como na saída do Reino Unido da União Europeia e nas eleições da Catalunha. Conseguem ser apresentados como cidadãos exemplares em movimentos solidários e na luta em prol do papel da mulher na sociedade, incluindo a defesa de cidadãos gays. O tema «Política», o último mais citado dos cinco da amostra integral, aparece com um tópico normalmente abordado de forma comum e que permite incluir todos os restantes, integrando artigos que apresentam conteúdo desde a presença do Presidente da República em eventos até à crise económica portuguesa e europeia. Contudo, apesar da «Política» se enquadrar genericamente em toda a amostra, é possível compreender que relativamente à geração «Jovem», a «Política» portuguesa aparece normalmente em abordagem ao Governo e decisões tomadas por este para um possível desenvolvimento e crescimento jovem, tanto exposto negativamente através do incentivo à emigração juvenil, como positivamente através da criação de estágios profissionais e cursos gratuitos. Na «Política» europeia, a grande maioria das notícias recolhidas passa pela crise, refugiados, Brexit, e independência da Catalunha.
Dando continuidade à análise dos tópicos envolventes da presente dissertação, nomeadamente em tópicos abordados no projeto Catch-EyoU, verificou-se que para além dos cinco temas acima referidos, as «Crianças» são também abordadas de forma significativa. Da amostra de notícias recolhida, o tema insere-se habitualmente numa abordagem mais negativa, não no sentido de as próprias crianças se envolveram em situações malévolas, mas sim no sentido de existirem atos desenvolvidos em nome destas a serem avaliados negativamente, ou seja, atos que passam principalmente pelos responsáveis – educadores, pais, amigos, família – e não pelas crianças em si. Apura-se, então, na amostra, dos anos 2014 e 2015, que o tópico «Crianças» se insere com facilidade em protestos, em manifestações por parte de pais e educadores, em casos com alegações a prováveis violações e, principalmente, na falta de apoio a crianças com necessidades especiais. Já na amostra integral, dos anos 2016 e 2017, verifica-se que o tópico «Crianças» é mais facilmente incluído em casos de saúde física, nomeadamente a obesidade infantil em Portugal e na União Europeia. Encontra-se também alguma ligação positiva ao referente tópico no sentido de as «Crianças» serem abordadas em artigos relativos a animais, ajuda animal e eventos educativos, excluindo por completo o fator político. Uma exclusão que passa pelo facto de todo o conteúdo relativo a «Crianças» passar única e expressamente por outros tópicos, nomeadamente os estudos, a saúde das crianças e a defesa social destas, uma exclusão pelo simples facto da política não aparecer relacionada com as crianças nos meios de comunicação e notícias analisadas. Uma questão que certamente será abordada mais adiante no sentido de compreender a educação das crianças e o modo como estas são apresentadas à sociedade sem qualquer tipo de ligação à esfera política.
Compreende-se deste modo, que os principais tópicos abrangem maioritariamente a geração jovem através de interligações a «Adolescentes» e «Juventude», para além dos «Cidadãos» que se encontram irreversivelmente conexos à «Cidadania» e «Ativismo», apesar da rara manifestação deste último na imprensa. Os subtópicos «UE» e «União Europeia» juntam-se de forma perseverante à predominação da «Europa» nos meios de comunicação, «Política» e, habitualmente, «Portugal».
caso, que os temas mais influentes retirados do JN e P3 são Portugal, Europa, Jovens, Cidadãos, Política e Crianças. Conclui-se, também, que da amostra integral de 652 notícias analisadas, apenas 2,4% (15 notícias) fazem referência aos jovens de forma positiva, subindo para 4,6% (30 notícias) as que fazem referência à geração mais jovem numa dimensão negativa. Ainda dentro da dimensão negativa, é possível constatar que o Jornal de Notícias é a plataforma com maior predominância na apresentação de notícias negativas, contabilizando-se 26, enquanto que o Público (P3) se apresenta com apenas 4. Através dos presentes temas e valores recolhidos e analisados, foi, então, possível o desenvolvimento do capítulo seguinte que irá integrar estes resultados na realização e análise de entrevistas.